3.24.2015

Andam a imitar-nos

E ainda bem. Temos recebido muitos e-mails a dar-nos força e incentivo. Mas há um que me orgulha particularmente. Este:

Saber que impulsionámos alguém a começar um blogue deixa-me sem palavras (adoro que as pessoas usem esta expressão e depois digam coisas a seguir e eu não vou fugir à regra). Sempre desejei mudar o mundo (lol) e já que não consigo, ao menos olha, dou um abanão na blogosfera.
A Pinhoca (página do FB) descreveu aqui o parto dela e, se forem como eu, vão ler este Benur até ao fim. Adorei!
E pronto, já somos migas da blogosfera. Muito sucesso, Pinhoca! Apesar desse nome... Hehe

3.23.2015

Era uma vez duas crianças na Disney que ficaram doentes...

Era uma vez um pai que tinha dois filhos. Naquelas que seriam umas férias em família inesquecíveis num parque de diversões na Disney, os dois filhos apanharam sarampo. As férias tornaram-se inesquecíveis, sim, pelas piores razões. Uma doença que se considerava eliminada naquele país no ano 2000, já atingiu mais de 100 pessoas desde dezembro do ano passado.

Esse pai escreveu aqui uma carta comovente e revoltante ao pai da criança não-vacinada, que expôs 195 crianças a esta doença. A filha desse homem tinha leucemia. O filho desse homem tinha 10 meses e, por isso, ainda não estava vacinado. Os dois filhos desse homem apanharam sarampo e ficaram assim hipotecadas 3 semanas em que estariam de "férias" das sessões de quimioterapia e que poderiam ir ver neve, ficando em quarentena... e a Maggie queria tanto ir ver a neve...


Esta história mexeu comigo. Pôs-me a pensar, mais uma vez, no perigo desta (nova?) "moda" antivacinação que se espalha que nem cogumelos nos Estados Unidos e também na Europa. Ainda hoje saiu este artigo no Observador, em que um médico chega mesmo a dizer que "não vacinar é um ato de negligência". Não queria chegar tão longe, mas será que o pai da tal criança não-vacinada já se apercebeu do transtorno que causou a mais de 190 famílias, dos riscos a que expôs tantas crianças e do perigo para a sociedade que essa decisão pode acarretar?

Como estará o coração do pai da Maggie e do Eli, que viu os seus filhotes a levarem doses de cavalo de injecções, a sofrerem desnecessariamente, quando já tem tanto com que se preocupar?

Não percebo. Não consigo perceber muito bem os argumentos da antivacinação, mas estou disposta a ouvi-los. Máfia das farmacêuticas? Componentes químicos nas vacinas? Ligação a casos de autismo? Mas já há estudos concretos que comprovem isso mesmo ou são tudo crendices e modas?

Expliquem-me como se eu fosse muito burra.

Afinal havia Outra (#16) - Não é difícil ter um filho...



Não é difícil ter um filho. Dar-lhe colo, alimentá-lo, ensinar-lhe a fazer o símbolo do rock com os dedos. Adormecê-lo, levá-lo a passear, dar-lhe banho e ter a certeza que tem as orelhas limpas.

Difícil é transformarmo-nos numa família. Uma família a sério, que come à mesa toda junta, que vai a sítios, que passa férias, que vai às compras ao supermercado. Porque no início despacha-se a criança, dá-se o banho, o jantar na cadeirinha alta e cama. Só depois é que tratamos de nós. Faço o jantar, ele põe a mesa e passeia o cão. Sentamo-nos a comer, a ver televisão e a conversar.

Tudo gira em torno dela, fazemos o possível para que ela esteja satisfeita, para que durma as horas que é suposto, para que coma sempre a horas. Não almoçamos fora ao fim-de-semana como gostaríamos porque ela tem de almoçar e dormir a sesta. Não a maçamos com idas ao supermercado, a menos que seja coisa rápida, tratamos a nossa filha como se fosse uma visita de cerimónia e parece que estamos sempre desejosos que a visita vá dormir para que possamos estar descansados. Mas por outro lado é uma chatice quando a visita dorme porque depois temos de esperar que acorde para podermos sair de casa. Só que a visita veio para ficar e a vida em família nem sempre cumpre horários nem regras. E a família é constituída por três pessoas e não duas. E essa dinâmica é, para mim, o mais difícil. Vê-la como parte da família em vez de um ser planeta cujos satélites somos nós. Encontrar-me no meio desta confusão que é ter uma criança em casa, de ser mãe, de ter de dizer que não, de ter de dançar em vez de andar porque a minha filha acha que vive num musical da Broadway e que eu sou uma jukebox.

De repente, comer ao mesmo tempo que ela – ou ela ao mesmo tempo que nós, à mesa – tornou-se num dos maiores desafios da nossa vida familiar. Tão grande que ainda não conseguimos atingir o objectivo. Também ainda não dominamos a mestria de estarmos juntos também quando estamos com ela – normalmente está um com ela e o outro a tratar de assuntos, ou estamos os dois virados só para ela porque a menina precisa de atenção a todo o instante e eu não quero que ela cresça com falta de confiança.

Não é difícil pôr um ser humano no mundo, difícil é deixá-lo fazer parte da família. Isso e conseguir que tenha as unhas limpas.