7.02.2018

Somos todas mulheres reais.

Tenho gostado de ver uma certa manifestação nos blogues e nas redes sociais, com o tal chavão das mulheres reais. Não queria estragar essa onda de aceitação (que é mesmo boa e necessária), mas pus-me a pensar que também pode ser injusto ou preconceituoso achar-se que as mulheres reais são (só) as que se apresentam "como são", com os corpos que têm/ conseguem ter naquele momento e normalmente são as mesmas (somos as mesmas, que eu também me incluo nessa questão, quem nunca?), que a certa altura acharam que estavam gordas. Somos muito auto-críticas, sim, e temos como referência de beleza pessoas magras e/ou fit. Mas as pessoas magras e/ou fit também são mulheres reais. Umas são mulheres que devem tudo à genética e outras são pessoas que se esforçam diariamente para alcançar o corpo que idealizaram. Todas somos reais, com mais ou menos ginásio, com mais ou menos massagens, com mais ou menos bolas de berlim.

Ponto assente, acho sim que quem é figura pública ou influenciador pode (mas "não tem de") canalizar esforços para mostrar-se "real", e não estou só a falar do aspecto físico. Só que depois deve ser difícil esquecer os programas de edição que já põem os dentes brancos, que alteram o tom de pele, que tornam os rostos mais finos e todos os filtros de instagram. Todos queremos estar (mais) "bonitos", o que quer que isso signifique.

Gosto muito, no entanto, quando há uma espécie de manifestos, como aquele da Alicia Keys em andar sem maquilhagem durante uns tempos (nem sei se ainda o faz). Já lá vai o tempo em que se endeusavam as estrelas. Ainda endeusamos, claro, mas já percebemos que são pessoas como nós. Já percebemos que ninguém está sempre lindo e perfeito e feliz a toda a hora. E já percebemos que as aparências iludem. Que é normal ter-se celulite e estrias e mamas descaídas, apesar de não gostarmos e de nem sempre nos sentirmos bem com isso.

Eu nem sempre gostei do meu corpo. Aliás, não posso afirmar que gosto. Não me beijo todos os dias e digo o quão linda sou (se calhar devia, faz milagres, dizem). Mas se há coisa boa que a idade ou as filhas ou tudo junto, nem sei, me trouxe, foi uma espécie de paz com o que sou hoje. E isso inclui o meu corpo. É o corpo que posso e consigo ter neste momento. E ele incluí uma pele com marcas de acne que já tentei disfarçar com inúmeros tratamentos, já algumas rugas de expressão, estrias e celulite, uns joelhos com gordurinha (que durante muito tempo me impediu de vestir calções ou saias mais curtas), um rabo flácido, braços que abanam por todo o lado a dizer "adeus", mamas que mirraram e que são dois saquinhos de chá e que já nem chegam a encher de leite (acho que estamos em processo de desmame) e uma barriguinha. No entanto, acho que nunca estive tão magra, dizem-me. Como vêem, somos sempre exigentes. E é essa consciência de que somos muito mais do que o corpo e que não temos de ser todas iguais, que somos as nossas histórias, o que dizemos e fazemos de bom, que nos vai trazendo uma espécie aceitação que nos alivia da pressão. Saber que quanto mais confiantes estivermos da pessoa que somos, dos valores que transmitimos aos nossos filhos, quanto mais gostarmos de nós, mais bonitas vamos ser.

Não quero parecer um Gustavo Santos e fazer aqui um texto de auto-ajuda, sei bem o quão bem nos sabe estarmos em forma ou com menos uns kgs ou com um rabo mais empinado, mas caraças, a elegância vai muito para além de tudo isso... Já não somos miúdas para andarmos todas à procura de uma perfeição que já sabemos ser impossível alcançar. Que nos cuidemos o mais possível, sim, que pratiquemos desporto, sim, que façamos aquele tratamento que queremos fazer, que ponhamos mamas se já não nos reconhecemos, sim, tudo escolhas válidas, nada contra. Mas que não tenhamos vergonha do que somos hoje. Somos mais do que o nosso espelho nos mostra, do que foi convencionado e definido. Somos mulheres, temos uma força enorme, enfrentamos o período todos os meses, temos (muitas!) responsabilidades, movemos mundos, temos buço e pêlos nas axilas por tirar (porque lá está, alguém se lembrou que tinha de ser assim) e algumas de nós tivemos putos a saírem-nos pelo pipi, outras foram cortadas, levamos com furacões de hormonas e ainda levamos com opiniões de todos e de mais alguns... há dúvidas de que somos poderosas?! 
Somos todas mulheres reais.










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Vocês teriam feito o mesmo?

Fui com a Irene ao último dia do Rock in Rio. Tinha credencial e, para ela, tinha bilhete. Como já trabalho Rock in Rio há muitos anos, sei quais são as portas para cada tipo de bilhete e achei mais fácil passar com a minha credencial no sítio dos bilhetes do que passar o bilhete da Irene pelo sítio das credenciais. 


Quando lá cheguei, o segurança disse-me que - por motivos de segurança, claro - a Irene teria de entrar por aquela porta e eu depois iria dar a volta para entrar "por baixo". "Não se preocupe, minha senhora, nós ficamos com ela!". 


Foi simpático. Percebi que o senhor estava só a cumprir indicações e que, realmente, talvez para a maior parte das pessoas, não vejam o quão não faz sentido deixar uma miúda de quatro anos com pessoas que ela não conhece para que a mãe contorne o Parque da Bela Vista para entrar com o cartãozinho pelo outro lado e depois atravesse o parque todo novamente para ir ter com ela. 

Também não deve ter ouvido a Irene a dizer "vamos separar-nos?". 

Isto não tem que ver com ele e bem sei que a situação até poderia não estar prevista, mas não podia ser. Nem tinha como explicar à Irene porque é que tinha de ser assim, nem conseguia deixá-la ali descansada (não por falta de confiança). 

Felizmente insisti, lá tiveram de chamar o supervisor e depois de mais uns minutos de conversa,  deixou-me entrar com a Irene. 

É raro, nestas situações, eu fincar pé. Costumo ficar tão nervosa que aceito geralmente tudo o que me é dito, mas nem consegui visualizar que tal pudesse acontecer. 

Vocês teriam feito o mesmo? 

Ainda bem que o senhor se baixou porque o fato tão coladinho iria fazer com que ninguém olhasse para a Irene... na fotografia ... 



7.01.2018

A culpa é nossa...

... mas vocês percebem, certo? 

Quando  Joana e eu criámos este blog há uns anos (sei lá, tipo três?) com mais uma amiga que entretanto voou para outros paradeiros (tipo Arábia ou lá o que é, imaginem só) nunca imaginámos que chegasse tão longe.  Estava a referir-me ao blog e não à Marta. Bom, na verdade, aos dois, até. 

Já fizemos mais de 2600 posts e nem sempre é fácil. A verdade é que gostamos mais de ter o blog e de falar convosco do que não ter. Senão, mesmo nas semanas em que não são atropeladas por uns 3 ou 4 posts publicitários (filhinhas, a aqui a bicha não é que precise de comer muito - antes pelo contrário - mas há contas para pagar e, além disso, são sempre marcas nas quais confiemos e que consumamos), não escreveríamos e andaríamos aqui só à mama, eheh. 

Gostamos mesmo disto. Até criámos recentemente um grupo para vocês (e nós) falarmos do que nos apetecer. Um sítio em que todas nós - temos algo em comum, em princípio - falarmos do que quisermos, que é este. Carreguem aqui onde aparecem as letras com outra cor. Vá. 

Mas, a verdade, é que nos temos andado a borrifar para o instagram. Não é borrifar, borrifar, porque sempre atirávamos para lá uns postas de pescada a dizer que tinha saído um post, mas... não cuidávamos dele. Vá, como já sendo um caderninho a meio do ano de aulas. No início tudo lindinho e com cores e passado a limpo e, depois, lá para o meio, até suásticas já tinha só para ver se conseguíamos fazer aquilo direito nas aulas de história - ok, se calhar fui só eu. 

Na semana passada, fiz algumas perguntas, querendo saber a vossa opinião e consumos do blog e tal veio evidenciar ainda mais a nossa borreguice no instagram. Temos mesmo de vos dar mais, garotas. É muita conta já, mas vamos conseguir. Temos as nossas pessoais, mas queremos também mimar-vos na do blog. 

Então, como reparámos que muitas de vocês gosta de nos acompanhar nos pessoais para saber mais da nossa "vida real", é isso que vamos tentar fazer no instagram d'a Mãe é que sabe. Isso implica que as fotografias sejam menos cocós (a Joana Paixão Brás já ligou o pacemaker) e que haja dias em que publiquemos mais e outros em que publiquemos menos. Vão nos fazendo visitas por lá? Senão é só parvo e, para isso, prefiro só continuar a tirar fotografias às minhas panquecas de alfarroba que parecem ter sido vomitadas por um cavalo de manhã para a minha conta. 

Fica o convite para nos visitarem, então, no Instagram d'a Mãe, que é este: www.instagram.com/amaeequesabe.pt 

Fiquem já com um mini resumo da semana passada (para lerem as legendas vão lá):