4.03.2015

Ajudem-me a dar cabo deste sacana!

É o inimigo número um de recém papás. É o inimigo número um de mães galinha. É o inimigo número um de bebés que demorem imenso tempo a adormecer e acordem com o cair de uma agulha.

Ajudem-me, por favor: se foram capazes de inventar um aparelho que aquece comida, sem precisar de fogo, como é que não foram capazes de fazer com que a porta do aparelho não fizesse barulho?????????



É este o sacana! É este que já me provocou algumas discussões familiares por eu achar que tem o barulho equivalente ao de uma bomba atómica e achar necessário fechar sempre a porta da cozinha para o utilizar enquanto a Irene está a dormir. 

Os pipis (salvo seja) até se aguentam, não fazem muito barulho. Agora a sacana da porta? Porquê? Por que é que faz tanto barulho?

Uma vez o meu marido até achou pertinente fechar o microondas às quatro da manhã. Claro que acordou a malta toda. 

Já tentei todas as manobras possíveis e imaginárias, mas mesmo com cuidado aquilo faz um estrondo enorme. 

É só o meu que é parvalhão?

Sou eu que sou passadinha?

Os vossos também fazem barulho?

Ajudem-me a dar cabo deste sacana!

4.02.2015

Um fenómeno muito estranho se passa nesta casa.

E não me estou a referir a este texto de hoje, em que choveram dezenas de comentários de fazer chorar as pedras da calçada. OBRIGADA por nos amarem tanto quanto nós vos amamos. OBRIGADA por nos ouvirem - falar para uma parede não teria a mesma graça. Convosco não há monólogos e até já sei de cor vários nomes de quem nos acompanha e isso só pode significar que já somos um bocadinho família.


O fenómeno de que vos quero falar é outro e passa-se dia sim, dia sim.

Ponho a comida da filha a aquecer. Provo. Está frio. Ponho a comida a aquecer de novo. Está a escaldar. Deixo arrefecer. Ponho-me a entretê-la e às vezes dou-lhe fruta ou pão. Esqueço-me da comida. Fica frio. Ponho a aquecer. Fica no ponto. Ela não quer.

É isto.

Isto acabou de me acontecer e vim a chorar para casa.

Ainda estou mesmo em choque. Não foi uma coisa má. Foi uma coisa óptima. Fiquei muito comovida. E isso não é meu.

Fomos ao jardim onde vamos sempre. Lá fui eu sem tomar banho porque não conheço ninguém aqui da zona (vocês percebem hehe) e também porque não me apetecia por uma saída de meia hora. Fui com o meu cabelo extremamente oleoso, as minhas rosáceas (eu acho que são duas, apesar de muita gente insistir em usar no singular como "a calça"), camisola qual a qual durmo se não me apetecer trocar de roupa, enfim. Estava no meu melhor (e completamente a borrifar-me para isso).

Andámos de baloiço (andou só ela, mas eu gostei), fomos ver os patinhos, estivemos a falar com pessoas muito simpáticas com quem a Irene meteu conversa e estávamos prontas para ir embora quando vejo uma mãe com um bebé ao longe, de carrinho. Sorrio porque gosto de ver mães com bebés no parque e continuo a tentar "arrumar" a Irene no meu carro. Depois oiço: 


- Olá Joana! Olá Irene!

Era a tal mãe. Super bonita. Com um ar extremamente feliz. Arrumado. Sorriso contagiante. Com um bebé enorme de 8 meses, super calminho no seu carrinho.

- Olá, estás boa? 

Sou péssima a lembrar-me de caras e de nomes e, por isso, já estava pronta para fingir que conhecia a mãe de algum lado.

- Eu sou a xxxxxx (eu disse que era péssima para nomes) e este é o xxxxxx. Leio o vosso blogue e gosto muito. A Irene é linda. Tenho acompanhado o desenvolvimento dela.

Não foi bem isto. Confesso que a minha cabeça só retirou o essencial. A Irene estava a fazer birra e eu estava muito envergonhada de estar a ser apanhada perfeitamente oleosa (também tenho o meu lado de beta). 

Acabámos por nos despedir (tudo muito rápido por causa da Irene) e a xxxxxxx diz isto olhando para os meus olhos como se certificando de que eu estava a prestar atenção: 

- O vosso blog é muito importante, nem imaginam quanto. 

Sorri. Agradeci. Enfiei-me no carro pronta para uma viagem super sónica para a Irene não passar "do ponto". A caminho vieram-me as lágrimas aos olhos (as pessoas dizem isto como se viessem lágrimas a outro sítio qualquer) e, parando para pensar, estava comovida por um sentimento enorme de gratificação, de felicidade. Aquilo que esta mãe disse foi dito de uma maneira tão, mas tão genuína que senti que aquilo que fazemos por aqui é muito importante, apesar de não ser nada profundo. 

Foi como se me tivessem dado mil abraços por cada post que escrevi. Fiquei tão contente, mas tão.

Obrigada pelo vosso miminho.

Obrigada a esta mãe, linda, minha vizinha que fez questão de me fazer sorrir e quase chorar. 

Escrever-vos é óptimo. 

E tenho a certeza de que falo pelas duas.


- Joana ainda não te tinha escrito isto no Whatsapp porque me esqueci do telemóvel no carro e como já me descalcei não me apeteceu ir buscar. :)