3.31.2020

Só coisas bonitas #01 - Despensa do Bairro

Acho que todos precisamos de coisas positivas. De ver iniciativas fantásticas, que nos dêem esperança. Por isso, resolvi inaugurar aqui uma espécie de rubrica (que vai durar mais do que as minhas tentativas de rubricas anteriores, prometo) que se chama "Só Coisas Bonitas".

Porque sei que vão ficar com um sorriso enorme, tal como eu fiquei, partilho convosco a iniciativa fantástica de uma família que temos a sorte de conhecer: uma despensa do bairro. “Dê o que puder, leve o que precisar”, com bens essenciais, mas também livros!
Obrigada Sofia, Zé Miguel, Xavier, Madalena e Santiago. ❤️

Não é a coisa mais fantástica que viram hoje?




Partilhem esta iniciativa! Quem sabe não inspiramos a que se criem mais "Despensas do Bairro" por esses bairros todos? 

E partilhem pff outras iniciativas fantásticas para nos inspirarmos e para nos comovermos com as coisas mais bonitas.


3.28.2020

Deixem-me chorar um bocadinho

Deixem-me chorar um bocadinho. Pois se há caixões insuficientes, se são precisos camiões militares para transportar tantos mortos. 
Deixem-me chorar um bocadinho. Se há pessoas a morrer sozinhas. Deixem-me chorar um bocadinho. Se tenho saudades de pessoas que são um bocadinho minhas, se sinto falta do cheiro da pele da minha mãe e das mãos grandes do meu pai. Do som dos copos a brindarem em casa da minha amiga Raquel e dos nossos abraços de despedida e das danças na sala. 
Deixem-me chorar um bocadinho. Se estou assustada e se me sinto claustrofóbica. Se não tenho uma varanda. Se me apetecia estar duas horas completamente sozinha e outras rodeada de pessoas. Se me apetecia andar de carro, com destino ou sem ele. 
Deixem-me chorar um bocadinho. Se não sei quando volto a ter trabalho. 
Deixem-me chorar. Mesmo sabendo que há quem esteja em situações piores e a sofrer muito mais. Deixem-me chorar um bocadinho porque é sinal de que sou sensível mas nem por isso frágil. 

Exteriorizar o que sinto, falando alto, desabafando, chorando, dá-me espaço para depois sentir tudo o que há de bom para sentir. Partilhem os vossos receios uns com os outros, não continuem a fingir que não vos afecta. Desvalorizar o que sentimos é só varrer para debaixo do tapete. 
Chorem um bocadinho. E depois continuem, mais leves, na luta. Todos temos uma.






Precisam de mais sanidade? Isto vai ajudar tanto... e é gratuito.


A minha psicóloga - de quem já vos falei por aqui e que me ajudou a mudar a minha vida toda, tal como tantos outros profissionais da área, está a dar o que pode para se manter útil não só para os seus pacientes, mas para todos no geral. 

Há uns meses, teve uma ideia brilhante e que se chama "Vamos Escutar o Silêncio".


Se já antes era tão complicado aceitarmos a velocidade dos nossos pensamentos e o impacto que têm não só no nosso corpo, mas também na consciência das nossas acções, agora, em isolamento (e, ainda para mais com filhos) é mais difícil estarmos bem, calmos. 

Tenho aprendido que a vulnerabilidade e a flexibilidade nos dão força. Fazem com que tenhamos a capacidade de nos adaptar sem violência, sem esforços, além de nos permitirem crescer de forma sustentável.

E aqui não há sucessos, nem insucessos. Tudo acontece ao ritmo que nos for mais adequado e, seja ele qual for, não há hipótese nenhuma de não evoluir nem que seja por só estarmos a tentar, a querermos estar melhor e sermos melhores. 

São 21 dias neste grupo de Facebook em que a Eugénia irá publicar desafios e exercícios. É já a terceira edição e a eficácia tem sido comprovada por centenas de pessoas que já a têm acompanhado, nomeadamente eu. 

Vamos escutar o silêncio? 

Juntem-se aqui e aprendam neste momento a fazer a respiração abdominal que vos vai ajudar a obterem serenidade nos momentos mais apertados - tanto jeito que nos dá agora, não é?



Aqui vamos falar sobre estratégias de redução de stress, ansiedade e medo, sobre como o corpo nos pode ajudar a acalmar...
Publicado por PsiMater em Quarta-feira, 25 de março de 2020


Podem saber mais sobre a Eugénia aqui, neste site.




3.24.2020

Querem que os miúdos vos chateiem menos durante o isolamento?

Acho que descobri o Santo Graal. 

Percebi que um dos motivos pelo qual estar com a Irene me estava a azucrinar tanto - além de não conseguir ter tempo para mim - era não me "entregar" ao que estava a acontecer. 

É um bocadinho aquele dizer do "Se não os consegues vencer, junta-te a eles". Melhor do que estar sempre a ser interrompida e a perder demasiado tempo na internet, é a diversão que podemos retirar daquilo que nos está a ser proposto, estando presentes. 

Isto também traz a necessidade aguda de termos que dizer que não estamos disponíveis quando não estamos. E, li algures, uma coisa que podemos pôr em prática é haver "a hora da mãe ou a hora da brincadeira sozinha". Se virem bem, estamos a treinar skills importantíssimas também para eles (dependendo da idade, vá) e combinar-se que, nessa "hora", ter-se-á de respeitar o espaço de cada uma. 


Tive uma professora na faculdade que instituiu uma hora de silêncio nos dias de fim-de-semana e, apesar de no início ser mais complicado, passaram todos a gozar muito esse momento. É impensável conseguir fazer isso com a Irene neste momento, sem lhe espetar um iPad pela goela abaixo, claro, mas poderá ser algo a pôr em prática daqui a um ano ou dois, vá. 

Bom, já antes escrevi aqui sobre coisas que me apercebi que devia começar a fazer na minha vida para ser mais feliz, podem encontrá-las aqui. E isto é praticamente um sublinhado do que já escrevi, mas notei mesmo uma diferença gigante hoje e não queria deixar de partilhar convosco: 



DESLIGUEM AS NOTIFICAÇÕES DO VOSSO WHATSAPP/REDES SOCIAIS DURANTE O DIA.

Já chegam as nossas próprias interrupções com os pensamentos a mil, a casa para tratar, o almoço para fazer. Não haverá nada de urgente no Whatsapp ou nas Redes Sociais. Controlemos nós quando é que deixamos que os outros "nos interrompam".  E vão ver (eu vi hoje) a diferença que faz. Faz imensa, imensa. 

Querem experimentar e depois dizem algo? 



3.23.2020

1 ponto para as divorciadas!

Não sei quanto a vocês, mas não tenho tido muita paciência para estar a ler sobre parentalidade, blogs de maternidade (quanto a escrever também já perceberam que não) ou até ver stories de malta super activa e toda à educadora de infância (como é o caso da Joana Paixão Brás). 

Confesso que estive em perfeita negação sobre o que estava a acontecer para aí até 3ª feira da semana passada. Foi só quando o meu ex-marido me disse para ir às compras que o pessoal estava a começar a esgotar coisas que me apercebi que a situação era séria. Não me perguntem porquê, mas talvez tenha sido porque o meu cérebro me quis proteger de colapsar com a ansiedade e, então, preferiu ignorar. 

O que vos posso dizer é que, quando me bateu, bateu forte! Fiquei ansiosa e em modo caótico: tenho de fazer compras, vou ficar 3 meses fechada em casa com a miúda, o Frederico não vai estar em isolamento (entretanto já está) e eu vou estar sozinha nisto. 

Como vou conseguir respirar? 


E, de facto, temos muita sorte. Por acaso, mesmo não tendo uma casa com varanda ou jardim, temos uma luz muito boa que entra por três lados da casa (embora sendo um apartamento). Não sei o que o arquitecto fumou, mas agrada-me a luz em tanto lado. 

Ainda assim tem sido muito difícil gerir. Inicialmente achei que tinha alguma dificuldade em brincar com a Irene por não terem brincado comigo quando era pequena. 

Agora, tenho-me apercebido que vai além disso: por causa da velocidade da minha cabeça não tenho grande capacidade de concentração em actividades que não me sejam directamente úteis e, ainda para mais, num momento de "emergência" como esse. 

Os dias estavam a ser muito complicados, intercalados entre esforços meus muito grandes em acompanhá-la nas brincadeiras e na minha demanda sofrida por uns minutos a só. Até que, quando foi o aniversário dela, fui pô-la a casa do pai e agora sim, depois de ter passado um dia inteiro a dançar e a comer no sofá a ver séries rascas (como o The Circle, americano e brasileiro) sinto que já recuperei um pouco mais de mim. 

Credo! É que a brincar, a brincar, fomos apanhadas de surpresa com isto e não sabemos quando vai acabar, não é?

O título deste post tem a ver com o facto de, neste caso, sentir que as divorciadas (com pais presentes e com quem possam contar) são umas privilegiadas. Porque, ainda assim, nesta altura em que temos de estar praticamente 100% disponíveis para eles, conseguimos arranjar maneira e pretexto para estarmos sozinhas e respondermos a uns e-mails ou para comermos os doces deles, sem eles saberem. 

Estão a conseguir respirar? Como fazem?

Entretanto, deixo-vos aqui um exemplo de como tudo passa (mais ou menos).
Esta já foi a minha cara, o meu aspecto no geral. Nem me apercebi que estava neste estado. Tudo passa. "Vai correr tudo bem!". 




3.22.2020

Estes desenhos animados, sim!

Andam loucas à procura de coisas para fazer com os miúdos? Ahhh... Estamos tão solidárias por aqui. Nunca o #estamosjuntos fez tanto sentido, caramba! Não é? 

Fica aqui uma sugestão e que veio em óptima hora: os desenhos animados “Dá a Mão à Floresta” que integram o projecto “Dá a Mão à Floresta” de Responsabilidade Social e Ambiental da The Navigator Company. Para estarem a par das novidades, podem juntar-se ao instagram do projecto “Dá a Mão à Floresta” aqui ou ainda dar a conhecer o website aos vossos miúdos já que está muito divertido!




Se forem ao site, encontram várias coisas muito giras para eles: desde a revista, aos eventos, aos jogos e, agora também, aos desenhos animados. O objetivo é promover a floresta, valorizando os produtos dessa origem e, claro, preservar o ambiente no geral. 

No final do primeiro episódio, ao qual a Irene teve acesso que nem VIP à estreia, ouve-se “A Natureza cuida de quem cuida dela” e a verdade é mesmo essa e estende-se a todas as medidas que enquanto famílias temos vindo a tomar para proteger o ambiente. É bom que se divirtam a interiorizarem estas mensagens mais importantes e que “vistam a camisola” de proteger as nossas florestas, o nosso planeta. A brincar é que se aprende, não é?




Aqui uma dica de mãe que acho que também vão adorar saber: os episódios terão todos durações muito curtas e, por isso, são óptimos para negociar: “sim, filha, claro que podes ver um episódio, mas depois temos de ir arrumar o quarto”. Não fazem com que fiquem presos durante 20 minutos ou meia hora a levarem com a luz do ecrã ;). 

Vejam o primeiro episódio aqui e espantem-se pelos vossos miúdos passarem a saber o que é biodiversidade. 



Que outros desenhos animados gostam de mostrar aos vossos filhos?



3.15.2020

Como trabalhar em casa com crianças?

Faço um intervalo no meu dia de trabalho a partir de casa, com as minhas filhas.

Não sei até que ponto isto vos pode ser útil, porque todos nós teremos não só trabalhos diferentes, como teremos rotinas - em casa e com os miúdos - diferentes, mas, mesmo assim, partilho convosco  6 dicas que têm resultado comigo para minimizar stress e frustração.



1) Definir metas realistas
Não é suposto conseguirmos produzir exactamente o mesmo do que produzimos quando não temos elementos distractores, alguém a chamar para limpar o rabo ou brigas (normais) entre irmãos para ajudar a gerir. Menos ainda quando sabemos que os nossos filhos não se criam sozinhos nem podem passar 8 horas sem a nossa atenção e, muito importante!, estão a sentir esta mudança de rotina e a nossa insegurança/perplexidade perante tudo o que se está a passar e, por isso, ficam mais carentes e acabam por exigir mais a nossa presença. Faz sentido.

Por isso, pensar em reduzir, pelo menos, para 2/3 os objetivos que traçámos inicialmente / traçaram para nós é fundamental. Se estamos em casa, à partida significa que não temos profissões de facto imprescindíveis nestes dias - um enorme abraço a todos os profissionais de saúde, investigadores, camionistas que transportam bens de primeira necessidade/medicamentos, etc -  e, se forem necessários mais dias para terminar um trabalho, que assim seja. 

2) Fazer pausas para meditar, alongar, respirar fundo ou fazer exercício
Se estamos 24h/24h em casa, tendo que gerir almoços, jantares, máquinas de louça, limpezas, filhos e trabalho - sendo bombardeados por recomendações, notícias, alertas sobre a doença - é fundamental tirarmos momentos para reforçar a sanidade mental e para continuarmos a suportar estes dias de forma calma. A mim, acalma-me fazer o pino que aprendi no ioga, alongar, fazer exercícios de respiração e ouvir música. Fico mais feliz. É essencial encontrarmos coisas que nos façam desligar do que se está a passar. 

3) Distribuir tarefas ao longo do dia 
Percebi, logo no primeiro dia que fiquei sozinha com elas, que não valia a pena pensar que iria conseguir fazer 7h seguidas de trabalho. Por isso, tirei parte da manhã para organizar a casa e para brincar com elas e à tarde repeti essa lógica. Assim, consegui duas horas de seguida (!!!) super focada porque elas já tinham tido "mãe" durante bastante tempo e organizaram brincadeiras e jogos sozinhas (o rei manda/ saltos na cama/ pinturas). Foi mais rentável assim do que se elas estivessem sempre a exigir a minha atenção ao longo do dia e a cada 10 minutos. Por fim, deixei o que restava para fazer no computador depois delas adormecerem. Às 23h00 estava na caminha a ver séries (e a desligar do coronavírus novamente). 

4) Desativar os alertas do whatsapp, instagram, messenger 
Já não recebia alertas do instagram e do messenger há uns bons meses e agora retirei também os do whatsapp. Prefiro apanhar 150 mensagens de amigos de seguida - à partida, se fosse algo urgente, as pessoas telefonariam -, do que estar sempre a desconcentrar-me e em sobressalto. Claro que é importante irmos falando, desabafando e até rindo (o humor é essencial nestes momentos) sobre tudo o que está a acontecer, mas não tem de ser a cada 10 minutos. De quando em vez, vou espreitar, mas não ando sempre agarrada ao telemóvel, para bem da minha produtividade e da minha saúde mental. 

5) Fazer logo comida para algumas refeições
A lógica acaba por ser a mesma do que quando trabalhamos fora e chegamos tarde a casa. Mais vale num dia "queimarmos" mais umas horas a cozinhar e a lavar louça, do que somar a tudo o que já temos para fazer em casa ao longo do dia a logística das refeições. Além disso, ficamos com uma ideia muito melhor do que temos na despensa, controlamos melhor prazos de validade, gerimos melhor tudo para não haver tanto desperdício e para irmos o menor número de vezes possível às compras nos próximos dias. 

Ah! E aproveitar para cozinhar algumas coisas com eles. Já fazemos isto há algum tempo cá em casa (eu diria que desde sempre - mesmo sem torre de aprendizagem, sempre as pusemos em bancos para ajudarem), mas agora, mais do que nunca, é bom envolvê-los na preparação das refeições: é um momento em família, sabe bem a todos e forma de aprenderem o que fazer a alimentos que já estão ali na corda bamba para ficarem kunami (quem viu Gato Fedorento vai entender) - ex: fizemos gelado de morango com banana.

6) Pensarem em atividades que eles gostem, que lhes ocupem tempo e com que aprendam algo
Li algures que também não é preciso transformar a casa num circo (mais do que ela já fica normalmente) de atividades e de números arriscados. É importante deixar-lhes espaço para o ócio - é aí que a imaginação funciona. Mas também é útil pensarmos juntos em coisas giras para fazerem (e/ou fazermos). 

A Mãe Já Vai deu a ideia de fazerem uma lista de coisas que querem fazer (cada elemento da família escolhe 3 ou 4), recortam, colocam num pote e vão sorteando. 

Aqui vamos decidindo de cada vez. Dei a ideia de prepararem um espetáculo de música ou teatro e foi o momento mais emocionante e divertido do dia de ontem. Mas também já as pus a ver um filme da Disney para poder ter essa hora para mim, por exemplo. "Vale tudo", desde que com algum equilíbrio.

E não se esqueçam de ler o SUPER ÚTIL texto da psicóloga Eugénia Amaro sobre como falar com as crianças sobre coronavírus

Deixo-vos ainda algumas ideias da Joana Gama, antigas, mas sempre úteis: 60 atividades para fazermos com eles e As nossas brincadeiras

Querem acrescentar algumas coisas?

3.13.2020

Como falar com as crianças sobre o coronavírus?

Dado que estamos todos e todas no mesmo barco, tomei a liberdade de pedir à minha psicóloga Eugénia Amaro, em quem confio plenamente, para nos dar umas luzes sobre como devemos agir com eles durante esta (até me custa dizer) pandemia.





1.    O medo cresce ainda mais se os PAIS dão inadequados sinais –
A importância de estabilizar as emoções dos pais
O principal fator de desestabilização emocional nas crianças é o desequilíbrio dos pais. Por isso, é importante que nos possamos acalmar antes de falar com as crianças. Devemos lembrar que as crianças (inclusivamente os bebés), por questões biológicas relacionadas com o desenvolvimento e maturidade do cérebro, têm a capacidade de ler sinais muito mais desenvolvida. Sinais, muitas vezes inconscientes para nós, que passam para eles através da linguagem não verbal. Seguramente já reparámos que os nossos filhos ficam mais “difíceis” nos nossos piores dias, ou seja, quando nós, pais, estamos mais alterados. Não cabe mentir-nos ou desvalorizar a nossa inquietação: elas percebem na mesma.
Por isso, a primeira dica é para a regulação emocional dos pais.
O que podemos fazer para conseguirmos ficar calmos, tranquilos, em harmonia? Basta escolher uma ou mais das seguintes, a que melhor nos acomode: 


(1) Regularizar a nossa respiração e os nossos batimentos cardíacos (inspirar em 5 segundos, expirar em 7. 

(2) Exercício físico (pode ir desde 5 mins. de alta intensidade a 20 mins. de alongamentos, pilates ou yoga). 

(3) Isolar-nos e permanecer uns minutos em silêncio. 

(4) Meditação (10 mins. mínimo). 

(5) Fazer uma sequência de afirmações positivas (do tipo “Eu consigo manter a calma”, “Está tudo bem”, “Estamos em segurança” …). 

(6) Escrever sobre o que nos angustia. 

(7) Focar no positivo, fazendo uma lista do que está bem, do que nos tranquiliza, do que podemos fazer para contribuir.

2.    Tempo para conversar (ouvir e falar) tranquilamente sobre o coronavírus.
Se sentimos que não temos regulação emocional suficiente para o fazer, pedimos ajuda a alguém próximo que possa ter estas conversas por nós;

2.1.Fazer perguntas.
·    Tentar saber o que a criança já ouviu sobre o coronavírus e explicar, de forma adequada à idade, aproveitando para corrigir informações erradas e regular o “tom emocional”;
·    Lembra-se da importância de perguntar sobre emoções – “Como é que isso te faz sentir?”
·    Se a criança não for capaz de identificar as emoções que este tema lhe desperta, devemos ajudá-la a dar um nome à emoção. Existir um nome vai sempre fazer com que a emoção seja mais fácil de gerir. Por exemplo: “já sei que esta dor de barriga é medo”.

2.2.Mostrar que também temos emoções difíceis relacionadas com este tema (mantendo a calma). A criança vai perceber que não é a única e que é normal estarmos assustados, inseguros, com medo, ...

2.3.Aproveitar a oportunidade e encontrar juntos formas de lidar com as emoções mais difíceis. “Se temos medo, o que podemos fazer para que ele fique mais pequeno?” Algumas ideias podem ser: 

(1) dar um nome ao medo (se for um nome ridículo ainda é melhor, porque nos dá vontade de rir cada vez que chamarmos o medo dessa forma); 

(2) desenhar o medo; 

(3) ver o tamanho e a força do medo; 

(4) encontrar/inventar um “exército” (com desenhos ou bonecos, …) para combater o medo;

2.4.Lembrar-nos que os pais somos o exemplo. Todas as dicas do ponto 1 para estabilizar as emoções dos pais servem para as crianças adequando os tempos segundo a  sua idade. Podemos encontrar um momento do dia para fazê-las em conjunto e/ou cada vez que for necessário.

2.5.Colocar o foco no que estamos a fazer para estar em segurança: 

(1) lavamos as mãos enquanto cantamos “parabéns a você” (músicas com associações positivas são uma ajuda fundamental), 

(2) não vamos à escola, 

(3) evitamos os contatos sociais, 

(4) tossimos ou espirramos para o braço… 

Esta consciência ajuda a regular a sensação de controlo e empoderamento que tanto as  crianças como os adultos necessitam para sentir segurança.







3.    A importância de manter uma rotina.
Acordar e respeitar horas para levantar, deitar, tomar banho, vestir, comer. Uma nova “normalidade” é necessária.

3.1.Aproveitar para, em família, decidir como será a rotina. Regular os tempos de ecrã para crianças e adultos, e decidir conscientemente que telejornais serão os que se vão ver, em que horários (e manter a decisão) ajuda a criar um ambiente calmo e de maior controlo (as notícias “a dar a dar” o dia todo só vai alterar os ânimos). Isolar-se das informações e das redes sociais, por algumas horas cada dia, também faz bem.

3.2.Importância de algum tipo de atividade física. Todos sabemos que demasiada energia acumulada vai começar a transbordar sob formas mais difíceis de gerir. Escolha um espaço aberto, em horário de baixa afluência, e leve às crianças a caminhar e correr.

3.3.Ajuda das crianças nas tarefas domésticas: como podem elas colaborar? Tarefas adequadas à idade permitem-lhes sentir-se úteis e que estão a contribuir. Brincar à limpeza (os “mata-bichos”?) ou qualquer maneira criativa que possa ser útil e divertida ao mesmo tempo.

3.4.Dar-nos tempos de dedicação exclusiva com as crianças. Uma pausa diária, ao menos, só com elas e para elas, é necessária para manter a conexão e a sensação de segurança.

3.5.Deixar correr a criatividade. Mudar os espaços em que se come, se brinca ou se descansa, dentro da casa, ajuda a evitar a saturação ou potenciais claustrofobias. Uma vez por dia fazer uma atividade do tipo “piquenique na sala”, “acampaar por baixo da mesa”, olhar pela janela a brincar (quem descobre…?), jantares “temáticos” ou minifestas em família alegram e descontraem os ânimos.

4.    Definição dos tempos de cuidado.
É importante evitar o desgaste. Se há dois adultos em casa, podem alternar os cuidados aos miúdos. Se só existir um cuidador durante a maior parte do tempo, é importante que o outro (sempre que disponível) possa assumir essa função. O risco maior é quando só existe um cuidador todo o tempo – nestas situações, aconselho o pedido de ajuda a algum familiar ou amigo mais próximo (que já tenha estado em contacto com a criança). Chamadas telefónicas ou videoconferências também podem servir para “arejar a cabeça” e manter o equilíbrio emocional…




5.    Tempo para conversar sobre as mudanças

5.1.Neste momento não vale a pena fingir que está tudo normal. Não está! As crianças saíram da escola, um dos pais ao menos não está a trabalhar e não estamos de férias. É necessário conversar com as crianças sobre isto. Mais uma vez, a preferência é para fazer perguntas e responder de acordo com as necessidades de cada criança.

5.2.Se aparecerem perguntas mais “difíceis”, por exemplo sobre a morte, é importante responder sem alarmismos, com harmonia emocional, mas sempre em verdade. Pode ser uma boa oportunidade para normalizar as questões da morte no universo mental e emocional das crianças: A vida é um ciclo (vida – morte – vida). Todos vamos morrer e é normal que assim seja. Ficar tristes por isso faz parte.

6.    Oportunidades
Todos os momentos são oportunidades de aprendizagem, de crescimento. Vamos aproveitá-los da melhor forma possível. Toda esta agitação relacionada com o coronavírus pode ser aproveitada para conversar com os nossos filhos (evitando sermões) trabalhando valores como a flexibilidade, a adaptação a novas situações, a aceitação da diferença, a capacidade de empatia e ajuda, a calma e a tranquilidade, a capacidade de soltar o que não podemos controlar, o foco no positivo e no viver no presente, a gratidão…

Um beijinho e um abraço! Estamos juntos.
Eugénia Amaro - PsiMater



Obrigada nós, Eugénia. <3 

3.12.2020

Este ano não há festa de aniversário.

Este não é, obviamente e face à real dimensão do que está a acontecer em Portugal e no Mundo, um post de lamentação. Mas também não vos posso dizer que fui completamente indiferente às lágrimas gordas que caíram da cara da Isabel quando lhe disse que a festa de anos teria de ser adiada. 

Nunca a tinha visto tão empenhada. Como ainda nunca tinha feito festa para os amigos e colegas da escola, de onde sairá este ano, estava em pulgas. Ajudou o pai a cortar os convites, fez um envelope para os colocar lá dentro, acordou nesse dia mais cedo a dizer que não se podiam atrasar porque tinha de pôr cada um no respetivo lugar. Um convite dos ninjas, como ela queria. Num sítio cheio de trampolins, escalada e insufláveis, como ela sonhava. "Eu menti a todos os meus amigos", desabafou entre lágrimas. "Estou tão desiludida. Eu andava tão ansiosa.", repetiu.

Não é prudente nem responsável expo-las e expor-nos, nem aos amigos, nem aos pais, nem a quem me está a ler e a quem não está, no fundo, a todos (porque a cadeia relacional acaba por ser enorme) numa altura destas. Já sabemos que todas as escolas vão fechar, que temos de evitar aglomerados de pessoas (deixaram de ir à escola na 3ª feira e, por isso, não faria sentido algum haver festa. Ela já está bastante a par do que é o coronavírus, é sensível ao tema, mas - já sabemos - nestas idades o tempo, a espera, o "porquê", demora um bocadinho a ser assimilado. 

Dei-lhe exemplos mais "parecidos", mostrei-lhe que estava a acontecer em todo o lado, que uma pessoa que a mãe conhece teve de desmarcar o casamento e a lua de mel; que o primo também já não vinha do Luxemburgo este fim-de-semana fazer festa de anos; que o importante era estarmos com saúde e não espalharmos mais o vírus para quem já não tem muita saúde. Que ia ter direito a bolo de anos e a uma festinha cá em casa, com muita música e jogos (mesmo que só os 4).

Está tudo bem. Adormeceu agarradinha a mim. Eu certa de que não haveria outra hipótese e consciente de que isto é um problema ínfimo, aliás um não-problema. Mas, como é óbvio, não o desvalorizei à frente dela, disse-lhe que percebia bem o que estava a sentir. Os nossos problemas, tristezas e dores serão sempre relativos comparados com outros, mas são os nossos. Se eu tivesse a idade dela, também ficaria triste certamente. 

Por outro lado - e como adulta consciente dos nossos privilégios, meu e delas - que bom que são estes os problemas dela. Que sejam só estes. 

Aqui com 3 anos. Aiiii <3
E vocês? Como estão a viver estes dias?



[Sim, tenho estado mais ausente. Desde que voltei a trabalhar em TV, em dezembro, que os dias, as horas, me têm parecido mais escassas e que tenho tentado focar-me mais nelas e na nossa casinha. A seu tempo, tentarei equilibrar melhor tudo. Um grande beijinho e obrigada por todo o carinho e pelas mensagens de saudades]

3.05.2020

Deixem os pais serem pais!

Este post não é para toda a gente, é para mães que, tal como eu, sentiram uma vontade visceral de se ocuparem a 100% dos filhos desde que nasceram e, por qualquer que tenha sido o motivo, a verdade é que, desde que nasceu a Irene que me encarreguei de fazer praticamente tudo o que tinha a ver com ela (excepto a comida porque o meu ex-marido está a passar ao lado de uma grande carreira como chef).




Ontem, ao ver o primeiro episódio do documentário Babies que está na Netflix (recomendo vivamente, pelo menos o primeiro episódio ;)) fiquei a par de algumas descobertas fantásticas que vários investigadores fizeram. Nada que não vos tivéssemos já mostrado num dos vídeos em que entrevistámos a Constança Cordeiro Ferreira do Centro do Bebé. Aliás, vou deixá-lo aqui para verem: 



Sem querer pronunciar-me demasiado aprofundadamente para não vos induzir em erro, fizeram dois tipos de medição, uma que dizia respeito à oxitocina e aos seus níveis durante a gravidez e pós parto na mulher e no pai. E, além disso, depois fizeram scans que evidenciavam a activação da "amígdala" (parte do cérebro que evidencia a preocupação intensa com os filhos) nos casais em que a mãe assumia o papel de "principal" cuidadora e em casais homossexuais só com pais masculinos. 
Do que percebi, a oxitocina é idêntica tanto para a mãe como para o pai. A ligação aos filhos é igual caso haja contacto e envolvimento. E esse envolvimento é estimulado quantas mais "tarefas" cada um desempenhar. Quanto mais estiverem, brincarem e cuidarem dos bebés, maior o apêgo e a ligação. Tanto nos pais como nas mães.  Isto significa que, tal como disse a investigadora, "ser mãe/pai é uma escolha que vai além da biologia", tem muito a ver com a ligação. Coisa que já todas sabíamos, mas vê-lo provado não deixa de ser interessante, não é? 

Depois, por sabermos que as mães são quem tem o sono mais leve (por causa da activação da tal amígdala), quiseram perceber porquê. Comparando com os tais casais em que não há mãe, repararam que os homens também têm essa "capacidade" e que é idêntica. E isto através de exames ao cérebro, por isso não há dúvidas. 
Quis partilhar isto convosco porque no caso de se sentirem assoberbadas por "terem que fazer tudo" e na eventualidade de se sentirem "culpadas" por delegarem o que estão a fazer ou até se tiverem pouca tolerância a que outras pessoas se ocupem dos vossos filhos (falo aqui do pai), percebam que ao fazerem-no estão não só a providenciar maior felicidade a quem se envolva como aos vossos filhos e que estão a permitir que uma relação mais íntima, mais profunda se desenvolva entre eles. 

Só para deixar a nota que "a Mãe é que sabe" como título deste blog, não é para excluir os pais, mas sim para deixar um espaço de segurança grande a quem está a gerir a família, isto é: não comentemos e não nos metamos na vida uns dos outros que "só quem lá está é que sabe". Neste caso, como somos mães, falamos de mães, mas queremos muito que os pais também sabem e, tal como se vê, podem gostar tanto, saber tanto e envolver-se tanto quanto as mães. 

Espero que seja motivação suficiente para não sermos tão fuçonas - nos casos em que isto seja aplicável, claro. 
Ainda no documentário, também foi giro ver os resultados da experiência "Still face" em que puseram uma dezena de mães em frente a bebés, brincando com eles e, de repente, deixando de reagir aos mesmos, ficando com uma cara serena mas sem interagir. Os bebés procuram a reacção da mãe, provando que, desde sempre, estes nascem com skills sociais  de leitura e reacção de quem os rodeia.

Não querendo ser spoiler, também estudaram o impacto do estilo parental no desenvolvimento do cérebro dos bebés e, para agrado de TODAS e TODOS que lêem este blog, também ficou evidente que a resposta rápida de consolo aos nossos filhos lhes providencia um sentimento de segurança que permite que estejam aptos para explorar o mundo de forma saudável e dando um enquadramento mais saudável a todas as aprendizagens. Ainda que, com a experiência STILL FACE se tenha visto que, ao não se responder imediatamente, o bebé se incline para descobrir formas de se auto-acalmar, embora o nível de cortisol possa não descer e possa causar entraves numa relação mais calma entre os dois. 
Não há mimo a mais, malta! :)

3.01.2020

"Ainda és minha amiga, filha?"

Não sei como é que vocês são, mas eu tenho algumas missões importantes (ou prioritárias) daquilo que quero transmitir à Irene. Uma delas é que ela fique bem ciente do amor incondicional que sinto por ela e de que ela merece. 

Digo-lhe muitas vezes, quando há momentos de maior conflito, que ela não se preocupe porque "portes-te bem ou mal, estejas zangada ou contente (ou eu), a mãe nunca deixa de gostar de ti". Porque é verdade.

E tenho-lhe dito isso e mostrado sempre. 

No outro dia, estava furiosa e não consegui lidar bem com uma birra dela de cansaço. Acabei por ser mais assertiva e isso desencadeou nela uma reacção mais descontrolada. Acabou por se ausentar para o quarto porque, como disse ela: "Mãe, não estou disponível para conversar contigo". 


Acabámos por falar as duas sobre o que aconteceu. Expliquei-lhe que estava numa semana difícil e que a paciência não era algo tão fácil quando me sentia daquela maneira. Ela disse que também tinha reagido como reagiu porque não sabia como fazer melhor. Concluímos que é um trabalho que vamos desenvolver as duas em conjunto e que vamos melhorar e ter mais calma sempre que conseguirmos. 

No silêncio, enquanto a adormecia, bateu-me a culpa e saiu-me um "ainda és minha amiga, filha?". 


Ela respondeu:


"Mãe, então mentiste? Disseste que mesmo chateada ou quando nos zangamos que somos sempre amigas e agora perguntas isso?"


Ela tem razão. E eu tive a confirmação de que estou a fazer um bom trabalho. Não me agrada esta fase de tudo o que não coincida seja mentira, mas tem 5 anos, é normal. 

No entanto, ela deu-me o que lhe dou: amor incondicional. 

Ainda que haja muita coisa que falhe, que não seja exímia (não dá para ser, por favor), fico feliz que, tendo algumas prioridades, esteja a conseguir passá-las à minha filha. 

Quais são as vossas? 


2.17.2020

Ter uma filha é bom para o engate.

Desta é que não estava à espera!

Depois de me ter divorciado, quase imediatamente a seguir (credo, até parece que houve falcatrua, mas não houve), entrei numa relação de dois anos com alguém que conhecia desde sempre (assim parece ainda mais, mas não). E, assim sendo, não tive aí grande tempo no "engate" nem a ver o que pingava ou não.

Na minha cabeça - como já aconteceu tantas outras vezes relativamente a tantas outras coisas - abracei-me a um raciocínio que, afinal, não veio a verificar-se muito verosímil: achei que, por ser mãe (e divorciada) que o meu tempo de mercado já tinha acabado. 

Ao que parece, nem por isso.
E, se calhar, até antes pelo contrário?

Longe de mim querer dizer que ter uma criança é igual a ver um rapaz a passear um cão de forma amorosa num parque, não estou a dizer que seja... um isco poderoso, mas talvez seja algo que até funcione a nosso favor. Um bocadinho, vá. 

A conversar com um rapaz, daqueles que se conhecem nas aplicações mas, que por acaso, muito simpático e até que sabe escrever e pensar (choque total), ele disse-me que abaixo dos 30 as miúdas ainda lhe parecem muito imaturas e que, acima dos 30, parece que está tudo com pressa para ter filhos. 

Perceberam onde quero chegar? Ah, pois! Isto é: já estamos despachadinhas e, portanto, em princípio, o nosso relógio biológico não fará muito parte da equação. 

Por outro lado - isto já ele não me disse - acho que verem-nos a sermos mães ou saberem que o somos, activa ali o complexo de Édipo e desejam sentirem-se os nossos meninos. Ou, numa perspectiva menos patológica (ahah), vêem-nos como viáveis para procriação e criação de família, o que será atractivo para a maior parte da malta, tendo uma perspectiva relacional, claro. 


De facto, ainda ninguém fugiu quando disse que sou mãe de uma menina de 6 anos. Mas também não tenho tido engates que se tenham transformado em algo mais, não tenho apresentado ninguém à Irene nesse modelo.

Talvez o problema seja depois, quando for para começar a apresentar e as dificuldades na dinâmica, já que se atalham ali uns anos e algumas decisões e se acaba por receber o filho "de outra pessoa" que, depois, também acaba por ser um bocadinho nosso...

O meu principal desafio é encaixar vida social no meio de uma custódia não (muito) partilhada. Acabo por ter só fim-de-semana sim, fim-de-semana não para estar mais à solta (se é que me entendem).

Qual tem sido o vosso feedback? Ser mãe é tesudo ou não?



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Fica também aqui um dos nossos vídeos da semana no instagram, aqui falei sobre como comuniquei (ou não) à Irene sobre o final da minha última relação: