10.28.2015

10 coisas que odeio em ti

Odeio quando me mostras que a minha vida foi vivida à espera que chegasses. Antes de ti nada foi verdadeiramente importante.

Odeio quando me olhas com aqueles olhos grandes e brilhantes que me mostram que às vezes perco tempo com as coisas erradas.

Odeio quando me acordas cinco vezes durante a noite para te acalmares nos meus braços, mostrando-me que nada há de mais confortável que o meu colo e o som da minha voz.

Odeio quando choras e esperneias chateada e me mostras que manifestar as nossas frustrações não é motivo de vergonha. Vergonha, quando muito, só de sentir vergonha. 

Odeio quando me dás um pontapé nas costelas durante a noite e me fazes recordar os tempos em que só a mim me pertencias, aninhada na minha barriga.

Odeio quando já constróis frases e me deixas saudades dos tempos em que pouco de ti sabia. O futuro começava ali. 

Odeio quando puxas o teu cabelo para trás, quando dás comida e colo aos teus bebés e me mostras o que cresceste. O tempo não volta atrás.

Odeio quando me olho ao espelho, cansada, feia, mas o meu coração tem um sambódromo lá dentro.

Odeio quando não me sais da cabeça, de manhã, à tarde e à noite, onde quer que vá e com quem quer que esteja.

Odeio o modo como não te odeio, nem um pouco, nem por um segundo, nem por nada.*



*Inspirado no "10 coisas que odeio em ti", o filme de 99 que me apresentou o Heath Ledger, o único ator pelo qual suspirei verdadeiramente. E chorei, quando morreu.

Entro 2ª às 10h.

É a frase que tenho em repeat desde hoje de manhã quando falei com o meu director. Hoje não estou nem metade entusiasmada com o meu regresso. Já estive metade. Já estive mais de metade (quando não estava a conseguir lidar com as dificuldades de ser mãe a tempo inteiro), mas hoje, hoje que a Irene está doente e com febre, o meu entusiasmo não é grande.

Entro 2ª às 10h. Segunda às 10h voltarei ao trabalho, depois de aproximadamente 2 anos sem lá estar (excepto um mês em que trabalhei antes de solicitar a licença sem vencimento). Vou vestir-me para ir trabalhar. Não me vai apetecer ir de comboio como sempre. Acho que me vou sentir melhor se for de carro para sentir "que volto mais depressa", apesar de ser uma ilusão. 

Entro 2ª às 10h. 

Ainda me lembro perfeitamente do dia em que me foi autorizada a licença sem vencimento. Cheguei a casa do trabalho, fui a correr para dar de mamar à Irene que tinha acordado da sesta e pensei: "vai ser um ano disto". E foi. A Irene tem agora 19 meses. E eu entro 2ª às 10h. 

A Irene vai melhorar até lá. Eu vou escolher uma roupa bonita. O tempo passará num instante. E, quando chegar, vou ter a pirralha a correr até mim, depois do pai me dizer "tivemos saudades tuas". Ou, ainda melhor, "passou muito rápido, nem reparamos no tempo a passar". Vão designar-me tarefas que vou gostar de desempenhar e vão dar-me muito muito trabalho (espero mesmo que sim). A Irene vai andar entretida com os brinquedos dela, a cantar sozinha, como tem sido. 

Entro 2ª às 10h. 

10.27.2015

Irene doentinha.

Sem contar com vacinas e com um dia em teve febre e mais nenhum sintoma, é a primeira doença da Irene.

Está com diarreia e febre... :(

Como é que lhe consigo impingir Ultra Levur e coisas do género, recomendadas pela pediatra?

Não bebe, não gosta...

Mezinhas? Truques?

Muita maminha e água no bucho, bem sei.

Tinha de ser quando estou quase a ir trabalhar...