4.18.2015

"Vai lá tu!"

É talvez a frase mais usada cá em casa, pelo menos durante a noite. 

O Ricardo Araújo Pereira falou disso ontem no Mixórdia de Temáticas e confirma-se. Tenho aqui o esposo a anuir.

Já tinham saudadinhas de um post escrito a quatro mãos, não tinham? Cá está ele.

David - Olá, pessoas que mantêm a minha mulher ocupada enquanto eu vejo todos e quaisquer jogos de futebol que estejam a dar na televisão! Obrigada!

Joana - Engraçadinho, até parece que não faço mais nada. Ainda ontem vi o 50 sombras de Grey...

David - Tentaste ver... pela segunda vez! E adormeceste!

Joana - É porque o filme é tão, mas tão bom... Aquela Anastasia insípida a morder o lábio a cada fala estava a dar-me uma volta ao estômago. E que falas são aquelas, pelo amor de Deus! 

David - Aquilo tinha falas? O Rambo ao pé deste parece um filme do Kubrick. E até o Stalone consegue ser mais expressivo que o Mr. Grey.

Joana - Mas olha que o Mr. Grey estava muito bem equipado ao nível abdominal. Mas isso dava outro post, onde tu não metias a pata. Vamos lá ao que nos trouxe aqui. 

David - "Vai lá tu". É esta a frase que a minha mulher mais diz à noite. E "está a chorar."

Joana - Sim, porque o menino entra em negação muitas vezes e finge que não está a ouvir nada. 

David - As saudades que eu tenho de quando davas mama.

Joana - Espertinho. E surdo. Muito lento a ouvir, mas muito rápido a inventar desculpas e argumentos "fui lá há bocado", "agora é a tua vez", "acordei mais cedo hoje".

David - E tu? "Ando muito cansada", "vai lá tu agora, que eu vou de manhã e ficas a dormir até mais tarde" e sem gaguejar! É giro como durante as discussões nocturnas nem gaguejas...

Joana - Nem vamos falar das vezes em que nem dás por eu já lá ter ido e achas que estou a inventar.

David - E não estás?

Joana - Bem, vamos discutir aqui também?

David - No fundo, é como estarmos a fazer terapia de casal, mas de graça.

Não têm vergonha de ir à praia?

Espero mesmo que não. Espero que uma coisa tão pouco importante vos retire a vontade de fazer algo que, além de vos fazer bem, faz bem a toda a família. Nada nos devia limitar a nossa liberdade, muito menos macaquinhos da nossa cabeça. Borrifem-se para isso! 

Lembrei-me de falar sobre isto porque vi este artigo há uns tempos. 

“Tenho estrias e uso biquíni. Tenho uma barriga que é permanentemente flácida de ter gestado três bebês e eu uso um biquíni. Meu umbigo é flácido... (que é algo que eu nem sabia que era possível antes!!) e eu uso um biquíni. Eu uso um biquíni, porque eu estou orgulhosa deste corpo e de cada marca nele. Essas marcas provam que eu fui abençoada o suficiente de carregar meus filhos e que a barriga flácida significa que eu trabalhei duro para perder o peso que eu podia. Eu uso um biquíni porque o único homem cuja opinião importa sabe pelo que eu passei para estar assim. Esse mesmo homem diz que nunca viu nada mais sexy do que o meu corpo, com marcas e tudo. Elas não são cicatrizes, moças, são estrias e você as ganhou. Ostente esse corpo com orgulho! #HollisHoliday”



Acho isto tão importante e tão bonito. Há mães que não vão à praia por terem vergonha das suas estrias de maternidade, do que o corpo conta que aconteceu, de como nasceu o amor da vida deles. Esta imagem, por muito "facebook" que possa ser, é mesmo o que eu sinto. 

E as estrias? Qual é, afinal, o nosso problema? A imperfeição é a única maneira de sermos perfeitamente humanas. Por que é que nos massacramos por sermos normais? 

Vi isto no buzzfeed (aqui) e decidi partilhar convosco. Está a haver uma nova moda pelo instagram: a de partilhar fotos de estrias com o hashtag #loveyourlines.














Somos miúdas. Somos mulheres. Somos mães. Somos esposas. Somos namoradas. Melhores amigas. irmãs. Colegas. Amigas. Somos tanta coisa... e vamos deixar que umas linhas nos definam para pior? Somos nós. 

Somos uma folha pautada, cheia de linhas. E então? 

Fico à espera de um convite para escrever para a Maria Capaz. Ahah.


Debaixo das saias do pai

Há uma coisa que me tranquiliza. O facto de saber que se eu for desta para melhor, a minha filha vai ser educada pelo melhor dos pais. O pai da minha filha é essa pessoa. O melhor pai do mundo. Tem defeitos, como qualquer pessoa. Por acaso agora não me lembro de nenhum. Ah! É destrambelhado, como eu. E rezingão, durante a noite.
O pai da minha filha sabe fazer tudo: dar-lhe banho, fazer-lhe o jantar, adormecê-la, trocar-lhe fraldas, brincar com ela, fazê-la rir, conversar com ela, dar-lhe beijos, abraços. O pai da minha filha fala dela quando ela não está. O pai da minha filha preocupa-se com o futuro dela e quer educá-la para ser uma adulta trabalhadora, confiante e feliz. O pai da minha filha mete a cabeça dentro de água na hora do banho para a ver rir às gargalhadas. O pai da minha filha faz cucu de manhã com os lençóis, fingindo não ter sono. O pai da minha filha vai pô-la à escola e vai buscá-la e trata dela tão bem quanto eu. O pai da minha filha canta-lhe e inventa histórias parvas para a distrair do choro na hora de mudar a fralda. O pai da minha filha corre atrás dela para um ataque de cócegas. O pai da minha filha é um pai babado, presente, que delira quando ela chama por ele. 
Quando ele chega a casa e pousa as chaves, ela sabe logo que é o pai. Estica os braços assim que o vê e sorri-lhe com os dentinhos todos. Às vezes chama-lhe mamã. E não falha muito. O pai da minha filha é mamã. E ela gosta de ficar debaixo das saias do pai.