3.08.2015

No "dia da mulher" o homem foi ao Spa e a mulher ficou em casa a cuidar da cria.


Fui a primeira vez fazer uma massagem e não sei se foi por ser o dia que hoje se assinala, mas a verdade é que me agraciaram com uma tanga fio dental. Fiquei assim a saber que, aparentemente, é também "dia do homem se sentir mulher". Felizmente, escrevo-vos já em casa, a ver a bola e a afagar ocasionalmente a genitália. Podia ser muito pior não tivesse a massagem sido feita por uma menina em fato de banho com calças de lycra. Equilibrou a cena da tanga e "corta, corta" como na matemática. 


Calma, eu explico. Fui mesmo a um hotel e não a um "hotel". Era na Rua de Santa Marta e não "ao Saldanha", atenção. A profissional estava com esta indumentária porque a massagem consistia num braço repleto de chuveiros que a Vera (sim, aqui elas dizem o nome verdadeiro) fazia passar por cima de mim enquanto fazia a sua arte. Eu sei que mesmo depois desta explicação ainda vai haver quem julgue que fui "ao Saldanha". Eu próprio reli e compreendo, mas a verdade é que não há outra forma de explicar. 



Experimentem, que vale muito a pena. Sítio muito giro, com classe e tratam muito bem as pessoas. Para os maridos, aconselho levarem fato de banho de casa. No entanto, se for para levar uma sunga, a preocupação já terá de ser da mulher, porque uma coisa é por não ter opção, outra é por escolha deliberada. "Ah, dá mais jeito que calções...". Dá? Para quê? Se for para o que estou a pensar é tão fácil baixar quanto desviar. "Ah, assim dá para bronzear tudo.". Dá? Para quê? Para não ser preterido numa sauna, no Chiado? Mulheres, não vão nisto, façam-se vocês homens e acabem com isso.



No "dia da mulher" o homem foi ao Spa e a mulher ficou em casa a cuidar da cria. Calhou ser no "dia da mulher". Tal como calha ser "dia da mulher" todos os dias cá por casa e por isso não o termos assinalado hoje, sequer. 



Igualdade é um dia já não haver "dia da mulher". Não por esquecimento, mas por já não ser necessário. E se for por esquecimento, que seja precisamente por já não ser necessário. E essa altura será quando todos os dias duma família acabem, ao contrário da minha massagem, com um final feliz.

Frederico Pombares
Conhecido por ser o marido da Joana Gama e não por ser
Argumentista de Cinema, Televisão e Teatro.
Não tem nada no IMDB nem nada.
Ver aqui. Sim pus o link porque sou uma cagona. 


Vamos ter esta massagem que os nossos "mais que tudo" foram fazer para vocês darem aos pais das vossas crias. É estarem atentas. ;) À vida no geral, mas principalmente ao blogue.

Há mulheres


Adoro ser mulher. A sensibilidade, o instinto. Adoro ser mãe. A fonte geradora de vida, a dádiva, a entrega. Adoro ser filha. A memória, o cheiro, o eterno obrigada. Adoro ser namorada. Respeitada, amada, surpreendida. Não sinto o preconceito na pele, não me sinto discriminada, mas também sei que a realidade da grande maioria das mulheres não é a minha. Mas se calhar calço poucas vezes os sapatos dessas mulheres. Hoje aproveito a ocasião para fazê-lo. Porque...
Há mulheres que não são nem querem ser mães e são vistas como pessoas egoístas.

Há mulheres que querem ser mães e não conseguem.

Há mulheres que saem de casa às seis e meia da manhã e chegam a casa já à noite, sem terem tempo de serem mães.

Há mulheres que são obrigadas a serem-no, muito antes do tempo.

Há mulheres que vivem caladas, com medo.

Há mulheres que sorriem mas por dentro já morreram.

Há mulheres que amam mulheres e que enfrentam o peso do mundo.

Há mulheres que por serem bonitas, "não têm nada na cabeça".

Há mulheres que por serem gordas, "nunca vão ter ninguém".

Há mulheres que vivem com mulheres a quem não lhes dão o direito de serem mães, já o sendo.

Há mulheres mais velhas que namoram com homens mais novos e que são julgadas, com um simples olhar.

Há mulheres que trabalham muito e não são devidamente recompensadas. 

Há mulheres que já perderam há muito a vontade de sonhar.

Há mulheres a quem exigem tanto que se esquecem de ser mulheres.

Há mulheres que abdicam de si e se anulam, em prol de outros.

 

Para todas estas super mulheres, a minha homenagem. Que a vossa voz seja ouvida. Que todas juntas possamos mudar as vossas vidas.

3.07.2015

Fui uma criança feliz

Tenho tantas e tão boas memórias da minha infância. Dos verões na praia da Cabana do Pescador, de fazer amigas todos os dias, de apanhar boleias nas ondas, dos banhos de mangueira e balde, dos pequenos-almoços no terraço, das manhãs de fim-de-semana passadas na cama dos meus pais, da minha professora São, da natação, da ginástica e de brincar às barbies até tarde, de jogar ao elástico e de ter a perna alta, das cartas de amor com sim, não e talvez, das visitas de estudo, dos cadernos impecáveis e das 5 cores diferentes de canetas, dos livros forrados, da mochila eastpak "à crescida", das minhas biqueiras de aço, quando achava que me davam estilo, de ouvir as cassetes dos onda choc e dos mini-stars, das primeiras paixões em que queria morrer, da primeira vez em que andei de avião e comi lambecas em Porto Santo, da minha melhor amiga Priscila, de brincar na rua até tarde, dos ataques de cócegas do meu pai, das festas de anos incríveis da Telma com luzinhas de discoteca, de implicar com o meu irmão, de ir comprar gomas e pampilhos com as moedas da semanada, dos Onda Choc, de responder às cartas de fãs, de querer ter mamas, de andar de bicicleta na aldeia da minha avó Rosel, das excursões com a minha avó Isabel e com os velhotes todos, dos natais e dos meus primos sempre à batatada, de comer caracóis, de olhar para a minha mãe e de ver nela a mulher mais bonita do mundo, das férias de três meses que se tornavam entediantes, dos meus patins em linha e das quedas aparatosas, de estar na segunda fila e de ir ao quadro, de comprar umas calças à boca de sino azuis de veludo. Fui uma criança feliz e espero que a minha filha também o seja.