terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A escola das minhas filhas é a melhor!

Parece um daqueles argumentos saídos da boca de uma criança: "a minha escola é melhor que a tua". Mas, perdoem-me a infantilidade, estou mesmo muito contente com a escola em que a Luísa e a Isabel andam.


Primeiro que tudo: as pessoas. 
Na primeira escola da Isabel, não procurei muito. Encontrei, felizmente, uma escola que me enchia as medidas em três assuntos: as pessoas (até hoje tenho uma estima gigantesca pela primeira educadora e auxiliar que lhe calharam, uns amores e pessoas de confiança), a alimentação (era bastante boa, equilibrada e diversificada, com dia vegetariano e seitans e tofus lá pelo meio que a miúda comia na boa, quando em casa era um trinta e um) e o facto de estar relativamente perto do nosso trabalho e de nossa casa. Confesso que não dei uma grande importância ao modelo pedagógico, nem sabia bem o que isso era. Estava preocupada com outras coisas. Fiquei triste quando percebi que, até certa idade não iam à rua com regularidade, porque as fotografias dos miúdos no recreio a tomarem banho de mangueira tinham-me cativado. E chateava-me o facto de não haver horas de sesta mais livres e de acordo com as necessidades deles (com a idade dela, uma sesta depois de almoço era claramente insuficiente). Mas tudo bem. Ela estava a ser amada, acarinhada e estimulada e isso, para mim, era e é o principal. 
Continua a ser a prioridade. Mas, acho, agora e cada vez mais, que as pessoas podem ser melhores se tiverem mais ferramentas, se não tiverem muitos miúdos por sala, se o método / premissas / regras da escola forem também eles melhores, entre outras tantas condições e liberdades...
Gostei de todas as escolas em que a Isabel andou, cada uma com pessoas fantásticas e que a ajudaram a crescer, a ser autónoma, a comer... mas, não desfazendo nenhuma nem sendo injusta (até chorei quando a mudei de escola em Lisboa e em Santarém, por saber o quão especiais eram e o quanto dela gostavam...), mas gosto mais da forma com que lidam com as crianças na escola em que está agora, como lhes falam, o que esperam delas, o que lhes transmitem... não consigo explicar muito melhor do que isto.

Depois: a familiaridade/ participação dos pais.
Ali não há "mãe" para aqui e "pai" para ali. Sabem os nossos nomes. Podemos entrar "por ali fora". Podemos ir à cozinha. Dar pão à Luísa se nos pedir. Entrar nas salas. Sentarmo-nos na roda ou vê-los pintar caixas de ovos ou fazer bolas amachucando folhas de jornal. É bom sentirmo-nos parte e poder acompanhar o que fazem e como fazem, se tivermos essa disponibilidade. 

As actividades.
Gosto de saber que a primeira coisa que fazem na sala da Isabel, por exemplo, é sentarem-se em círculo, a falarem do que lhes apetecer (reunião). Cada um escreve na folha o nome (ou um desenho) caso queira participar e depois, quando chega o momento, fala do que quiser: do que fez, do que vai fazer, do relógio, do boneco, do pai, conta uma história e os outros escutam, fazem perguntas, o que surgir. Gostei de perceber pela conversa da Isabel toda feliz que estiveram a dar os ossos: "mãe, se tocar na minha cara sinto os ossinhos, e aqui nas mãos também". Gosto de saber que depois de uma história, fazem desenho inspirado nessa história. Gostei da forma como trabalharam em grupo, uns foram pintar as caixas, outros fazer as bolas (não há aquela coisa de fazerem todos o mesmo com as mesmas cores, etc, etc). Gosto quando tem de levar um ingrediente para fazerem lá pizza. Ou bolachas. Ou de quando saem para ir ao CCB ver instrumentos. Ou vão ver os cavalos. Ou ao Pavilhão do Conhecimento. Ou ao circo. Gosto do "mapa do tempo" onde desenham se está a chover ou sol. Gosto do jardim da escola. Gosto das histórias que por lá contam e do tempo para brincadeira livre também.

Pormenores que fazem a diferença.
E talvez não sejam pormenores de todo. O período de adaptação. Essencial, a meu ver, e que se verificou na forma rápida como a Luísa se afeiçoou à escola e às pessoas. A Isabel, no primeiro dia, quis logo ficar para a sesta, abençoada filha fácil. Foi o David quem fez o período de adaptação com a Luísa. Foi com elas no primeiro dia, voltou para casa só com a Luísa e voltou a ir buscar a Isabel, que quis logo ficar "o dia todo" no primeiro dia. No segundo dia, a Luísa ficou para almoçar. No terceiro ficou para a sesta, se não me falha a memória e o David ia logo buscar ao lanche. Depois, vimos que corria bem e lá ia ficando mais tempo - acho que na segunda semana já ficava o dia todo. Tudo feito com calma, nem entendo de outra forma, havendo disponibilidade dos pais. Não consigo perceber o que pode correr mal: é porque é injusto para os outros miúdos que estão lá sem pais, que podem ficar com saudades? Interrompe-se a normalidade? Os miúdos habituam-se à presença dos pais? É o quê mesmo, alguém me explica? O que é que justifica o arrancar dos filhos dos braços de uma mãe ou de um pai, que não pode passar da porta para a frente, nem ficar ali a mostrar ao filho que pode confiar naquelas pessoas e que não o está a abandonar com estranhos?
O facto da Isabel me ter vindo dizer que a educadora lhe tinha tido que ela ia ter de resolver o assunto com o J. (uma quezília qualquer que para lá houve, ficando "nas mãos" dos miúdos conversarem sobre o assunto e resolverem. Achei lindo este incutir de responsabilidade neles, sem ir na onda das queixinhas (que fazem parte, bem sei). Conversámos sobre o assunto no carro e percebi que aquilo tinha feito bem à Isabel para perceber que devia pedir desculpa no dia seguinte. Tem 3 anos mas vejo-lhe mais "maturidade" (não queria nada usar este termo) na gestão de conflitos e de sentimentos. Ela adora a educadora, diz que é a "peferida" na escola, logo seguida pela M., uma colega a quem cumprimenta sempre com um abraço quando chega (e que pede para ter 5 anos como ela para não ter de dormir mais a sesta). Isto, para mim, também é um ponto a favor: as turmas mistas. Completamente de acordo.
E, por último, poderem, Isabel e Luísa, estar juntas de manhã e ao final da tarde, numa sala comum. Isto também ajudou muito a adaptação da Luísa, claro. E a Isabel sentia-se muito "irmã mais velha" e fazia-nos o relatório todo, dizia-nos quando a Luísa ia à rua ou quando tinha feito birra ou brincado com ela. 

Estou a esquecer-me de coisas que me fazem gostar muito daquela escola, mas fica para a próxima. Já agora, estão numa escola MEM (Movimento Escola Moderna). :)





www.instagram.com/joanapaixaobras

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11 comentários:

  1. Joana, sem querer parecer indiscreta, mas sendo: quanto custa uma mensalidade numa escola dessas? A minha filha vai nascer daqui a uns dias e preciso, seriamente, de pensar numa escola. Mas do que tenho visto, tudo é uma exorbitância!! Desculpe a pergunta é obrigada 😊

    Sofia

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    Respostas
    1. Não queria muito entrar em pormenores, mas se calhar posso ajudá-la dizendo que há IPSS com pedagogia MEM, procure na rede <3 Beijinhos

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    2. Posso partilhar que temos os nossos filhos (14meses) numa IPSS MEM, em Lisboa. Pertence à ATM - Associação Tempo de Mudar. Recomendamos vivamente!

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  2. Olá Joana,

    A minha filha também está numa escola com o MEM. Para o ano vai ter de mudar para o público. Tenho muita pena, mas vai ter de ser. Mas quem conhece esse método, parece que todos os outros n fazem sentido, pq incutem responsabilidade, respeito pelo outro e as aprendizagens são ao ritmo de cada um.
    Geralmente as escolas que seguem o MEM têm esse tipo de atitude em relação aos pais poderem entrar à vontade e interagir com as crianças.

    Visto que a Isabel já mudou tantas vezes de escola, podias falar sobre a mudança?? Como correu?? Como encaraste? Como foi para a Isabel os primeiros dias...

    Obrigada pela partilha

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  3. Aproveitando o post, será que me podem dar recomendaçoes de boas creches em Gondomar?

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  4. A escola das minhas filhas é uma IPSS e é em tudo igual! Também deve ser isso..MEM.. acho que agora tudo se crítica que as pessoas nem vem o lado bom e positivos das coisas.

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  5. Eu acho que mais do que da instituição e do movimento que segue, este tipo de coisas depende da educadora. Tive a minha numa creche onde (eu) detestava a diretora mas a educadora tinha este género de abordagem que adorei.

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  6. Acredito que existam muitas escolas boas e é perfeito assim mesmo, acharmos a escola dos nossos filhos a melhor. :) Também adoro a escola das minhas filhas. É privada e o nosso maior investimento (e esforço) familiar mas vale cada cêntimo.
    Nem sei bem qual o plano pedagógico mas o que me interessa mesmo é que elas adoram ir para a escola, aprendem muitas coisas boas e são muito bem tratadas, com afeto e regras. Todas as pessoas que ali encontro conhecem as crianças pelo nome e tratam-nas com um carinho comovente. Muitas vezes, quando observo sem ser observada, sinto que não podiam estar num sítio melhor.
    Houve uma fase em que a Maria ficou doente muitas vezes e eu ponderei coloca-la numa ama. Depois de visitar várias amas senti-me desolada só de pensar em tira-la da escola. Felizmente não foi necessário.
    Não sei bem quanto tempo vou conseguir te-las ali mas enquanto puder é a minha escolha.

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  7. Em Setembro a minha filha vai entrar para o jardim de infância. A escola que escolhemos parece-nos integrar estes princípios do MEM que, para nós, fazem todo o sentido, sobretudo a questão do contato regular com a natureza/meio exterior e o tipo de relação que é estabelecido entre os educadores e as crianças e entre os educadores e a família. Sentimos uma enorme empatia pelas pessoas que ali trabalham. Em Setembro, logo veremos ;)

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  8. Adorei tudo o que li... Estou tão insatisfeita com a escola do meu filho, sobretudo porque os pais não entram... Não quer mesmo dizer o nome da escola? Por favor...

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  9. Olá Joana... O meu Santiago vai entrar em Setembro e terá 29 meses. Ando á procura em santarém, mas penso que lá não tem nenhuma escola com o MEM. Pelo que vi no site não tem lá. Será que podias partilhar onde andou a tua menina em Santarém? Obrigado Joana

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