2.16.2015

O pai também sabe (#01) - César Mourão

O César Mourão é um dos grandes. Ator e mestre no improviso, mas também apresentador, cantor: não há nadinha que ele faça que não saia bem feito. Até a filha. (Juro que ele não me subornou para dizer estas coisas nem eu ganho nadinha, até porque a entrevista já está feita. Hehe) 
O a Mãe é que sabe abre agora espaço aos pais e quer respostas rápidas a perguntas rápidas. Até porque eles não têm pachorra para falar sobre cocós e coisas que tais mais de 5 segundos seguidos. Vamos a isso!


1) primeira coisa que disseste quando soubeste que ias ser pai: "f*«4-se!", "a sério?", "e agora?" ou "que bom!"?
Acho que disse todas mas pela ordem inversa!

2) última coisa de que te despediste antes de ser pai
Do meu coração, passou a ser dela e a bater-me fora do peito


3) primeira coisa que disseste quando a Mariana nasceu

Perguntei à mãe se estava bem e disse-lhe que a Mariana era linda

4) trocaste muitas fraldas? Com mola no nariz ou sem?
Muitas e sem mola ;) mas sempre em pânico de a magoar

5) melhor coisa que a tua filha já te disse
Que me ama


6) e a pior coisa que já sentiste enquanto pai
Qualquer doença da Mariana

7) és bom pai em quê? (não vale dizer em tudo!)
Acho que sou bom pai na logística do dia a dia e no companheirismo com ela

8) em 2025, um marmanjo está à porta para sair com a tua filha. O que é que lhe dizes?
Ela não está, emigrou ;)


9) maior medo (que ela seja do Benfica?)
Que não seja inteligente (acabo por responder)

10) coisa mais irritante que os pais fazem
Tratar os filhos com demasiada infantilidade


11) o que juraste que nunca farias enquanto pai que afinal até fazes
Ir imediatamente acudir em pânico depois de uma simples queda

12) a mãe é que sabe? (muito cuidadinho...)
A mãe é que sente

Obrigada!

11 meses assim

11 meses feitos hoje. 
A manhã foi passada com a avó, a tarde com a mãe. Não houve creche para ninguém: conjuntivite. Agora dorme a terceira sesta do dia. Sempre bem-disposta, risonha, a dançar e a brincar.

Podia escrever o quão felizes têm sido estes 11 meses, o quão cúmplices somos. Mas, em vez disso, deixo-vos as imagens desta tarde.








Folheou o livro dos 11 meses vezes sem conta (todos os meses lhe compro um) e gostou de tocar nas diferentes texturas, menos na da pasta de dentes, um bocado pegajosa.

Com um nariz de palhaça do outro lado e um carrinho do pato Donald que ela adora, incentiva-a a atravessar o túnel. Atravessava e roubava-me o nariz.






Recompensa: beijos e mais beijos. Tardes assim são impagáveis. 

Afinal havia outra (#08) - Viver no campo ou o elogio das coisas simples

Lá fora, nos dias quentes cheira a flores e a alfazema; nos frios, a terra molhada. E a chaminé dos vizinhos não cheira a fumo, mas a pão quente. Cá dentro, as tábuas de madeira rangem como quem se queixa da idade e o teto não é baixo, mas aconchegante. 


A primeira vez que a Maria Rita entrou na nossa casa ainda morava na minha barriga. Com uma noção espetacular de timming, achámos que bom bom era fazer a mudança com uma recém-nascida nos braços. No dia em que ela nasceu, o pai trouxe os avós e os tios a conhecerem a casa e eu, que sou dada a atribuir significados especiais às coisas, achei que isso ia dar sorte – vá-se lá saber porquê!  
Tinha apenas uma semana de vida quando a trouxemos cá. Lembro-me de olhar para ela, toda enroscadinha no sling, enquanto esperava que nos abrissem a porta, e de não saber se aquela sensação quentinha vinha do corpo dela colado ao meu, ou do coração, que transbordava de coisas boas.
Quando me perguntam sobre como é viver numa aldeia normalmente digo só que adoro, porque na verdade apetecia-me fazer poesia – soubesse eu fazer poesia! – sobre isso. Eu gosto de tudo. Tudo. E para mim os defeitos nas ombreiras das portas ou nas esquinas da parede não são imperfeições, são traços de personalidade. 

A nossa casa não tem número, tem nome. E eu acho que isso lhe dá mais alma – mesmo que se chame “Casa da Mó” e mó nem vê-la! Na verdade, na parede lê-se “Cãsã dã Mó”, mas isso é porque os outros donos tiveram preguiça de esperar pelos azulejos dos “A” normais e compraram com til…
Aqui, aprendi que a felicidade não é algo abstrato que paira no ar ou que habita os nossos desejos. Ela está nas coisas mais simples, em momentos específicos do dia-a-dia. Quando as minhas filhas correm caminho fora até casa dos vizinhos sinto uma felicidade imensa por toda esta liberdade, por terem espaço para crescer... com espaço. Por saber que toda a gente aqui lhes quer bem. A Avó ‘Melita, o Ti’ Toino, a Ti’ Margarida. Todos. Uma família que nos foi dada como um prémio na raspadinha: não fizemos nada, tivemos só sorte – muita sorte - e eles estão aqui para nós.
Ou até quando o portão da vizinha fica aberto para podermos ir até lá com as miúdas, porque elas adoram apanhar laranjas e limões e espreitar as galinhas. É como se tudo fosse um bocadinho nosso. As próprias hortas acabam por ser também um bocadinho nossas, porque os legumes e as frutas vão aparecendo à nossa porta, consoante o que a terra dá. E nós também deixamos o portão aberto, para um café, para uma conversa, para verem as miúdas e saberem que estão melhores da constipação.   


E é tudo bonito e perfeito? “Mães que sabem”, esta que vos escreve nasceu e cresceu em Lisboa e contava os dias para ir de férias para a “terra”, para fugir da cidade. E se há sonhos que estão tão longe de se tornar realidade, porque é que não agarramos com as duas mãos aqueles que só dependem de nós? A nossa casa custou o mesmo que um T2 nos arredores de Lisboa. Depois, claro, há as portagens, a gasolina e o saber que não levo menos de 35 minutos a chegar a casa. Mas para mim, compensa cada minuto e cada cêntimo. Porque no final do dia regresso a casa, ao sítio onde somos mais família, ao sonho que um dia tivemos, ao chão que range e ao teto que aconchega.

Catarina Raminhos, mãe da Maria Rita e da Maria Inês