5.03.2015

A minha Mãe

A minha mãe chama-se Isabel.
A minha filha também.
A minha mãe tem rugas de expressão, cheira a creme de limpeza e tem a pele macia.
Tem uma voz calma e bonita, mas não lhe peçam para cantar.
A minha mãe tem cabelos louros, sedosos, às vezes lambidos e ralos.
É vaidosa e bonita que dói.
A minha mãe é a professora pela qual os alunos tinham fraquinhos.
A minha mãe conhece mais bandas e vai a mais concertos que eu.
A minha mãe comove-se facilmente. 
A minha mãe é louca por trapinhos e sapatos e malas.
A minha mãe e esotérica, faz reiki e meditação.
A minha mãe é tonta, ri-se alto e diz "nha, nha, nhi", "nhó nhó nhó" no fim das frases.
A minha mãe lê muito, vê documentários e é inteligente.
A minha mãe é professora de Psicologia e Filosofia e consegue contagiar os alunos.
A minha mãe teve muita paciência, quando éramos dois a azucrinar-lhe a cabeça. 
A minha mãe faz o melhor risotto do mundo. O melhor bolo de bolacha. O melhor arroz de atum.
A minha mãe ensinou-me a ser independente, forte, decidida, mas também meiga, calma e tolerante.
Olho para a minha mãe e sinto um orgulho enorme.
Por se reerguer, todos os dias, e me mostrar de que fibra são feitas as Mulheres.
Um dia quero ser como a minha mãe.

Obrigada, Mãe.

Feliz Dia da Mãe

5.02.2015

Espero que, um dia, a minha filha...

Um dia, espero que a minha filha sinta a falta de aninhar a cabeça no meu corpo.
Que me beije a cara, com rugas mas macia, e me diga que me ama.
Que me perceba, me dê valor e que me diga que eu até tinha razão.
Que seja uma mulher independente, mas que carregue no coração uma infância plena, cheia de carinho, de pés descalços, aviões e cócegas. 
Que a minha filha sinta por alguém o que eu sinto por ela. Um amor que me faz chorar enquanto escrevo, de tão enorme e avassalador. Um amor em que convivem certezas e medos. Um amor em que me descubro maior do que pensei. Um amor sem igual.
Um dia, espero que a minha filha me olhe com o mesmo carinho com que olha agora, com aqueles olhos grandes e brilhantes e deseje que eu nunca morra. As mães nunca morrem, apesar do meu coração morrer um bocadinho só de pensar nisso. 
Um dia, espero que a minha filha me ame tanto quanto eu amo a minha mãe. 


A minha filha idolatra-me, chora por mim e faz caretas para que eu me ria. Daqui a uns anos, vai odiar-me, chamar-me chata, revirar os olhos e achar que eu não percebo nada e que eu sou velha. Vai chorar no quarto e dizer entre dentes que está farta de mim. Vai pedir para crescer depressa e para ser independente.
Mas, um dia, espero que a minha filha volte a ser a filha que me olha com aqueles olhos brilhantes, a filha que me estende os braços a pedir colo, a filha que sabe que não há amor maior do Mundo que o amor de uma Mãe. 

Que, para ela, eu seja sempre a Melhor Mãe do Mundo. 




Não vos queria meter inveja...

... mas em Évora estão 28 graus.















Isabel: Fofo Castelos nas Nuvens
Sandálias Rosa Amora

Eu: Capa Dasmanas