2.18.2015

Não come, não come...

Tirando os dias em que não lhe apetecia mamar e em que fazia uma fita enorme, a Isabel sempre comeu bem. Tirando os dias de birra ou de sono, sempre gostou de papa, de sopa, de iogurtes naturais, de pão. Odiou a primeira vez em que tocou em bróculos. Às vezes cerra a boca à terceira colherada e temos de fazer um espetáculo de circo para que ela coma mais. Mas é raro, muito raro.

No outro dia não quis comer. Nem uma colher de sopa. Deixei arrefecer, nada. Fui aquecer de novo, nada. Fruta, nem vê-la. Ok, vai de leite. Nada. Achei estranho, muito estranho. Estaria apaixonada?... Durante a noite, não quis leite. Começámos a ficar apreensivos. Na manhã seguinte, nada, nem papa, que ela adora, quis. Mau Maria, tu queres ver que está a chocar alguma? Dei-lhe muita água e fiz um esforço racional para não me preocupar.

Ainda bem. À noite já quis picar comida (damos-lhe comida aos bocadinhos no tabuleiro). Bebeu três biberões de leite durante a noite. No dia seguinte já quis a sopa e o segundo. À noite, devorou árvorezinhas, que é como quem diz bróculos. Nunca mais tinha experimentado dar-lhe e correu tão bem. Comeu massinhas e frango. O chão também comeu. Depois, dei-lhe sopa a achar que não ia comer nada e comeu tudo. Ainda tive de ir buscar mais. Já não quis a fruta, tudo bem.

Resumo da história: é normal eles às vezes não terem fome. É normal não terem apetite, tal como nós. Quantas vezes não nos apetece comer? Sei que a Joana Gama não sabe o que isso é, mas é normal. 

Como é convosco? Também stressam com as faltas de apetite deles?



2.17.2015

Não me larga da mão (e ainda bem)

A Isabel só quer colo. Já adormecia sozinha com 4, 5 meses, bastava deitá-la na cama, depois da história, da maminha e dos beijinhos e ela adormecia, agarrada ao Zezé. Agora já não posso com as costas, com os braços, tenho de andar pelo menos 30 minutos em pé de um lado para o outro para ela adormecer. Se me sento no cadeirão, reclama. As sestas correm muito melhor. Estarmos as duas no cadeirão, juntinhas, é mais do que suficiente para ela adormecer.

Pus-me a pensar se estaria a habituar mal a minha filha e a pensar na "regressão" dela, a partir do momento em que teve uma otite, com sete meses. Como negar colinho à nossa filha doente? Como negar colinho ao nosso ser mais precioso, se ele nos pede? Lá vem a história das manhas, do deixar chorar e de os ensinar a dormir sozinhos. Não sei se compro.

Lembrei-me, a propósito, de numa aula de psicologia do 12º ano se falar da experiência com os macaquinhos de Harlow. Os macacos bebés tinham à disposição duas mães artificiais: uma de arame, com leite, e outra também de arame, mas forrada com tecido fofinho. Eles passavam horas a fio agarrados à mãe felpuda. O conforto e o contacto físico é tão ou mais importante que a própria alimentação. 

Não sei se me irei arrepender, quando a Isabel tiver 45 anos e ainda quiser adormecer ao colo. Mas o que é certo é que o meu instinto me diz para fazer assim: para a embalar, enchê-la de beijos e do conforto do meu peito, quentinho, onde bate um coração, cada vez maior.

* imagem weheartit.com

A Joana Gama é... parva.

Não é nada. É. Um bocado, às vezes. Mas eu gosto.

Deixem-me falar-vos da Joana. A Gama, a outra. Ela já vos contou como nos conhecemos, não já? Isso, num grupo do Facebook (Mamãs de Março de 2014). Um amigo meu trabalhava com ela e disse-me que ela me iria juntar ao grupo. Fiquei WTF?! Achei a ideia super mega bimba e não estava preparada para um grupo de muitas mães histéricas a contarem tudo das suas vidas e gravidezes. Pensei que iria perder tempo, que não me iria identificar. Tudo ao contrário. Surpreendi-me, com elas e comigo. Afinal eu era uma delas e aquilo fazia-me falta. Era onde descarregava as angústias, os medos e com quem partilhava as alegrias do dia-a-dia. Assim não me tornei numa grávida muito chata para as pessoas que me rodeavam (acho eu).
Bem, a Joana.

A Joana era a palhaça do grupo, mas não nos dava muita confiança. Um dia, num lanchinho de grávidas (sim, como uma reunião de tupperwares) tive aquilo a que se chama "amor à primeira vista". Achei que ela era um peixinho completamente fora de água, mas que até se estava a esforçar. Depois, começámos a falar por mensagens no Facebook. Criámos o nosso grupo. A primeira vez estávamos as duas sozinhas em casa à noite (os maridos tinham ido dar um giro) e ficámos naquilo horas. Estávamos na fase da paixão.

Depois, vivemos o parto uma da outra intensamente, apesar de estarmos à distância. Um mês depois, ela veio cá a casa, com a Irene, festejar o primeiro mês da Isabel.


E nunca mais nos largámos: lanches a duas (a quatro), lanches com outras mães, jantar ou almoço com os esposos e por aí fora. O meu marido (que não é marido, mas gosto de achar que sim) às vezes ficava com ciúmes do tempo que estava com a Joana ao telemóvel. Ainda hoje me disse que eu sou viciada no telemóvel. Se calhar sou um bocadinho, a culpa é dela. A Joana é viciante.

Se acharem que isto está a puxar um bocadinho para o lesbianismo, digam-me que tento refrear o tom.

A Joana é uma pessoa fascinante. Não faz fretes. Diz o que pensa. Faz-me rir. Às vezes combina roupas que não têm nada a ver. É intensa. É chata. Tem uma gargalhada boa. É infantil. É brutinha. É genuína. É muito, mas muito engraçada. É inteligente. Tanto que até irrita. É bonita. É tão, mas tão boa mãe. É tonta. É gulosa. É organizada. Tanto que até irrita. É segura. É ambiciosa. É maluquinha das doenças. Vê programas de TV de merda. É esforçada. É parva. Não gosta de peixe. É tão, mas tão boa mãe, já tinha dito? Lê mil livros técnicos. É eufórica. 

Gosto dela. Acho que sou uma pessoa melhor desde que a tenho na minha vida e sei que posso contar com ela para tudo.
E sinceramente acho que se o a Mãe é que sabe está a correr tão bem, é porque temos esta química. Ela é parva, eu também. Não nos levamos muito a sério. Somos amigas.

Vá, Joaninha, não chores. Sua bimba.