2.09.2015

Creche? Sim, mas quando?

Acredito que a Joana Gama esteja já a ensinar o abecedário à Irene, não vá a miúda ficar menos esperta que a Isabel. Tudo porque leu este artigo do Público "Creche: Quanto mais cedo melhor?" e deve estar a panicar já.
Joana, está lá?

JG - Hello! How are you? Desculpa, enganei-me. É que agora só falo em inglês com a Irene e troquei o livro do Bolinhas pelo de Física Quântica. 

JPB - O primeiro ou o segundo volume? Lá no infantário da Isabel já vão no segundo, apressa-te!


Este seria o diálogo entre nós, caso o tivessemos. A verdade é que nenhuma das duas está muito preocupada com o tema, porque somos mais da teoria do "deixá-los crescer ao ritmo deles", com carinho, amor e com estímulos, claro. Então para que é que estás a escrever este post, sua estúpida? Porque até tenho algo a dizer.

A Isabel foi, por necessidade, para a creche com 5 meses e meio. Custou-me, achei cedo. Neste momento, já me habituei à ideia e acho que está muito bem entregue. Preocupava-me a ideia do depositório de crianças e que os bebés fossem tratados "de forma estritamente funcional - mudar a fralda, dar a papa ou o biberão - e o cuidador não estabelecesse laços afectivos com ele", de que o texto fala. Preocupavam-me as doenças contantes.

Agora vejo que está bem entregue e que tem um vínculo grande com as cuidadoras. Vejo que a estimulam e brincam com ela, que cuidam dela. Lá começou a gatinhar, a explorar e a ter contacto com os outros miúdos.

Mas sinceramente? Acho os três anos uma idade óptima para ir para a creche e tenho vários exemplos à minha volta que me dizem que as crianças podem ser tão ou mais espertas que as outras, caso tenham à sua disposição carinho, amor, brincadeiras. Nesses casos, as mães/ avós/ cuidadoras, podem tentar arranjar umas actividades com mais miúdos, algumas vezes por semana, para a tal socialização.


Creche? Sim, em caso de necessidade. Quando? Acho que nunca (muito) depois dos 3 anos.

E vocês, o que acham?

Fiz caca.


Isto era, se bem me lembro, chalotas (achava que eram cebolas, mas não, são primas), aipo e... qualquer outra coisa.

Queria que ficasse tudo muito bem cozinhado para a Irene e parece que consegui.

Ela, por acaso, adorou! Como é que é possível?



A sério? Acharam mesmo que tinha dado isto à miúda? Numa de "não se deita comida fora"? ;)

A bolonhesa de que vos falei tinha corrido tão bem que fiquei cheia de moral e aventurei-me... 

Porque é que os dotes de dona de casa não vêm com com o parto também?

Aposto que vocês são todas perfeitas e daquelas que fazem as bolachinhas de gengibre para dar às educadoras e ainda aproveitam e fazem uns lacinhos!

Se vocês não existissem eu não me esforçava tanto e espetava uma lasanha do Lidl à miúda!

Estou a brincar, pessoas da assistência social que possam estar a ler isto. Não me levem a Irene. A não ser quando ela está birrenta. Aí podiam ir passeá-la algures. 

2.08.2015

A moda das cesarianas

Estão na moda os turbantes, as t-shirts com statements (estilo "Last clean t-shirt" ou "I have nothing to wear"), roupa com franjas e... as cesarianas. 
Parece ser in marcar data e hora da cirurgia sem que ela seja realmente necessária. Há dias em que não vai dar mesmo jeito porque há mais que fazer. Assim o check in fica agendado, quarto reservado e vidinha organizada que há mais na vida do que um parto.

Mães que fizeram cesariana, não me queiram chacinar já. Percebo que quem tenha consentido em marcar a operação não havendo necessidade médica, o tenha feito porque alguém a convenceu de que não haveria diferença nenhuma e que não haveria risco algum (ver este vídeo para se rirem um bocado). Como não confiar no nosso médico? Ainda por cima estamos numa fase mais susceptível de ceder a pressões e a ansiedade pode ser nossa inimiga. E há quem queira tanto ouvir isso do médico que nem levanta uma única questão. (Claro que há sempre excepções e, por exemplo, uma situação anterior de parto "normal" traumatizante parece-me uma razão perfeitamente legítima para não se querer repetir a dose, entre muitos outros motivos e não quero ser eu a julgá-los).

Quando a minha obstetra (do privado) me disse, um mês antes, que provavelmente teria de fazer cesariana, chorei. Não estava à espera, não queria, confesso. Depois lá me mentalizei de que se tivesse de ser, seria. Que o importante era o parto correr bem e a minha filha nascer saudável. Contaram-me histórias com final feliz para me alegrarem e já estava preparada mentalmente. Acabou por não ser preciso porque, dias antes da já agendada cesariana, as águas rebentaram e tentámos o parto normal. Pode, afinal, não ser preciso. E é assim que se deve encarar uma cesariana: só quando é preciso (antecipando algum problema ou mesmo na hora do parto) e não porque se quer ou só porque sim.

Claro que as cesarianas já salvaram muitas vidas, claro que é graças às cesarianas que muitos bebés e mães sobreviveram e também deve ser terrível deixar um parto "normal" prolongar-se até às últimas forças por teimosia, pondo em risco ambos, mas esta prática quando é por "dá cá aquela palha" devia ser pensada, reflectida e muito questionada! Por que razão no privado há tantas cesarianas? Não estará o dinheiro metido ao barulho? Não será mais conveniente para alguns médicos (disse alguns, ok?) ter a vidinha planeada do que partos imprevistos e imprevisíveis? Não se fará uma melhor gestão do hospital desta forma? E como saber se o que nos dizem (de ter passado muito tempo desde que a bolsa rompeu, do colo assim e assado, ou do cordão à volta do pescoço) é mesmo verdade? 

A verdade, é que numa cesariana há riscos (neste artigo do Público):
- As complicações resultantes da anestesia são duas vezes superiores e as lesões urológicas acontecem 31 vezes mais.
- Os recém-nascidos ficam com riscos respiratórios cinco vezes superiores, acrescidos na infância de um risco de diabetes e de asma 25% superior aos dos partos normais.
- O risco de grandes hemorragias é 11 vezes maior.
- Após a cirurgia o risco de infecção também é 11 vezes superior, enquanto o de trombo-embolismo quadruplica. 
- O óbito materno acontece cinco vezes mais nos partos por cesariana. 
- Numa gravidez posterior também podem surgir mais problemas com a placenta, sendo o risco de morte do feto 1,6 vezes superior.

Em 2014, segundo o artigo, os hospitais públicos conseguiram baixar taxas de cesariana para 28% e atendem grávidas de maior risco. No privado a taxa ronda os 67%. O resultado global é de 33%, uma meta muito acima do recomendado pela OMS e o segundo pior valor da União Europeia, apenas ultrapassado por Itália. 
Então no Brasil, li algures, é um número enorme! Alguém confirma?

É esta a minha proposta: pensar um bocadinho melhor antes de escolher fazer uma cesariana só porque sim.