2.23.2015

Não precisamos de dia dos namorados para nada!

As maiores lições de vida às vezes aprendem-se nos testes ranhosos do Facebook. Sim, acabaste de ler isto. Nunca fui moça para prestar atenção a essas coisas, nem nas revistas quando era mais nova, mas isto de estar em casa todos os dias com a miúda faz com que até esses testes me pareçam divertidos. É mais ou menos a síndrome do tipo menos feio numa discoteca (mas que é horrível na mesma): mesmo sem álcool passa a parecer um tipo normal pelos outros parecerem vomitáveis. 

Isto tudo para dizer que sim, fiz um teste no Facebook. Era um teste para dizer, se não me engano, qual era a palavra que melhor me definia. E eu, em vez de perguntar a alguém que me conheça, não. Tive curiosidade para ver o que um teste engendrado por alguém que, provavelmente só percebe de informática, fez. 

Acho que a palavra foi guerreira. Aqui entre nós, adorei que fosse essa. Senti-me toda pumped up e cheia de forças. 

Bom... qual foi a lição de vida que aprendi? Uma das perguntas do teste era: "gosta de ser surpreendido?". E eu pensei: "Duh! Claro, quando são coisas boas!". 

Depois veio outra pergunta que era: "gosta de fazer surpresas?". E eu respondi que não. Não gosto. Não gosto porque ou dão trabalho ou não correm bem ou tenho medo que a pessoa não aprecie o suficiente e fico amuada. Qualquer coisa.

Não me pareceu justo gostar de surpresas e não as fazer. É normal que as pessoas não nos dêem se não lhes dermos também.  Não podemos esperar maçãs se não plantarmos uma árvore. Certo? Certo? 



Acho que devíamos dar mais miminhos aos nossos amores (maridos, namorados, o que for) e esquecermo-nos um bocado de nós. De que nós é que gostaríamos que eles nos convidassem para jantar fora, para passear, para um fim-de-semana romântico, etc. 

Nós somos as maiores, sabemos disso. Apesar de sermos nós as "mães" e as Mães é que sabem, eles passam por muito também. Basicamente, aturam-nos para caramba e o que nós conseguimos ser insuportáveis. Ui. Se conseguimos. E sabemos enquanto estamos a sê-lo. Sabemos tão bem, mas continuamos. Porque podemos. 

Era o que dizia um artigo qualquer aqui na net: "Ela vai descontar em você, mas porque não pode ralhar com o bebé". Eles levam por tabela. Claro que nunca vamos admitir que às vezes errámos (estou a brincar, vocês podem admitir à vontade), mas subtilmente podemos dar-lhes uns miminhos fora dos aniversários, dos dias dos namorados, etc. 

Que tal?

Se nos sabe tão bem, a eles também saberá. 

Se forem de comprar coisas, o meu marido reagiu muito bem ao Call of Duty para a PS4. 


Outra história: Por falar nisso do Call of Duty, nem estão bem a ver o que aconteceu. Comprei-o na FNAC. Trouxe-o para casa, ofereci-o ao Frederico e ele, quando o abriu, encontrou, em vez do cd original, um cd gravado e todo riscado do filme REC2. Wtf? Imaginem a minha cara quando pensei que tinha de ir lá trocar aquilo: "Ah, comprei agora este jogo e lá dentro tinha um cd gravado de um filme de terror espanhol!". Por acaso foi tranquilo (foi o Frederico trocar), mas acho que o empregado fez uma cara do género: "Erm... sim... claro...". 

*imagem We Heart It

2.22.2015

Sexo? Prefiro dormir!

Calma, não fui eu quem disse isto. E se fosse, também ninguém tinha nada a ver com isso.


Na já tão badalada grupeta privada que temos no Facebook (mamãs de março de 2014), fala-se de tudo. Um dos últimos temas foi sexo depois de se ser mãe.


(Pedi à Isabel para me ajudar aqui a manter o anonimato da publicação e a minha filha nunca me desilude.)

Neste criterioso e científico estudo com p'ra lá de 16 participações (upa upa), cerca de 90% das inquiridas confirma que prefere uma boa noite de sono a uma noite de sexo. As restantes 10% falam de barriguinha cheia (e pelas noites de sexo às tantas a expressão já é literal hehe) porque os filhos lhes dão umas belas noites. Cerca de 20% diz que vontade não lhes falta, mas que se sentem cansadas.


Ora bem, este já não é um assunto novo aqui no blogue. A Joana Gama deu, de forma humorística, dicas para recusar fazer sexo aqui (Dicas para fazer recusar sexo como uma mãe) e eu já falei no sexo depois do parto aqui (Sexo depois do parto?).

Agora algo que nunca aqui foi falado: eles. Eles, os maridos, os namorados, os pais das crianças, os companheiros, o que for. A pessoa com quem dividimos a vida e a cama.

(Voltei a pedir a colaboração da minha filha para preservar o anonimato desta mãe. hehe)

Muitas mães diziam o mesmo: que eles contavam as vezes, que se sentiam mal, mas que o cansaço muitas vezes vencia. Percebo que não seja fácil lidar com a situação e que para alguns casais este possa ser um motivo de afastamento e que a relação possa esmorecer. Quantas histórias já ouvimos de que a relação arrefece depois de sermos pais? Mas também não cola aquele discurso machista, como se a mulher tivesse de estar à disposição do seu amo e senhor, do "ah! mas ela não lhe deu o que ele precisava, foi procurar fora" ou "se eles não têm em casa, mijam fora do penico". Se isso acontece nesta fase de grandes transformações das nossas vidas, então não me parece que ele seja O homem da nossa vida. 

Mães que têm preferido uma noite de sono (ou umas horas) a fazer amor, já perceberam, não estão sozinhas. Façam, todas juntas, umas rezas e esperem que isto passe (ou façam por isso, se for o caso, porque às vezes o segredo está em (re)começar).

Mães que andam a ter uma vida sexual mais activa que a do Redtube, dicas para as outras mães, ófaxavor.


Vá, tambem podem comentar este texto como anónimas, não se apoquentem.

Afinal havia outra (#09) - Martim

O teu primeiro toque em mim, embora leve e tímido, representou o maior dos terramotos, o mais impactante e estrondoso tsunami. Foi um toque de vida, de dar vida e receber ainda mais de volta. Ninguém está completamente preparado para a responsabilidade de, apenas para todo o sempre, ter a preocupação com lugar cativo no coração, ter o sono mais leve que um balão e, lançar a sua imagem para segundo plano, em todas as decisões, em tudo o que respeita a este mundo.

Nada continua igual e ainda bem, ser mãe é difícil  mas é o difícil mais feliz. O teu toque é, não digo mágico, porque isso é demasiado esotérico e tu és tão real. O teu toque tem uma base de bondade e um efeito reparador em todos os meus poros. Por ti e graças a ti a minha existência é mais atenta, mais generosa, mais ambiciosa e lutadora.

Não consigo prever o futuro como cobiço, e nisto de ser mãe o futuro pode trazer angústia, medo do desconhecido e a vontade avassaladora de te proteger. Nos meus sonhos entoamos sempre em uníssono, a simbiose perfeita como já fomos outrora. Tu cresces a olhos vistos e o teu toque será cada vez menos frequente, sou egoísta em sofrer com a tua liberdade.

A ideia de saber que um dia não serás somente meu, que não estarei a amparar as tuas quedas, que não partilharemos o mesmo ar e o que o papel principal irá fugir-me entre os dedos é tenebrosa. Dou-te tudo de mim e isso implica perder parte de mim, essa estará sempre contigo, nos caminhos que percorreres, nas decisões que tomares, nos valores que escolheres e nas conquistas que alcançares. Não me percas pois eu, no nosso ninho, permanecerei até ao último suspiro.

Lénia Freitas
mãe do Martim