Nós, mães, somos vítimas de uma das piores coisas de sempre: sabemos que "é bom sujar-se" [como dizem os anúncios do Skip ou lá o que é], mas até ficamos mal dispostas quando vemos tudo a acontecer. O momento fica em câmera lenta e, em vez de sentirmos que estamos a proporcionar uma nova experiência sensorial ao nosso bebé, algo nos consome por dentro e nos dá vontade de limpar tudo naquele instante.
Ficamos nervosas, começamos a ficar suadas por baixo das mamas, fazemos imensa força nos maxilares, ficamos muito tensas e não dá! É pegar na miúda, sacudi-la com umas palmadas secas e ir buscar o aspirador grande que o aspirador pequenino nunca serve para nada. Epá, mas é que não serve mesmo. Para migalhas, então, que parvoíce! Dá-nos a esperança que aspira alguma coisa mas, depois, quando o viramos para baixo lá caem a porcaria das migalhas. Parece um velhote a tentar lidar com a sua própria saliva.
A Irene, de tanto me ver a desfazer bolachinhas para a papa, anda com essa mania. Agora, sempre que lhe dou uma bolacha, adora fazer migalhinhas. Quando está na espreguiçadeira é óptimo. Pego naquilo e sacudo lá para baixo. Hoje foi no chão.
Começou tudo a acontecer muito devagar. E borrifei-me para isso. Já estava. "Perdido por 100, perdido por mil". A miúda estava a divertir-se e eu já tinha de ir buscar o aspirador grande na mesma. É como quando cai a primeira nódoa na roupa deles. Já está. Agora não é preciso estar com cuidados. Vai para lavar anyway.
Mais eficaz que o meu aspirador pequeno é o Noddy que agradece esta nova mania da Irene.
O que me fez aguentar foi olhar para ela. Concentrada, a desfrutar de uma coisa nova. Porém, espero que lhe passe que sou mãe fofa uma ou duas bolachas no chão. À terceira, leva ela uma bolachada.
Nunca.
