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11.16.2020

Descosi-me toda.

Ai, nem sei como me saiu a coragem para isto. Deve ter sido o ego de ter sido convidada para escrever um livro. Quando isso acontece, quase que não se olha a mais nada, pelo menos nesta fase da minha carreira. Estou a começar e, por isso, convites vindos de sítios que me impressionem são praticamente um sim imediato. 

A ideia, confesso, que já a tinha. Tenho mais umas quantas, mas para as quais ainda me faltam alguma confiança, visto que não me vejo como “escritora”. Admiro muito os escritores e, enfim, toda a literatura no geral. 

A minha ideia para este livro “Alguém que me cale - As entranhas de quem tem tanto medo que já nem se assusta” veio de um caminho que tenho vindo a percorrer: aceitar-me tal como sou, ainda que tenha algo a “perder” com isso. 

Comecei por trabalhar numa empresa em que, apesar de não haver um espartilhamento óbvio, havia um peso institucional gigante e que me limitava (e, por um lado, ainda bem) muito a nível criativo e humorístico. Encontrei no stand-up uma fuga rápida para isso. No palco, se ninguém filmasse (ainda bem que não era moda há uns 10 anos), tinha a liberdade que queria ter - toda a do Mundo - e sem correr o risco que no dia seguinte viesse a interpretar todos os “bons dias” dos meus colegas da empresa como um julgamento. 


Alguma vez poria uma fotografia minha a fumar no instagram? 
Jamais!


Depois de sair da empresa, comecei um projecto com a Rita Camarneiro, o “Banana-Papaia”. É um videocast onde nós as duas somos uma versão nossa empolada com o intuito de fazer humor. Dizemos o que pensamos e, muitas vezes, o que não pensamos para deixar clara uma visão satírica dos assuntos. Tive de fazer a escolha de saber que não estava a seguir o caminho que mais impressionaria os meus pais e que, provavelmente, me iria afastar de instituições e empresas como aquelas onde já trabalhei. 

Mas pensei: vou esperar que os meus pais morram para fazer o que me apetece? Vou continuar a espartilhar-me para ter trabalhos que não se ajustem 100% comigo? 

Decidi que não. 

E consciente de quase todas as consequências inerentes a essa decisão. Foi ponderado. Um pouco como “sair do armário”. Pensei que, quem me amar por aquilo que sou (que frase mais bimba, bem sei), irá conseguir ir além dos seus preconceitos e vaidade e continuará na minha vida. Não pensei na altura que pessoas não me quisessem vir a conhecer por causa disso o que dói. Porém, foi a escolha que fiz: viver o mais possível perto da minha verdade, ainda que eu própria seja um projecto em construção e, se calhar, um dia faça até um videocast sobre religião, não sei. 

Sei que vamos morrer. E que eu faço parte desse “todos”. Por isso, sendo a vida uma coisa finita, um dos maiores propósitos não será vivê-la na sua plenitude, desde que não prejudicando quem nos rodeia? E, por prejudicar, que não se entenda não lhes dar alguns desconfortos e dores de crescimento, mas sim deixá-los viver a sua liberdade de escolha se querem manter a relação e que isso - tal como quase tudo nesta vida - é algo dinâmico. 

E, por isso, decidi. Decidi ser o que sou e contar o que tenho sido num livro dividido em três secções: o início, o meio e o fim [da vida]. Em cada um deles, por meio de uma associação livre, escrevo o que o ser comum denominará como crónicas (embora não me identifique com a designação). E isso passa por contar a minha história, no que a mim me compete: o que senti e sinto, pensei e penso, mas com a noção de que tal será mutável. 


Luís Pereira / MAGG

Uma das minhas grandes ambições com as consultas de psicoterapia é re-interpretar cenas da minha infância/adolescência agora com uma maturidade superior para conseguir encaixá-las de uma maneira mais benéfica e construtiva. E, por isso, uma das coisas que gostava de fazer com este livro seria rescrevê-lo daqui a 10 anos e ver o que mudou. 

Pelo meio quis inspirar (por quem me tomo, meu Deus) mais pessoas a viverem a sua verdade sem vergonhas. Por muito que se sintam sozinhas (aquele “únicas”, mas como uma conotação negativa) ou malucas (aquele “únicas” adicionando o julgamento de terceiros). Acredito que somos todos feitos do mesmo e que, vistos ao pormenor, somos todos malucos ao ponto desse conceito nem fazer muito sentido. 

Escrevi “Alguém que me cale” porque a minha cabeça não pára. E também porque este percurso não é só feito de coragem. É, antes pelo contrário, feito só de medo. De tanto medo que até salto porque “que se lixe” estou pronta para sangrar de cima abaixo como sempre. 

Se ainda não tiverem lido, estejam à vontade ;) Está à venda nas livrarias habituais e também na internet




11.02.2020

Ela não gosta dos meus abraços.

Para as leitoras mais sensíveis, aquelas que ficam enervadas por eu ter a mania de escrutinar tudo e analisar tudo, fica já aqui o aviso que, para continuarem com o seu dia tranquilamente, podem dar ali um saltinho ao Facebook ou então pôr na SIC para verem qualquer coisa que entretenha e mais leve - a não ser que esteja na hora da crónica criminal (aquilo sim, stressa-me). 

A Irene não gosta dos meus abraços. E, no outro dia, ao falar disso com a minha psicóloga (podem conhecer o trabalho dela aqui), ela disse-me que "temos de trabalhar nisso". Pus-me a pensar (uau, que novidade), se o "não se querer abraços" não será algo que também possa ser um traço de personalidade. 

Por não se querer abraços, haverá algum problema? Vá, não é só comigo. Daí eu estar a por esta hipótese. Se fosse só comigo, já teria percebido que a nossa relação iria ser tão saudável como a do Afonso Henriques com a sua progenitora, mas não. 

Só se deixa ser abraçada quando vai dormir. Pede a minha mão para lhe cobrir a cintura e gosta de tocar com os pézinhos nas minhas pernas. Gosta... quer dizer, gosta agora no Inverno, porque no Verão não se inibia de dizer várias vezes que tinha de fazer a depilação. Chatice!

Mesmo quando era mais bebé, reparava que ela ficava mais nervosa ao meu colo e, que quando ia para o colo do pai, acalmava. Ainda assim, nunca foi muito disso. De todo. O colo servia só para dar mama (no meu caso) ou, no caso do pai, para algumas brincadeiras. 

Terei uma filha que não é muito dada ao toque?

Ou... será... que existem outras razões por detrás disto?


Foto: Diogo Ventura para a P3.


Além de ter voltado a fumar (6 anos depois de ter parado, quando engravidei) e ser um cheiro que lhe desagrada ("mãe, cheiras mal" - pelo menos espero que seja disso, do tabaco), ponho-me a pensar se não será também por eu viver com um grau grande de ansiedade normalmente. "Eles sentem tudo". Quando estou mais calma, noto realmente - ou tenho capacidade para notar - que ela me toca mais e que está mais receptiva.

Por outro lado, será que ela herdou e ou adquiriu essa ansiedade? Até recentemente também rejeitava o toque quando estava ansiosa. Encarava como uma invasão do meu espaço pessoal e, por estar nervosa, não sabia reciprocar (nem me apetecia) e toda a situação era muito constrangedora para mim.

Querem ver até onde mais vai a minha cabeça? No outro dia desenhou bonecos sem braços e há uns anos (quando eu também desenhei, sem pensar nisso) uma amiga disse que seria sintomático de ter tido pouco afecto. Pelo menos físico. 

A questão é: temos todos de gostar? Será sempre sintomático? Não pode ser só mais timidez? 

A minha cabeça responde com: "epá, 'tá bem... mas da mãe?".

Como são os vossos com os mimos? Vou tentar ficar contente por vocês caso tenham miúdos que não vos larguem a pedir festinhas. 




11.01.2020

E actividades extra-curriculares em tempo de pandemia?

Há de certeza unicórnios por aí. E não só naquela loja que me faz querer drunfar a Irene sempre que passamos por ela (na verdade há umas vinte, mas posso estar a calar da Claire's ou da Note neste momento). Há de certeza famílias que escolheram actividades extra-curriculares fantásticas e que os miúdos adoram e que nem dormem de entusiasmo sabendo que no dia a seguir há Karaté ou Olaria. Não é o caso da Irene. 

Quando era pequenina, teve aulas de música e expressão corporal. Depois, quando o pai dela e eu nos divorciámos, não quis impôr que aos sábados também ele tivesse de fazer alguns kms para ter aquelas aulas pelo que ficaram em banho maria ou águas de bacalhau ou lá como for a expressão. Depois experimentámos aulas de bateria que, no início, tinha um interesse imenso e, depois, com o tempo lá foi ficando cansada das repetições. 


A Isabelinha e a Irene numa dessas aulas de música <3


Pelo meio houve duas ou três tentativas de aulas de natação mas, para dizer a verdade, não tivemos muita sorte com os professores e professoras (não eram muito pacientes com crianças e é isso que procuro em professores já que não ambiciono que a miúda comece a competir).

Cansei. Teve também aulas de ginástica que... tinham um espectáculo que queriam apresentar aos pais no final do ano e, então, privilegiaram os ensaios para o mesmo em vez de empolgarem os miúdos com actividades divertidas... Ah! E a última que estava a correr muitíssimo bem, também música e expressão corporal, foi pelo cano abaixo agora com a Covid. 

Agora que me apaixonei por uma nova modalidade (não revirem os olhos que já deve ter havido muita gente a falar-vos disto), quis ver se a Irene também se interessaria por ela. E...guess what? Está a correr muito bem!


Aconteceu mesmo irmos com as meias iguais e... sem combinarmos!! Juro! Ainda não moramos juntos porque "não há metro ao pé da minha casa e não sei quê" (desculpas).


O Fernando Alvim organiza de vez em quando umas coisas fora de série como, por exemplo, o Padel para Nabos. O Miguel (o rapaz por quem estou apaixonada - é o mesmo de há uns meses, tem-se portado bem) e eu aceitámos o convite e, desde aí, estamos viciados. 

Começámos a ter aulas com um casal amigo nosso e acertámos à primeira no professor: Francisco Dias (vale a pena abrirem o instagram, não somente por ser um bom professor... não me posso esticar muito mais que isto). 


O rapaz aqui estava a levar com sol na cara, mas prometo que não lhe falta o olho direito. Até porque não teria sido tão bom jogador de ténis antes, digo. Quer dizer, o ser humano surpreende...


Além de ter uma paciência enorme para nós (adultos) que temos treinado semanalmente com ele no W Padel Country Club (fica no meio de Monsanto, nem vos consigo explicar o quanto não quero voltar para dentro de pavilhões e ginásios para fazer desporto e não só por causa da pandemia), ele é também o coordenador do ensino de Padel para os miúdos (deve haver uma maneira mais literada de dizer isto, mas não sou da área, borrifei!). 

Também há campos cobertos, não se ponham com coisas das constipações e tal e pandemias ali não há que o ar está mais ventilado que a minha cabeça quando surgiu a puberdade. E... se não forem daqueles pais que ficam em cima dos miúdos a observar a aula toda (eu), têm ali um bar... maravilhoso para arejar as ideias.


Espetei a Irene nas aulas da idade dela, comprei-lhe uma raquete ali naquela loja que tem "Tudo para o Desporto" (wink, wink) e nem imaginam a diferença que tem feito a vários níveis na nossa vida. Primeiro, obriga-nos a quebrar a rotina do final de tarde e fazer algo que a diverte, que a entretém e que ainda socializa com outros miúdos fora da escola. Depois porque através de várias brincadeiras (o Francisco é hiper criativo) os miúdos estão muito longe de treinar apenas Padel. Treinam motricidade, sim, mas treinam muitas outras skills sociais também. Saber lidar com o serem capazes ou não serem capazes, descobrirem a sua não/muita competitividade e também - no caso da Irene, muiiiito útil - respeitarem mais uma autoridade fora da família que lhes dá orientações. 

Sai exausta, sai calminha, sai pronta para jantar (deixo o jantar pronto antes de sair de casa), por isso é banho, comida e dormir. 

Quero tanto que ela aprenda a jogar... um dia será minha dupla no Padel - o Miguel terá de lidar com os ciúmes. 

Já experimentam Padel? Que actividades fazem os vossos miúdos agora durante a pandemia? 


10.18.2020

Deixem-se enganar.

Porque a roupa é isso. Além de ser algo que nos permite andar por aí à vontade, sem frio e, em princípio nos deixa confortáveis para nos sentarmos em qualquer lado, a roupa é mais do que isso. 

É um embrulho, é uma identidade. É uma espécie de massa de açúcar que se põe por cima de um bolo simples já que nos permite sonhar. 

Quando compramos uma peça de roupa para nós ou para eles (partindo do princípio que não estamos numa fase de compras sucessivas para disfarçarmos outras coisas, ahah), imaginamo-la no cenário ideal, com um sorriso, às vezes com um lanche entre amigos, o que for. 

Uma roupa nunca vem só. Vem com a vontade que temos de os abraçar, que possam trepar às árvores, que gostem de si e que aproveitem os dias conosco à sua volta. Podem sentir que estou a exagerar – e estou um bocadinho, mas já senti isto tantas vezes... 

A Joana Paixão Brás, como já vos disse, tem um dom gigante também para a fotografia. Tirou imensas fotografias às miúdas com a coleção Outono/Inverno da Mayoral e olhem para esta delícia!  























Obviamente que sugeri logo um encontro entre as cinco com aquele magnífico pretexto de “tenho saudades” para ver se também pingavam umas fotografias para este lado ;) Não só da Irene, mas deste grupo que vai dar ainda tanto que falar porque vão continuar a crescer juntas. Nas fotografias seguintes, quando fomos passear em conjunto, quiseram ir todas vestidas a combinar. A Luísa estava histérica por ir igual à Irene. Tudo da coleção Mayoral Outono Inverno deste ano. Até os collants com brilhantes que quase tiraram o sono à Irene de entusiasmo ;)




















Deixem-se enganar, vá: não estavam birrentas de quando em vez, não queriam comer uma data de croquetes na esplanada. A Isabel não estava louca para trocar de sapatos com a Irene e... também não aconteceu o do costume: a Irene querer saltar logo para cima da Isabel para brincar e a Isabel ser mais comedida. A Irene ficar obcecada se a Isabel ainda gosta dela e, no meio disto tudo, a Luísa ficar aborrecida porque nenhuma das duas lhe dá atenção. Nada disso aconteceu. ;) 

... mas e então? Estas fotografias, com estas roupas e, acima de tudo, com estas miúdas, não vos deram vontade de sonhar? 

Elas são maravilhosas. E, com este “embrulho” da Mayoral, ainda mais ;) Gostaram?





7.07.2020

Foi a nossa primeira noite a sós fora de casa.

Hoje até usei o desodorizante dele porque sabia que ia ficar a morrer de saudades. Sabem o quanto o cheiro nos faz sentir em casa, não sabem? Quando gostamos, quando estamos apaixonadas, o cheiro da outra pessoa funciona melhor que a melhor vela da Rituals (são caras, pá!). Faz-nos sentir abraçadas. 

Foi a nossa primeira noite a sós fora de casa. O nosso primeiro mês de namoro. Foi precisamente há um mês que ele me pediu em namoro. Embora talvez hoje em dia já não pareça ser habitual, para mim, pedir em namoro é importante. É uma escolha, é o princípio oficial de um compromisso que vai além da química e das emoções. Assinala-se o respeito e a vontade de trabalhar em conjunto, de crescer individualmente, mas em dupla. Aceitei aos pulinhos, abraçada a ele - cheirando o desodorizante (não se preocupem que não é um post a vender um desodorizante) - e a tentar acalmar a cabeça, também ela aos pulos e cheia de pressa para viver tudo o resto. Sei que estou a viver um grande amor. 



Chegámos ao Dream Guincho e fomos só nós. No fim-de-semana imediatamente anterior tínhamos estado em família com a Joana Paixão Brás e com o David na Nazaré e, por isso, soube ainda melhor viver o silêncio, ainda que recheado da química que temos entre nós. É visível, é palpável e, se querem que vos diga, um simples toque mexe comigo. 

A menos de 30 minutos das nossas casas, senti que deixei para trás as preocupações. Deixei para trás o stress e também o peso de ser mãe. Ser mãe está cada vez mais entranhado em mim, no entanto, já não me sinto culpada por adorar não estar com ela, ainda para mais agora. Todos os momentos em que não estou com a minha filha servem para me dar alento e ainda mais amor para a encher de colo e beijinhos (como se ela me deixasse). 

Lá chegámos. Fomos recebidos pelo caseiro Sr. João. Ele é de Trás-os-Montes e confesso que nos fez sentir em casa. Toda a decoração é maravilhosa. Muitos livros espalhados por todo o lado, o que acredito que tenha aumentado o FOMO tanto a mim como ao Miguel, mas com a sensação de casa de férias com personalidade. Gosto muito de minimalismo, do estilo nórdico, mas nada se compara a um sítio que seja decorado de dentro para fora e não para parecer um catálogo. O Sr. João faz um bolo maravilhoso que nos ofereceu assim que chegámos, juntamente com um chá vindo de Macau. Tomámo-lo junto à piscina que tem uma vista fantástica sobre o mar enquanto, discretamente, rezava para que o Miguel não comesse as duas fatias dele. Mas comeu. Ofereceu. Eu disse que não uma vez (vá, tinha que ser), mas lá embuchou o bolo do Sr. João como gente crescida. 


Antes disso tínhamos estado estendidos nas espreguiçadeiras que estavam à nossa espera e bebemos uma limonada. Queríamos ler, queríamos continuar a conversar ou a inventar os jogos parvos que nos tinham surgido na praia, mas aquela vista impediu-nos disso. Fomos obrigados a sermos felizes e extremamente gratos não só por nos termos um ao outro, mas também por vivermos aqui, em Portugal. A praia do Muchaxo atingiu-me como um pontapé na boca quando cheguei. Caramba! Como é que passei anos a escolher praias por serem as mais perto de casa quando existe este paraíso apenas uns minutos mais longe daqui? Faz diferença. É a diferença entre comprar 10kgs de roupa na Primark ou uma peça de roupa incrível que vamos estimar e que nos assenta perfeitamente. 



Todos os oito quartos têm o nome de uma obra importante. Ficámos no da Menina do Mar de Sophia. Gosto muito de dormir fora de casa. Confesso que me adapto bem a sítios baratos e que me adapto ainda melhor a sítios bons (ahah). Contudo, quando estou num sítio bom, ligo o botão da esquisitice e fico mais atenta aos pormenores. Torno-me implicativa e perfeccionista e anseio por apontar defeitos a tudo e mais alguma coisa. Entre os beijos que fomos dando e os abraços, consegui reparar que as toalhas eram as toalhas que gostaria de ter em casa, que o duche pede para que se tomem banhos a dois e sem olhar tanto ao desperdício de água, que os roupões são tão confortáveis quanto dormir com os nossos pés a tocar nos dele... Iluminação perfeita, materiais naturais, mobílias que contam uma história e não a de faltar um parafuso para que se aguentem montadas mais de uma semana. Mais livros. Muitos livros. E tanto, mas tanto Miguel. 



Ficámos divididos entre ficar na piscina ou aproveitarmos a varanda do nosso quarto. Deslizámos para dentro dos roupões e ainda li um bocadinho da "Câmpanula de Vidro" que uma amiga (da qual tenho saudades, mas a vida têm destas coisas) me tinha recomendado. Tinha dito para ler quando estivesse bem. Três anos depois ou quatro, tal como prometido, comecei a lê-lo. E estava tão bem. O sol a pôr-se lá ao fundo a estender-se no mar, o céu a ficar com aquelas cores quentes como se fosse pintado a pastel e, ao meu lado, ele. Ele que me tem feito sonhar e que me tem feito viver o presente como se fosse um sonho. 



Fomos jantar. Vestiu uma camisa branca que contrastou com o bronze que tem de ser uma pessoa maravilhosa cheia de amigos e planos. Às vezes derreto, noutras tenho um ataque cardíaco e muito raramente acredito que isto me esteja a acontecer. Estou a ter o privilégio de conhecer, de criar e de viver a vida com alguém que é tão apaixonante por dentro como por fora. Olhar para ele e saber ouvir mesmo o que ele não diz, dizer tudo (até demais) o que não consigo evitar é uma dança que me faz circular o sangue, sem ser preciso abocanhar Daflons que nem uma doida. 

Jantámos em Cascais. Comemos tão bem. Parecíamos estar a festejar um ano de namoro, que espero festejar com o mesmo entusiasmo. Porém, o que sinto que festejámos foi o termo-nos encontrado e termos decidido deixar-nos entrar. Ainda que ambos tenhamos a nossa bagagem, arranjámos espaço. E, melhor, não a deitámos fora. Temo-la connosco. Honramo-la, não nos esquecemos dela e tornamo-la útil para amarmos melhor. 

Voltámos ao Dream Guincho. Pusémos o código na porta. Tudo silencioso. Sentímos que a casa era nossa, só para nós. Assim como aquela lua cheia a reflectir na piscina. O som dos aspersores da relva e, com atenção, lá ao longe, ainda conseguíamos ouvir as ondas. Subimos até ao Menina do Mar e instalamo-nos na varanda a ouvir música baixinho.  Fechei os olhos e encostei a cabeça para trás, isto com as pernas esticadas em cima de uma mesinha, a brilharem com a luz da lua e com o roupão um pouco acima dos joelhos. Não sei quanto tempo estive de olhos fechados, talvez duas músicas. Abri-os com saudades de o ver. Ele olhava para mim. Sorrimos com os olhos. E soubémos, mais uma vez, que é precisamente o nosso timing. Fez tudo sentido até aqui. Tudo de bom, tudo o que aprendemos e tudo o que somos faz com que encaixemos assim. 



Tínhamos os cortinados abertos da janela gigante do quarto. Entrava aquele ar puro pelo Meina do Mar adentro. Dormímos com aquele momento parado no tempo nas nossas cabeças, sabendo que iríamos acordar ali naquele local que parece um cenário perfeito para o que nos tem atravessado. 

Descemos e tomámos o pequeno almoço preparado pelo Sr. João e pela Dona Zulmira (tem uns olhos encantadores).  A loiça tem personalidade também. Ao mesmo tempo que nos sentimos em casa, também nos sentimos parte de uma casa que recebe só os amigos mais próximos. A monotonia, a simetria e mais outros conceitos matematicamente agradáveis são postos de parte, optando pelo carinho e pela história. Bebemos chá e comemos iogurte grego com pedacinhos de ananás. Ainda fomos às torradas com manteiga e queijo, pedímos uns ovos com salsa e estávamos prontos para mais um dia na piscina. Mas e aquele quarto? E aquela varanda? E aqueles robes? Optámos por ir para a varanda e fazer uma das coisas que sabemos fazer melhor. Calma. Mesmo que o tivesse feito não vos diria. ;) Fomos gravar uns vídeos para o meu instagram a contar os jogos imbecis que tínhamos inventado na praia no dia anterior. Nunca tive um namorado ou namorada que fosse tão pateta quanto eu e que não se importasse de aparecer. Acreditem quando digo que vou tirar o melhor partido possível disto, ainda que ele possa acabar comigo para a semana que vem. 



Conseguímos ir à piscina, antes que fosse buscar a Irene. Bricámos aos desfiles (aconteceu, sim) e aos mergulhos da malta que arregaça os calções até às virilhas. Talvez um dia o Miguel publique no instagram dele. Despedimo-nos do Sr. João e da Dona Zulmira e ficámos com vontade de celebrar ali todos os nossos meses ou, até, numa outra vida, todos os nossos dias. 

Esqueci-me de vos dizer que conhecemos a criadora do Dream Guincho e que foi exactamente o que esperava depois de conhecer o espaço que preparou com tanto carinho. Uma mulher com visão e, acima de tudo, quem quer proporcionar paz a quem a procure e respeite. É disto que se trata ali: calma, paz e sentir que a vida é o que quisermos fazer dela.

Agora que já cá estou em casa, depois da Irene ter entornado - sem querer - o prato da sopa no chão, sinto que foi tudo um sonho. O que vale é que tenho estas fotografias para voltar sempre que quiser. 

Tenho uma sorte enorme de ter espaço em mim para todas as eus que existem, sendo que todas elas amam amar e que o aprenderam com a Irene, mon cœur.

Podem seguir: 

Instagram do Dream Guincho aqui.



6.16.2020

Não sei nem ser mãe nem não ser.

Olá amiguinhas! Essa semana? Está a ser boa? Um abracinho forte para as que têm os miúdos na escola e até poderão estar aliviadas por um lado mas, por outro, estão a viver emoções fortes no que toca a esta roleta russa da pandemia. Um abracinho também muito forte (mas psicológico) às mães que continuam em casa com os miúdos. Jesus! Força, muita força!

Não sei se vos acontece o mesmo, mas depois de ter posto a Irene na escola (onde estão com todas as medidas de segurança e coiso e tal) desenvolvi pânico ao fim-de-semana. Quando o vejo a aproximar-se, começa a cheirar-me a confinamento e fico nervosa como se recuasse umas semanas e não soubesse quando poderia voltar a sair de casa. 

É difícil termos a noção de que algo é traumático quando estamos a vivê-lo, mas não foi/é o caso do "confinamento". Foi agressivo e ainda é para muita gente. Ainda estou a sofrer com as represálias, apesar de ter sido útil para evidenciar mais coisas que tenha para resolver em mim. Digo resolver, mas aqui o bicho sabe também que é uma mulher inacreditável (e com potencial para um dia vir a ser tesuda) e que, portanto, também poderá passar por aceitar coisas e não só mudá-las. 

Estou agora a tentar aceitar que não tenho conseguido sentir-me 100% confortável em nenhuma situação: quando estou com a Irene, parece que preciso de mais tempo para mim e, quando tenho tempo para mim, sinto que devia estar mais tempo com a Irene. 

Tomem esta selfie desavergonhada que era para enviar para o rapaz com quem namoro, 
mas que não achei fixe o suficiente. Sim, ficaram com os restos da minha sensualidade ao natural. 


É aquele jogo de culpa manhoso que se acentua em muitas de nós depois de parirmos este ser vivo (por nossa causa e, em princípio também por causa de outro indivíduo), mas que seria de esperar que passados 6 anos já estivesse mais amanhado. Não está. 

Principalmente sendo divorciada e tendo a oportunidade de quando em vez colocá-la em casa do seu outro progenitor, a diferença abissal entre ter e não ter filha é algo que me perturba. Sinto-o como um alívio, por poder respirar ou até cagar em paz (pardon my french) porém, por outro lado, quando acaba esse tempo, parece que preciso de passar por um novo parto para me aperceber da minha não nova (apesar de parecer) realidade. 

"Só estou bem onde não estou" é um facto e também é um facto ter sido abençoada com uma criança que partilha muitas das qualidades de sua mãe e, por isso, ser fenomenal. No entanto, seria engraçado ganhar aqui uma skill qualquer que me permitisse ser mais robot e ligar o interruptor da maternidade facilmente (o desligar nem é muito complicado). 

Oiço mães (tenho feito algumas amigas, uau, parece que há quem até simpatize com este ser) que chegam a conclusões mais fáceis que são: "eu preciso mesmo de tempo para mim, não há nada a fazer!". Começo a pensar que talvez seja uma dessas pessoas, mas e então? O jantar não se faz sozinho, o canal de youtube da Irene também não se faz sozinho (estou a ser seriamente violentada para o criar) e aqui a Xena tem de ser pau para toda a obra, ainda que não haja nada com esse aspecto fálico (para já) cá em casa. 

A menina está cansada, grata, mas também ainda à procura do equilíbrio. Creio que o atingirei quando morrer, já que é aí que a linha vital se transforma aborrecidamente horizontal. 

Mais alguém nesta bipolaridade? Espero que sim por um lado. Por outro, sendo honesta, também. 



6.12.2020

9 coisas que faço antes de lhe bater.

Tem sido uma aventura gigante. Ainda passaram e passaram 6 anos. Tenho perfeitamente a noção que todas vocês compreendem esta noção esquisita do tempo desde que passámos a ser mães. Passa tudo rapidamente devagar e o contrário também - não me apeteceu pensar. 

Senti, tal como já vos contei, que o meu primeiro instinto era levantar a mão à minha filha. Ainda tinha ela meses. Estava(mos) cansada(s), frustrada(s), assustada(s) e não tinha nenhuma outra ferramenta em mim que me ajudasse a sentir mais segura ou que me permitisse acreditar que as coisas, um dia, iriam melhorar. 



Com o passar do tempo, tenho vindo a desenvolver algumas técnicas que resultam cá em casa e connosco. Antes de lhe bater, faço o seguinte: 

1) Vou avaliando ao longo do dia - por mim, por ser algo que me ajuda - como me vou sentido fisica e psicologicamente. Vou contextualizando esses sentimentos no período em que estou a viver, por exemplo: perdi um trabalho que me iria dar algum dinheiro recentemente, tenho reparado que ando mais irritadiça e ansiosa. 

2) Quando tomo decisões que possam retirar conforto à minha sanidade mental, tomo-as de forma consciente. Isto é: se andar numa semana em que descuido a minha higiene de sono, sei que vai ser mais complicado para mim estar disponível para a Irene e que os dias serão mais difíceis no geral, percebendo que a paciência não se compra, constrói-se. 

3) Quando tomo decisões a favor de outros elementos que não o sono ou a energia da Irene (irmos almoçar fora e alongar os planos para a tarde, privando-a de fazer sesta, fazer "dias de festa" vários dias seguidos, deitá-la mais tarde para quebrar a rotina), sei conscientemente que poderei ter que ser mais empática e tolerante nos dias seguintes por saber que isso lhe afecta a estabilidade emocional e fisiológica. 

4) Estou a par da importância da qualidade da alimentação na vida dela. Caso tenha andado a descuidar recentemente a alimentação da Irene, caso ande a comer mais doces, por exemplo, é natural que a irritabilidade suba (é um vício), além de que os níveis pontuais de energia em demasia. Não posso culpá-la por a mãe lhe ter comprado e dar doces. Há que ser tolerante nestas alturas. 

5) Olho para a vida da Irene no geral e observo se haverá coisas com as quais ela esteja a lidar que possam ser difíceis para ela. Fiz isso quando nos separámos, quando começou a escola, quando tem uma colega que lhe tem azucrinado a cabeça, quando tem aftas, ...

6) Caso ela esteja há demasiado tempo a ver televisão ou iPad, tenho de perceber que aquilo mexe (até connosco) com o funcionamento da nossa cabeça e que aumenta a nossa irritabilidade. Pelo que, pedir sensatez ao final do dia e depois de um kilo de iPad na cabeça não será algo fácil, muito menos para uma criança. 

7) Se sou eu quem está irritada e, por isso, a Irene está a espelhar o meu comportamento. Ainda que me seja difícil, ausento-me do sítio onde ela está dizendo-lhe que preciso de ir respirar. E vou. Sem telemóvel. Vou mesmo tentar estabilizar a minha respiração. Quando volto, respondo às perguntas que ela tenha ou tento explicar de forma sucinta o que é que me fez ficar zangada. 

8) Se for a Irene quem estiver a agir de forma incompreensível (há motivos, poderei é não saber quais), tento validar o que ela está a sentir. Pergunto-lhe de que forma posso ser útil e, mediante o assunto, ajo ou dou uma oportunidade para que ela se auto-regule e me procure para conversar. Ultimamente ela tem-se retirado do sítio onde estamos e vai respirar para o quarto dela, por exemplo. 

9) E porque os problemas não devem ser sempre lidados em cima do momento, tenho feito terapia sempre que posso para que consiga estar no meu melhor em tudo aquilo que faça, especialmente ser mãe. 


Tenho tido muita sorte. Todos estes passos têm feito com que, ainda que nos zanguemos, nunca seja necessário chegar ao ponto de haver violência física. O que fazem vocês? 




Voltámos também aos podcasts, garotas!
Falámos, como não poderia deixar de ser, disto do isolamento e das coisas más e boas inerentes ao processo. Sentiram-se como nós? Foi pior ainda? Foi melhor? Queremos saber :)

O nosso podcast está disponível nas plataformas habituais: SoundCloud, Anchor, Apple Podcasts, Spotify, etc. Procurem por: "a Mãe é que sabe" que irão lá dar. 









6.09.2020

Como consegui que a Irene me contasse o seu dia.

Sempre que agora vou buscar a Irene à escola e muito por causa dos diários de gratidão de que vos falei há uns tempos neste post, ela faz uma avaliação do dia. Tem gostado, tem dito que faz "um like" ao dia. Também há dias em que não gosta tanto, mas acabamos por conversar o que terá corrido mal e dá-me sempre alguma liberdade criativa para reenquadrar mas, acima de tudo, para que ela se sinta ouvida. 

Conseguem pô-los a falar dos seus dias? Li num livro (e noutros sitios) chamado Como falar para as crianças ouvirem e como ouvir para as crianças falarem que as perguntas abertas não funcionam muito bem. Às vezes nem connosco, não é? De alguma maneira, consegui que ela falasse espontaneamente comigo. E sinto que é uma vitória. 



Uma das coisas que sinto que fiz bem foi também começar a falar com ela sobre o meu dia. Não criar um "inquérito" sempre que a fosse buscar à escola, mas iniciar uma conversa: "hoje, a mãe, teve um dia cheio de coisas: uma reunião disto, uma daquilo... sentiu que isto". 

Naturalmente começou a falar-me do seu dia e que bom, que bom conseguir saber mais sobre ela, sobre o dia dela. 

Conseguem que os vossos falem dos seus? Como o fazem?




6.08.2020

Quando é que se conta aos filhos e ao ex que temos namorado novo?

Apesar de já ter tido uma relação séria depois do divórcio, por ter sido bastante diferente a vários níveis, o timing de contar ou não não foi algo que se tenha feito sentir. Era com uma mulher e, por isso, por ambas estarmos a descobrir muitas coisas e porque a nossa relação facilmente parecia a de melhores amigas, não era imperativo contar. Contou-se, mas tudo muito fluído, muito natural. 
Agora que namoro (ehehehheheheheh) com um rapaz, confesso que tremi com medo de contar à Irene. Por vários motivos. Sendo que um deles foi o dela já ter morado com o pai e ter deixado de morar (e no meu caso ter sido mais ou menos o mesmo quando era mais nova) e também porque não quero que a infância e adolescência dela seja um desfile de pessoas que vá conhecendo. 

A verdade é que, quando estamos apaixonadas, não vemos o fim às coisas. Eu até vejo por causa do medo, mas não o sinto. Ela já conheceu o namorado da mãe (foi apresentado como amigo) e ontem, assim que chegou da casa do pai contei-lhe. Já me tinha dito que nós devíamos ser namorados porque nos ríamos muito um para o outro e gostávamos das mesmas coisas. Na altura, disse-lhe que com os amigos também era assim, mas que gostava de namorar com ele. 

Ela ficou contente e obviamente que, por ela (do pouco que ela sabe, claro) tinha um irmão já hoje. 

"Vou ter um irmão?"
"Não sei filha, a ter não é já que a mãe ainda se lembra de muita coisa, está bem? "

Esta foi uma das fotografias que me tirou neste fim-de-semana,
ainda não levou workshop de namorado de instagram, mas está a ir aos poucos. ;)

Talvez haja timings, estratégias... mas decidi borrifar-me para isso. Estou com os dois pés nisto. Quero e quererei sempre proteger a minha filha de instabilidade: não quero que ela se tenha de adaptar aos percalços da vida emocional da mãe, mas a vida também acontece, não é? 

Cada uma de nós é uma, mas somos as duas uma dupla e, por isso, a vida de uma está tão ligada à da outra... Não há nada que se possa fazer (e ainda bem). 

Fico feliz pela Irene vir a assistir a uma dinâmica bonita. Que venha a ter uma referência maravilhosa de alguém na sua vida que lhe quer dar muito amor e à mãe e que, tal como ela quer, nos veja a dar beijinhos na boca (não irei dar linguadões, que ela veja - e, mesmo assim, sei lá - , mas vai ser interessante porque ela não o vê em lado algum). 

É bom sentir que há quem aceite tudo isto. Ontem li que "é uma situação diferente, mas não para pior". E a verdade é essa. Tenho uma filha do meu ex-marido mas ela é espectacular e eu também. Até é um bónus ou não? 

Contei também ontem ao ex que tinha namorado. Como somos muito amigos, sempre fomos partilhando um com o outro as nossas esperanças e paixões. Ele ficou genuinamente feliz por mim. E abraçamo-nos, comovidos, sabendo que é mais um grande passo para a nossa família e que, aconteça o que acontecer sabemos que poderemos sempre contar um com o outro e que todos os erros que cometamos serão sempre por termos o coração no sítio certo. 

Sinto que a vida (re)começa agora. 






6.02.2020

Tenho novidades. Ficam contentes por mim?


Ando calmamente histérica com isto. Não quero dizer que encontrei “a” pessoa, mas é o feeling que me tem percorrido o corpo todo. 
Claro que me falta conhecê-lo melhor e no início é tudo muito lindo, mas sinto mesmo que a vida me preparou - e talvez também o tenha preparado - para este momento. 

Ao longo de décadas fui tentando diminuir-me, moldar-me ou “corrigir-me” para me encaixar nas pessoas que ia conhecendo. Tinha a tendência para pensar que se alguém não lidasse bem com as minhas características, que tinha que as mudar. 

Isso foi um erro (que fez parte da aprendizagem). 

Uma espécie de falta de fé na abundância de pessoas neste planeta e, acima de tudo, no meu valor. Aquele slogan da L’Óreal faz sentido: “porque eu mereço”. 
E mereço. 

Hoje, entre beijos, saiu-me um “eu mereço-te, caramba”. Bem, talvez não tenha sido caramba que na vida real não sou tão polida como aqui. E é verdadeiramente isso que sinto. Não segundo a segundo, mas senti e vou sentindo. 

Conheci uma pessoa que gosta de tudo o que já fez confusão a outras. E arrisco-me a dizer que gosta de tudo o que me torna especial, aquilo que me sublinha em vez de me rasurar. Que me vê como uma relíquia e não como potencial. 



Claro que o amor não existe só por gostarem de nós. Como vos disse, estou apaixonada. E tinha deixado de “tentar”, de procurar. Senti que estava cansada e que a minha vida já é preenchida o suficiente e que já me dá cabo dos nervos o suficiente para estar a adicionar mais problemas mas, ao que parece, o amor não é isso. 

Correndo o risco de parecer muito “Os Maias”, descubro que sim, o amor é uma espécie de irmandade, de dupla, de equipa em que existe respeito, admiração, carinho, fé e vontade de crescer. 

Ao longo dos anos fui fazendo uma lista (ainda que, por vezes, inconsciente) do que é importante que alguém que faça parte da minha vida tenha e tive a sorte de ter encontrado quem não só preencha tudo o que quis, como ainda mais. Mesmo que isto não resulte, mesmo que o rapaz fuja (que está no seu direito), sentir o que estou a sentir, estas emoções todas e esta vontade de viver (parece o nome de uma telenovela merdosa), já valeu a pena. A Irene fica grata por ter uma mãe mais feliz, mais saudável e sabem que mais? Estou cada vez mais bonita. 

Escrevo-vos este post porque me apetece falar sobre isto, porque me apetece ostentar, mas também porque gostava muito de não me ter agarrado tanto a relações/pessoas que não me faziam bem. Não por serem más pessoas ou más namorados(as), mas sim por causa da dinâmica, timing, o que for. 

Há realmente quem nos queira e que talvez esteja pronto para nós tal como somos e estamos. Não tem mal que não resulte. Não tem mal que a vida mude. 

Desde que escrevo aqui no blog, algumas de vocês terão testemunhado as minhas mudanças de humor, a minha história e... reparem agora nisto! 

A minha ex-namorada ensinou-me e, também por isso agora consigo vivê-lo (obrigada): A VIDA É BOA. 

Talvez tenhamos é de ter fé e de fazer o que eu faço antes de entrar em palco: “que se fo*a”. E isto, principalmente, quando não sabemos o que vem por aí. 

Estou cheia de sorte. 
E mereço. 
Quis partilhar. 

Ficam contentes por mim?


5.02.2020

Vão pô-los na escola?

Se, por um lado, só me apetece correr de desvario (desde a sala até à cozinha) por as escolas irem abrir para os miúdos... Por outro estou... algo inquieta, acho que ainda não entendi bem. 

As creches vão abrir já a 18 de maio. Isto é: os nossos bebés, os nossos mais que tudo vão voltar para o Mundo lá fora que ainda tem um suposto vírus chatinho (para não dizer mais) à solta. Vão ser os "primeiros", os da linha da frente nisto da soltura... E a 1 de Junho abre a pré-escolar, é isso? Quando é que fecham as escolas para o final do acto lectivo? Na escola da Irene, as aulas acabam no final de Junho. Valerá mesmo a pena durante um mês... entregar a miúda ao exterior?


Se ela precisa de estar com amiguinhos e com a professora? Claro que precisa. Se eu preciso que ela esteja? Ui, claro que preciso, mas como tomar uma decisão assim? Do que tenho lido - o que também não tem sido muito - o vírus não é estupidamente grave em crianças (a não ser as já debilitadas), mas caraças, parece que se poderá a precipitar um bocadinho tudo por causa da economia, será?

Ou então, a importância dada ao vírus no início foi bastante empolada por desconhecimento e também por medo de incapacidade de gestão do SNS para sensibilizar as pessoas ao confinamento e já estamos com mais moral... 

Seja como for, enquanto mães, como é que atiramos os miúdos para a arena? Sei que muitas de nós não terão outra hipótese porque terão de ir trabalhar e afins, mas... conseguem ajudar-me a pensar nisto por favor?

Nem queria que ela tivesse de viver uma realidade na escola em que andem todos de máscara e tudo super pressionado por causa das medidas...  Epá, ninguém disse que seria fácil, mas isto?