1.07.2015

Mães que tudo sabem (#03) - Cláudia Borges

Cláudia Borges apareceu nos nossos ecrãs no Disney Kids, em 2002. A brincar a brincar já lá vão 13 aninhos e a apresentadora da SIC já tem um filho de 4 anos, o Rodrigo, o futuro namorado da Isabel (ele não sabe, nem a mãe dele, mas já andei a conspirar com os astros).

Numa conversa divertida, Cláudia fala-nos da gravidez, da maternidade e das saudades que tem do filhote em bebé.


Como soubeste que estavas preparada para ser mãe?
Desde muito cedo que queria ser mãe. Quando aos 21 anos me juntei com o Samuel, queria logo ter um filho. Ainda bem que ele era mais ajuizado do que eu ;) porque não sei se por essa altura teria maturidade suficiente, ou se a mesma chega quando o bebé nasce.

Como descobriste?
Já andava desconfiada, mas não queria pensar muito nisso, assim evitava desilusões.
A 26 de Março de 2010, entre reportagens, fui ter com a minha médica aos Lusíadas. Queria ter a certeza pois a 28 ia para Andorra em trabalho. Fiz a análise ao sangue e fui-me embora pois tinha de gravar. A Dra Linda ficou de me ligar e, umas horinhas depois, no meio da dita reportagem o telefone tocou. Do outro lado: "minha querida, vais para a neve, mas não te quero em aventuras..." Conseguem imaginar o ar de parva durante as entrevistas?

Quem foi a primeira pessoa a quem contaste que estavas grávida?
Só à noite, depois do trabalho todo feito é que fui ter com a Samuel a estúdio e foi aí que lhe contei que iamos ser pais.


Lembras-te da primeira coisa que compraste para o bebé?
Comprei um babygrow em tons beje. Assim, fosse menino ou menina dava.

Tinhas preferência por menino ou menina?
Não tinha preferência, mas a verdade é que estava convencida de que iria ter uma menina. Na família do Samuel, a maioria são rapazes, e todos diziam que era eu que ia ter uma menina.
Quando o médico disse que era um menino, fiquei super feliz, mas ao mesmo tempo em choque. Mas passou rápido!


Como correu a tua gravidez?
Lindamente! Foi aquilo a que se chama "uma gravidez santa". À parte dos enjoos matinais durante 16 semanas seguidas, não houve sustos, nem desejos doidos nem nada que que travasse a nossa felicidade.
 
Quantos kgs ganhaste?
Ganhei 16kg, o que não foi muito preocupante porque antes de engravidar tinha 53kg.

Comeste a dobrar ou tiveste alguns cuidados?
Cuidados... que vergonha... não tive mesmo. Usava o facto de ser magra para comer de tudo. A Coca-Cola sabia-me pela vida!


Ias com medo para o parto ou calma?
Sabes do que tinha medo? Da epidural! De resto, nada! Queria muito que fosse um parto normal e assim foi. Estava super tranquila e, mesmo com 12h de trabalho de parto, com dores que só nós sabemos, nunca entrei em pânico.

Como recuperaste o teu peso? Era uma preocupação voltar à tua forma o mais depressa possível?
Sinceramente não estava muito preocupada. Passados 22 dias fiz um direto num especial de Natal da SIC, mas de preto ;) tinha barriguinha como seria de esperar. E quando regressei em Março, estava a baixo do peso. Magra de mais! Cheguei aos 49kg, mas não foi propositado! Só quando o Rodrigo foi para a escolinha aos 12 meses é que comecei a treinar.


Custou-te muito regressar ao trabalho depois da licença de maternidade ou nem por isso? 
Tinha tanta vontade de voltar ao trabalho, como de ficar agarrada ao meu "Barriguitas" para sempre.
O Rodrigo ficava com a avó, por isso só estava longe dele o tempo que o trabalho levasse. Mas ia ligando ao longo do dia. Aos 12 meses, quando foi para a escola, é que tudo mudou... os primeiros dias foram uma choradeira pegada! Ele e eu!

O que é mais difícil na maternidade?
Tento não me stressar muito com nada. E aos 4 anos já não há grandes dramas. Mas o Rodrigo teve uma fase péssima... não queria comer nada e confesso que aí achei que ia ficar maluca. Olha que não sei se não fiquei (eheh).

És uma mãe control freak ou mais descontraída?
Nem control freak nem descontraída! Se sou chatinha e exigente, sim, sou!

És das mães que aproveitam todos os silêncios para falar do Rodrigo ou consegues controlar-te?
Quase todas as minhas amigas já têm filhos, por isso acabamos sempre por falar dos pequenotes. Mas controlo-me, há mais temas. Mas vá, prefiro falar do Rodrigo do que do tempo (risos).




O que é que mais gostas no teu filho?
O que mais gosto? Difícil!!! Mas vou tentar... a alegria contagiante, a gargalhada fácil, o facto de não ser preciso muito para ficar entusiasmado e super feliz, as saídas que me deixam de boca aberta, muitas vezes quando estou a ralhar e acabo a rir. E até a teimosia típica de um escorpião.

Qual é a coisa que o Rodrigo te diz que mais gostas de ouvir?
O meu filho, como sabes, tem umas saídas engraçadas, não é fácil! Mas de há umas semanas para cá, dá-me um abraço bem apertadinho e diz "mãe eu gosto tanto de ti! Adoro-te!!".

O teu filho já percebe que a mãe é famosa? 
Não dou grande ênfase a essa questão. A mãe trabalha na SIC, como a mãe de um amiguinho trabalha numa loja ou é professora ou médica.
No outro dia na rua pediram-me para tirar uma foto e o Rodrigo perguntou porquê. Só lhe disse que a senhora me conhecia da TV e ele não fez mais perguntas.



Gravaste o Disney Kids para lhe mostrar?
Ainda não lhe mostrei o Disney, mas já viu vezes sem conta "Uma aventura na casa assombrada" e adora.

Tens saudades de quando ele era bebé?
Tenho!!! Tenho tantas! E por tua culpa, porque andei às voltas com as fotos, fiquei ainda com mais (ahah).


Aprendeste algo novo sobre ti, assim que te tornaste mãe?
Aprendi que uma mãe aguenta tudo! Se doer nós aguentamos, se estamos cansadas, sem dormir, mas é preciso acordar cedo, nós aguentamos! Aprendi o que é sentir dois corações num só! Se ele sofre, eu sofro!

Pergunta da praxe: para quando o próximo?
Quero muito voltar a ser mãe! Sou filha única e não é uma experiência pela qual queira que o meu filho passe. Quando as condições estiverem reunidas, se é que isso existe, vai acontecer!


Da próxima vez vais fazer alguma coisa diferente? 
As pequenas coisas que me deixavam cheia de dúvidas já não me vão stressar. Costumo perguntar ao Rodrigo se me ajuda quando tivermos um bebé – sim, porque ele diz que vamos ter um bebé - e a resposta é rápida e direta: "não lhe mudo a fralda!". Com esta ajuda extra,vai ser ainda melhor

Algum conselho para as futuras mamãs?
Não vale de nada dizer para não stressarem quando eles não quiserem comer, dormir ou quando caírem, porque vão sempre entrar em stress! Mas há um truque que pusemos em prática e que sempre deu resultado! Bebés a dormir a sesta depois das 18h30/19h é quase proibido! Vão ver que o sono chega mais cedo e que a noite será mais tranquila.

A mãe é que sabe?
A mãe é que sabe! Ah pois sabe!!! E se não sabe, desconfia! Não há instinto mais apurado do que o de uma mãe atenta.

Obrigada, Cláudia! 

1.06.2015

Socorro! O meu bebé está em stress!

Isto foi o que pensei quando, às 20 e tal semanas, senti pela primeira vez pontapés ritmados na minha barriga. Pum, pum, pum, pum, num ritmo constante e assustador.
Imaginei logo a Isabel em stress a bater com a cabeça na minha barriga, com espasmos ou em sufoco. Achei que ela estava mal. Eram umas 4h da manhã e ela estava assim há uns bons minutos. Sei que nestas alturas se deve perguntar a toda a gente menos ao Sr. Google, mas eu não resisti.

Afinal eram soluços, minha gente! Que parva! Que drama queen!

Agora o que eu não percebo é por que é que ninguém nos avisa que isto pode acontecer e que é normal? 
Pronto, lá fui eu descobrir de coração a mil que os bebés podem ter soluços no útero e que até é um bom sinal: estão a treinar os movimentos respiratórios. E podem estar naquilo horas.

Pronto, futuras mães avisadinhas. Quem é amiga, quem é? A Mãe é que sabe a evitar ataques cardíacos desde 2014.

Força, suas leiteiras (#01)

Estarmos informadas sobre a amamentação serve para podermos sermos uma fonte de apoio para as mães que optem por amamentar e que possam passar por algumas dificuldades (nem sempre há problemas).

É também muito importante para não sermos repetidoras de informação incorrecta, porque tal pode ser o factor decisivo para a desistência de algumas mães.

A OMS recomenda o aleitamento materno em exclusivo até aos 6 meses. Além de estarem provados os benefícios da amamentação prolongada (com desmame natural), a OMS também sugere a amamentação até, pelos menos, os dois anos de idade.

A questão é: serão as possíveis dificuldades na amamentação que provocam tantas desistências ou será a falta de informação?

Para tentar ser mais produtiva neste assunto e com a ajuda de uma amiga (Patrícia Paiva, co-fundadora do projecto Mamar ao Peito cujo site está cheio de informação útil), pensei nalgumas perguntas para fazer a uma CAM. Se calhar, começando, pelo princípio:

1 - O que é uma CAM?

Uma CAM é uma pessoa, profissional de saúde ou não, que fez um curso de formação em aconselhamento sobre aleitamento materno. O curso é certificado pela Organização Mundial de Saúde e consiste em adquirir conhecimentos técnicos de amamentação. Normalmente é feito por pessoas que querem ajudar mães a amamentar ou para complementar uma profissão relacionada com mães e bebés.

2 - O que te fez querer ser uma? 

Tudo começou no fórum PinkBlue que comecei a frequentar quando o meu filho tinha cerca de quatro meses. Na altura, amamentava o meu filho em exclusivo e ajudava outras mães com dúvidas iniciais, achando eu que era uma expert no assunto… Sempre foi um tema que me interessou e felizmente comigo sempre correu tudo bem, mas li muito sobre amamentação e no fórum comecei a dar conselhos com base naquilo que lia. Quando o meu filho tinha 5 meses e meio fui mal aconselhada por uma médica, procurei a ajuda do SOS Amamentação pela primeira vez, porque não queria ir contra a opinião da médica sem me informar primeiro. A médica queria que eu desse papas ao meu filho, porque não estava a engordar o suficiente e por ter um percentil baixo. Mesmo depois de ouvir os conselhos sábios da CAM que me atendeu, não consegui ter força suficiente e cedi à pressão, não correu nada bem e não foi por ter iniciado as papas 15 dias antes que ele engordou mais ou subiu no percentil. Acho que foi nessa altura que decidi que queria saber mais sobre o assunto, mas apenas fui fazer o curso quando ele já tinha 8 meses, juntamente com a minha amiga Bárbara Correia, que conheci no fórum também, através do interesse comum pela amamentação e que também me incentivou a fazer o curso.

3 - Por que é que há cada vez mais CAMs? 

Quando fiz o curso, em 2008, quase ninguém sabia o que era uma CAM, mas aos poucos fui assistindo à divulgação desta actividade através de fóruns, sites, artigos em revistas e até na televisão. Hoje em dia, com o facebook, penso que já é um serviço bastante divulgado e quando uma mãe num grupo diz que tem problemas na amamentação, alguém aparece e sugere uma CAM, explicando o que é e dando contactos. Com o aumento da procura foi havendo uma maior oferta de CAMs e, felizmente, hoje já somos umas quantas espalhadas por todo o país.

4 - Quando te pedem ajuda, que meios utilizam?

Sou contactada de várias formas, através do chat ou grupos no facebook, emails, telefonemas… O meus contactos estão no site do Mamar ao Peito que criei em conjunto com a Bárbara. Por isso, muitas mães chegam a nós por aí, ou porque são recomendadas por uma amiga. Se for algo que se consiga resolver por telefone ou chat, o contacto fica por aí, mas em alguns casos mais complicados pode ser necessário um acompanhamento presencial e nesses casos vou ter com elas, se for dentro da minha área, ou encaminho para outra CAM, se ficar fora de mão, ou se ultrapassar as minhas capacidades.

5 - Haveria a necessidade de haver CAMs se os médicos tivessem uma formação adequada sobre amamentação?

Penso que sim, porque não acho que este seja um assunto de médicos, normalmente é um assunto de mães! E o ideal seria que fosse como antigamente, em que a sabedoria da amamentação era passado de mãe para filha e a ajuda vinha das mães, tias ou irmãs que tinham amamentado também.

6 - Existe leite fraco?

Não, não existe leite fraco, o leite que cada mãe produz é adaptado ao seu bebé e, para que este não tenha as propriedades suficientes, seria necessário a mãe estar num estado grave de desnutrição, e aí viam-se primeiro os sinais na mãe e só depois no bebé. O que pode acontecer é haver uma baixa na produção de leite, ou o bebé não estar a conseguir receber leite suficiente e, para se resolver esse problema, é preciso perceber o motivo que o provoca e é normalmente isso que fazemos com as mães.

7 - Por que é que existe uma preocupação enorme em torno do aumento de peso do bebé nos primeiros dias de vida? Por que é que a primeira solução é sempre a sugestão do suplemento e não a correcção da pega?

A preocupação relativamente ao aumento de peso dos bebés faz sentido, porque é um dos sinais de que tudo está bem, uma perda de peso sem motivo aparente ou dificuldade em recuperar o peso pode ser um indicador de que algo deve ser visto e um dos motivos pode ser realmente a amamentação. Mas, normalmente, há motivos que justificam essas dificuldade em recuperar o peso, como um início complicado, um bebé sonolento, uma má pega, amamentação com horários estipulados… As possibilidades são muitas e essas devem ser avaliadas antes de se passar para outra solução.

A solução mais rápida e eficaz é, realmente, o suplemento, porque o bebé ingere mais leite e rapidamente começa a recuperar o peso. Mas antes de se sugerir a suplementação com leite artificial, devem avaliar-se outras questões e apoiar a mãe se a opção dela é amamentar. Compreendo que, por vezes, no hospital ou no centro de saúde, não haja disponibilidade para estar mais de uma hora a falar com uma mãe para tentar perceber o motivo por trás do pouco ou nenhum aumento de peso, mas se não há essa disponibilidade deveria haver um cartão com contactos de CAMs ou um grupo de apoio para dar às mães nessa situação em vez da prescrição do suplemento, se isso acontecesse tenho a certeza que se evitariam muitos desmames precoces.

8 - Existe o vício de mama?

Normalmente associamos a palavra vício a algo prejudicial, por isso não o consigo associar à mama. Há bebés que mamam muitas vezes, porque precisam ou simplesmente porque sim, vai depender da idade do bebé e do tempo em que tem a mama disponível, mas se não lhes faz mal nenhum, antes pelo contrário, não vejo porquê limitar essas mamadas. O que as mães têm de perceber é que o bebé não procura a mama apenas quando tem fome, mas sim por que precisa de contacto, calor, carinho, de nutrição emocional e o fantástico é que a mama consegue dar-lhes tudo isso.

9 - Quais são as vantagens da mama em relação ao biberão?

Além das vantagens nutricionais e de saúde, porque nenhum leite artificial consegue ter todos os nutrientes, nem os anti-corpos do leite materno, há muitas outras vantagens. O leite materno é o único alimento que se adapta ao nosso bebé, modifica-se ao longo da mamada e de mamada para mamada. A ciência ainda não consegue explicar bem como funciona mas a verdade é que o nosso corpo recebe a informação do que o bebé precisa, e vai produzir o leite consoante essas necessidades. Tem também vantagens para mãe, a nível de saúde também e acho que não vale a pena enumerar essas porque são muitas e estão disponíveis na maioria dos sites sobre o assunto. Além das vantagens de saúde, há outras: é mais económico e mais prático e o leite materno é um produto sustentável que não prejudica o ambiente.

10 - É possível uma mãe não ter leite?

Sim, efectivamente existe uma doença que pode afectar algumas mulheres, chama-se hipogalactia, que significa escassez de leite, e tal como várias outras doenças afectam algumas mulheres, esta também pode afectar. A questão é que é uma doença muito rara, apesar de muitas mulheres se queixarem de falta de leite. No entanto, a maioria dessas queixas dependem de outros factores e não de uma questão patológica. E tal como indiquei, muitas vezes é essa a função das CAMs, identificar o problema e ajudar a mãe a ultrapassá-lo.


(mais perguntas e respostas em breve)