3.05.2015

Teste: Que tipo de mãe és?

Vai parecer que estamos a regressar à adolescência e àqueles testes parvos da Bravo ou da Ragazza, mas não, nada disso, está aqui um verdadeiro teste sociológico que será, com toda a certeza, alvo de grandes teses de doutoramento por esse mundo fora. Será, cara leitora, uma mãe galinha ou mais despreocupada? Romântica ou pragmática?

No fundo, como sabes, eu e a outra Joana somos muito diferentes: será que és mais betinha que te desunhas (Joana Paixão Brás) ou que tens um estilo semelhante a uma mulher de orientação sexual duvidável e que adora jogar  futsal (Joana Gama)?

Desfruta deste momento de auto-conhecimento totalmente grátis e de um rigor científico inegável que só A Mãe é que Sabe te pode proporcionar.


1) A chucha da cria cai no chão de casa:

a) sopras ou limpas à tua roupa
b) vais a correr esterilizar
c) ignoras e continuas a depilar as virilhas com a pinça que veio com a cera Veet que compraste no Jumbo

2) A tua cria está pela primeira vez constipada 

a) limpas o ranho com a manga da tua camisola e mandas uma SMS à pediatra
b) desinfectas a casa toda, mandas SMS à pediatra e se não responde nos próximos 5 minutos ligas, se não atende vais às urgências e fica de quarentena um mês, sem receber visitas
c) começas aos gritos com o pai por causa de uma coisa aleatória

3) Queres comprar uma roupinha querida para a filha levar a uma festa 

a) ficas indecisa entre um tapa-fraldas de xadrez e um fofo com golinha "amoroooosa"
b) ficas indecisa entre o casaco leopardo e as leggins leopardo porque também não queres exagerar
c) é tão complicado que preferes nem ir à festa, vais antes a uma conferência sobre couve lombardo

4) Estás a preparar o quarto para o nascimento da miúda 

a) gostas do estilo romântico, por isso um armário restaurado é uma óptima opção
b) procuras tudo com design e até a banheira tem de ser o último grito da moda
c) pões um caixote de papelão e uma toalha lá dentro, tanto dá onde o bebé dorme, ele nem vai reparar

5) Vais sair de casa e estar duas horas sem a tua filha 

a) respiras fundo e aproveitas para ter um tempo só para ti, de sorriso na cara
b) assim que passas a porta, sentes-te cheia de saudades e alguns remorsos até
c) sais e voltas para trás porque não convinha deixá-la sozinha com 2 meses

6) Ainda não recuperaste o peso que ganhaste durante a gravidez 

a) marcas consulta numa nutricionista e ou vai ou racha 
b) comes um pacote de bolachas
c) queres recuperar peso? não chega aquele que já tens?

7) Na hora de fazer a comida da filha

a) fazes uma ou duas sopas e congelas para a semana
b) fazes sopa quase todos os dias, com alimentos sempre diferentes e até apontas tudo num caderninho
c) pedes ao pai e ele que se desenrasque, mesmo que ela coma m&ms com presunto

8) Desejas que no futuro a tua filha seja:

a) uma mulher sensível e generosa 
b) uma mulher bem sucedida e inteligente
c) adulta

9) Casamento perfeito é:

a) ainda só uma miragem, mas quando for, que seja com um vestido branco simples, no campo e só com os amigos e familiares mais próximos 
b) em las vegas, com a mesma roupa com que aterraste: calças de ganga e cabelo meio oleoso, desde que ao lado do teu grande amor
c) um que não exista 

10) Quando falas:

a) pedes a todos os santinhos para que ninguém repare muito em ti
b) adoras que se riam dos disparates que dizes
c) adormeces



RESULTADO:

6 a 9 As - és romântica, mas despreocupada q.b. Queres criar um filho independente, mas seguro e apaixonado pela vida e pelos outros. Gostas de ordem, mas também do lado mais espontâneo da vida.








10 As - és um clone da Joana Paixão Brás, mas menos gaga, esperamos.







6 a 9 Bs - és uma mãe galinha quase, quase insuportável, mas ainda consegues não ser totalmente paranóica. És preocupada porque a tua cria está acima de tudo e não há nada que ames mais no mundo. És auto-crítica e queres dar sempre o melhor de ti. Queres ser a melhor mãe do mundo.







10 Bs - és a gémea separada à nascença que a Joana Gama anda há anos à procura, para a matar porque ela não admite que ninguém seja igual a ela ou, ui, melhor.





6 a 9 Cs - A sério? Quais? Quais escolheste? A da conferência couve-lombardo? A da pinça? É boa, não é, a pinça? Não é daquelas que depois deixa meio pêlo lá sozinho.

10 Cs - Estas hipóteses eram só para sermos um bocadinho engraçadinhas, se tiveres respondido a sério, é algo preocupante. Vai a uma consulta de qualquer coisa (pode ser um alergologista, até) ou, então, não contes a ninguém senão habilitas-te a uma visita de uma assistente social.

Afinal Havia Outra (#12) - Quando o final não é o esperado.

Após um início conturbado, a minha gravidez foi decorrendo normalmente. Às 19 semanas uma indisposição e algumas dores na zona dos rins levaram-me à urgência. Análises, exames, ecografias… e as palavras mágicas: está tudo bem com o bebé, é uma criança saudável e as dores significam que a mãe tem que abrandar o ritmo. Saí do hospital naquele dia levíssima… tive a certeza naquele dia que ia ser mãe de um menino, estava tudo bem com o bebé e prometi a mim mesma que teria mais calma. Isto passou-se num domingo, e na sexta-feira seguinte tinha marcado a ecografia morfológica no Centro de Entrecampos. Desta vez nem ia nervosa, pelo contrário, ia extremamente confiante…

Mais ou menos 40 minutos depois de ter começado a ecografia o médico pede à assistente para ligar para Santa Marta para falar com o médico de serviço e em simultâneo pede-me para mudar para outra sala, porque havia qualquer coisa que não conseguia ver bem no bebé com aquele aparelho. Ok! Deve ser normal este procedimento, enquanto me instalo ele trata de outros assuntos, pensei para comigo! Entretanto começo a ouvir a conversa do médico com Santa Marta: “Podes atender uma paciente que aqui tenho… ela não é de Lisboa… sim, há qualquer coisa no coração do bebé que eu não consigo ver…. “Hããã? Como? Coração? Do meu bebé???? O quê?... (escusado será dizer que nesta época a minha ignorância levava-me a pensar que problemas de coração eram só para maiores de 50!!!). O meu coração parou com o choque, para a seguir disparar desenfreadamente. A minha vida ficou suspensa naquele momento, os meus sonhos desmoronavam-se, as palavras do médico ecoavam-me na mente, as lágrimas corriam livremente… o meu bebé tinha um problema, e agora?

Já passava das 22 horas daquele dia 14 de Março quando segui para o Hospital de Santa Marta onde tinha o Dr. Macedo à minha espera. Após um ecocardiograma e muitas perguntas saí sem um diagnóstico definido, o bebé estava atravessado e não era possível afirmar com certeza qual era o problema, voltaria daí a 15 dias para confirmar. Estava tão mal nesse dia que pedi ao médico que me adiantasse os diagnósticos possíveis e mesmo contrariado ele lá avançou as hipóteses: poderia ser uma CIV (comunicação intraventricular) – era o melhor diagnóstico – ou uma Tetralogia de Fallot, (levei semanas para fixar este nome) que seria a situação mais grave. Isto implicava que o bebé teria que ser operado ao coração pelo menos uma vez, ou mais, dependendo como a situação fosse evoluindo.

Foram 15 dias angustiantes… interiormente só pedia para não me perguntarem pelo bebé, estava de rastos e não conseguia perceber o que tinha corrido mal, e não era isto que esperava quando engravidei. Não sabia como lidar com tudo o que estava a acontecer, até que num desses dias o meu marido disse-me: “Estás grávida de 22 semanas e não há nada que possamos fazer, temos que o aceitar e que o amar independentemente de como ele vier!”. Acho que era aquilo que eu precisava ouvir.

No dia 27 de Março tive a confirmação… o meu bebé tinha uma Tetralogia de Fallot! Repeti-lhe todos os dias que ele seria um lutador e que nós estaríamos sempre lá para ele.

Passei a ser seguida na Maternidade Alfredo da Costa, nas consultas de alto risco e em simultâneo no Hospital de Santa Marta. No dia 20 de Maio, um mês antes da data prevista, entrei em trabalho de parto. Fui internada na MAC, onde ele nasceu no dia 21 de Maio. Foi para os cuidados intensivos de onde teve alta dois dias depois.

Passaram quase 18 anos, ele foi operado aos 2 meses, fez a cirurgia correctiva aos 16 meses, e teve que fazer nova cirurgia há cerca de dois anos. Prevê-se que daqui a 15 anos a válvula tenha que ser novamente substituída.

Ele é um menino extraordinário e muito especial. Não tem grandes limitações e faz a sua vida normalmente como qualquer jovem da sua idade. E é muito mais do que aquilo que eu sonhei... Com ele aprendi a ser mãe... a mãe que ele precisa... (Quatro anos após o seu nascimento demos-lhe um irmão, que nasceu sem problemas de maior!)

Quando o final não é aquele que esperamos e a mãe não sabe, a mãe aprende… e a uma velocidade surpreendente!

Alzira Maia Ferreira

Ámen!

Que as nossas filhas sejam mais espertas do que nós. Ámen.