5.26.2015

Conversas de Mães #03

- Ando muito preocupada com a minha Carolina.
- Ai nem me digas nada, estes miúdos tiram-nos anos! O que foi desta vez?
- Então não é que a miúda me acordou esta manhã às 06h?
- Não me digas que se pôs a ver o Game of Thrones? A minha agora diz que é fã da Khaleesi.
- Não, deu-lhe a fome e foi fritar um bife! 
- Nada saudável! Ai que carga de trabalhos. Olha, nem te conto! Então no outro dia a minha aparece-me à porta do trabalho. Não é que a pequena foi até à praça de táxis?
- Oh Deus do céu! É só cabelos brancos com estas miúdas. No outro dia juro que me assustei. A Carolina sai-se com esta "o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos".
- Teorema de Pitágoras já?
- Pior, disse isto em russo. Estou muito preocupada. Não sei onde andou a ouvir estas barbaridades.
- Bem mas pelo menos a tua Carolina já tem 18 meses. Preocupante é a minha Luísa que só tem 14.


Lição número três - relatar os feitos brilhantes dos nossos filhos sempre com ar de preocupação, de fininho.

A Irene acha que sabe dançar!

... ou, então, tem só comichão no rabo e não sabe o que há de fazer!




Os vossos filhos também se passam com esta música?

O segundo em que conheci a Isabel

O segundo mais feliz da minha vida. Esse e todos os que se seguiram.



Era assim que eu estava, depois de umas 12 horas em trabalho de parto e de 10 minutos na sala de partos. Vê-se bem nos olhos a força que tinha acabado de fazer. O cansaço. Estava com fome e sede. Mas vê-se principalmente a alegria. Tinha o queixo sujo de sangue e tinha acabado de sentir a minha filha, quente, primeiro nas minhas pernas e depois no meu peito. A emoção das emoções. Disse logo que ela era bonita. Agora vejo uma bebé inchada, com a cabeça deformada da ventosa, mas delicada. Lembro-me bem do choro, baixinho e suave, como todos os outros que se seguiram. Assim que ouviu a minha voz parou de chorar. Dessa magia não me vou esquecer nunca.






O meu parto foi o momento mais maravilhoso da minha vida. Foi tudo o que desejei, acompanhada por pessoas calmas, divertidas, pela médica dos meus sonhos e pelo homem que me faz feliz e me conhece como ninguém. Foi um parto a rir. A primeira coisa que fiz quando senti uma coisa quente a descer pelas minhas pernas foi soltar umas gargalhadas enormes. E é com um sorriso nos lábios que recordo todos os momentos. A enfermeira que não sabia abrir o alfinete de ama, o barrete por cima do barrete, as orelhinhas enroladas, a pele cor-de-rosa. A primeira vez que mamou, para logo depois adormecer aconchegada ao meu lado. A primeira vez que o David a pegou ao colo, já no nosso quarto. Tenho tudo gravado na minha memória, como se fosse hoje.