1.29.2015

Sim, vou deixar-te morrer

Aviso desde já que se vai falar de morte. Quem teve um dia mau, quem se quiser rir e esquecer dos problemas, clique na cruzinha do lado superior direito (ou do esquerdo, se for sortudo e tiver um Mac). Ou vá ler este texto da Joana Gama. Vá ver um filme, vá ver uma série.
Aqui vai falar-se de um dos textos mais bonitos e mais tristes que já li. Este (no Público). "Sim, vou deixar-te morrer" é um murro no estômago e faz-nos pensar na eutanásia, nos cuidados paliativos, no sofrimento de algumas mães confrontadas com o sofrimento, em vão, dos filhos. 

Começa assim:
"- Que Deus ilumine as pessoas que estão a criar esta lei da eutanásia para crianças e as faça desistir - pediu o padre.

- Não, meu Deus, não posso desejar isso. O que mais lamento é que o Tomás tenha sido obrigado a passar por aqueles três últimos dias - pensou para si.

Num destes domingos, no final da missa, Vanda voltou a recordar o dia em que levou o filho ao hospital para morrer. Sabia que aquele bebé de um ano e meio, a quem já nem sequer podia pegar ao colo, não era mais o seu Tomás. Olhava e via um corpo minúsculo e inchado, pálpebras fechadas, deitado numa maca, a gemer sempre que lhe tocavam e com dificuldade em respirar. "Nunca mais acordou, nunca mais abriu os seus olhos grandes, nunca mais sorriu. A dor já tinha tomado conta dele. Se logo nesse dia tivessem dado alguma coisa para ajudar o meu filho a partir... Foram mais de 48 horas. Ouvia as máquinas constantemente a apitar e só tinha vontade de puxar aqueles fios todos para que tudo acabasse o mais depressa possível." A médica já estava com uma injecção na mão quando o coração de Tomás bateu pela última vez. "Sabia que era proibido, mas ia ficar só entre nós. Acabou por não ser preciso".

Ainda estão aí? Já sentem um nó na garganta e vontade de chorar? Pois, comigo foi igual. 

Vanda Alcobia, portuguesa, emigrou para a Bélgica há 15 anos. Na Bélgica, a lei da eutanásia foi recentemente alargada a menores de 18 anos, sendo que o pedido tem de partir do próprio, conscientemente, e cumprir apertadas regras. 

Mas a história de Vanda e de Tomás não é a única a deixar-nos comovidos. Izabela, de 18 anos, "deverá morrer quando desabrocharem as primeiras flores da primavera". Com poucos meses de vida, alimenta-se através de dois tubinhos ligados ao estômago. Deixou de andar e de falar, mas consegue comunicar com a mãe, que diz, "a minha filha está consciente". Em breve "vai começar a tomar morfina porque as dores são cada vez mais fortes". Para esta mãe a eutanásia não é uma hipótese. Mas já falou com a filha sobre isso: "Achas que é bom ou mau?", perguntou-lhe. "É mau", recebeu como resposta."

A mãe de Rafael também é contra a eutanásia. "O meu filho nunca me disse que queria morrer e fomos tão felizes naquele mês de Dezembro. Vivemos coisas juntos que nunca irei esquecer". A mãe, Elsie, vendou um pequeno apartamento em Bruxelas e no último mês de vida, Rafael concretizou os seus sonhos possíveis, entre eles, ir à Eurodisney.  

Depois, morreu em casa. "O meu filho morreu no nosso ninho, nos meus braços, ao pé dos seus brinquedos; nem se pode comparar este conforto com a frieza de um hospital."

Na Bélgica, um menor que esteja a ser acompanhado pelos cuidados paliativos pode escolher morrer em três sítios: no hospital, em casa, ou num dos centros de repouso para crianças. 

A realidade portuguesa é outra. "Em Portugal, os cuidados paliativos funcionam muito mal, para menores e adultos. Morre-se mal aqui. As crianças morrem nas instituições de saúde onde estão internadas ou em casa. Tudo dependerá da sorte que tiverem. E é isso que está mal: ser obrigado a depender da sorte para ter uma morte menos má, seja-se adulto ou menor", critica Laura Ferreira dos Santos, professora da Universidade do Minho, que estuda há vários anos questões relacionadas com a eutanásia.

Muitas são as vozes que se ouvem nesta reportagem: mães, técnicos de saúde, especialistas, professores, políticos. Diferentes os pontos de vista. E no meio disto tudo, ficam as dúvidas, perante as histórias mais tocantes que alguma vez li sobre este tema. As dúvidas e os medos. 

Agora, que sou mãe, sinto tudo de maneira diferente e imagino-me a ter de fazer escolhas. Não consigo. Não quero.

A jornalista Sofia da Palma Rodrigues ganhou um prémio com este trabalho. É fácil perceber porquê. Arrepiante, do início ao fim. Vão ler a reportagem. Vale muito a pena.

O pai perfeito

Desde a infância que sonhamos com o "foram felizes para sempre" e presumo que a maioria de nós queira mais do que um sorriso pepsodent e uma conta recheada num homem. Procuramos o homem perfeito: o melhor namorado, marido e, se não for pedir muito, o melhor pai para os nossos filhos. 
Queremos o príncipe encantado, bonito, musculado e detentor de uma espada, mas isso só não chega e acabamos por preferir que seja um Shrek: trapalhão, mas um bom pai de família. 



Segue-se uma pequena lista que condensa o que queremos num pai (dos nossos filhos):

1) alguém que não tenha medo de por as mãos no cocó 
Mudar a fralda é das coisas mais fáceis do mundo. Se eles vos dizem que não têm jeito (desculpa a ver se pega) façam-nos treinar num nenuco. Se é difícil no início, esperem para ver quando eles se tornam nuns leões indomáveis ou até mesmo quando começam a comer peixe na sopa (mola no nariz).

2) alguém que os adormeça 
Contar uma história (mesmo que as personagens tenham nomes como Lisandro López, Artur e Ola John), fazer quilómetros a balançá-los no colo, dar-lhes festinhas e aconchegar na caminha é coisa de pai, tanto quanto de mãe. Isso e quando os filhos acordam a meio da noite, essa não é tarefa exclusiva da mãe, espertinhos!

3) alguém que lhes dê colo 
"Está a chorar" é a frase que não queremos ouvir. Até porque não somos surdas. O pai da criança tem de saber levantar o rabinho do sofá e ir confortá-la, mimá-la e acalmá-la.

4) alguém que lhes dê banho
Tirando as primeiras vezes em que eles são tão pequeninos que por pouco não escapam por entre os nossos dedos, não há nada que saber - o pai da Isabel teve de lhe dar banho logo no primeiro dia que até andou de lado. Remédio santo.

5) alguém que lhes dê a papa 
Tirando os 6 primeiros meses de amamentação exclusiva, os pais não se devem acanhar na hora da papa. Têm tanto jeito como nós para cantar, fazer aviões ou até mesmo fazer o pino para eles comerem.

6) alguém que faça sopa 
Mesmo que vos perguntem 10 vezes o que leva a sopa, repitam 10 vezes, encorajem-nos, digam-lhes que se safam muito bem. Os tempos do homem que se sentava à mesa e era o primeiro a ser servido pertencem, e ainda bem, ao passado.

7) alguém que os vista  
Mesmo que conjuguem riscas com bolas, rosa com vermelho ou que ponham um bolero por cima de um pullover, a iniciativa deve ser elogiada. Eles vão lá. Ou não, mas não faz mal, até tem graça.

8) alguém que tenha paciência
Paciência é palavra de ordem. Paciência para os filhos e para as mães, mas ai deles se nos dizem alguma coisinha. "Estás impossível" é coisa para verem os nossos dentes cerrados nos próximos séculos e terem direito a cartão vermelho. Querido, não sei se reparaste mas acordei às 06h30, fui trabalhar, fui buscá-la, dei-lhe banho, ela fez birra, pu-la a dormir, limpei a casa toda, fiz o jantar, estendi a roupa, ela acordou, perdi o apetite e tu chegaste só agora. Parece impossível, mas estou impossível, estou. 

9) alguém que seja um exemplo
Não é novidade que os filhos são esponjas e um reflexo do que veem. A forma como se trata os outros e como se lida com os problemas, o amor e o carinho que se transmitem, a humildade, o exemplo de esforço e dedicação: tudo isso está sob o  olhar deles.

10) alguém que não cumpra estes 9 requisitos, mas que se esforce para tal
Ninguém é perfeito, por isso não há pais perfeitos: até o Shrek é feio e porco. Mas há uma enorme diferença entre tentar e estar-se a marimbar. Um pai perfeito é um pai imperfeito que quer ser o mais perfeito possível.


*imagens We Heart It

A miúda vai estatelar-se toda!

Estou calmamente em pânico. Sei que vai acontecer algo de mal, muito mal, mas ainda estou estupidamente em negação. Não sei porquê, não entendo como é que o meu cérebro funciona (se é que... enfim). 




Não tarda, a miúda vai conseguir por-se sozinha em pé em cima da cama e estou cheia de medo de vários acidentes: 

1 - que ela bata com o focinho na grade da frente sempre que perca a força nas pernas

2 - que ela bata com a cabeça na grade de trás sempre que perca a força nas pernas

3 - que ela se atire lá para baixo!

O estrado não dá para ir mais para baixo. O meu marido já anda, discretamente a por o tapete mais para ao pé do berço para, no caso dela cair, não abrir a cabeça, mas não sabemos o que fazer, dentro do aceitável e não comprar um colchão de casal para forrar o chão do quarto dela


Os bebés atiram-se mesmo para fora da cama? Ou só conseguem fazê-lo já com uma idade aceitável para ir para uma cama de gente? 

Help!