8.21.2017

A minha filha não diz nadica de nada.

Se fosse filha de primeira viagem, ai se fosse filha de primeira viagem, já teria ido com ela a uma terapeuta, a um otorrino, à bruxa, mandar lançar os búzios, para ver se estava tudo bem. 

Mentira. Com a Isabel sempre fui muito do relax também, no que aos timings de desenvolvimento dela dizia respeito. Nunca tive grande pressa para nada. Via-a feliz, não notava problemas ou dificuldades à primeira vista e esperei sempre. Andou bem mais tarde do que a prima - que tem um dia de diferença -, que começou aos 9 meses. Ela lá começou aos 15 (? confesso que não me lembro) mais que a tempo e super confiante. Quando foi, foi. Não tive de lhe sacar das mãos nem empurrar para que andasse sozinha. Quando reuniu tudo no cérebro dela e se sentiu confiante, deu os primeiros passos.
Com a Luísa, vou notando algum desejo em algumas pessoas de que comece a falar. (avó Béu, estás aí?) "Então ainda não diz nada?" Não. "Mas já não devia dizer?". Devia, devia recitar já. Calma. Tem 14 meses.

Diz olá - há alguns meses; diz uma espécie de "adeus" - adê; diz "dá". E é isto. Disse "mamã" uma ou duas vezes até hoje e - giro - foi quando o pai a tentava adormecer. "Estou em apuros! Não quero este a adormecer-me! Mamãaaaaa!!!" Espertinha. Já disse qualquer coisa como "papá", mas nada muito consistente nem repetido. 

E então?! 

Vamos a ter calma. Nem está a ser pouco estimulada, nem está atrasada ou é preguiçosa (e se for, terá ajuda, a seu tempo). É a Luísa. E a Luísa é uma macaca, adora trepar tudo, dança muito, é muito física e deve andar mais concentrada nessa área. Um dia destes, começa a disparar palavras que nunca mais cala.
É verdade que já percebeu que apontando e fazendo "aaaaa" quando estamos a beber água, terá água. Ou que quando não quer algo, agita a cabeça como quem diz não. Aponta para a fralda quando tem cocó. Procura-me quando quer maminha e aponta, escolhe que mama quer. Corre, pede colo, pede comida com gestos e estalidos. Quando se magoa, aponta para a zona que magoou e faz um "oh" e dá um beijinho e pede um beijinho. E lá nos vamos entendendo.

Porque acho que a estimulo o suficiente?

Porque, apesar de me recusar a não lhe dar os objectos pretendidos sem que ela os tente nomear - como já vi várias pessoas sugerirem,
  • canto para ela
  • quando aponta para algo, nomeio sempre o que ela quer; aliás, faço disso quase um jogo, com os objectos na mão: queres a taça? ah! queres água?! Á-G-U-A
  • digo as palavrinhas bem ditas e não como ela diz "adeus" é "adeus", não digo chicha nem nada do género (apesar de usar, além de "carro", "popó", com a Isabel, e "memé", e ela saber muito bem dizer "carro" ou "ovelha"). 
  • falo bastante com ela, explico-lhe o que estou a fazer e o que vou fazer, ou como me sinto
  • deixo-a ver videoclips infantis e ouvir músicas infantis 
  • conto-lhes histórias (só agora consegue ouvir uma até ao fim, ao contrário da irmã, que ficava atenta desde os 8-9meses).

Como a Isabel, mesmo estando na escola desde os 6 meses, não foi muito mais precoce que a Luísa a falar, não me preocupo mesmo nada. E agora é uma gralha e expressa-se bem, faz frases grandes e condicionais, usa palavras como "experimentar", por exemplo, o que para 3 anos não é nada mau. Também diz "mais maior" e coisas do género, claro. Tudo normal. :)


Por isso, gente que anda para aí a remoer-se toda por dentro porque os filhos ainda não falam, muita calma nessa hora.

Se acham que já ultrapassam o intervalo de tempo expectável, então sim, não perdem mesmo nada em procurar a opinião do pediatra e de um terapeuta da fala (ou se, até aos 3 anos, além de não falarem, não engolirem sólidos, ninguém entender o que dizem, babarem-se excessivamente, gaguejarem muito, aqui como eu, entre outras coisitas*). Às vezes mais vale excesso de zelo e detectar algum problema numa fase precoce, porque mais facilmente evoluem, do que esperar pela escola para resolver.

Susana Cabaço Fotografia
Site aqui.

Roupa Zippy 


*não sou terapeuta da fala nem nada que se pareça, é só informação que fui lendo.

 
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8.20.2017

Nunca pensei que fosse assim!

Estou a ficar irreconhecível, ahah. Não me alongo muito mais no texto e vão perceber porquê quando clicarem no vídeo :)



✩✩✩✩✩✩✩✩✩✩

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8.18.2017

Chorei com aquela avó de prematuros.

Os netos gémeos da F. já nasceram, antes de tempo, ainda antes de completarem os 7 meses. Estão ali, agarrados à vida, a batalhar há três semanas. Cada etapa, cada conquista (e alguns percalços e muitas incertezas). Notava-se que estava muito combalida, preocupada, cansada e, após algum tempo, ficou com os olhos cheios de lágrimas, a voz a falhar. Não aguentou mais. Nem ela, nem eu. Dei-lhe um abraço e tentei passar-lhe força. Conheço muitos casos de sucesso. Muitos mesmo. Lembrei-me logo do caso do Nós e as Marias, que nasceram com meio quilo, e deste fantástico texto que publicámos aqui. E é nesses casos que temos de pensar. Apesar de não ser fácil...

Hoje apercebi-me do sofrimento de avó. Sofre pelos filhos e pelos netos, sem poder estar sempre por perto. Sofre longe, com o coração lá.

Hoje apercebi-me de que passamos muitas vezes a gravidez fartinhas e ansiosas (nunca foi o meu caso, por acaso), mas nem pensamos bem no importante que é eles ficarem cá dentro mais tempo, até ao fim e no quão imaturos nascem, mesmo ao fim de 40, 41, 42 semanas. Nem nos lembramos da luta que muitas famílias travam quando isso não acontece. A incerteza, aquelas caixas, o colo que não podem dar a quem mais precisa, os tubos, as picadas, as aspirações, o regressar e ver uma casa vazia, o cansaço e o medo. O nascimento de um bebé devia ser sempre motivo para felicidade e não de dor e de medo da perda ou de sequelas.

Hoje apercebi-me de que não basta ficar aqui a sentir-me triste por estas famílias e por estes bebés. Há coisas a fazer para minimizar todo o sofrimento destas famílias.

  • Esta avó disse-me que o filho e a nora estão nas casas da Fundação Ronald Macdonald (para quem não sabe são "casas longe de casa" para os familiares de crianças doentes, que precisam de cuidados permanentes ou ambulatório) - já tínhamos falado sobre a fundação aqui e dado a conhecer como podemos contribuir: financeiramente ou com presentes solidários como bonecas de pano, almofadas, peluches, estojos (agora para o regresso às aulas, por exemplo!).

  • Perguntei-lhe também se os netinhos já tinham os polvos, que são uns polvos feitos em croché, 100% algodão, de que os prematuros gostam muito, por ajudarem a simular o ambiente no útero, onde tinham o cordão umbilical e que os ajudam a sentirem-se mais seguros (parecem fazer aumentar os níveis de oxgénio no sangue). Já tinham e a avó tinha aliás ido comprar linha para enviar para que se pudessem fazer mais polvinhos para mais prematuros. Esta iniciativa é fantástica! Vejam aqui no grupo Polvo de Amor ou na página Migos como podem colaborar, seja com material, seja a fazerem os próprios polvos. 
(Este projecto nasceu em 2013 na Dinamarca, projecto OCTO, 
que já distribuiu mais de 26 mil polvos!!!!).


Nós e as Marias

 
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