7.09.2020

Fim-de-semana a 7 no Ohai Nazaré

No fim de semana passado, fomos matar saudades do OHAI Nazaré. O espaço é magnífico e tínhamos-nos divertido bastante da última vez que lá estivemos, há um ano. Desta vez, fomos sete (uiiii que a Joana Gama já nos apresentou o Mike!), ficámos em bungalows e pusemos três miúdas a dormir juntas! Bebemos uns gins no alpendre depois da tarefa hercúlea de as adormecer, conseguimos apanhar sol, desfrutar da natureza e fazer desporto (só alguns). 

Quem não tiver paciência para ler a nossa review, gravámos hoje mesmo em podcast e também está disponível em IGTV. ‘Tamos em todo o lado, ‘migas, já sabem. 

Enquanto a Joana Gama e o Mike "jogavam padel"  (jogavam mesmo, pusemos em aspas para efeitos ligeiramente humorísticos)

Assim que começámos a viver a experiência, percebemos que teríamos coisas boas e más a apontar e, como nos perguntaram no instagram várias coisas sobre o resort, decidimos desde cedo que iríamos apontar as coisas boas e as coisas más, para que possam ir de forma informada. 

Primeiro, aspecto geral: está ainda mais bonito, mais arranjado, tem imensas árvores, sombras e o ambiente é predominantemente calmo, familiar. As miúdas, então, adoram. Pinhas, piscina, escorregas de água, slide e parque infantil: paraíso. 

Os bungalows são bons, bem equipados e bem decorados: têm ar condicionado, boas dimensões. Nota máxima para a pressão da água do banho que, além de bem quentinha, é excelente. Acho que estamos sempre à espera que num parque de campismo seja tudo a conta-gotas, mas não. A casa de banho tem toalheiro daqueles que aquecem as toalhas e que ajudam a secar os fatos de banho. As camas são boas e os lençóis macios. A cozinha tem fogão, torradeira, microondas, frigorífico grande; pratos, taças, copos... tudo. Até detergente para lavar a louça. Tem vários armários nos quartos e, assim, parece que está tudo sempre arrumado. Gostamos disso. 

Contudo, ao contrário das tendas, onde estivemos no ano passado, não há muito espaço entre bungalows, estão muito colados. Às 23h já tínhamos um vizinho a espreitar à janela por estarmos a falar no alpendre. 



Devido aos tempos em que atravessamos, tiveram de limitar o número de pessoas no parque aquático. Ainda bem que tiveram essa preocupação, que é essencial, mas só podermos usar a piscina com marcação, em turnos de 2 horas por dia (momento em que desinfectam as espreguiçadeiras), é pouco. Domingo era o dia do nosso check out e, quando na véspera tentámos marcar, já não havia vaga das 10h-12h, o primeiro horário do dia. Pelo que o senhor  nadador salvador nos disse, já umas 50 pessoas tinham tentado marcar e teve de lhes dizer que não. Quando, no próprio dia, dissemos à Isabel, até chorou. Para as crianças, o parque aquático é o ponto alto do parque.
Parte boa que deriva desta: ir à descoberta de mais coisas para fazer. Convém programar o dia a contar com uma ida à praia e aproveitar para conhecer as da região, que são óptimas ou um passeio nas redondezas (adorámos São Pedro de Moel e também a Praia da Polvoeira), usar o parque infantil - que é enorme e muito giro, de madeirinha - e o slide, por exemplo. Para quem gosta de jogar padel (há uma de nós que adora, adivinhem qual), há campo. Também há de basquete e até ginásio (também funciona por marcação e bem). 










Os pequenos-almoços, apesar de serem com marcação e de distribuírem máscaras (ponto a favor), têm demasiada gente, em self service, numa fila que não respeita a distância de segurança. As pinças para por o pão na torradeira são as mesmas. Tocar no mesmo utensílio que muitas outras pessoas, sem que seja desinfectado, não nos deixou confortáveis. Uma solução que poderia ser implementada seria haver pinças de utilização única, que iam a lavar, sendo revezadas (ou um pinça por família durante toda a estadia - há um hotel a fazer isso - ou, ainda, ter alguém do staff responsável por essa função. Criámos um sistema de só ir um adulto por família buscar a comida para todos e tivemos pena de não saber que, afinal, dá para pedir o pequeno-almoço em takeaway. Não nos deram qualquer informação sobre isso. 


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A comida no buffet, regra geral, é boa (tirando um rosbife que era duro), com boas saladas e opções saborosas. Tivemos pena de não poder experimentar o restaurante para jantar (que fica no piso de cima e que tem muito bom ar), que estava cheio quando lá chegámos na sexta-feira.

Achamos que a comunicação entre as várias partes envolvidas não está a funcionar a 100%. Mais clareza e informação sobre os procedimentos, aquando das marcações, ajudaria a alinhar as expectativas às limitações, ainda que necessárias. 

Contudo, achamos que há grande margem para melhorar. O staff é muito disponível e simpático. O ambiente é acolhedor e extremamente bonito e bem cuidado e, acertados alguns pontos, tem tudo para satisfazer miúdos e pais. 
















Podem ouvir aqui, enquanto arrumam a casa ou conduzem:



Até breve, Ohai!  

7.07.2020

Foi a nossa primeira noite a sós fora de casa.

Hoje até usei o desodorizante dele porque sabia que ia ficar a morrer de saudades. Sabem o quanto o cheiro nos faz sentir em casa, não sabem? Quando gostamos, quando estamos apaixonadas, o cheiro da outra pessoa funciona melhor que a melhor vela da Rituals (são caras, pá!). Faz-nos sentir abraçadas. 

Foi a nossa primeira noite a sós fora de casa. O nosso primeiro mês de namoro. Foi precisamente há um mês que ele me pediu em namoro. Embora talvez hoje em dia já não pareça ser habitual, para mim, pedir em namoro é importante. É uma escolha, é o princípio oficial de um compromisso que vai além da química e das emoções. Assinala-se o respeito e a vontade de trabalhar em conjunto, de crescer individualmente, mas em dupla. Aceitei aos pulinhos, abraçada a ele - cheirando o desodorizante (não se preocupem que não é um post a vender um desodorizante) - e a tentar acalmar a cabeça, também ela aos pulos e cheia de pressa para viver tudo o resto. Sei que estou a viver um grande amor. 



Chegámos ao Dream Guincho e fomos só nós. No fim-de-semana imediatamente anterior tínhamos estado em família com a Joana Paixão Brás e com o David na Nazaré e, por isso, soube ainda melhor viver o silêncio, ainda que recheado da química que temos entre nós. É visível, é palpável e, se querem que vos diga, um simples toque mexe comigo. 

A menos de 30 minutos das nossas casas, senti que deixei para trás as preocupações. Deixei para trás o stress e também o peso de ser mãe. Ser mãe está cada vez mais entranhado em mim, no entanto, já não me sinto culpada por adorar não estar com ela, ainda para mais agora. Todos os momentos em que não estou com a minha filha servem para me dar alento e ainda mais amor para a encher de colo e beijinhos (como se ela me deixasse). 

Lá chegámos. Fomos recebidos pelo caseiro Sr. João. Ele é de Trás-os-Montes e confesso que nos fez sentir em casa. Toda a decoração é maravilhosa. Muitos livros espalhados por todo o lado, o que acredito que tenha aumentado o FOMO tanto a mim como ao Miguel, mas com a sensação de casa de férias com personalidade. Gosto muito de minimalismo, do estilo nórdico, mas nada se compara a um sítio que seja decorado de dentro para fora e não para parecer um catálogo. O Sr. João faz um bolo maravilhoso que nos ofereceu assim que chegámos, juntamente com um chá vindo de Macau. Tomámo-lo junto à piscina que tem uma vista fantástica sobre o mar enquanto, discretamente, rezava para que o Miguel não comesse as duas fatias dele. Mas comeu. Ofereceu. Eu disse que não uma vez (vá, tinha que ser), mas lá embuchou o bolo do Sr. João como gente crescida. 


Antes disso tínhamos estado estendidos nas espreguiçadeiras que estavam à nossa espera e bebemos uma limonada. Queríamos ler, queríamos continuar a conversar ou a inventar os jogos parvos que nos tinham surgido na praia, mas aquela vista impediu-nos disso. Fomos obrigados a sermos felizes e extremamente gratos não só por nos termos um ao outro, mas também por vivermos aqui, em Portugal. A praia do Muchaxo atingiu-me como um pontapé na boca quando cheguei. Caramba! Como é que passei anos a escolher praias por serem as mais perto de casa quando existe este paraíso apenas uns minutos mais longe daqui? Faz diferença. É a diferença entre comprar 10kgs de roupa na Primark ou uma peça de roupa incrível que vamos estimar e que nos assenta perfeitamente. 



Todos os oito quartos têm o nome de uma obra importante. Ficámos no da Menina do Mar de Sophia. Gosto muito de dormir fora de casa. Confesso que me adapto bem a sítios baratos e que me adapto ainda melhor a sítios bons (ahah). Contudo, quando estou num sítio bom, ligo o botão da esquisitice e fico mais atenta aos pormenores. Torno-me implicativa e perfeccionista e anseio por apontar defeitos a tudo e mais alguma coisa. Entre os beijos que fomos dando e os abraços, consegui reparar que as toalhas eram as toalhas que gostaria de ter em casa, que o duche pede para que se tomem banhos a dois e sem olhar tanto ao desperdício de água, que os roupões são tão confortáveis quanto dormir com os nossos pés a tocar nos dele... Iluminação perfeita, materiais naturais, mobílias que contam uma história e não a de faltar um parafuso para que se aguentem montadas mais de uma semana. Mais livros. Muitos livros. E tanto, mas tanto Miguel. 



Ficámos divididos entre ficar na piscina ou aproveitarmos a varanda do nosso quarto. Deslizámos para dentro dos roupões e ainda li um bocadinho da "Câmpanula de Vidro" que uma amiga (da qual tenho saudades, mas a vida têm destas coisas) me tinha recomendado. Tinha dito para ler quando estivesse bem. Três anos depois ou quatro, tal como prometido, comecei a lê-lo. E estava tão bem. O sol a pôr-se lá ao fundo a estender-se no mar, o céu a ficar com aquelas cores quentes como se fosse pintado a pastel e, ao meu lado, ele. Ele que me tem feito sonhar e que me tem feito viver o presente como se fosse um sonho. 



Fomos jantar. Vestiu uma camisa branca que contrastou com o bronze que tem de ser uma pessoa maravilhosa cheia de amigos e planos. Às vezes derreto, noutras tenho um ataque cardíaco e muito raramente acredito que isto me esteja a acontecer. Estou a ter o privilégio de conhecer, de criar e de viver a vida com alguém que é tão apaixonante por dentro como por fora. Olhar para ele e saber ouvir mesmo o que ele não diz, dizer tudo (até demais) o que não consigo evitar é uma dança que me faz circular o sangue, sem ser preciso abocanhar Daflons que nem uma doida. 

Jantámos em Cascais. Comemos tão bem. Parecíamos estar a festejar um ano de namoro, que espero festejar com o mesmo entusiasmo. Porém, o que sinto que festejámos foi o termo-nos encontrado e termos decidido deixar-nos entrar. Ainda que ambos tenhamos a nossa bagagem, arranjámos espaço. E, melhor, não a deitámos fora. Temo-la connosco. Honramo-la, não nos esquecemos dela e tornamo-la útil para amarmos melhor. 

Voltámos ao Dream Guincho. Pusémos o código na porta. Tudo silencioso. Sentímos que a casa era nossa, só para nós. Assim como aquela lua cheia a reflectir na piscina. O som dos aspersores da relva e, com atenção, lá ao longe, ainda conseguíamos ouvir as ondas. Subimos até ao Menina do Mar e instalamo-nos na varanda a ouvir música baixinho.  Fechei os olhos e encostei a cabeça para trás, isto com as pernas esticadas em cima de uma mesinha, a brilharem com a luz da lua e com o roupão um pouco acima dos joelhos. Não sei quanto tempo estive de olhos fechados, talvez duas músicas. Abri-os com saudades de o ver. Ele olhava para mim. Sorrimos com os olhos. E soubémos, mais uma vez, que é precisamente o nosso timing. Fez tudo sentido até aqui. Tudo de bom, tudo o que aprendemos e tudo o que somos faz com que encaixemos assim. 



Tínhamos os cortinados abertos da janela gigante do quarto. Entrava aquele ar puro pelo Meina do Mar adentro. Dormímos com aquele momento parado no tempo nas nossas cabeças, sabendo que iríamos acordar ali naquele local que parece um cenário perfeito para o que nos tem atravessado. 

Descemos e tomámos o pequeno almoço preparado pelo Sr. João e pela Dona Zulmira (tem uns olhos encantadores).  A loiça tem personalidade também. Ao mesmo tempo que nos sentimos em casa, também nos sentimos parte de uma casa que recebe só os amigos mais próximos. A monotonia, a simetria e mais outros conceitos matematicamente agradáveis são postos de parte, optando pelo carinho e pela história. Bebemos chá e comemos iogurte grego com pedacinhos de ananás. Ainda fomos às torradas com manteiga e queijo, pedímos uns ovos com salsa e estávamos prontos para mais um dia na piscina. Mas e aquele quarto? E aquela varanda? E aqueles robes? Optámos por ir para a varanda e fazer uma das coisas que sabemos fazer melhor. Calma. Mesmo que o tivesse feito não vos diria. ;) Fomos gravar uns vídeos para o meu instagram a contar os jogos imbecis que tínhamos inventado na praia no dia anterior. Nunca tive um namorado ou namorada que fosse tão pateta quanto eu e que não se importasse de aparecer. Acreditem quando digo que vou tirar o melhor partido possível disto, ainda que ele possa acabar comigo para a semana que vem. 



Conseguímos ir à piscina, antes que fosse buscar a Irene. Bricámos aos desfiles (aconteceu, sim) e aos mergulhos da malta que arregaça os calções até às virilhas. Talvez um dia o Miguel publique no instagram dele. Despedimo-nos do Sr. João e da Dona Zulmira e ficámos com vontade de celebrar ali todos os nossos meses ou, até, numa outra vida, todos os nossos dias. 

Esqueci-me de vos dizer que conhecemos a criadora do Dream Guincho e que foi exactamente o que esperava depois de conhecer o espaço que preparou com tanto carinho. Uma mulher com visão e, acima de tudo, quem quer proporcionar paz a quem a procure e respeite. É disto que se trata ali: calma, paz e sentir que a vida é o que quisermos fazer dela.

Agora que já cá estou em casa, depois da Irene ter entornado - sem querer - o prato da sopa no chão, sinto que foi tudo um sonho. O que vale é que tenho estas fotografias para voltar sempre que quiser. 

Tenho uma sorte enorme de ter espaço em mim para todas as eus que existem, sendo que todas elas amam amar e que o aprenderam com a Irene, mon cœur.

Podem seguir: 

Instagram do Dream Guincho aqui.



6.30.2020

O nosso roteiro de caravana pela costa vicentina


"É como se fosse uma casa, mas com rodas!" Isabel

Desde que as miúdas viram o episódio da Porquinha Peppa passado na autocaravana, que me pediam constantemente para, um dia, lhes cumprirmos esse sonho. Foi agora. 
Durante 4 dias, eu, as miúdas e o meu melhor amigo, fomos experimentar viajar numa autocaravana. Há muito que desejava que o primeiro roteiro fosse a costa alentejana - costa vicentina. Assim foi. Quando saímos de casa, nesse dia, as miúdas estavam num grau de histerismo nunca antes visto. Mas tem camas? Mas tem sanita? Mas tem televisão? Tem. Tem. Tem.

A Joana Gama já tinha tido uma boa experiência com a OmFreeRentals e, apesar de não termos ficado exactamente na mesma caravana, tudo correu lindamente. Bem, quase tudo, mas já vos explico.

ROTEIRO

1.º dia - Lagoa de Santo André
Fomos decidindo por onde passar e onde ficar no próprio dia. Eu e o Renato já conhecíamos a maior parte das localidades, mas as miúdas, tirando Almograve, Cavaleiro e Zambujeira, ainda não. Tínhamos em mente começar pela Lagoa de Santo André, por não ser muito distante de Lisboa e por ter águas calmas e não muito profundas para as miúdas, e depois ir descendo. O parque de campismo é muito calmo e tranquilo (fica a 19€ a noite, 2 adultos e duas crianças + caravana) mas, atenção, já só existia um lugar, talvez seja melhor marcarem com alguma antecedência). Bebemos umas somersby a ver o pôr-do-sol na praia, as miúdas baloiçaram nos baloiços do bar da praia e perturbaram o romance de casalinhos que por lá estavam, o normal, portanto.


2.º dia - Porto Covo  - Odeceixe

De manhã, fomos até Porto Covo. Ficámos umas horas na Praia do Banho, que é pequenina e linda (espreitámos andes de descer e não estava muita gente), tem grutas, peixinhos e lapas - as miúdas adoraram.  "Estamos a viver aventuras", diziam. Comemos umas sandes de um takeaway algures e um gelado óptimo (no Prime). 
Depois, seguimos até Odeceixe já ao final da tarde, onde fizemos uma busca intensa por um espaço para ficar, mas acabámos por ficar num descampado com mais dois autocaravanistas. Corremos o risco, correu bem, mas não vos quero aconselhar, como é óbvio. [Deixo o link daquele que considero o melhor blogue do género, onde se podem informar do que é legal, das áreas protegidas, etc, etc]. 










3.º dia - Odeceixe - Aljezur - Arrifana

De manhã, estacionámos num parque para autocaravanas e descemos até à praia de Odeceixe, que é incrível. Na zona do mar, cria daquelas piscinas / pocinhas quentes onde as miúdas podem ficar a brincar horas a fio. Têm ainda o lado da ribeira de Seixe (que fingi que não existia porque me apetecia mesmo estar mais perto do mar. Almoçámos tarde uns petiscos num restaurante por ali, com aquela vista linda, e seguimos até à Arrifana. Pelo caminho, parámos em Aljezur para descansar e para comer um pastel de nata.








A Arrifana é mágica. O pôr-do-sol, as escarpas, a praia, o ambiente... A zona da fortaleza (lá bem em cima) tem das vistas mais bonitas que estes olhinhos já alcançaram. Mas, atenção, não me apeteceria subir aquele caminho todo da praia com crianças pequenas muitos dias (temos amigos que vão para lá todos os anos com bebés, mas gabo-lhes mesmo a paciência. Contudo, acredito que o resto compense). Jantámos por ali no restaurante da praia, com uma sangria óptima, um atendimento muito muito simpático, uma conta um bocadinho puxadota. Mas vá, um dia não são dias. Siga.











4.º dia - Arrifana - Praia da Amoreira - Praia do Carvalhal 

Depois do pequeno-almoço num hostel na Arrifana (as miúdas comiam sempre papas de aveia na caravana, mas nós reforçávamos sempre mais tarde), fomos até à Praia da Amoreira, muito recomendada por praticamente toda a gente que seguiu a aventura, e comprovamos: é, de facto, um destino obrigatório com crianças. Das praias mais kids friendly a que já fomos. Não fomos mesmo mesmo à praia, ficámos no riacho. Estacionámos pertíssimo, terreno plano até ao areal, pouquíssima gente e água praticamente doce, calma, clara. A Isabel ainda se barrou em argila para ficar com a pele mais macia, a Luísa aproveitou para andar nua. 







Depois, seguimos até à Praia do Carvalhal, onde almoçámos - foi mais lanchar, vá - uns cachorros. Adorámos o barzinho de praia (não me lembrava dele assim quando lá ia, na altura em que ia ao festival Sudoeste, velhos tempos).




Queríamos ter ido a Vale dos Homens, Montes Clérigos, Praia da Amália... e tantas outras, mas já não conseguimos. Fica para a próxima. Ainda parámos pelo caminho, algures num monte alentejano, para trocar de condutor e tirar uma bela de uma foto dos quatro, para mais tarde recordar.



DICAS 


➼ A app park4night ajuda a saber onde, nas proximidades, há sítios para abastecer água; esvaziar os resíduos (sim, esses que estão a pensar); deitar fora as águas dos banhos e da loiça, acampar, etc...

➼ Os intermarchés da região são (quase todos, acho) amigos dos caravanistas e costumam ter esse serviço (o de Santiago do Cacém, Vila Nova de Santo André é gratuito, por exemplo, é gratuito. No de Aljezur paga-se 2€ para encher os 100ml de água).

Tentem não se enganar nos depósitos. Eu pus gasóleo no lugar da água, à vinda, e além de terem ido 53€ para o galheiro, paniquei ao imaginar que tinha estragado o carro todo/ ia ser terrível para tirar o gasóleo das condutas, ou que podia provocar alguma explosão, sei lá. Tirem notas durante a explicação inicial e usem a cabeça...

➼ Há bastantes sites de aluguer de autocaravanas e vans. Tivemos uma experiência excelente com o Ricardo da Omfreerentals, que vos recomendo. As autocaravanas têm TUDO: desde tv (que eu nunca soube ligar - e se calhar ainda bem - mas é tão simples...) cozinha equipada, casa de banho com água quente, tomada, ar condicionado, mangueira para abastecer depois a água, detergente para lavar a loiça, mesa e cadeiras, etc. A nossa tinha cama suspensa em cima dos bancos das miúdas/mesa e cozinha, com uma escada e uma cama atrás. São ambas confortáveis, por mais estranho que pareça.

➼ Para calcularem orçamento, peçam todas as infos quando estiverem a alugar, de disponibilidade e preços (que variam consoante a época) e façam as contas com a caução, portagens, gasóleo, parques de campismo, etc.

➼ A parte mais difícil da gestão no interior da caravana, foi montar e desmontar as cadeirinhas. Estou habituada ao sistema de isofix e a caravana não tinha.

➼ Fomos carcomidos logo na primeira tarde, antes de descobrir que todas as janelas, e até a porta, tinham sistema de rede! Só nós...

➼ Há uma experiência muito gira que gostava de ter, da próxima vez, se formos mais para o Norte, que é ficar a pernoitar numa quinta vitivinícola. Vejam aqui neste site, pode ser uma boa opção.

➼ Se conduzir é fácil? Não, não é. No entanto, consegue-se! Se eu consegui, vocês também conseguem. É dar mais margem nas curvas, nas rotundas, para estacionar um adulto sai para ajudar, ir devagarinho, etc, etc. Não deixam de sentir tudo um bocado a abanar e uma sensação estranha de que aquilo não cabe em lugar nenhum, mas depois até se entranha.

Falámos ainda sobre esta experiência no nosso podcast, aqui, se preferirem ouvir enquanto conduzem ou arrumam a casa.

Gostaram? Espero que tenha sido, de alguma forma, útil.
Que mais praias e paragens recomendam para estes lados?
E outras zonas do país para ir de autocaravana?



6.16.2020

Não sei nem ser mãe nem não ser.

Olá amiguinhas! Essa semana? Está a ser boa? Um abracinho forte para as que têm os miúdos na escola e até poderão estar aliviadas por um lado mas, por outro, estão a viver emoções fortes no que toca a esta roleta russa da pandemia. Um abracinho também muito forte (mas psicológico) às mães que continuam em casa com os miúdos. Jesus! Força, muita força!

Não sei se vos acontece o mesmo, mas depois de ter posto a Irene na escola (onde estão com todas as medidas de segurança e coiso e tal) desenvolvi pânico ao fim-de-semana. Quando o vejo a aproximar-se, começa a cheirar-me a confinamento e fico nervosa como se recuasse umas semanas e não soubesse quando poderia voltar a sair de casa. 

É difícil termos a noção de que algo é traumático quando estamos a vivê-lo, mas não foi/é o caso do "confinamento". Foi agressivo e ainda é para muita gente. Ainda estou a sofrer com as represálias, apesar de ter sido útil para evidenciar mais coisas que tenha para resolver em mim. Digo resolver, mas aqui o bicho sabe também que é uma mulher inacreditável (e com potencial para um dia vir a ser tesuda) e que, portanto, também poderá passar por aceitar coisas e não só mudá-las. 

Estou agora a tentar aceitar que não tenho conseguido sentir-me 100% confortável em nenhuma situação: quando estou com a Irene, parece que preciso de mais tempo para mim e, quando tenho tempo para mim, sinto que devia estar mais tempo com a Irene. 

Tomem esta selfie desavergonhada que era para enviar para o rapaz com quem namoro, 
mas que não achei fixe o suficiente. Sim, ficaram com os restos da minha sensualidade ao natural. 


É aquele jogo de culpa manhoso que se acentua em muitas de nós depois de parirmos este ser vivo (por nossa causa e, em princípio também por causa de outro indivíduo), mas que seria de esperar que passados 6 anos já estivesse mais amanhado. Não está. 

Principalmente sendo divorciada e tendo a oportunidade de quando em vez colocá-la em casa do seu outro progenitor, a diferença abissal entre ter e não ter filha é algo que me perturba. Sinto-o como um alívio, por poder respirar ou até cagar em paz (pardon my french) porém, por outro lado, quando acaba esse tempo, parece que preciso de passar por um novo parto para me aperceber da minha não nova (apesar de parecer) realidade. 

"Só estou bem onde não estou" é um facto e também é um facto ter sido abençoada com uma criança que partilha muitas das qualidades de sua mãe e, por isso, ser fenomenal. No entanto, seria engraçado ganhar aqui uma skill qualquer que me permitisse ser mais robot e ligar o interruptor da maternidade facilmente (o desligar nem é muito complicado). 

Oiço mães (tenho feito algumas amigas, uau, parece que há quem até simpatize com este ser) que chegam a conclusões mais fáceis que são: "eu preciso mesmo de tempo para mim, não há nada a fazer!". Começo a pensar que talvez seja uma dessas pessoas, mas e então? O jantar não se faz sozinho, o canal de youtube da Irene também não se faz sozinho (estou a ser seriamente violentada para o criar) e aqui a Xena tem de ser pau para toda a obra, ainda que não haja nada com esse aspecto fálico (para já) cá em casa. 

A menina está cansada, grata, mas também ainda à procura do equilíbrio. Creio que o atingirei quando morrer, já que é aí que a linha vital se transforma aborrecidamente horizontal. 

Mais alguém nesta bipolaridade? Espero que sim por um lado. Por outro, sendo honesta, também. 



6.14.2020

E escolher a escola ideal?

Este vídeo começou por ser apenas uma partilha de preferências nossas no que tocasse à escolha das escolas para as miúdas. Infelizmente, tanto a Joana Paixão Brás como eu, já tivémos a nossa dose de aprendizagens pelo caminho e acabámos por partilhar convosco as piores situações a que assistimos ou vivenciámos nas escolas anteriores. 

Deixámos ficar na mesma porque pode ser que vos ajude também a pensar nesses assuntos - caso ainda não tenham pensado - e, por isso, não tenham de passar por eles para que estejam atentas aos sinais. 

Foi muito duro para ambas, em momentos diferentes e por motivos diferentes e nem sequer estamos a falar do impacto que poderá ter tido nas nossas filhas. Não dá para medir, agarramo-nos à certeza de que há de haver mais coisas boas do que más no crescimento delas e que "a vida é muito assim". 



Estas são as nossas preferências e, por acaso, estamos bastante alinhadas. Não quer dizer que tenhamos razão em tudo ou que não haja motivos para determinadas escolas agirem como agem. Seja como for, temos direito à nossa opinião e, mais do que tudo, saibam que têm direito à vossa. Podemos sempre falar com as escolas, questionar, propôr ou, até, ir para a próxima, onde sintamos que os nossos filhos estão a ser criados com mais amor. 


Aqui vão alguns dos nossos critérios que acabamos por explicar melhor no vídeo (podem ver aqui ou ir mais para baixo que já aparece): 

  • Espaço Exterior;
  • Turmas mistas;
  • Filosofia de castigos e recompensas;
  • Como permitem e lidam com a fase de adaptação;
  • Localização;
  • Todas as crianças poderem ir à rua apesar da idade;
  • Darem colo para adormecer;
  • As crianças serem respeitadas pelos seus ritmos diferentes de crescimento;
  • Não calendarização das actividades criativas e respectivos trabalhos;
  • Não discriminação de género nos brinquedos e brincadeiras;
  • Uma escola que, tendo que escolher, trabalhe para as crianças e não para os pais. 

Queremos saber quais foram ou são os vossos critérios e, apesar de me ter "enganado" (acontece), fazer uma lista de requisitos antes de fazerem a voltinha às escolas ajuda imenso para não serem levados em conversas (por vezes bem intencionadas), mas que depois vos distraem daquilo que será mais importante para vocês. 




Voltámos também aos podcasts, garotas!
Falámos, como não poderia deixar de ser, disto do isolamento e das coisas más e boas inerentes ao processo. Sentiram-se como nós? Foi pior ainda? Foi melhor? Queremos saber :)

O nosso podcast está disponível nas plataformas habituais: SoundCloud, Anchor, Apple Podcasts, Spotify, etc. Procurem por: "a Mãe é que sabe" que irão lá dar. 







6.12.2020

9 coisas que faço antes de lhe bater.

Tem sido uma aventura gigante. Ainda passaram e passaram 6 anos. Tenho perfeitamente a noção que todas vocês compreendem esta noção esquisita do tempo desde que passámos a ser mães. Passa tudo rapidamente devagar e o contrário também - não me apeteceu pensar. 

Senti, tal como já vos contei, que o meu primeiro instinto era levantar a mão à minha filha. Ainda tinha ela meses. Estava(mos) cansada(s), frustrada(s), assustada(s) e não tinha nenhuma outra ferramenta em mim que me ajudasse a sentir mais segura ou que me permitisse acreditar que as coisas, um dia, iriam melhorar. 



Com o passar do tempo, tenho vindo a desenvolver algumas técnicas que resultam cá em casa e connosco. Antes de lhe bater, faço o seguinte: 

1) Vou avaliando ao longo do dia - por mim, por ser algo que me ajuda - como me vou sentido fisica e psicologicamente. Vou contextualizando esses sentimentos no período em que estou a viver, por exemplo: perdi um trabalho que me iria dar algum dinheiro recentemente, tenho reparado que ando mais irritadiça e ansiosa. 

2) Quando tomo decisões que possam retirar conforto à minha sanidade mental, tomo-as de forma consciente. Isto é: se andar numa semana em que descuido a minha higiene de sono, sei que vai ser mais complicado para mim estar disponível para a Irene e que os dias serão mais difíceis no geral, percebendo que a paciência não se compra, constrói-se. 

3) Quando tomo decisões a favor de outros elementos que não o sono ou a energia da Irene (irmos almoçar fora e alongar os planos para a tarde, privando-a de fazer sesta, fazer "dias de festa" vários dias seguidos, deitá-la mais tarde para quebrar a rotina), sei conscientemente que poderei ter que ser mais empática e tolerante nos dias seguintes por saber que isso lhe afecta a estabilidade emocional e fisiológica. 

4) Estou a par da importância da qualidade da alimentação na vida dela. Caso tenha andado a descuidar recentemente a alimentação da Irene, caso ande a comer mais doces, por exemplo, é natural que a irritabilidade suba (é um vício), além de que os níveis pontuais de energia em demasia. Não posso culpá-la por a mãe lhe ter comprado e dar doces. Há que ser tolerante nestas alturas. 

5) Olho para a vida da Irene no geral e observo se haverá coisas com as quais ela esteja a lidar que possam ser difíceis para ela. Fiz isso quando nos separámos, quando começou a escola, quando tem uma colega que lhe tem azucrinado a cabeça, quando tem aftas, ...

6) Caso ela esteja há demasiado tempo a ver televisão ou iPad, tenho de perceber que aquilo mexe (até connosco) com o funcionamento da nossa cabeça e que aumenta a nossa irritabilidade. Pelo que, pedir sensatez ao final do dia e depois de um kilo de iPad na cabeça não será algo fácil, muito menos para uma criança. 

7) Se sou eu quem está irritada e, por isso, a Irene está a espelhar o meu comportamento. Ainda que me seja difícil, ausento-me do sítio onde ela está dizendo-lhe que preciso de ir respirar. E vou. Sem telemóvel. Vou mesmo tentar estabilizar a minha respiração. Quando volto, respondo às perguntas que ela tenha ou tento explicar de forma sucinta o que é que me fez ficar zangada. 

8) Se for a Irene quem estiver a agir de forma incompreensível (há motivos, poderei é não saber quais), tento validar o que ela está a sentir. Pergunto-lhe de que forma posso ser útil e, mediante o assunto, ajo ou dou uma oportunidade para que ela se auto-regule e me procure para conversar. Ultimamente ela tem-se retirado do sítio onde estamos e vai respirar para o quarto dela, por exemplo. 

9) E porque os problemas não devem ser sempre lidados em cima do momento, tenho feito terapia sempre que posso para que consiga estar no meu melhor em tudo aquilo que faça, especialmente ser mãe. 


Tenho tido muita sorte. Todos estes passos têm feito com que, ainda que nos zanguemos, nunca seja necessário chegar ao ponto de haver violência física. O que fazem vocês? 




Voltámos também aos podcasts, garotas!
Falámos, como não poderia deixar de ser, disto do isolamento e das coisas más e boas inerentes ao processo. Sentiram-se como nós? Foi pior ainda? Foi melhor? Queremos saber :)

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