4.15.2015

A minha filha já é famosa

Estava eu numa loja em Santarém a experimentar roupa (tão gira!) quando ouço o seguinte diálogo a vir da rua, onde a minha mãe estava com a Isabel.

Senhora - A cara da bebé não me é estranha.
A minha mãe - Mas é de Lisboa.
Senhora - Ah! Não é do blogue?

Apareço eu, incrédula, que estava a ouvir do lado de dentro.
A minha mãe - ... Sim...
Eu - ... Sim...
Senhora -  Bem que eu a estava a reconhecer. É a Isabel e a Irene.

Foi isto. Creepy. A sério, assusta. Mas é tão bom. Mas é estranho. Mas é bom. Mas é estranho...

Truque infalível.

Pelo menos cá em casa. 

A Irene passa o dia inteiro com ambos os pais em casa. Acho que é óptimo para ela. Às vezes, para nós, nem tanto. É difícil conciliar os timings de cada um de fazer as coisas e, acima de tudo, as crenças. 

Ironicamente, quando um de nós sai, a miúda come melhor e dorme a horas melhores. Enfim, mas estou em negação em relação a isso.

Sempre que um de nós saía, sempre que ela nos via calçados ou vestidos sem ser com os habituais pijamas (sim, não me visto para andar por casa, acho parvo ficar mais desconfortável só porque sim), ficava nervosa e a antecipar a nossa saída. A tal ansiedade da separação.

É mesmo a Irene, tirada pelo Pai.
Tirada, a fotografia, não tirada de dentro de mim que ele não é parteiro.


Claro que as mães e os pais que têm de deixar os bebés na creche têm muita mais experiência nisto da separação que nós, mas o meu marido, teve mais uma sugestão das boas (às vezes sai-lhe ;)). 

Estava eu a calçar-me para sair, a vestir-me e isso. A Irene já estava a perceber que me ia embora. Eu estava na sala a olhar para ela à espera de a apanhar distraída para sair de casa sem ela dar conta. No fundo, ia fazer como sempre. Sair e, quando ela reparasse, ia começar a chorar. 

O Frederico disse: "por que é que não vou com ela até à porta e ela te vê sair?". Assim fizemos e nem chorou.

As mães como eu vão perceber que fiquei um bocadinho triste por ela não ter chorado, do género "é assim tão fácil esquecer-se do amor da sua vida?". Por outro lado (eheh e agora a sério), ainda bem. Agora fazemos isso para tudo. Mesmo quando estou a adormecê-la à noite, tento não sair à socapa e digo "boa noite". 

Para quem não se quer separar de nós é, provavelmente, pior irmos de fininho sem dizer nada do que agir naturalmente. 

Com a Irene é assim.

Como é que vocês fazem? 

4.14.2015

Tenho um fraquinho pela minha ginecologista

Era agarrar nela e enchê-la de beijos. Tem um íman qualquer, uma aura, sinto uma empatia com ela que nunca senti com nenhum médico. E não é por conhecer o meu pipi melhor que ninguém, cruzes credo.

Gosto tanto dela que me vieram as lágrimas aos olhos quando a vi na consulta de ontem, quase um ano depois da última vez.

Ela é a maior, senão vejamos:

- foi ela a primeira pessoa que soube que eu estava grávida e se emocionou comigo 

- disse-me, já mais do que uma vez, que eu tenho um colo do útero lindo (1-0 para o meu marido que nunca se saiu com este elogio)

- foi ela que veio no dia do meu internamento da Alemanha e mesmo assim me fez o parto às tantas da manhã 

- fez parte do dia mais importante da minha vida 

- ao contrário do que se diz (que as enfermeiras é que fazem tudo), ela esteve lá sempre a puxar por mim, a passar-me boa energia e foi ela que me fez o parto, o corta e cose e me fez sentir especial, dizendo que aquele papel me assentava muito bem 

- sempre foi super cuidadosa e delicada comigo 

- elogiou-me duas vezes ontem a minha aparência física e reparou que eu estava mais elegante do que quando engravidei

- tem uma paciência enorme para mim, explica-me tudo muito, muito bem 

- fez-me sentir normal com os meus saquinhos de chá e ainda nos rimos à conta disso 

- é gira e tem um sorriso bonito e afável 

- toca saxofone

- é vegetariana

Não é nada vegetariana nem toca saxofone. Pelo menos que eu saiba.

Palavra que me apeteceu dizer que gostava muito dela, que vou falar dela à Isabel, que lhe estou muito grata e que ela é óptima naquilo que faz. Que confio nela a 100% e que vamos estar juntas nos dias mais felizes da minha vida. Faltou-me a coragem, não quis ser groupie. Mas no fundo, acho que ela sabe. Espero que sim.