6.16.2020

Não sei nem ser mãe nem não ser.

Olá amiguinhas! Essa semana? Está a ser boa? Um abracinho forte para as que têm os miúdos na escola e até poderão estar aliviadas por um lado mas, por outro, estão a viver emoções fortes no que toca a esta roleta russa da pandemia. Um abracinho também muito forte (mas psicológico) às mães que continuam em casa com os miúdos. Jesus! Força, muita força!

Não sei se vos acontece o mesmo, mas depois de ter posto a Irene na escola (onde estão com todas as medidas de segurança e coiso e tal) desenvolvi pânico ao fim-de-semana. Quando o vejo a aproximar-se, começa a cheirar-me a confinamento e fico nervosa como se recuasse umas semanas e não soubesse quando poderia voltar a sair de casa. 

É difícil termos a noção de que algo é traumático quando estamos a vivê-lo, mas não foi/é o caso do "confinamento". Foi agressivo e ainda é para muita gente. Ainda estou a sofrer com as represálias, apesar de ter sido útil para evidenciar mais coisas que tenha para resolver em mim. Digo resolver, mas aqui o bicho sabe também que é uma mulher inacreditável (e com potencial para um dia vir a ser tesuda) e que, portanto, também poderá passar por aceitar coisas e não só mudá-las. 

Estou agora a tentar aceitar que não tenho conseguido sentir-me 100% confortável em nenhuma situação: quando estou com a Irene, parece que preciso de mais tempo para mim e, quando tenho tempo para mim, sinto que devia estar mais tempo com a Irene. 

Tomem esta selfie desavergonhada que era para enviar para o rapaz com quem namoro, 
mas que não achei fixe o suficiente. Sim, ficaram com os restos da minha sensualidade ao natural. 


É aquele jogo de culpa manhoso que se acentua em muitas de nós depois de parirmos este ser vivo (por nossa causa e, em princípio também por causa de outro indivíduo), mas que seria de esperar que passados 6 anos já estivesse mais amanhado. Não está. 

Principalmente sendo divorciada e tendo a oportunidade de quando em vez colocá-la em casa do seu outro progenitor, a diferença abissal entre ter e não ter filha é algo que me perturba. Sinto-o como um alívio, por poder respirar ou até cagar em paz (pardon my french) porém, por outro lado, quando acaba esse tempo, parece que preciso de passar por um novo parto para me aperceber da minha não nova (apesar de parecer) realidade. 

"Só estou bem onde não estou" é um facto e também é um facto ter sido abençoada com uma criança que partilha muitas das qualidades de sua mãe e, por isso, ser fenomenal. No entanto, seria engraçado ganhar aqui uma skill qualquer que me permitisse ser mais robot e ligar o interruptor da maternidade facilmente (o desligar nem é muito complicado). 

Oiço mães (tenho feito algumas amigas, uau, parece que há quem até simpatize com este ser) que chegam a conclusões mais fáceis que são: "eu preciso mesmo de tempo para mim, não há nada a fazer!". Começo a pensar que talvez seja uma dessas pessoas, mas e então? O jantar não se faz sozinho, o canal de youtube da Irene também não se faz sozinho (estou a ser seriamente violentada para o criar) e aqui a Xena tem de ser pau para toda a obra, ainda que não haja nada com esse aspecto fálico (para já) cá em casa. 

A menina está cansada, grata, mas também ainda à procura do equilíbrio. Creio que o atingirei quando morrer, já que é aí que a linha vital se transforma aborrecidamente horizontal. 

Mais alguém nesta bipolaridade? Espero que sim por um lado. Por outro, sendo honesta, também. 



9 comentários:

  1. O que ? Joana nao percebi nada .. que raio de texto !

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  2. Posso dar uma opinião, que apenas é a minha opinião e nada mais? Eu acho que esse desiquilibrio que sente é porque no fundo não está feliz...falta- lhe sempre alguma coisa! Dedicou-se muito à sua filha estes anos todos sem um companheiro do lado para dar sentido a tudo...e agora está com necessidade de descomprimir...a bolha rebentou! Mas a Joana ainda é a mesma super mulher de sempre e a super mãe que me chamou a atenção para seguir este blog,só precisa de se encontrar novamente... mas com alguém do seu lado para partilhar esse caminho consigo.Está a sentir falta de ter um companheiro que lhe dê estabilidade e que a acompanhe nesta jornada da vida! Espero que já o tenha encontrado e que o que está a viver dê certo.Somos animais e precisamos de alguém do nosso lado,é inevitável! Entregou-se muito aos outros ,agora precisa receber.Acho que essa sua instabilidade dos ultimos tempos vem daí...chegou a hora de tb receber! Beijinhos e tudo a correr bem.Ass: Susana

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  3. Canal de youtube da Irene? Não sei quem é que te está a incentivar mas pensa bem. A Irene é muito pequena.

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  4. Ser mae nao e fácil, se é algo maravilhoso? Claro que sim....mas acabamos por sofrer uma reviravolta na nossa vida que nunca mais vai mudar. Se antes tinhamos tempo de sobra para tudo sem nos preocuparmos com nada nem ninguen,hoje em dia temos sempre alguem dependente de nós e em quem temos de pensar antes de tudo o resto.

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  5. Culpa no máximo estes dias. Trabalhar e cuidar deles ao mesmo tempo não dá. Nem trabalho nem sou mãe. Era para colocar o mais velho na creche no início desta semana mas a creche fechou por casos de covid. Dodged the bullet, desta vez. Mas as balas ainda aí vão andar muito tempo... :(

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  6. Esse "cheiro" a confinamento que sentes ao chegar o fim-de-semana é-me tão familiar... sinto o mesmo.
    Por muito estranho que pareça, estou a preferir a semana (mesmo trabalhando e voltando a ter rotinas, o que, normalmente, odeio) do que o fim-de-semana.
    Parece que sinto uma certa obrigação de ficar em casa durante o fim-de-semana para compensar...

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  7. Olá,passei aqui para deixar o novo link do meu blog, pois apaguei o outro, e se quiseres seguir outra vez o link é este:
    https://oblogdapimenta.blogspot.com/

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  8. Esta tendência da Joana em problematizar, analisar, justificar e explicar tudo, só complicam a sua existência.
    Muitos aspectos da nossa vida, muitas das nossa acções resultam pura e simplesmente de intuição, momento, circunstâncias e bom senso. E siga. Não é necessário ficar a "filosofar", a ruminar sobre isso. Vive mais e complica menos, mulher!

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