9.01.2016

O primeiro dia de creche da Irene.

Ontem não consegui adormecer. Não por estar pessimista, mas por estar ansiosa de saber como vai correr. Por, no fundo, achar que devia estar ansiosa passei a estar, foi estúpido. O dia começou bem: a Irene acordou super bem disposta e quando soube que ia para a escola também se quis despachar. "A Necas vai ter com os amigos, dançar, fazer desenhos, fazer cocó na sanita e depois diz 'Rosa já 'tá". 

Só depois me apercebi que com a história de a preparar para a creche -  de maneira que ela compreendesse que os pais iam trabalhar, mas que voltavam sempre - também associei a ela o momento do início do desfralde. Já vos conto mais. 

Fomos no carro, sempre entusiasmados com esta nova fase. Quando chegámos à escola, a Irene estava louca para entrar numa das salas dos vários meninos. E assim foi: entrou e não parou de brincar, foi lindo de se ver. 

Perguntei à educadora se deveria despedir-me ou se deveria ir embora de fininho (uma longa discussão entre mim e o Frederico já muito antiga) e ela disse para nós irmos embora, para a pouparmos à angústia da despedida. Confiando na experiência de muitos anos da doce educadora, contrariei o meu instinto. Mal sabia eu que era isso que me ia deixar muito mais nervosa. 

Não me despedir dela fez com que ela e eu não tivéssemos acabado uma conversa importante. É como se a tivessem arrancado a meio de uma mamada do meu colo, da minha mama. Não me despedi porquê se ia contra os meus instintos? Tinha medo de estar a ser egoísta. Estaria preocupada mais comigo ou com ela? "Mais vale confiar em quem sabe o que está a fazer". 

Lá fui. Pagar umas coisas à secretaria e tal. Até que vem a leitora do blog (minha amigalhona) e que me salvou a vida: "Acabei de ver a Irene e ela está óptima a brincar!". 

Desatei a chorar. Era mesmo isso que queria ouvir. Não sabia como é que ela tinha ficado depois de eu sair, sem lhe dizer que ia embora e que gostava dela. Afinal, ficou bem. 

Fomos fazer tempo para ali. Meio desnorteados, mas também a aproveitar para fazer umas compras desnecessárias. 

Liguei quando tinha combinado ligar com a educadora (ok, uma vez extra) e combinei com o Frederico que só a iríamos buscar se ela apresentasse sinais de querer vir embora. Não apresentou. Perguntou duas vezes por mim, mas "a mãe está a trabalhar". 

Comeu uma banana, fez cocó na sanita (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!), fez xixi no bacio (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!), dormiu a sesta e, muito engraçado, ajudou a educadora a sossegar os outros miúdos. Quando ela dizia "Francisco, vá... xiuuu", a Irene também recomendava ao Francisco que obedecesse e que descansasse. Quando falei ao telefone com a Rosa, disse que, para a adormecer, poderia abanar-lhe o rabo. A Rosa tentou, mas a Necas disse "para com isso!", virou-se para o lado e adormeceu sozinha (!!!!!!!!!!!!!!!!). Tive de confirmar várias vezes ao telefone se estariam a falar da minha filha, porque estava irreconhecível. 

Almoçou com ajuda da educadora, mas comeu bem e brincou muito. Não ignorou os outros miúdos, mas também não foi extremamente sociável. Se bem a conheço deve ter preferido ainda a companhia da educadora por estar ainda mais habituada a lidar com adultos, mas isso vai mudar. 

Ficou um dia inteiro na creche. Quando nos viu não estava à espera, ficou abananada e pediu logo maminha. Protelei até casa e já celebramos. 

Em vez de dizer que estava orgulhosa dela, disse-lhe que ela devia estar orgulhosa de si!

E está. 


PS - Não sou parva, sei que o segundo dia pode ser um terror ou, então, para a semana, quando se aperceber de que vai ser uma rotina é que vão ser elas. Para primeiro dia foi fabuloso e foi muito especial para todos. Estou feliz e ela também e o pai nem se fala.

Como correu o "vosso" primeiro dia? 

Mochila - Agu Agu

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18 comentários:

  1. Olá Joana! Ainda bem que correu bem, mas... Atenção às saídas de fininho! Trabalho na área e a minha experiência diz-me que a despedida é sempre melhor, mesmo que eles fiquem num berreiro sabem que a mãe já foi e depois volta.
    Eles até podem ficar bem porque estão distraídos com algo, mas quando se apercebem que os pais desapareceram ficam muito mais desconsolados pois ha a sensação de abandono. Além de que é muito importante nas relações haver confiança e saberem que a mãe diz sempre a verdade (vou trabalhar e volto depois da hora do lanche, p.ex.).
    Segue o teu instinto 😉

    Vanda

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    1. Sou educadora e concordo plenamente que os pais não devem ir embora sem se despedir pois muitas vezes isso dá aos meninos uma sensação de abandono,que rapidamente pode transformar-se em insegurança e pensarem que afinal os pais não estão lá sempre para elas... Mas pelo que vejo a Irene também teve muito boa preparação e percebeu logo que a mãe estava a trabalhar, já deviam ter falado muito nisso ;-) as melhores despedidas são as rápidas e eficazes: chegar, beijinho, abraço e entrega-los naturalmente pois muitas vezes eles ficam é perturbados com a ansiedade que os pais lhes transmitem! Não quer dizer que não se fique mais um minutinho "às escondidas" só para ver o que eles ficaram a fazer... boa continuação :-)

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  2. Boa!
    Fazerem na escola na boa aquilo que não fazem em casa é recorrente, não sei se é o efeito imitação ao verem outros miúdos, mas acontece muito.

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  3. A Rosa foi a Educadora do meu filho Vasquinho! Prematuro, tinha 3 meses quando se juntou aos Manos no colégio. Se perguntar vai ver que a Rosa ainda lhe conta das vezes que ia ver se ele respirava enquanto dormia! Por isso lhe disse que tinha confiança absoluta no colégio! Beijinhos e muitas felicidades para a Irene nesta nova etapa! E dê beijinhos nossos à Rosa, por favor!

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  4. A minha ficou a chorar,o pai a mãe igual... para ajudar ligaram me para a ir buscar porque Tava com febre.... tirando isso comeu, brincou, dormiu... vai correr bem e nisso que quero acreditar...

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  5. Sou educadora e sei por experiência que os hábitos mudam assim que entram na creche. Processo de imitação sim mas também porque a relação c o adulto é diferente do que com os pais. Não "abusam" tanto �� É normal haver choros nos dias seguintes mas também pode acontecer não haver nunca... Ou depois começarem a acontecer a partir de Maio (cansaço).

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  6. Olá Joana, o primeiro dia da minha Nono também foi hoje e digamos que para mim também foi perfeito! Não chorou, não fez birra, nada!!
    Dirigiu me um até logo mama e foi brincar!!!
    Lá sai da sala, nada de fininho, a dizer adeus e a mama vem te buscar mais logo, e ela "ta bem mama" !!
    Saí de lá a chorar baba e ranho!!:-(
    Estava feliz e ao mesmo tempo muito receosa!!
    Estou a viver em França e a Leonor não diz uma palavra de francês, mas pior que isso, a escolinha é bilíngue e amanhã é dia de alemão!
    Estou tão orgulhosa mas com tanto medo que as coisas mudem de figura amanhã !!
    O senhor do ATL disse que ela chorou a tarde, não dormiu porque estava ocupada a brincar, mas depois notou se o cansaço e chorou por mim, porque me queria! Fiquei desolada e a pensar que ela ia dizer que não queria ir mais! Mas qual não é o meu espanto quando depois de perguntar ela responde: sim mama, amanhã é dia de escolinha! A Nonora gosta muito dos meninos!!!
    Como é possível gostar de meninos com os quais ela não comunica, ainda!
    Eles têm uma capacidade de adaptação fantástica!!! Cada dia fico mais feliz com este ser pequenino que me enche o coração de alegria!
    E fico feliz por te-las a vocês...num dia tão emocionalmente esgotaste para mim, vi que vocês têm os mesmo medos e os mesmo feelings que eu o que me torna um pouquinho mais normal e me faz pensar que afinal não sou assim tão maluquinha por chorar quando a minha filha está tão feliz

    Beijinhos e desculpem o testamento/desabafo

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  7. Por cá, a habituação à creche foi assim também... Tudo espectacular, mas o nosso coração fica sempre pequenino, quer eles chorem ou não...
    Vai tudo correr bem Joana! Temos que confiar. Eles gostam de lidar com outras pessoas e, em todas as creches que eu conheço, são muito bem tratados! Além disso desenvolvem competências de grupo que são mais difíceis de desenvolver em casa!
    O meu filho tinha muita dificuldade em dormir sestas e adormecer à noite e a creche ajudou imenso a regular o sono e as regras na hora de dormir... Só aconselho a manter as mesmas rotinas em casa, para não estragarmos o que se conseguiu na creche. 😊😊
    Abraço a todas as mães que ficam com o coração apertadínho!

    Ana

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  8. Ora hoje foi o primeiro dia do Dinis, que tem 11 meses, claro que estava ansiosa, estes meses tenho estado em casa com ele e como trabalho com crianças, sei que a adaptação pode ser difícil. Mas lá ficou, também não me despedi, porque ao contrário da Joana, tenho alguma experiência e também já não é o primeiro, assim que o vi distraído saí de fininho. Claro que o fui buscar logo a seguir ao lanche, não liguei vez nenhuma, tive muitas saudades e claro que também chorei. Quando o fui buscar assim que olhou para mim, desatou num pranto, quando lhe peguei deu me um xi💗 muito apertado.Mas parece que esteve bem, até dormiu e tudo. Amanhã sei que não será pacífico... já intui que vou embora. Quando cheguei a casa com ele, estava com o " síndrome de abstinência de mãe " . Mas hoje foi o dia do ninho ficar vazio, o mano foi estudar para longe. E estou de coração apertado.

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  9. Olá, ainda bem que correu bem o 1 dia. A minha também começou a semana passada só manhãs, os 3 primeiros dias é que costou mais, apesar de no primeiro dia nao ter chorado quando a deixamos, mas nos 2 seguintes sim. Agora é tranquilo, a educadora disse que a adaptação está a correr muito bem, para quem teve 2 anos em casa. Desde o 1° dia comeu na escola tudo e participa nas actividades é sociável qb, com o tempo será mais. Resumindo está a correr muito bem. Bjs Lúcia

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  10. Olá!! Sigo o blog e adoro!! Também trabalho na área e concordo com a Vanda, a despedida é muito importante, desde que não se prolongue indefinidamente ;) instinto de mãe não falha. Hoje foi o meu primeiro dia de trabalho e também correu tudo bem com o meu pequenino...mas que nos custa, lá isso custa!

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  11. Que bom que a Irene gostou! O primeiro dia do meu mais velho na nova escola (tem 2 anos e 8 meses e a escola anterior era só creche), não começou bem. Deixei-o em prantos a esticar os braços a chamar por mim, a seguir fui deixar o mais novo, 8 meses à creche, e fui directa para o aeroporto para uma viagem de trabalho. O que me sossegou foi saber que ele se divertiu, brincou muito e reencontrou coleguinhas. Agora é esperar que se habitue à rotina novamente.

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  12. Ola Joana.

    Pela primeira vez vou comentar. (Sou aquelas stalkers que le toooodos os posts e nunca comentou1 :p).
    Vou comentar porque hoje sim sinto cada palavra tua. Cada medo, cada reação da Matilde, do pai da Matilde. A diferença é a Matilde ter 13 meses e ter estado em casa todo este tempo comigo, com a avó e o pai. Eu estive fora um mês e meio (21 dias+ 17 dias) [Sim, dei mama ate aos dez meses e estive sem a minha filha dias, noites seguidas!].
    Agarrada como estava, esperava outra coisa, mas o sentimento ca em casa hoje é esse mesmo: de felicidade pelo primeiro dia.
    Amanhã sera um novo dia, aprendi a relativizar (depois de tanto tempo sem ela, tenho de o fazer) e seguir os meus instintos (por isso, se te queres despedir dela, fá-lo, mesmo que o frederico nao o queria fazer ou a educadora te diga o que disser.) O que me fez escolher a creche da matilde foi isso mesmo: nada mais nada menos do que a liberdade de nas decisões que não têm explicação científica e nao envolvem saude e perigo sou eu e o pai que as tomamos. Eu despedi-me (a Matilde crava as unhas para ir ao colo de alguem) e ela foi. Senti que não a estava a enganar. Para mim a primeira mentira que se conta ao miudos é essa mesmo, sair de fininho (omitir va!). A verdade é que tens que ir, vamos ter de lidar com isso, mesmo que elas chorem. Sair de fininho quando não choram na minha perspetiva é facilitar o NOSSO processo e confundir a cabeça do DELAS.

    Um beijinho e muita força nesta nova fase. Vai dando notícias para irmos partilhando ideias.

    (um beijinho também à outra Joana com a qual também partilho o drama da comida na ultima semana - mas a Matilde esta no percentil 75 por isso vou descontrair- e com a qual partilho uma ternura maluca por recém-nascidos. É gorgeous a sua Luísa e a Isabel uma delicadeza de miúda. parabéns e força também para as noites de cansaço e exaustão!)

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  13. Joana ontem também foi o primeiro dia do meu filho. Correu muito bem mas assim como tu sou "contra" não me despedir e como tu ontem também não me despedi, fiquei meia confusa e pronto.
    Mas também uma vez não são vezes.

    A Irene é uma miúda espertissima cheira-me, tu é que és tão mãe galinha que a tratas como um bebé e na verdade ela já sabe um mundo de coisas - não esotu a criticar. Os miúdos são impressionantes. :)

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  14. O primeiro mês da Lara na creche correu menos bem (comia pouco e chorava um bocadinho durante o dia) mas depois passou a correr lindamente. Hoje foi o primeiro dia depois das férias de um mês e foi toda feliz!
    Acho estranho essa coisa de sair de fininho... O que me disseram sempre na creche é que devíamos despedir-nos de uma forma confiante e segura e dizer que voltaríamos ao fim do dia. Eles precisam de perceber que estamos bem e seguros e que os deixamos num local bom e seguro (por isso é importante não mostrarmos fraqueza nem que nos desmanchemos a chorar no carro). Também é bom não mentirmos dizendo que voltamos em 5 minutos ou sair de fininho... Essa política parece-me meio estranha da parte da educadora, mas... o que sei eu?

    Em relação ao desfralde, vais ver que agora é muito rápido. Quando iniciei o desfralde da Lara, passei 2 dias do fim de semana a limpar chichi e cocó do chão. Nunca consegui um chichi no bacio ou na sanita. E, sempre que ela fazia chichi no chão ficava super feliz e punha-se a saltar em cima. Um pesadelo!!!! Na creche (talvez por os meninos irem todos juntos) foi muito rápido. Começou logo a fazer chichi no bacio e a avisar quando tinha vontade. Depois de uma semana de desfralde na creche, foi muito mais fácil em casa e correu tudo melhor.
    Beijinhos e boa sorte!

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  15. Querida, a estala dá-lhes sempre. Mais tarde ou mais cedo. Espero que a Irene seja das que sofrem menos, mas não conheço nenhuma criança que todos os dias lhe tenha apetecido ir à escola na fase de adaptação, muito menos com a idade dela. O meu foi com a mesma idade e duas semanas depois é que percebeu que a vidinha dele tinha mudado para sempre... Agora só quando chegar à reforma é que se acabam as rotinas e horários:)

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    1. O meu filho mais velho ficou até aos três anos em casa, foi para a escola e nunca chorou nem pediu para não ir... Nos primeiros dias ia só aos bocadinhos e quando eu o ia buscar vinha de trombas! Até que me disse :"mamã porque não me deixas ficar na escola até fazer as coisas todas?" As "coisas todas" era almoçar, dormir, lanchar e ver TV...
      Confesso que me senti posta de parte, então anda uma mãe a criar um filho para isto??
      Mas como Deus não dorme, os dois seguintes fizeram fitas imensas quase até à primária...

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  16. Boa Joana! Que bom !
    Fico muito feliz!
    Vai correr tudo bem.

    Bjs

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