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quarta-feira, 22 de março de 2017

Pai em Pânico (#06) Super Pai, por Hugo Rosa

É OFICIAL! Nasceu a minha Inês.

Estas primeiras duas semanas têm sido das mais intensas da minha vida e todas as Mamãs que seguem o blogue sabem que tudo muda quando chegamos a casa com o bebé. Para o Pai não é diferente: o nível de pânico previamente existente quadruplicou, mas como consequência, fez crescer em mim um conjunto de poderes extra sensoriais que me garantiriam facilmente lugar nos X-Men. #chupawolverine

Como muitos outros pais pelo mundo fora, o primeiro super-poder que desenvolvi foi o da super-audição. Se no passado era capaz de dormir noites inteiras tendo ao meu lado um elefante a tocar trompete durante um terramoto, hoje, ao mínimo suspiro, estou desperto. Em casos extremos, já cheguei mesmo a antecipar uma aleatória vocalização da Inês, durante o sono, que nem sensor-aranha do Homem Aranha. #chupatutambémpeterparker

O outro super-poder que desenvolvi foi o da super-visão. Durante a noite, com ou sem luz de presença, sou capaz de olhar para o berço e descrever com total exatidão a posição da Inês. Até neste momento, em que estou numa divisão diferente da bebé, consigo vos dizer que ela está a dormir de barriga para cima, cabeça virada para a esquerda e mãos no ar junto à cabeça, como quem festeja o golo do Éder na final do Euro 2016. Sim, também tenho visão raios-X. #tocaachuparsuperhomem

E o super-olfacto? A fralda tem chichi? Tem cócó? Tem ambos? Muito ou pouco? Todas estas dúvidas ficam para trás quando ascendes ao estado de Super Pai Guerreiro nível 3! #kamehamechupasongoku



Depois há outros super-poderes menores que ficam latentes e surgem em momentos estratégicos.

Nomeadamente:
- Estimar a quantidade de leite ingerido durante uma mamada;
- Não rir sempre que alguém a palavra “mamada” neste contexto nada sexual;
- O dom de mudar a roupa da bébé em menos de 19 minutos;
- A capacidade de preparar leite artificial com uma mão apenas;
#agoraninguémchupa

Moral da História: se precisam de convencer o vosso marido/namorado que está na hora de terem filhos, experimentem argumentar que ele se transformará num Super Herói capaz de rivalizar com o Batman. Funcionou comigo!


E vocês? Que super-poderes desenvolveram com o nascimento dos vossos herdeiros? 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Pai em Pânico #5 - Sexo, Drogas e Hemoglobina.

No momento em que vos escrevo esta crónica, estou a 16 horas, 10 minutos e 43 segundos de entrar no hospital com a minha namorada para o nascimento da criança (não que eu esteja a contar), e quero apenas dizer que estou calmíssimo. Mesmo muito calmo. Tipo, calmo como quem está calmo numa calmaria autêntica. ESTOU CALMO! JÁ DISSE QUE ESTOU CALMO, PORRA! A minha namorada é que nem se atura. Está sempre a dizer “vai correr tudo bem, Hugo” e “não stresses que vamos ser bons pais, Hugo”. Está in-su-por-tá-vel!

Ok, talvez o nervosismo me esteja a bater um pouco. Não só porque vai começar a aventura mais incerta das nossas vidas, mas porque toda a experiência da cesariana não podia estar  mais longe da minha zona de conforto. No que toca a hospitais, sou como um peixe fora de água, mais concretamente, um peixe numa betoneira.

Passo a explicar: eu sou o que se conhece no mundo da medicina como um coninhas de nível 7. Não me dou lá muito bem com sangue. Nem agulhas. Quando faço análises clínicas acabo deitado na maca, de pernas elevadas e a beber um shot de glicose, ou não fosse “Tonturas” o meu nome do meio. #nãoémaspodiaser


Eu nunca poderia trabalhar na área da saúde. Médicos e enfermeiros são, para mim, heróis. Ainda a semana passada estive à conversa com minha irmã e cunhado, que nos explicaram um pouco o que esperar da cesariana. Apesar de ter a perfeita noção que não serei eu o objeto da operação, era na minha barriga que tinha uma estranha sensação de desconforto. Agora imaginem ser tratados por um médico que, ao vos explicar o que esperar de uma mamografia, estivesse a esfregar os próprios mamilos.

Ainda assim, quero tentar assistir à cesariana. Quero fazer parte do que será certamente um momento memorável e quero apoiar a minha namorada, sem que eu próprio seja uma preocupação para a equipa médica. O meu plano é entrar na sala de operações e dizer: “Excelentíssimo Dr. Stephen Strange, eu estou tão confortável num bloco operatório como um negro homossexual num concerto do João Braga. Caso eu me comece a sentir indisposto, por favor indique-me qual o caminho para a saída de emergência de forma a que desmaie do lado de lá da porta. Se eu desmaiar deste lado, deixe-me ficar inconsciente até a criança terminar a faculdade. Obrigado.


Que acham? Razoável da minha parte?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Pai em Pânico #4 - "Vai-te lixar, susto!".


Já passou mais de um mês desde que escrevi a última crónica do “Pai em Pânico”. Para as cerca de 7 pessoas e 2 gatos que pensaram “eu até gostei das outras, porque é que a próxima está a demorar tanto?”, eis o motivo: um susto na gravidez da minha namorada.

Felizmente está tudo bem, mas em breve perceberão que foi um mês de expectativas quebradas a cada esquina e que a vontade de escrever algo “engraçado”, não abundava.

Como sei que estou a falar para um público composto maioritariamente de mães altamente informadas, e de alguns pais que não admitem seguir este blogue sobre risco de serem chamados de “maricas” pelos amigos, não vou poupar nos termos técnicos. Afinal, se há coisa que eu fiz em Janeiro foi tirar uma Bacharelato em Medicina Obstetrícia. Hoje em dia estou capaz de olhar para uma ecografia e, medindo a direção do vento com a ponta do meu dedo humedecido, dar-vos ao perímetro cefálico da criança com precisão à milésima de centímetro.

Mas o que é que aconteceu ao certo? No início do ano, e sem motivo aparente, detetou-se que a bolsa amniótica tinha pouco líquido. Quão pouco? Do estilo, a manhã após uma festa da espuma no Docks, pouco. Do estilo, tem de ficar internada porque há a possibilidade de ter um parto prematuro às 30 semanas. Do estilo, a criança nascendo, vai passar largas semanas numa incubadora porque só tem 1kg. Do estilo, caiu-me tudo!

Durante 10 dias, a minha namorada esteve internada, em repouso absoluto, num estado capaz de meter inveja a um funcionário público sob falsa baixa médica. O líquido amniótico subiu, mas apenas para o estado ligeiramente acima do crítico e a necessitar de vigilância continuada. Os CTG’s (cuja sigla significa “como tamos de grelo?” #truestory) davam bons sinais e a criança mexia-se em abundância, apesar de ter menos espaço do que um elefante a tomar banho num bidé.

Foi só recentemente, já depois de ter sido enviada para casa com indicação médica de não fazer esforço absolutamente algum e de me escravizar em tarefas domésticas até ao final da gravidez, que tivemos a confirmação que o líquido está a um nível aceitável e é previsível que a gravidez decorra com normalidade até às 39-40 semanas.




Aparentemente, o susto já passou e ainda bem. Detesto sustos, sejam eles na vida real ou sequer em filmes. É com relutância que vos confesso que sou um medricas autêntico. Já não me recordo da última vez que vi um filme de terror, pelo simples facto que não gosto de me sentir assustado ou sobressaltado. Sou um stressado por natureza e esforcei-me ao longo de várias semanas em manter o otimismo, nem que fosse para não acumular preocupação na minha namorada. Estou confiante que falhei em variadas ocasiões. Mas também estou confiante que o pior já passou e que vêm aí uma fantástica fase da nossa vida.

Numa nota final totalmente descontextualizada, esta pequena aventura ajudou-me a descobrir o meu público alvo, enquanto humorista. No espaço de 3 dias, o meu trabalho foi elogiado e fui reconhecido como “o gajo dos cartazes do Got Talent” por 2 pessoas a trabalhar ao balcão do bar de 2 hospitais diferentes, uma rececionista de um outro hospital e ainda pelo colaborador que me atendeu numa Decathlon. Ou seja, o meu público alvo é gente que está sentada atrás de um balcão, a atender outros!

A todos eles um “muito obrigado” por, sem saberem, me darem pequenas alegrias em alturas que muito precisava delas. A todos os médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde que acompanharam este mês de “susto”... vão-se lixar, não fizeram mais do que o vosso trabalho! (estou a brincar, o atendimento foi sempre bom, atencioso e profissional. Obrigado!)

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Pai em Pânico (#03) - "Aproveitem para dormir agora"

Ao entrar na 30ª semana, eu e a minha namorada já recebemos vários conselhos de várias pessoas a propósito do que é ser pai. Diria até que recebemos demasiados conselhos, se é que existe tal coisa.

Um “recém-pai”, definido para os efeitos desta crónica como alguém que teve um ou mais filhos nos últimos 4 anos, parece ter uma aptidão inata para definir de forma absoluta qual a melhor fralda, pomada, creme, chucha, biberão, esterilizador, questões sobre amamentação, forma de adormecer a criança e método de dar banho, tudo com base apenas na sua experiência parental. É um pouco como um alguém que só teve um parceiro/a sexual dizer-lhe que ele/a é o/a melhor do mundo na cama. No melhor dos cenários, falta-lhe validade científica e precisa de mais amostras para a fundamentar a afirmação.

Não me levem a mal, eu quero receber estes conselhos! A quantidade de incógnitas que me aguarda é assustadora, no entanto, não quero receber esses conselhos nem de toda a gente, nem em palestras consecutivas de 4 horas e meia. Em certos casos, esse tempo seria melhor gasto a agrafar os meus mamilos.



O conselho mais frequente que recebo é “aproveitem para dormir agora!”. Novamente, acredito que seja imensamente bem-intencionado, mas é um conselho fundamentalmente inútil. Como os seres humanos entre vós já terão por esta hora percebido, o sono não está sujeito a um sistema de crédito. Eu não posso acumular horas de descanso, que posteriormente trocarei por uma poção revigorante que me permita derrotar o monstro do “tenho fome, calor e/ou cócó na fralda” às 3 da manhã. Isto não é o World of Warcraft, e se fosse, seriamos todos orcs de nível 1!

Vou até mais longe dizendo que o melhor conselho a dar é “aproveitem para NÃO dormir agora!”. Sim, aproveitem estes meses de expectativa para habituar o vosso corpo à privação de sono. Espalhem pela casa inteira 8 alarmes a disparar pela noite dentro. Junto aos alarmes, coloquem uma taça de almôndegas fora do prazo e nos alarmes cujos dígitos dos minutos produzam um número inteiro quando dividido por 3, coloquem a mão no bico maior do fogão e liguem-no. Desta forma, quando chegar o bébé, vocês já são um com a Força.


É por tudo isto que, para terminar, quero deixar uma promessa solene que irei repetir diariamente após o nascimento do meu filho/a: “eu, Hugo Rosa, prometo não dar conselhos a futuros pais a menos que me seja pedido e, quando me for pedido, prometo ser sucinto e não despejar informação que demore a ser transmitida o mesmo tempo de uma viagem de barco até à India no século XV.” 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Pai em pânico (#02) - Com muito cuidadinho...

Perto do final do primeiro trimestre de gravidez da minha namorada, tivemos um pequeno susto. Para dizer a verdade, um mini susto. Nem sei se chegou a ser um mini susto! A melhor forma que tenho de descrever é que seria o equivalente a um susto provocado por um fantasma introvertido: “Com licença… se não for transtorno… buh!”.

Não é necessário entrar em grande detalhe sobre o que se passou, mas a verdade é que “cuidado” passou a ser a palavra de ordem cá por casa. Fomos inclusivamente aconselhados a evitar qualquer espécie de relação sexual durante um mês, o que por mim não me preocupou nada. Eu sou um atadinho, introvertido, sem a autoconfiança para engatar sequer uma lima. Meses sem sexo tenho mais do que pedras no meu caminho. #castelodecastidade


Quando passou o dito mês, o médico disse que podíamos retomar as relações sexuais desde que o fizéssemos com muito cuidadinho. Uma vez mais, senti que estava a jogar em casa. Afinal as palavras “espera”, “mais devagar” e “ui ui ui” compõem todo o meu vocabulário de conversa porca na cama. Mas a verdade é que a primeira vez foi stressante. A todo o momento senti que estava a fazer algo potencialmente prejudicial. Se me permitem dar algum detalhe, eu estava tão preocupado que a cadência entre penetrações dava para ler o “Anna Karenina” de Tolstói. Por outro lado, é com muito orgulho que anuncio um novo record de endurance sexual: 57 minutos! Isto está de tal forma que aproveitamos o sexo para pôr o Game of Thrones em dia.

Felizmente, todo esse constrangimento já se encontra para trás e, ao entrar na 28ª semana, tudo está de volta ao normal, se não contarmos com aquela perturbadora ocasião em que 2 segundos depois de terminarmos, a minha namorada fez questão que me dizer que o bébé se estava a mexer imenso. Mas isso é tema para outra crónica.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Pai em Pânico (#01) - Menino ou menina? Não quero saber!





27 semanas! É este o tempo total de gravidez que tenho para cobrir com esta primeira crónica do “Pai em Pânico”, para vos deixar em dia. Para ser honesto, nem sei bem por onde começar… 

Que tal com o facto que eu e a minha namorada decidimos que não queríamos saber o sexo da criança? Sim, processaste corretamente a frase anterior e por esta hora já te inseriste em uma de duas categorias: na categoria composta maioritariamente por mulheres e que se identifica com um audível “ó, que ideia tão fofa!”, ou na categoria das bestas dos meus amigos que se manifesta através de um perfurante “que estupidez!”. A verdade é que poucos temas são tão polarizantes como este. Nem “Trump versus Hillary” ou “Coca-Cola versus Pepsi” divide tanto a opinião das pessoas. Em termos da ausência de consenso, o tema “Não Queremos Saber o Sexo da Criança” fica apenas atrás do eterno “Qual o pior dos irmão Baldwin?”. (dica: não é o Alec)

Embora me sinta tentado para concordar com os seres unicelulares que são os meus amigos, uma vez que, sabendo o sexo da criança, há todo um conjunto de assuntos logísticos que se podem preparar de forma mais detalhada, a verdade é que tem sido “fixe” não saber. Primeiro, conteve o nosso impulso capitalista de uma forma que deixaria Fidel Castro orgulhoso. Em segundo, já ninguém usa o termo “fixe” porque é algo dos anos 90. Por fim, e sendo excessivamente cliché, o que importa é que seja saudável... e que seja a/o primeira/o campeã(o) de um título de Grand Slam em ténis. #baixasexpectativas

Mas só para deixar claro: nós não queremos saber o sexo da criança, até ao nascimento! Após o parto, é totalmente expectável que o sexo da criança seja distinguível para nós. Caso contrário, algo está muito errado e sou totalmente a favor de pôr a criança numa cesta e lança-la ao Tejo. Afinal de contas, funcionou com Moisés.

O motivo por trás da decisão de não saber o sexo da criança é, naturalmente, a minha namorada! Ela achou que seria giro não sabermos e eu decidi que gostava de saber, mas não ao ponto de comprar uma discussão com uma grávida, por isso decidi alinhar. Aliás, é essencialmente esse o meu papel até ao final da gravidez: “Fofinha, claro que reservar o infantário quando só estás grávida de 2 meses não é cedo de mais. Aliás, até devíamos já fazer a inscrição na faculdade. Eu estou a pensar Física Quântica no M.I.T., e tu?”.

Gosto de pensar que tenho cumprido com o papel de pai em formação. A minha namorada poderia discordar e, nesse sentido, teria de concordar com ela, mas só porque tem mesmo de ser.