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6.19.2019

Ela quer usar crop-tops e eu deixo.

Não sei quanto a vocês, mas para mim a "barriga" sempre foi algo com o qual lidei mal. No início, achava que era barriguda porque tinha engolido demasiado ar para arrotar e que nunca tinha saído. Depois, sempre que usava tops ou que tinha coragem nesse dia, passava o dia todo a encolher a barriga ou, quando me sentava, a tapar com camisolas. 

Nunca gostei de me ver de tops, mas queria muito gostar e sentir-me capaz. Agora que vou ver as fotografias da altura, claramente existia (e ainda deverá existir) um desfasamento muito grande entre aquilo que eu sentia e "como estava". 

Não conheci ainda nenhuma mulher para quem a questão do "peso" não a atormentasse de alguma forma. Sabemos todas, mesmo que não saibamos explicar, de onde isso tudo vem. Dos media, claro, das nossas mães e também de uma necessidade normal de querermos sentir-nos atraentes por sabermos que isso é uma característica importante para atrair os pares. 

Novembro de 2017 - quando ainda não me irritava tirar fotografias em que corte os pés às pessoas. 


A Irene sempre teve uma barriga grande. Quando acabava de mamar parecia um balão daqueles das feiras. Mais tarde viemos a fazer alguns exames e também era por ter o baço (espero não estar enganada - será o fígado?)  com um volume no limite máximo da normalidade. 

Entretanto parece que, depois de "apalpada" pela médica, já voltou tudo ao normal, mas continua barriguda. Até a professora dela fala com carinho da barriguinha "de bebé" que ela tem. 

Depois da consulta com a médica, fomos chamados à atenção para o percentil dela, que tinha havido uma subida de dois no espaço de um ano. Muito se pode dizer sobre estes percentis, mas devem servir como... "guia" ou apenas como um sublinhar de algumas atitudes, diria. Vamos ter mais atenção à qualidade da alimentação da Irene e nomeadamente aos açúcares como a Dra. apontou. 

Entretanto, a Irene tem querido usar tops. Lá lhe comprei uns tops, daquelas t-shirts mais curtas da Zara e lá vai ela toda contente de vez em quando para a escola, com a barriga para fora toda orgulhosa. Aquilo, confesso, que me dá alguma satisfação de ver. A forma como a Irene ainda não foi afectada pela "noção geral de estética" em que uma barriga grandinha não é para se mostrar ou que as mulheres têm de ter todos aqueles corpos de tábua de engomar (atenção que adoraria ter, faço parte da massa - aliás, o meu problema é AMAR massa, até ;)). 

Que bom que ela (ainda) se sente assim. Claro que daria para pensar onde é que ela foi buscar a ideia de que os crop tops isto ou aquilo, da mesma maneira que tem adorado camisolas de alças, mas são as referências que ela tem. Acho-a tão querida. 

Que sorte que ela tem em ter uma mãe que não a faz sentir-se mal com o corpo dela. E de aos 5 anos ainda ter este espaço para se sentir segura sobre si, sobre a sua imagem e usar o que lhe apetecer e como lhe apetecer. 

Quero muito que ela cresça mais confiante e menos espartilhada. Vocês preocupam-se com estas coisas? 


5.28.2019

E porque é que eles se portam mal?

Se calhar dava jeito que, nas maternidades, em vez de nos darem algumas amostras de gel de banho para eles, darem uma espécie de guidelines que nos ajudassem a não ter que aprender a bater com a cabeça determinadas coisas. 

Claro que também podemos ir pesquisando, mas antes nem sabemos o que pesquisar e... durante... começa a aventura! Alguém consegue ler dormindo 32 segundos por noite? Bem me pareceu. 



Cruzei-me com estas imagens (as de baixo, a de cima foi nas nossas férias) no facebook hoje na página de uma senhora (não conheço a senhora, nem o trabalho, por isso não estou a dar endorsement a tudo o que ela faça) e estas imagens pareceram-me tão, mas tão úteis e simples. Obrigada, Little Lion ;) Vamos a isto? Quanto tempo demoraram para aprender cada uma? 


Atenção que o estar entre aspas é crucial. Elas não se "comportam mal". Elas estão sempre certas, nós é que não as compreendemos e julgamos os comportamentos por nos estarem a atrapalhar ou a irritar. 



Informem-se por favor das necessidades de sono médias de uma criança com a idade dos vossos filhos. Digo "informem-se" porque nem todas conseguimos ver os sinais e nem todas as crianças evidenciam da mesma forma. 





E, por estrutura, leia-se também rotinas. Ter as regras do jogo delineadas antes de o começar. Também as crianças gostam de saber com o que contar até para que cumpram expectativas. 


Aqui não é "mal" é "mau" e, mesmo assim, já sabem que o que se quer dizer aqui é a criança chegar a fazer coisas que já sabe a priori que não estão de acordo com o que lhes é exigido. 


Isto serve para todos nós, não é? 



Esta aprendi só recentemente. E que diferença gigante, caramba!



Not helping. 



Quando escrevemos posts em que sugerimos que determinada abordagem não é a mais útil, também somos convidadas por vocês - e bem - a que proponhamos ferramentas. Neste caso, esta mudança de mindset, perceber estas premissas, irá com certeza ajudar tanto cada uma de vocês como me ajudou a mim. E à Irene. 


Querem acrescentar mais algumas? 





5.20.2019

Leriam o diário dos vossos filhos ?

Por muito estranho que isto pareça, a Irene já tem um diário. Com código e tudo. Foi uma exigência dela. 

Sei que andou a passear com uma das avós no outro dia e viu um diário num centro comercial. Chegou a casa e pediu-me um. Como sempre que acho o pedido razoável digo: “em princípio sim, se vir algum, vou comprar”. 

Comprei e tem sido uma paixão enorme. Faz sentido que também tenha interesse no diário (embora inicialmente nem sequer soubesse para que serve) porque começa a treinar as primeiras letras. Já sabe praticamente escrever o seu nome (andou a escrever M em vez de N e nem reparei, teve de ser o pai, haha), mas pouco mais. De resto tem-me pedido para que eu escreva coisas de maneira a que ela consiga imitar. Tão giro. Nunca tinha presenciado este início de escrita. Começou com a lista de compras, ser ela a pedir um bloquinho para fazer a lista e agora quer um diário. Giro.


Partilhou o código com uma amiga, a Constança. Gostam muito uma da outra. Ao ponto de ter sido a única a quem ela revelou o código. Relembro que nem ela sabia para que servia o diário. Aos 5 anos quis ter algo seu, que parecesse secreto, embora ainda sem segredos para lá escrever. Digo eu, mas na volta já terá os seus. Como quando diz foi fazer xixi e não fez. Gira. 

Lembrei-me que fui muito de ter diários. E, pelos vistos, continuo a ter. Este blog é uma espécie disso mesmo. Fui tendo diários desde que me lembro. E houve um, pelo menos, que chegou a ser lido. Não tinha código nem cadeado. Um psicólogo diria que eu queria ser apanhada, mas nem por isso. Escondia-o como um caderno normal entre os meus livros ou, numa fase posterior, debaixo da última gaveta da minha secretária. 

Lerem-me o diário foi horrível para mim. Muito menos eu ter que saber que o fizeram, ter sido confrontada com isso. Creio que falava muito dos rapazes por quem estava apaixonada e com quem namorava. E talvez tenha sido daí que tenham tirado a conclusão que eu não pudesse ir de férias para o campo de férias naquele ano por ser “muito arisca com os rapazes”. Ou anos depois, não sei. 

Nunca cheguei a ir ver o que queria dizer. Fui ver e ainda não compreendo. Sempre entendi que quisesse dizer “badalhoca” ou algo do género. Diz aqui que não corresponde “aos bons modos”. Na volta tem a ver com isso, não sei. 

Agora sei o que me levava tanto a querer que gostassem de mim. Continuo a querer, olhem eu: escrevo um blog, faço vídeos, sou comediante... Está cá tudo na mesma.

Sei que estava no quinto ou no sexto ano. O meu caderno tinha uma fotografia dos Offspring na capa e na contra-capa. Impressa numa impressora já com falta de tinta amarela, então estava tudo azul ou lá o que era. 

Não gostei da sensação de me terem lido o diário. Senti que a minha privacidade não era algo a ter em conta. Como se de alguma forma não estivesse segura sequer a pensar, na minha própria intimidade. 

Se precisasse de ler o diário da minha filha, lê-lo-ia? Sendo completamente honesta, só tenho a certeza de uma coisa: se o lesse, ela nunca iria saber. Nunca lhe diria isso. Nunca a faria sentir-se violada dessa forma.

Se calhar sou péssima na mesma, mas pondo-me numa situação em que falar com a minha filha fosse impossível (por eu ser incapaz ou por ter uma relação com ela que se baseasse em medo e controlo), talvez lesse o diário, sim.

Não sei se aos 15 leria. Não sei se aos 16. Aos 17 muito menos. Sei que se estivesse extremamente preocupada que talvez fosse ler o diário dela.

Agora digo-vos, seria a minha derradeira tentativa. Só depois de tentar tudo. Desde questionar a minha forma de educar e amar, a tentar criar uma estratégia de apoio para a minha filha e para a família, a educar-me ao máximo, a tentar incluir outros players no jogo, a deixá-la em paz... Seria apenas na base do desespero TOTAL. E só porque confio em mim ao ponto de saber que o que leria não seria julgado nem alimentado com medo. Seria sim informação para a ajudar melhor e à família.

As mães são capazes de coisas extremas, mas têm de estar centradas.

Eu acabei por escrever os meus diários em DOS. Tive de me educar a criar documentos sem ser em windows e protegê-los com uma password para ter direito a algum ar livre. A poder processar as coisas, mas sempre a medo. Em tudo.

Às tantas creio que a noção de privacidade se alterou em mim e vejo o quão libertador é dizer-se a verdade. Não por haver quem diga a mentira, mas a transparência e ser-se tão genuíno quanto se sabe ser traz uma música muito mais saudável ao mundo. Trazendo amor, compaixão e começando por nós mesmos.

Quero muito nunca ter que ler o diário da Irene (quando ela souber escrever, vá). E todos os dias faço o melhor que sei. Tal como sei que os meus pais, dentro do que têm para me dar, também fazem o mesmo.

E vocês? Leriam o diário dos vossos filhos?






5.14.2019

"Este puto é um mal-educado!"

Ainda bem que abriram o post apesar do título sugerir que fosse um post todo moralóide e cheio de cenas. Não é. 

Está um dia tão bonito - estou a escrever isto segunda-feira à tarde - e só gostaria que toda a gente tivesse a mesma sorte que eu (e umas quantas vocês) de aproveitar. Nem sempre retiro prazer destas coisas mas outra coisa que ninguém nos disse é que... ser feliz também dá trabalho. 

No outro dia, a folhear uma revista muito gira chamada Lunch Lady (uma revista australiana), deparei-me com um artigo mesmo muito interessante, que fez mesmo muito sentido.

Eu feita parva no meio da minha sala a tirar uma fotografia com o temporizador do telemóvel.

Revista Australiana Lunch Lady que tem várias receitas de snacks e refeições saudáveis, artigos sobre parentalidade inspiracionais e muito anúncios de slow fashion e de compra consciente. 

Lembrei-me só das parvoíces que a Super Nanny andou para aí a dizer a a espalhar num meio de comunicação tão abrangente como a televisão mas, mais uma vez, o dia está bonito e vou focar-me no que é bom e positivo - dá trabalho. 

Encontrei um artigo nessa revista chamado "Love Bombing" em que estiveram à conversa com um psicólogo infantil (assim parece que estão a dizer que o psicólogo não tem maturidade: "gostei do psicólogo, mas era um pouco infantil") chamado Oliver James.


E ele, neste artigo, propõe uma abordagem muito interessante quando sentimos que os nossos filhos estão a falar uma linguagem completamente diferente da nossa, quando fazem tudo ao contrário, quando parece que se comportam mal só para nos enervar, etc. Isto é, quando a relação entre pais e filhos fica definida por falta de comunicação, entendimento, tensão e conflito. Quando é esse o estado "normal". 

Acho que todas nós já passamos por isso enquanto filhas ou, mesmo enquanto mais, há fases mais bruscas que outras, em que nos encontramos menos com os nossos filhos. Já me aconteceu. E vai acontecer mais vezes, certamente. 

Apesar de todos andarmos à procura de soluções milagrosas, de comprimidos que resolvam problemas emocionais e relações. As coisas até poderão funcionar assim no que toca a uma candidíase recorrente (vá), mas não no que toca a construir uma relação em família. 

Porém, este "Love Bombing", esta ferramenta, atitude ou comportamento, vá, promete e tem cumprido mudanças muito intensas nas dinâmicas familiares. Parte da premissa que existe algo comum a todos os comportamentos problemáticos como a agressividade, desobediência, hiperactividade, timidez, ansiedade social. É o medo que os une e a resposta sistemática (e primária) de "fight or flight". 

Apesar deste artigo do público falar muito da experiência em moscas da fruta, também explica bem (em português) o que é este mecanismo de fuga ou de paralisia.


Voltando ao psicólogo infantil ( na na na na na - ler a cantar de forma imbecil), quando as nossas crianças sentem medo, reagimos de forma adequada que é abraçando-as. Quando têm outras reacções, visíveis através destes comportamentos originados pelo medo, respondemos de maneira oposta: sem empatia, com mais conflito, rejeição e castigo. Isto cria uma dinâmica, não é? Que aumenta, ainda por cima, aquilo que causa o comportamento da criança e que provoca a nossa reacção também primária, insegura e territorial...

Acredito que somos nós, os adultos e os pais, quem tem o dever de terminar com esta dinâmica ou de, pelo menos, dar o nosso melhor. Estando conscientes do que estamos a fazer. 

O tal psicólogo propõe então isto da "bomba de amor" que consiste em passar um dia inteiro (ou ainda mais tempo) em que é a criança quem escolhe tudo aquilo que quiser fazer: as actividades, a comida, a conversa, tudo. Sendo a única coisa que o pai tem que fazer é estar presente, disponível e com peito aberto para amar a criança (não estar preocupado com outras merdas e respeitar o que está a ser feito, vá). 


Isto traz algumas descobertas fantásticas para ambas as partes, sabendo os pais brincar. Não é o mesmo que tempo de qualidade, atenção. PAra que isto funcione é imperativo que seja criado um espaço DIFERENTE da rotina diária. Até poderá ser planeado com antecedência pela criança, podemos atribuir a conotação de "eish que grande dia que aí vem" como fazemos com os aniversários... podemos dizer-lhes para escreverem (ou enumerarem) uma lista de coisas que querem fazer...

A ideia é dizer que sim. Enchê-las de amor. Vão sentir-se mais seguras, sentir que ganharam um pouco mais de controlo e faz maravilhas pela relação. Os pais, fora daquela bolha habitual de "má onda", são capazes de voltar a olhar para os filhos como as crianças que são em vez de "inimigos" ou representantes ambulantes do seu fracasso enquanto pais. 

Não podem dizer "não faças isto ou aquilo" ou "não temos tempo para aquilo" ou "isso é parvo". Durante um dia - desde que não se ponham em perigo ou não queiram ir ao País de Dori (não sei onde é que é isto que a Irene quer ir), digam que sim. Aceitem a brincadeira. Podemos não ir ao País de Dori, mas podemos ir dar um passeio no jardim e fingir. Alinhemos.



Claro que isto é um artigo resumido. Não está aqui a salvação da humanidade, isto faz parte de uma filosofia maior que é "deixar as crianças serem crianças" e a importância de brincar. Tenho ali outro livro para ler sobre isso, depois também vos digo qualquer coisa.

Achei isto muito interessante. Já conheci pessoas que, nestas fases, desesperadas recorrem imediatamente a um psicólogo (ferramenta que conhecem e não tenho nada contra), mas ter esta ideia aqui debaixo da manga para quando for preciso só me parece útil. 

O que acham vocês?



3.07.2019

O que os nossos filhos serão é o que lhes dissermos.

E mostrarmos. Que nada ou quase nada se resume apenas ao verbal. Nós funcionamos, na minha opinião, tendo como referência as pessoas mais próximas de nós e as mais marcantes que, em princípio, serão os pais ou quem terá exercido essa função. 

Eles funcionam como uma lente do mundo que nos é passada (não só geneticamente), mas em tudo o resto ao longo da vida, especialmente nos primeiros anos de vida. 

São importantes e fulcrais os rótulos que nos põem, mesmo que sem querer. São rótulos que podem durar anos e anos e que, sem consciência disso - até porque as palavra dos pais, para nós, até muito tarde, são a verdade - poderão limitar a vida e, acima de tudo, a percepção que os "filhos" têm de si. 


Concretizando: se estiver constantemente a dizer à Irene que ela é desastrada, que não tem jeito com as mãos, o mais provável é que ela venha a interiorizar o que eu disse e que não desenvolva essa capacidade por assumir o rótulo que lhe dei - injustamente já que tendo 4 anos, é natural que ainda esteja a desenvolver muitas aptidões, principalmente as que exigem minúcia. 

Isso dos rótulos, um dia a ver se me alongo. No outro dia apercebi-me que, por sempre querer ter um namorado (sentia-me sempre muito sozinha e pouco gostada) fui alvo de rótulos atrás de rótulos, tão cedo quanto aos 10 anos. A ver se um dia refletimos todas sobre isso e no que podemos fazer para que a geração dos nossos filhos não sofra tanto e não faça sofrer tanto os outros e tão cedo.

Isso começa antes. Aquilo que lhes dizemos que eles são e que lhes mostramos que eles são para nós. Actos, palavras e vá, não omissões. Não digo para andarmos sempre hiper mega ultra conscientes de tudo o que dizemos e fazemos, mas sim, termos uma noção geral presente de que estamos a moldar e a construir não só um ser humano, mas a percepção que ele terá de si próprio e dos outros também. 

A Irene não é desastrada, ela tem quatro anos. 

Ela não é teimosa, ela quer muito algo.

Ela não é mentirosa, está a aprender a lidar com as ferramentas que nos fazem ter aquilo que achamos que precisamos. 

Ela não é birrenta para ir dormir, ela provavelmente já estará a ir para a cama fora da hora dela e todos nós, privados de sono, somos insuportáveis, principalmente se alguém estiver a dar-nos ordens. 

O primeiro instinto, o mais básico, é rotular os outros. Até os nossos filhos, tal como nós fomos rotulados. O próximo passo, difícil já que temos tanto para fazer, resolver e assegurar, é ganhar tempo a tentar perceber se tal será justo e não poderemos estar a ser parte do problema. 


"Não tens jeitinho nenhum para desenhar, dá cá que eu faço isso". 

Uma das coisas que mais gostei de aprender até hoje é que, com treino, todos melhoramos em princípio a nossa aptidão para fazer algo. Até a desenhar, cantar, escrever, saltar, correr... tudo. 

Os rótulos são uma preguicite nossa, uma defesa nossa para nos sentirmos melhores connosco, mas não é necessário que seja à custa dos outros e até dos nossos filhos. 

Não é só o não dizer. É ver. Compreender. Aceitar. Ensinar. Abraçar e... muito importante: olhar nos olhos. 

Lembro-me que o momento que mais me marcou até agora de ser mãe da Irene foi quando uma vez, a primeira vez, trocamos olhares e estavamos completamente focadas uma na outra. Esta sintonia além de trazer serotina para a família (sempre vantajosa a milhares de níveis) faz com que surja a "auto-estima" nos nossos filhos.

"Auto" não por ter sido automática mas de "estima por si". E nós somos os primeiros (mães e pais e familiares próximos) a sermos os olhos daquilo que eles são e daquilo em que eles acreditam que poderão vir a ser. 

Hoje não consigo porque só dormi 4 horas (fui actuar à Universidade de Aveiro ontem e voltei hoje de comboio, estou de rastos - espero que este post esteja a fazer sentido), mas a ver se um dia fazemos todas o exercício de pensar quem queremos que os nossos filhos sejam e de vermos aquilo em que podemos ser úteis, além das funções básicas de assegurar a alimentação, segurança e afecto. 

Eu quero que a Irene tenha muita confiança em si e que seja compreensiva e empática, para também ser consigo mesma. 

E vocês?

Conseguem pensar que parte daquilo que vocês acham que vocês são foi transmitida pelos vossos pais? Que rótulos? Que orgulhos? :)

Acho que fritei os 2 minutos de cérebro que me restavam para hoje, mas fica aqui a intenção. É o que está na minha cabeça desde ontem, no espectáculo (e conversa) em que se falou de Tabus... 





1.21.2019

Ela estava obcecada com isto, mas conseguimos que parasse.

Uma das coisas que mais me lembro que me disseram sobre isto de ser mãe (ou pai) é "tudo são fases". Tem sido. Temos que nos lembrar que tudo passa (em princípio). 

A Irene tem tido várias fases que me têm preocupado. Porque é o que faço: preocupar-me, ahah. 

Houve uma altura em que teve para aí uns 6 meses a dizer que era um rapaz e a corrigir-me os pronomes e tudo (que irritante e imaginem o meu stress - embora estivesse a preparar-me psicologicamente para todas as possibilidades). Mais tarde, falando com especialistas sobre o assunto, apercebi-me que fazia todo o sentido dada a idade que ela tinha e o cenário que ela vive (não haver figura masculina cá em casa, etc). 

Como estava, de certa forma, a dificultar a socialização dela na escola, tive de lhe dizer para parar com a brincadeira durante uns tempos e ver o que acontecia. Passou. Continuou a brincar que é um rapaz (qual é o problema, não é?), tal como brinca que é uma sereia, um tupperware ou um panado. 

Agora, desde há um ano, a "mania" (não é manha, atenção, eu presto muita atenção a estes comportamentos e o que eles quererão dizer que a criança não sabe compreender e verbalizar - daí também se arrastem tanto tempo) é dizer que está invisível quando apareço na escola para a ir buscar, quando o pai vem buscá-la cá a casa, quando eu vou buscá-la a casa do pai, quando chegam os avós para cuidar dela ou quando vamos a casa dos avós para os visitar. 

O problema não é a brincadeira em si. Ela finge-se invisível e fica muito muito nervosa com isso. Quando a descobrimos fica ainda mais desconfortável. Tem de ser ela a decidir quando aparece, pregando-nos um susto - o que poderia demorar até meia hora. E, pelo meio, a falar na mesma, a fazer pedidos, mas enervada. 

Percebi que era ansiedade. E, mais "engraçado" ainda, percebi que também sinto o mesmo. Nos dias em que estou à espera que ela chegue, mesmo sem motivo real aparente, fico com o coração acelerado. É quando algo vai mudar no cenário e não temos controlo sobre isso. Para os mais psicanalíticos, acho que tem a ver com o parto de cada uma (que foi semelhante), mas não me vou alongar muito para 80% das leitoras não me sugerirem já um internamento - que não me dá jeito que tenho uns trabalhos esta semana. 

Quando, no outro dia (depois de meses nisto), a fui buscar à escola e - também por ser final do dia e não ter feito sesta) não conseguiu gerir minimamente a situação, tornando-se num choro imparável, senti que já chegava (arrependo-me de não ter achado isso mais cedo, mas cada uma faz o que melhor que vê e que pode, não é?). 

Em Cabeça, aldeia do Natal há um mês (ou menos).

Em casa expliquei-lhe que a brincadeira estava proibida. Que não era divertida para ninguém. Expliquei-lhe o que ela sentia (vergonha, nervos) e que há outras maneiras de lidar com a situação. Nomeadamente verbalizar que tem vergonha e que as pessoas assim perceberiam melhor o que ela sente. 

Ainda experimentou fazer mais duas vezes (afinal de contas era um hábito), mas já está a conseguir ganhar outras ferramentas e já está a conseguir lidar com o assunto. Sinceramente parece-me muito aliviada e corre tudo de forma muito mais calma para todos. Especialmente para ela que ficava angustiada e já não fica. 

Isto tudo para dizer que proibir é crucial. A forma claro que difere do momento, dos pais e da criança. Mas proibir às vezes poderá ser a solução - aparentemente tem funcionado e deixado a Irene mais leve pela responsabilidade das coisas passar para os crescidos.


Tudo com conta peso e medida e estamos a descobrir o nosso :)


12.20.2018

Os 6 melhores livros de maternidade.

Aqui está, garotas. Sabem que sou a mãe que lê deste blog. O que quer dizer apenas isso. Vocês que não costumam ler sobre maternidade, não estão a fazer mal, é outro estilo. No entanto, por muitas leitoras saberem que sou eu a geek disto (pelo menos comparativamente com a outra autora aqui da loja), têm pedido para dar sugestões de livros sobre maternidade e aqui vão elas.

É mais um vídeo no nosso novo canal de youtube. Subscrevam e, já agora, deixem aqui em baixo as vossas sugestões, pode ser? 






12.19.2018

"mas por que não choras em frente à Irene?"

Pelo menos foi o que me apercebi. Há uns posts valentes, já não sei há quanto tempo, nem sei em que post, houve um comentário vosso que disse: "mas por que não choras em frente à Irene?". Isto porque eu tinha escrito que tinha feito um esforço enorme por me conter. 

Na altura pensei qb naquele comentário, mas na semana passada, dei-lhe ouvidos e chorei. Claro que não comecei a chorar tipo louca sem motivo algum só para lhe "mostrar sentimentos", ahah. Mas, estávamos as duas a não nos conseguirmos entender e eu fiquei mesmo muito frustrada e ela também. 

Acabei por chorar porque me apetecia e porque era importante que ela percebesse que, quando digo que estou cansada ou que está a ser difícil e que não aguento mais é a sério. Chorei e disse "e isto deixa-me triste porque quero ser a melhor mãe do mundo" - sem pressões, hã?. 



Ela olhou-me nos olhos e disse: "mas tu és...". Quando reparou que estava a chorar, disse: "os adultos também choram?". 

E eu, sorri e disse: "Sim, filha, choram. Choram, fazem birras, ficam zangados, tudo. Não és só tu. Os crescidos também.". 

Acho que aquele momento que parecia ser de frustração e de desentendimento acabou por nos aproximar mais e deixar bem claro para mim que eles precisam de ver as nossas emoções. Eu que tenho um medo que me pelo de lhe gritar - já ouvi berros que chegassem... - tenho mesmo que dar espaço para que ela veja todas as emoções em mim para também validar as suas. 

Foi bom. Eles arranjam sempre maneira de nos ensinar o que precisamos de aprender, não é? E obrigada pelo comentário construtivo desta querida leitora que estará algures aí perdida pela internet :). 

12.06.2018

"A mãe vai andando!"

Para muitas de vocês que acompanham o nosso blog, têm reparado que vamos reflectindo sobre coisas que vamos fazendo. Aquele pensamento que, geralmente, me surge depois de ter deitado a Irene, uma espécie de "processamento" do que aconteceu durante o tempo em que estive com ela, o que podia ter feito melhor ou que fiz bem, aproveito para escarrapachar aqui. 

Não só porque me habituei a pensar a escrever desde sempre, mas também porque muitas de vocês poderão ter as mesmas questões e ajudarmo-nos mutuamente. 

No outro dia, a meio de uma birra, utilizei o "olha, a mãe vai andando" e fui ameaçando sair de fininho do sítio onde ela estava. 

Na prática isto resulta, é só preciso passar o tempo suficiente para que o medo se apodere deles e venham ter connosco, venham ainda zangados, com medo ou o que seja. Mas será mesmo a melhor técnica? 

A Irene já verbalizou algumas vezes que tem medo que eu desapareça. Acho que, quando a disse a primeira vez ainda não tinha vindo de quem já sabia que a morte é uma realidade, mas sim de algo muito mais primitivo. Talvez também porque como o "pai saiu de casa, quem sabe se a mãe um dia não sairá também. 

Desde aí e sempre que consigo nos momentos que considero apropriados, vou sublinhando e mostrando à Irene que a mãe veio para ficar. Que nunca, nunca irá desaparecer. O ano passado, na escola dela, a frase que a educadora mais dizia e que eu repetia era "a mãe volta sempre" (o que é diferente de "a mãe vai andando").


Prefiro dizer que nunca fugirei, que nunca desaparecerei. As minhas ausências não têm que ser sentidas como tal mas como também uma nota do meu tipo de presença. Claro que há timings. 

Quando ela era bebé e se passava da cabeça só porque eu saia da sala ou o desespero total dela quando eu saia de casa para ir trabalhar... não é o timing perfeito para, verbalizando, mostrar-lhe o quer que seja, mas começa-se o trabalho por aí também. Pesquisei e li um pouco sobre ansiedade de separação nos bebés. 

Adormeço a Irene. Deito-me com ela na cama e abraço-a ou faço-lhe cafunés. E é um prazer imenso para ambas (foi um longo caminho até aqui da minha parte porque já desesperei horrores a adormecê-la, a ter fantasias de a abanar e de tudo o que tivesse à mão para que ela adormecesse quando EU queria). 

Quero mesmo que ela sinta que os pais (falarei sempre mais por mim) são estanques. Que não fogem. Que a amam incondicionalmente. E que - agora menos unânime - somos uma equipa. 

A nossa relação é algo de parte a parte. É, tento eu, de respeito mútuo. Aliás, nem é de tentar, é mesmo o que surge entre nós. Ela exige respeito, exige ser ouvida e sente-se brutalmente ofendida quando não a oiço ou quando me imponho à vontade dela. Ontem fez uma birra enorme porque não queria vestir as calças que lhe tinha vestido à socapa, enquanto ela estava distraída. Sentindo que isso era uma falta de reconhecimento da minha autoridade, insisti. Quando me acalmei - ainda para mais a Irene está doente e, por isso, tenho de lhe dar o desconto - percebi que as calças novas que lhe tinha comprado e que lhe ficavam maravilhosamente bem (a quem vê de fora) apertavam-lhe na barriga. Ela não gostava por isso, porque lhe apertavam na barriga. 

Claro que depois de ter tirado a etiqueta, fiquei furiosa, mas não vou obrigar a Irene a andar o dia inteiro a andar com calças apertadas na barriga pelos 12 euros que me custaram ou por me sentir insegura se ela respeita a minha autoridade ou não. Independentemente de como me sinta, existe o facto de: a miúda não se sente confortável com as calças. E isso tem de ser importante. Mais importante que 12 euros ou que o meu ego. 

Por tudo isto e pela nossa dinâmica, percebo que o que me leva a dizer "a mãe vai andando" é um acto de falta de paciência e da minha forma de fazer birra "Quero que ela venha, já, agora, sem ter que estar com merdas". Ainda para mais o argumento que estava a dar para não ir comigo era "Só vou se tiveres prendas!". Eu que nem a encho de prendas, enfim. Deixa-me ainda mais enervada. Apesar de já ter percebido por aqui que é uma fase. O materialismo será sempre mais apelativo às crianças, mesmo que tenhamos de educar para o resto. 

A Irene não tem feito sesta na escola. A Irene entrou para uma sala nova este ano com colegas mais velhas que, a fazerem o que têm de fazer, a têm feito sentir pequena. E a Irene, afinal, já estava a cozinhar uma gastroenterite. E eu, perante a situação e a minha ignorância momentânea (e também tenho os meus motivos para ser menos paciente e compreensiva) fingi que me ia embora sem ela. 

Nem resultou, não esperei, talvez, o tempo suficiente.Talvez também pelo óptimo trabalho que tenho feito com ela em dizer-lhe que não fujo, mas não é a ferramenta certa. Isto de ser mãe, como todas sabemos, implica muito amor, muito sacrifício, tempo e... disponibilidade para nos pormos de cócoras e falarmos com eles, tentarmos ver o que é que eles nos querem dizer por trás daquela forma tão infantil (ahah, pois...) de manifestarem o que sentem. 

Essa responsabilidade é nossa. E de criarmos pessoas que um dia venham a reagir assim com os filhos e com os outros. Em vez de nos tornarmos todos bebés crescidos que cobram uns aos outros o que acham que precisam como precisam e não que se foquem na conversa que não se consegue ter. Temos que entender os outros antes que eles se entendam. 



Compaixão, empatia, amor, carinho, aceitação. 

No meu caso começa primeiro pela minha filha e, depois, vou conseguindo fazer comigo. Também temos que ser compreensivos connosco como somos com eles... Fica para um outro post, pode ser? 


9.05.2018

Será errado comparar a minha filha a um cão?

A minha melhor amiga tem uma cadela já há algum tempo. A cadela tinha sido atacada pelos irmãos por ser a mais fraca da ninhada... estava muito nervosa mas a Susana ficou com ela. Não a conhecia de lado algum, foi alguém que sugeriu e ela aceitou a Lua. 

A Lua dava cabo da cabeça da Susana. Extremamente ansiosa e, por isso, maluca na rua. Ficava louca e ladrava muito quando via outros cães na rua, sempre demasiado entusiasmada com tudo e nada obediente. 

A Susana ficou esgotada de tentar ir contra ela. Primeiro ainda tentou a "autoridade". "Ela deve fazer isto por não me respeitar, tenho de me dar ao respeito". Nem por isso resultou. Apenas esgotou mais as duas.

Depois, reparou, que quando ela estava mais calma, a cadela também estava. Que, quanto mais tranquila e grata estava por ter a Lua consigo, mais tranquila ficava a Lua. 

Deixou de fazer de todos os assuntos uma procura de repeito da Lua por si e ponderar bem o que deve ser imposto, ensinado e exigido, balançando com momentos de afecto, de convívio e de amizade. A Susana passou a respeitar a história da Lua e a Lua começou a poder ver a verdadeira dona. 

Agora conhecem-se e são amigas. Nunca foram as duas tão felizes. 

Lembro-me muito da história da Susana e comparo-a comigo e com a Irene. Reparo que quando estou mais centrada e presente a Irene fica irreconhecível. Fica calma, doce e procura-me para ter e dar miminhos. A diferença é enooooooorme. Desde a enroscar-se em mim quado lhe conto histórias quando a vou adormecer. "Normalmente" - quando estou nervosa ou desalinhada - somos apenas verbais e reactivas. Parecemos duas linhas em paralelo quando não está tudo ok comigo. 

Tenho conseguido cada vez mais que sejamos crochet. Estamos entrelaçadas. Fisicamente até. Cada vez mais próximas. A recompensa de estar presente e calma é tão grande que a motivação para não dar corda a determinados pensamentos ou comportamentos é cada vez mais forte. 


Ela é o meu espelho e ainda parece que não tem tudo muito vincado nela. Ainda vou a tempo. Não que esteja a dizer que tudo o que fiz enquanto estava em modo automatico não estava certo, mas ainda vou a tempo de mostrar à minha filha que a mãe é mais do que "vá, Irene, temos que ir" e "agora não posso" e "já te disse umas três vezes". 

Eu sou tão fixe e ela também. Seria uma pena que depois chegasse à idade adulta sem conhecer a mãe e eu sentindo que nunca estive completamente ligada a ela. Quero conhecê-la e para isso tem que haver tempo. Custe o que custar. 

Até para conseguir chegar cada vez mais a ela quando ela precisar de mim. Quero criar confiança entre as duas, ir o mais profundo que conseguir. Quero ensiná-la o que é amor - sendo que eu ainda estou a perceber como se ama e se é amada também. 

Quero que, quando eu disser "a Mãe está aqui" ela saiba o que quer dizer para que, um dia, quando disser aos filhos, saiba dizê-lo com o corpo todo. 

A Mãe está a aprender a estar aqui. 

8.27.2018

Vocês deixam que eles ganhem?

Andei a ler sobre isto. Calma, andei a ler porque tenho um blog e porque, vá, sempre me interessei por questões de ordem "psicológica" (vá se lá saber porquê...). No outro dia, fomos passear a Monsanto - amo, amo - e a Irene quis fazer uns sprints comigo (para quem não saiba, neste caso, fazer "sprints" é por a mãe a suar das axilas e a ficar assada entre as coxas para correr muito rápido). 

Aceitei porque ando a dizer muitos mais "sins" que "nãos" (parece os sins melhoram muito o dia das duas, desde que com razoabilidade e não por preguiça de sentir um pouco de desconforto) e também porque sempre gastava mais umas calorias extra. Ela corre rápido, mas ainda corro mais do que ela. Sublinhe-se o ainda, porque tenho noção da vida.

Na altura tive de me perguntar se a deixaria ganhar ou não. Porque a verdade é que eu ganharia sempre que quisesse, mas também não me pareceu útil. Então, instintivamente, o que fiz (depois de dois ou três sprints em que o soutien desceu demasiado e fiquei com as malfadadas quatro mamas) foi combinar com ela um avanço por ela ser mais nova. A Irene nem sempre lida bem com o facto de ser ela a criança e de eu ser adulta e achei que este reforço seria justo. Por ser mais pequena, ter pernas mais curtas, leva um avanço (um bom avanço que torne e competição quase renhida). 


Agora vou ler sobre o assunto, para ver se tenho de pensar mais um pouco nisto ou se tenho algum útil para vos apresentar, volto já. 

um artigo giro que diz que o  "que importa não é se ganha ou se perde, mas como". 

- É útil que os nossos filhos assistam a como lidamos com as derrotas e com as vitórias para terem um bom exemplo; 

Tento muito não me esquecer disto. Mais do que "conversa", é o exemplo que se dá. Quero que ela tenha bom ganhar e bom perder, até para que se foque nas coisas mais interessantes da vida e não fique frustrada ou motivada com coisas pequenas (como... a mãe muitas vezes, hahah, mas xiiiuu). E, já agora, aproveitar o exemplo para gerar empatia pelas pessoas que não ganharam. Claro que isto não é tudo aos 4 anos, mas a mãe assim já aprendeu - nem que seja também um bocadinho pela internet. 

Quando os deixamos ganhar (este artigo começa assim), temos de ter noção se eles se estão a aperceber que lhes estamos a fazer um favor e que estamos a alterar as regras, ensinando, então, que as regras não são assim tão importantes... E esta das "regras" tem-me dado jeito para acabar várias conversas e perguntas. Convém mante-las intocáveis qb... ;)

Este artigo, diz uma coisa gira: quando os miúdos estiverem a fazer uma birra, tentemos afastar-nos um pouco e imaginar que é o filho de outra pessoa, para tentarmos responder menos emocionalmente e de forma mais objectiva para lhes ensinar algo. O que acham disto? Por acaso, faço-o. Já via estas oportunidades como pseudo-didáticas e tento (ocasionalmente, porque raramente estou descansada ao ponto de querer provocar birras, confesso) deixá-la perder.

Quis partilhar convosco, agora nas férias (quem ainda as tenha), quem tiver mais tempo livre para jogar e brincar com eles... fica com umas ideias para pensar e decidir o que acha por si :)

Como têm feito? 








6.04.2018

Não a castigo.

Não é um post que sirva para discutir a pertinência dos castigos ou não. Eu não sou a favor. Eu sou contra. Não condiz com a minha personalidade nem com a forma como quero educar a Irene. Um dia poderei ir buscar esta sardinha para lhe puxar a brasa, mas não me apetece agora, nem a vocês - já há demasiado nhanhanha na internet, já chega (por agora, hehe). Deixemos a Supé Néni no cantinho onde ficou arrumada. Que descanse em paz. Durante o tempo da idade dela ou até apitar o timer. 

Quando não tenho capacidade para lidar com ela ou com a birra do momento (não somos robots, caramba!) aplico a consequência real: "Irene, caso não laves os dentes agora, não vou conseguir ler-te as histórias porque fica tarde e, amanhã, acordas cansada e sem energia". 

Não sei se será a melhor estratégia. Tem sido. Gosto desta. Combina connosco. Tem resultado. 

Neste fim-de-semana, fomos passar um dia a um hotel para experimentar uma coisa da qual vos falo depois. Expliquei-lhe que era só um dia, uma noite e ela ficou mesmo muito triste. Queria que fosse muito mais tempo.

Menti-lhe, para facilitar, dizendo-lhe que o hotel ia para obras e, por isso, só dava mesmo para ficar lá no sábado. Ela aceitou. Passados uns segundos, perguntou-me: 

- Mãe, é mesmo por causa das obras que só ficamos por lá um dia?

- Claro, Irene. Haveria de ser pelo quê?

- Não é por eu fazer birras que não vamos mais tempo?

- Não, filha. É normal fazeres birras. Até eu faço birras de vez em quando. Não é por isso que só vamos um dia. 

Ainda aproveitei para lhe dar um abraço e dizer que a adoro e que gosto muito dela, chore, esperneie, faça birras ou não. 



"Giro" que a primeira coisa que nós fazemos, quando algo não corre como desejamos é pensar no que fizemos de "mal", não é? Acho que a reflexão é importante, mas agora em adultos é necessário não ficarmos por esse primeiro pensamento, até porque não somos "o centro do mundo". 

No caso da Irene, mesmo estando eu a trabalhar para que ela não se ache "má menina" por fazer birras ou que fazer birras é ser mal comportada, etc, esse é o primeiro reflexo: 

"O que é que eu fiz?"

Em quantas coisas na nossa vida, tanto por reflexo da nossa natureza, como por termos adquirido pela maneira como fomos educados achamos que o que corre mal é "por nossa culpa" ou porque "não merecemos"?

Eu, simplesmente, só fui uma noite para o hotel. Não tinha nada que ver com ela. 

Ainda bem que ela pergunta. :)

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2.18.2018

Não gosto mais de ti! Já não sou tua amiga!

A palavra que mais impacto teve em mim, até agora, que a Irene tenha dito foi "mãe". Acho que faz sentido e que não é surpreendente. Aquela mãe foi como se, numa vez só, me tivesse tirado 30kgs de cima (teria sido bom se fosse literal), me tivesse arrumado a casa toda e ainda tivesse feito a cama de lavado depois de uma sessão calminha de amor (ahah wtf?). 

Depois disso, a miúda fala e fala que se desunha. Somos só duas cá em casa (além dos gatos Noddy e Bubbles) e, por isso, levo com a conversa toda - e adoro a maior parte do tempo. Por ser eu quem cuida maioritariamente da Irene tenho de ser eu a principal disciplinadora e sabem uma coisa? Não me custa. Não me custa dizer-lhe que não. O que tenho a seguir - nem sempre - é uma birra estridente e algumas frases horríveis como "Não gosto mais de ti!! Já não sou tua amiga!!". 

Fotografia por Joana Hall e macacões de Little Jack. 


Já reparei que há outras pessoas que levam isso a peito, que levam isso mais a sério. Tenho a sorte de não levar. Não levo nada que ela me diga a peito. Se nem nós, adultos, com tanta experiência em cima e, supostamente, mais dois dedos de testa a nível emocional não conseguimos dizer as coisas como queremos e quando devemos ou, simplesmente, ficarmos calados. Quanto mais uma miúda de (quase) 4 anos? 

Digo-lhe (até há um livro muito giro da Edicare chamado "Meu amor") que gosto dela sempre: quando está contente, zangada, triste... Tento dar-lhe outras sugestões sobre como poderá lidar com a frustração. Como, por exemplo, gritar o que está a sentir, fechando as mãos com força. Sei lá (sei um bocadinho que já pensei nisto, mas só sei o que sei haha). 

Eu serei sempre tua amiga, Irene e gostarei sempre de ti. Tal como tu gostarás sempre de mim, independentemente das nossas birras que as há. Ou porque tu dizes que não é porque eu digo que não. É natural.

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