quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

"mas por que não choras em frente à Irene?"

Pelo menos foi o que me apercebi. Há uns posts valentes, já não sei há quanto tempo, nem sei em que post, houve um comentário vosso que disse: "mas por que não choras em frente à Irene?". Isto porque eu tinha escrito que tinha feito um esforço enorme por me conter. 

Na altura pensei qb naquele comentário, mas na semana passada, dei-lhe ouvidos e chorei. Claro que não comecei a chorar tipo louca sem motivo algum só para lhe "mostrar sentimentos", ahah. Mas, estávamos as duas a não nos conseguirmos entender e eu fiquei mesmo muito frustrada e ela também. 

Acabei por chorar porque me apetecia e porque era importante que ela percebesse que, quando digo que estou cansada ou que está a ser difícil e que não aguento mais é a sério. Chorei e disse "e isto deixa-me triste porque quero ser a melhor mãe do mundo" - sem pressões, hã?. 



Ela olhou-me nos olhos e disse: "mas tu és...". Quando reparou que estava a chorar, disse: "os adultos também choram?". 

E eu, sorri e disse: "Sim, filha, choram. Choram, fazem birras, ficam zangados, tudo. Não és só tu. Os crescidos também.". 

Acho que aquele momento que parecia ser de frustração e de desentendimento acabou por nos aproximar mais e deixar bem claro para mim que eles precisam de ver as nossas emoções. Eu que tenho um medo que me pelo de lhe gritar - já ouvi berros que chegassem... - tenho mesmo que dar espaço para que ela veja todas as emoções em mim para também validar as suas. 

Foi bom. Eles arranjam sempre maneira de nos ensinar o que precisamos de aprender, não é? E obrigada pelo comentário construtivo desta querida leitora que estará algures aí perdida pela internet :). 

4 comentários:

  1. Tem sido muito bonito acompanhar a sua consciencialização intencional enquanto mulher e mãe nos últimos tempos. Aproveito por isso para fazer o que pretende ser também um comentário construtivo: a Joana nem sempre opta pela verdade ao responder e lidar com a sua filha, arranjando mentirinhas piedosas ou fantasias aparentemente inofensivas para justificar questões delicadas. É claro que uma criança pequena não precisa de levar com a verdade como uma traulitada na cabeça (nem um adulto precisa), mas não tenha receio de ir optando mais por respostas simples e verdadeiras mesmo para perguntas difíceis. Ainda hoje me custa encaixar como a minha mãe "editou" tanto da minha realidade na infância. É quase como se não me tivesse encarado como pessoa por inteiro.

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  2. Mostrarmos aos nossos filhos que temos fragilidades, que choramos, que ficamos irritados, que ficamos tristes, é mesmo muito importante. São lições de humanidade para eles.

    É uma conversa recorrente com a minha filha, que tem 3 anos. Houve um dia que ela, no meio da brincadeira, disse-me "a boneca está a chorar porque ela é bebé". E eu disse-lhe que todos choramos, bebés, crianças, adultos, homens, mulheres. Todos choramos porque estamos tristes ou zangados, porque nos magoamos fisicamente, porque estamos cansados ou doentes. E ela lembrou-se logo que quando eu entalei o dedo na porta e chorei desalmadamente de dor. Isto foi há mais de 1 ano e ela recorda-se! Tinha dois anos e lembrou-se de todos os pormenores.

    E voltei a repetir a mensagem que lhe passamos sempre: todos choramos e quem está à volta pode conversar, dar um beijo, um abraço, um carinho. E ela é isso que ela faz quando vê a mãe ou o pai, seja a chorar, seja zangados por alguma diabrura dela, seja cansados de um dia de trabalho. Noto que ela demonstra preocupação e que quer nos dar conforto, tal como nós fazemos com ela.

    O que mostramos aos nossos filhos é que todos nós somos humanos. Que todos temos vulnerabilidades e que conseguimos, acima de tudo, passar por elas. Ensinamos com o exemplo as emoções que existem, que eles sentem, que nós também sentimos e a forma saudável como podemos responder às mesmas.

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    1. Absolutamente verdade e muitíssimo bem dito.

      E Joana, gritar não é uma emoção, é uma reacção (pouco construtiva) a uma emoção. Quando nos zangamos não precisamos de gritar. Podemos levantar a voz, ela pode alterar-se, mas gritar é perder o controle de emoções em ebulição. E só sendo autênticos nas nossas emoções é que podemos aceitá-las e viver com elas sem nos deixar comandar por elas.

      E sim, também acho que não é preciso mentir. Nem mesmo mentirinhas inofensivas. Há sempre o caminho de dar menos informação, mas de forma honesta. É perfeitamente válido dizer a uma criança "prometo que te explico quando fores maior, porque é uma coisa realmente importante e eu quero que percebas bem, e ainda tens de aprender outras coisas antes de conseguires perceber isto bem. Confia em mim." Não digo isto muitas vezes porque não encontro muitas situações em que seja necessário, mas quando o faço, o meu filho, de três anos confia de facto em mim. Isto também é importante.

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  3. Chorei em frente a minha cria...senti-me tão frustrada! Fiquei inquieta e de cenblante triste,uma senhora ja um pouco mais velha, perguntou-me entao "o que tem hoje?" Sai-me o desabafo...onde a mesma me responde "Querida, faz uma pausa e diz - sabe há situações, emoçoões e sensações que temos de ensinar aos nossos, se for pelas teorias todas modernas provavelmente levará mais tempo para saber...e vai olhar p si como se fosse uma rocha...alegre-se menina o facto de a cria a ter confortado é sinal que o seu trabalho está a ir bem." Pensei tanto nisto. 1 ano dp ao apanhar-lhe encontro um grande pranto chora e chora...diz a mamã o que aconteceu? "Sabes tu zangas-te comigo as vezes quando porto-me mal! Pois é? Sim,explico-te porque me zanguei e assim percebes, pois é! Agora diz-me o q tens? o q aconteceu? Sabes, mãe estou triste e zanguei c a minha amiga e ela bateu-me...! Só queria ir para casinha, sabes! Posso dar-te um abraço e a mãe leva-te ao colo assim dou-te beijinhos. Ja no carro "ela nao pediu desculpa!? E chorei! Expliquei-lhe q ficar triste,zangado, furioso, irritado e até falar alto,etc é natural faz parte da vida... e podes chorar sempre vou estar sempre aqui para te acolher! Joana errar é tão humano! Não podemos nem seremos nunca uma maquina! Nem eles...tenho outras lições q a cria me tem ensinado. Um grande abraço acho-a optima mamã, a sua Irene é muito linda :-)

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