4.07.2020

Afinal sou uma educadora do caraças e não sabia #01

Primeira achega ao título: é uma graça. É óbvio que não tenho nem formação, nem jeito, nem PACIÊNCIA, nem talento para ser educadora. Já tinha percebido isso há muito tempo. E acho que agora já percebemos todos a importância e o papel determinante das educadoras dos nossos filhos nas nossas vidas, não já? Pronto. Cada macaco no seu galho. Eu prezo muito as educadoras das miúdas, tenho umas saudades enormes delas, acho-as fantásticas (toda a escola e metodologia, aliás - Movimento Escola Moderna, de que já falei aquiaqui e aqui). A Luísa ainda no outro dia se deitou a choramingar porque tinha saudades da Maria João e da Rute. A Isabel vibrou quando viu um vídeo da sua querida Inês a contar uma história e ouviu um áudio com a voz da Nádia. Temos tido acompanhamento via whatsapp com sugestões e propostas de atividades para desenvolvermos em casa, links para programas giros, tudo. 

Estive até este sábado em teletrabalho, pelo que não foi fácil gerir tudo como gostaria. Mas, mesmo assim, conseguimos fazer coisas giras - umas propostas pelas educadoras, outras sugeridas pelos colegas e família e outras que surgiram da nossa imaginação, vi em algum site/FB/pinterest. 

Não vão ver aqui grandes obras de arte, nem nada muito bonitinho (para isso sigam a Violeta Cor de Rosa, que disponibilizou coisas lindas para imprimir), mas pode ser que vos inspire para futuros projectos aí em casa com eles, porque, no meio disto há dias em que já não sabemos o que inventar. 

  • Atenção que às vezes temos de nos dar um desconto - e a eles - e um bocadinho de ócio também faz bem, a todos. Se virem mais TV nestes dias, etc, acho também perfeitamente legítimo (nós tínhamos cortado a TV e os tablets durante a semana cá em casa, lembram-se?). Agora não. Durante a semana vêem bem menos do que ao fim-de-semana, mas, de forma controlada, há espaço para tudo
  • Brincadeira livre é importantíssimo e deixo bastante espaço para isso, mesmo que acabe normalmente tudo à batatada
  • Ajudarem nas tarefas domésticas e nas refeições não só é extremamente útil, como considerado "tempo em família", em que aprendem ao mesmo tempo a cooperar, a ser autónomos e desenvolvem destreza em várias coisas (a Luísa a cortar cogumelos e espargos é uma maravilha de se ver e ainda não ficou sem dedos. Ainda.)
Posto isto, vamos então à primeira listinha de coisas que temos feito cá em casa e que facilmente conseguirão reproduzir aí.

1) Teatro de Sombras
Fizemos inspirado neste aqui. Precisam de uma caixa de cartão, papel vegetal, cola. Pauzinhos (usámos do mikado, ups!) e figuras que podem desenhar e recortar ou imprimir da internet. Giro e dá para fazerem sempre novas personagens, treinar o improviso, brincar, além de que o ambiente é muito giro, mais escuro, elas adoraram.



2) Caixa para lápis/canetas feita de embalagem de leite
Vocês cortam, eles colam um papel pintado e decoram como quiserem (aqui sempre tentámos desmistificar os monstros). Além de aprendem a reutilizar uma embalagem, vêem todos os dias algo feito por eles. É bom para a auto-estima deles, digo eu.


3) Família e amigos feitos em rolos de papel higiénico
Fizemos para o Dia do Pai e elas adoraram. Com desenhos e recortes de revistas e fotografias que tenham ou imprimam, fica engraçado, elas podem brincar com eles e matar saudades dos avós, tios, etc

4) Gelados
Já fizemos só de fruta, saudáveis, mas também um menos saudável, com natas ao barulho e morangos, mas é algo de que elas gostam muito e sempre dá para matar aquele "bichinho" de quando nos pedem coisas doces. Participam no processo, cortam os morangos, etc, etc.


5) Experiência flutua/não flutua
Esta foi a Isabel que pediu. Já tinha feito na escola e queria repetir para mostrar à Luísa. É simples: basta agarrarem em pequenos objectos aí de casa, verem se flutuam ou não (se são mais pesados ou mais leves) e registarem numa folha


6) Relógio de papel
Só precisam de dois pratos de papel, cartolina para fazerem os dois ponteiros e uma forma engenhoca de os prender aos pratos. Desenhar as horas na folha de cima e desenhar os minutos na folha de baixo.



Tenho mais coisas para vos mostrar, mas também não vou gastar já os cartuchos todos, não é?

Querem também ideias de filmes/ peças de teatro / livros / sites giros para eles?




Não pensar em nada.

Ontem pintei com aguarelas pela primeira vez a sério, concentrada. Não se estejam já a rir. Fiz um cacto com uma flor, ao mesmo tempo que via um tutorial no youtube. Perdi-me nas horas. Misturei cores, pus mais ou menos água, usei um pincel mais fino para os contornos e outro maior para preencher. As miúdas estavam a ver televisão, o David a trabalhar lá dentro e eu só concentrada no que estava a fazer. Quando olhei para o relógio já era mais que hora de ir fazer o jantar. Ainda fiz um cacto a correr e uns ramos que estragaram o esforço do primeiro. Quer dizer, não estragaram nada, que isto não tem fim nenhum, o que interessa é o meio. E o meio foi bom. Consegui não pensar em mais nada. É disto que preciso, cada vez mais. Tirar meia hora, uma hora, do meu dia para não fazer nada. 

Até agora estive em teletrabalho, que me consumiu muito. Não o trabalho em si, de que gostei, mas a gestão. Apesar de vos ter passado as minhas estratégias para conseguir trabalhar a partir de casa, com miúdos, nem sempre (quase nunca, diria) correu bem. Deitava-me tardíssimo para conseguir. É duro. Queremos fazer as coisas que as educadoras sugerem com elas, queremos estar lá, brincar, deixar a casa minimamente apresentável (já que é aqui que passamos 24h do dia, fazer refeições minimamente saudáveis e trabalhar. Digamos que é... impossível. Quem disser que consegue fazer tudo bem e está ainda bem da mona deve estar a mentir. Ainda ontem comentei que recebi muitos emojis de espanto quando publiquei em story o estado da minha cozinha, um dia destes. Nesse dia, não conseguimos arrumar nada do almoço nem do jantar (com lanche pelo meio e sopa, etc) porque tivemos os dois de trabalhar bem (dar-lhe bem) à tarde e só depois de as adormecer consegui arrumar. Sim, estava em estado de sítio, mas também acho que espelha alguns momentos por que todos, caso tenhamos de trabalhar e acompanhá-las, passamos. É o que é. 

Neste momento, fiquei sem trabalho (sou freelancer em TV e os programas que estava a fazer estão agora parados, em stand by). Estava muito contente por estar a fazer conteúdos de programas que adoro, mas agora tudo mudou e já me habituei à ideia. Muita gente estará em situações mil vezes piores que a minha. Sei que vamos dar a volta.



Vou aproveitar esta fase para estar mais aqui, para vos dizer que séries ando a ver, que livros infantis encomendámos, que coisas ando a fazer com elas. E, quem sabe, ainda vos deixo aqui receita de ISCO para fazer pão!!! Desta não estavam à espera, pois não? Não encontrei fermento de padeiro online nem na merceeria aqui do bairro e estou a fazer o meu próprio fermento.  

Amanhã voltarei a pintar. Foi terapêutico, palavra. A melhor coisa até agora. Tenho sempre uma voz interior que me diz que não estou a aproveitar bem estes dias, que não estou a ser produtiva o suficiente ou que podia, ao menos, acabar de ver a série X, ler o livro Y, quando o que eu preciso mesmo mesmo é de conseguir, estando acordada, descansar a mente.  


E é isto. Por agora. Como estão vocês? O que têm feito para relaxar?

3.31.2020

Só coisas bonitas #01 - Despensa do Bairro

Acho que todos precisamos de coisas positivas. De ver iniciativas fantásticas, que nos dêem esperança. Por isso, resolvi inaugurar aqui uma espécie de rubrica (que vai durar mais do que as minhas tentativas de rubricas anteriores, prometo) que se chama "Só Coisas Bonitas".

Porque sei que vão ficar com um sorriso enorme, tal como eu fiquei, partilho convosco a iniciativa fantástica de uma família que temos a sorte de conhecer: uma despensa do bairro. “Dê o que puder, leve o que precisar”, com bens essenciais, mas também livros!
Obrigada Sofia, Zé Miguel, Xavier, Madalena e Santiago. ❤️

Não é a coisa mais fantástica que viram hoje?




Partilhem esta iniciativa! Quem sabe não inspiramos a que se criem mais "Despensas do Bairro" por esses bairros todos? 

E partilhem pff outras iniciativas fantásticas para nos inspirarmos e para nos comovermos com as coisas mais bonitas.