8.28.2016

Técnicas para conseguir alta depois do parto

Tinha ouvido um zunzum de que poderia ser no dia seguinte, se tudo continuasse bem. Apesar de todo o carinho que recebia ali, não deixava de ser um hospital, com comida de hospital (acho que perdi o peso todo da gravidez logo à conta daquelas iguarias), com companheira de quarto com horários diferentes, choros de outros bebés, pessoas desconhecidas no meu quarto. Sem televisão, sem um sofá confortável, sem a minha cama larga e grande, os meus lençóis, os meus cheiros. Mas essencialmente sem a minha filha mais velha. Que saudades gigantes! Queria voltar à minha casa, mesmo correndo o risco de ter mais dores, de ter uma pirralha a saltar em cima de mim e a pedir-me colo sem eu poder dar, de ter menos acompanhamento, de temer a subida do leite. Apesar de tudo o que tinha acontecido, do maior susto das nossas vidas, de que falei aqui, eu queria voltar à normalidade. Apesar dos meus olhos ainda inchados de tanto chorar na primeira noite, o resto do meu corpo queria reagir, queria pôr-se de pé. A miúda já tinha tido alta um dia antes, só faltava eu. Então o que fiz?

- maquilhei-me: um pó, um bocadinho de blush para me dar uma corzinha, rímel e um batom claro nos lábios - cuidado para não parecerem transformistas no Finalmente

- pus o melhor sorriso possível na cara - não exagerem no sorriso amarelo, senão ficam a parecer a Betty Grafstein (a senhora do Castelo Branco)

- falei com alegria na voz - mas também não queiram ser Anas Malhoas, alegria q.b., acabaram de deixar passar um pequeno elefante pelo pipi ou foram escurtanhadas como se fossem bife do lombo

- disse à médica que tinha ouvido "por aí" que poderia ser nesse dia, com uns olhinhos de Bambi, e que adoraria ir para casa, "se fosse possível, claro" - mostrem que estão preparadas, que querem muito, mas que a autoridade na matéria é sempre a médica, porque qualquer pessoa com dois dedinhos de testa (até tenho uns doze, como se pode ver) e com alguma sanidade mental percebe que o mais importante é ir para casa em segurança.

Fotografia que enviei à Joana Gama antes de ter a visita da médica no quarto ;)

Antes de sairmos do hospital

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8.27.2016

Viemos jantar fora!



Hoje a Isabel foi dormir a casa dos avós com as primas Alice e Laura, que faz seis anos, e viemos jantar fora com a Luisinha. A Vanessa, amiga com quem dividi quarto na altura em que vivemos em Londres (daquelas amigas de sempre para sempre) faz anos e viemos celebrar. Tenho estado muito em casa e acho que me vai fazer bem estar com pessoas, conversar, beber um copo (de água lol). Estou muito confiante que a bebé se vai portar muito bem, não estou? :) seja como for, já me soube bem vestir um vestido bonito e ter saído da rotina! 


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8.26.2016

Um dia, vai melhorar.

Hoje foi uma noite daquelas. Em que damos valor a ter um companheiraço com quem dividir o cansaço. Em que achamos que não vamos dar conta sozinhas. Em que pomos em causa tudo: "foi muito cedo? foi uma decisão precipitada? estou a fazer alguma coisa mal?".

Sempre que tenho de ficar só com as duas, sinto-me desamparada. Questiono-me como conseguem as heroínas que para aí andam a viver isto da maternidade sozinhas. Ontem foi uma noite-não. Adormeci a Isabel com a Luísa a chorar. A Luísa adormeceu mais tarde do que o normal, eram 23h30 e ainda estava acordada. À uma e tal da manhã, a Isabel acorda a chorar e a chamar por mim. Às três e meia, estava eu no quarto da Isabel, começo a ouvir a Luísa a choramingar. A Luísa que nunca acorda. Vou até ao nosso quarto e dou-lhe mama, adormece passado um bocado. Às cinco, Isabel com um pesadelo enorme: "menina come tudo, come tudo, come tudo!". Vou, meia perdida e desesperada, até lá. Não a consigo ajudar logo, está entre o sonho e não deixa que a ajude, nem me ouve. Demora a voltar a dormir. Ouço no meu quarto a Luísa a queixar-se. E agora? Se me levanto já, a Isabel fica num pranto ainda maior. Deixei-me ficar, a Luísa parou: "deve ter adormecido", pensei. Dei colo à Isabel, como me pediu, digo-lhe "agora cama e dormir, a mãe está cansada." Pede-me leite, dou-lhe leite. Aninha-se a mim, suspira. Adormecemos. Acorda às 7h - costuma ser às 8h - e eu senti que não tinha dormido nada. Às vezes consigo acordar bem disposta, assim mesmo. Hoje não. Até agora. Não consegui superar ainda esta noite. E eu que até andava calma e optimista. Acho que o meu corpo tinha andado a accionar uns analgésicos interiores, andava meio apática até, para não me enervar. Mas hoje sinto o coração a bater mais forte e mais acelerado. Estou ansiosa e triste. Passa. Acaba sempre por passar. É o cansaço a falar. Vou deitar-me com a Luísa e entregar-me ao sono, agarrar-me à ideia de que vai melhorar. Um dia, vai melhorar. E este sorriso vai voltar. Vou fazer por que esse dia seja já hoje.




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