3.15.2015

Epá, gosto mesmo de vocês! :)

Gosto mesmo, a sério. 

Gosto mesmo de sentir que andamos a escrever coisas com as quais se identifiquem, que vos façam rir, que vos faça chorar, que vos faça sentir qualquer coisa. 

Para mim rir e fazer com que não se sintam sozinhas, são as minhas reacções preferidas. 

Sempre que recebemos um e-mail com a proposta de uma parceria ou um comentário mais pessoal a algum post, vem sempre acompanhado de um elogio e isso é impagável. É impagável saber que aquilo que eu cuspo aqui no meu computador, além de chegar a imensa gente (e cada vez mais, obrigada), faz com que se sintam melhor. 

Já somos melhores que alguns médicos. E talvez bem melhores que todos os homeopatas do mundo (ler aqui). Vá, até podem dizer que foram a algumas consultas e que vos resolveu aquela dor aguda ali, a verdade é que, se calhar, até passaria sozinha ou com outro tipo de não-ciência qualquer que vos prometesse coisas. :)

Bom, voltado ao amor. Amor vos damos e amor temos sentido de volta. 

E este exemplo é tão, mas tão querido. 

Em tempos escrevi um post (aqui) a dizer o quanto estava triste pela roupa que deixa de servir à Irene. Especialmente um gorro da Benetton, este: 


Vai daí, a Anjinha Patuda (também foi essa a minha primeira reacção ao nome: "Wtf?") enviou este e-mail: 




Lá fui ver o que estava em anexo e... passei-me!!! Mesmo!!





Claro que respondi, toda derretida ;)



Obviamente que me faltou um "e" ali em cima em deixaste ;) É ou não é o gorro mais giro de sempre? 

Podem sempre fazer como nos cabeleireiros e dizer "quero o cabelo desta assim" e pedir um gorro igual! ;) Eu não me importo e a Anjinha Patuda muito menos :)

Fica aqui o Facebook dela.

E, mais uma vez, Anjinha, MUITO OBRIGADA!

3.14.2015

Carta para a minha filha




Isabel,

Quero-te para mim, mas és do mundo.

És minha, pelo menos metade, mas não és. És-me toda mas não és minha.

Quando gritei e tu de mim saíste, quentinha e enrugada, deixaste de me pertencer, mesmo sendo tão minha. 

A minha voz, que já era tua, fez-te acalmar o choro, logo, naquele segundo.

Voltámos a ser uma, ali, coladas enquanto mamavas e eu nunca fui tão feliz como naquele dia. 

Eras cor-de-rosa, morna, gordinha. Calma, muito calma. 

Hoje és ágil, branquinha, esguia. Tens a energia dos pontapés que me davas durante a noite, quando ainda me pertencias. 

E mesmo tendo saído, nunca mais saíste.

O amor que tenho por ti é maior do que alguma vez eu podia ter imaginado, até porque te amo mais do que a mim. 

A minha vida pela tua, sempre. 

E é lavada em lágrimas, cheias de nostalgia de um tempo que fugiu entre os dedos mas que fez transbordar um coração, que me dou conta de que passou um ano. 

Num ano, o que tu mudaste e o que tu me mudaste! 

Não sou a mesma, nunca mais o serei. 

Sou o melhor que sei ser, o melhor que te posso dar e muito melhor do que imaginei ser possível. 

Sou mais forte, mesmo com todos os medos que me trouxeste. 

Porque o verdadeiro amor torna-nos assim, grandes, capazes de nos superarmos. 

Por ti, tudo. 

Da tua mãe, 
Joana 

Afinal Havia outra (#14) - Nunca mais fui a mesma.

É muito estranho dizer que engravidei às 23 horas do dia 23 de Outubro de 2012. Mas foi. E no dia 5 de Novembro senti com toda a certeza que estava grávida. Toda eu era fogo-de-artifício, arco-íris e haagen-dazs de felicidade.

E depois caiu-me a ficha. Ai Virgem Santa, e agora? Não que achasse que não dava conta do recado, mas porque queria dar conta da melhor forma possível. E antes que as hormonas do sétimo círculo do Inferno se apoderassem, decidi fazer as coisas como sei: em grande.

E assim começou.

Primeiro foram os livros sobre a gravidez, daqueles com fotos de grávidas giras com ar de quem só engoliu a criança e não em modo “os meus pés só cabem em havaianas e mesmo assim…”.

Depois foram os livros da moda como o do Dr. Oz, que me dizia para comer semente de linhaça quando me apetecesse um chocolate. Foi exatamente isso que fiz. Quando comia um snickers, imaginava um campo de linhaças ao vento.

E segui com os livros técnicos de desenvolvimento psicológico, psico-motor e comportamental das crianças, com nomes esdrúxulos e impercetíveis. E com um dicionário ao lado.

E, claro, o Brazelton e o Cordeiro, que passaram a ser meus companheiros de cama e sofá. (Até hoje juro que o meu marido tinha ciúmes!)

Preparações para o parto foram logo três. Assim de enfiada! Uma de ioga, para ela ter as energias equilibradas e porque me dava a desculpa perfeita para usar as únicas calças que me serviam. Uma aquática, não fosse a “piquena” ser meia peixe. E ainda uma teórica, onde me sentava na fila da frente, a apontar tudo com esmero e com sublinhados às cores. Sim, mesmo à totó!

E mesmo sendo naba nabíssima com as tecnologias, inscrevi-me no BabyCenter - coisa maravilhosa que ainda hoje tanto jeito me dá -, em blogs, em grupos de facebook e tudo o mais mamã-internético;

Ele foi tudo e mais alguma coisa. Papei tudo.

E quando a Maria do Carmo nasceu, a 24 de Julho de 2013, estava de facto calma e preparada. Preparada para a amamentação, para o mecónio, para as alterações hormonais e para todas as outras três mil coisas que acontecem com a maternidade.

Só não estava preparada para uma coisa: nunca mais ser a mesma pessoa.

Nunca mais ser o centro do meu mundo.

Nunca mais ser a pessoa que mais amo (imensamente egocêntrica, eu sei).

Nunca mais conseguir ver um telejornal sem chorar pelo menos 3 vezes.

Nunca mais conseguir ver qualquer reportagem sobre fome, maus-tratos ou negligência infantis. Não consigo simplesmente.

Nunca mais passar por uma criança sem lhe sorrir, meter conversa, perguntar a idade e o nome e todas as outras coisas absurdas que via os outros fazerem. Mas (ainda) não cheguei ao bilu bilu.

Nunca mais ver filmes parvos como o “Pai da Noiva” sem carpir este mundo e o outro.

Nunca mais acordar de mau humor, porque acordo com um doce “mamã” que já me faz ganhar o dia.

Nunca mais ter a mala maior quando vamos de fim de semana.

Nunca mais passar horas a preocupar-me com a nova coleção, com as tendências e com os coordenados. Pelo menos não em ponto grande…

Nunca mais ter um péssimo dia que um abraço tão pequeno não cure.

Nunca mais não ser mãe.

Felizmente.


Filipa Caroto Escórcio, mãe da Maria do Carmo, de 18 meses
Mãe Patinha