9.28.2016

Ficou fechada no carro.

Já aconteceu há cinco meses mas só agora ganhei coragem para falar sobre isto. Andava a esquivar-me a reviver toda aquela situação de impotência e de culpa. Acabou tudo bem e aprendi com os erros. Fica o alerta.

A Isabel demora sempre imenso tempo, quando a vou buscar à escola, até ficar sentadinha no carro e podermos vir para casa. Corre a escola toda, depois quer ir ao escorrega ou andar de triciclo, quer ir apanhar pedrinhas, correr, voltar a apanhar pedrinhas, correr, saltar e, só depois, subir para o carro sozinha, sentar-se sozinha... demora uma eternidade e normalmente ainda faz uma birrinha qualquer pelo meio. Depois de muita paciência e de respirar 20 vezes fundo, pus a mala dela ao lado da cadeira, apertei-a com os cintos, fechei a porta e ouvi o som do alarme do carro e as portas a trancar. Vou com as mãos aos bolsos e nada de chave. A chave do carro tinha ficado dentro do carro. Tentei abrir cada uma das portas e nada. Caiu-me tudo. Apeteceu-me desabar. Mas pensei: "a tua filha não te pode ver enervada. Pensa, resolve." Telemóvel dentro do carro. Chaves dentro do carro - porque as pousei ao lado da mala da Isabel para a prender - mas ela não as consegue alcançar. Estava a chegar um senhor numa carrinha com uma criança e pedi-lhe, trémula, para ficar a dar um olhinho no carro enquanto iria à escola para fazer uma chamada. Pensei: não está calor, a minha mãe deve estar em Santarém, vai num instante a casa buscar a chave suplente. Mas qual é o número dela? Tinha de ligar ao David. O meu cérebro a funcionar a mil, mas uma vontade de chorar enorme. Olhei para pedras grandes: se tiver de ser, parto já um vidro. O senhor emprestou-me o telemóvel, liguei ao David: "liga já a minha mãe e pede-lhe para me trazer a chave do carro à escola, já! A Isabelinha está presa no carro. Onde está a chave? Algures em casa." Mas eu não conseguia ficar parada. E se ele não consegue falar já com ela? Entretanto chegou a mãe da Beatriz, que prontamente se ofereceu para ajudar. Eu só engolia em seco, sentia-me a estrangular a pensar na falta de ar da Isabel, nem consigo descrever bem a sensação. "Só se for a casa, demoro 15 minutos no máximo, pode ser que tenha uma janelinha aberta, entro, trago a chave. Ou se a minha mãe entretanto estiver a caminho, ela abre a porta. Não sei! Às tantas os bombeiros demoram mais..." Pedi à Madalena, educadora, que ficasse com a Isabel na rua. E que partisse o vidro se a Isabel desse mostras de falta de ar, se começasse a chorar, o que fosse, sem hesitar! A educadora ficou com livros de histórias do lado de fora a entreter a Isabel. A mãe da Beatriz meteu conversa comigo na viagem, acho que para ver se eu desanuviava e se me acalmava e emprestou-me o telemóvel. Foi incansável. Chegámos a casa, a minha mãe já lá estava, deu-me a chave e voltámos à escola o mais rápido possível. Quando abri o carro, vi a Isabelinha já bastante transpirada na zona da testa e com as faces rosadas. Nunca chorou. Fomos à escola para que bebesse água. Só me apetecia esmifrá-la com beijos, pedir-lhe desculpa, chorar, chorar e chorar. Contive-me, mas foi das piores experiências da minha vida. Fomos para casa a falar do que tinha acontecido, das histórias que a educadora lhe tinha contado. Acho que ela achou aquilo tudo muito estranho, mas nunca percebeu bem que tinha estado em apuros: a inocência deles comove-me sempre.

A partir desse dia, ponho sempre as chaves ao peito, com uma fita. Já percebi que não se pode confiar nestes sistemas eléctricos, que se passam completamente dos carretos. Pelos vistos, um carro pode trancar-se assim, sem mais nem menos. E partir completamente o coração de uma mãe ao meio, ainda por cima super grávida... Nessa noite chorei tudo o que não tinha chorado durante o dia, abracei-a e fiquei a ouvi-la respirar enquanto dormia. A minha filha, o meu amor maior.



Um enorme obrigada à Joana, mãe da Beatriz, à Madalena e ao senhor que me emprestou o telemóvel. <3

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9.27.2016

A mãe é polícia?

- A mãe é polícia? 

- Não, Necas. 

- O que faz a mãe?

- A mãe trabalha na rádio, diz aquilo que um dia tu disseste "Agora, na Mega Hits, Necas Pombares", lembras-te?

- Sim. O pai, mãe? O que faz o pai? 

- É escritor.

- É esquitor.

- Escritor, Necas.

- Escritor. A mãe trabalha na rádio e o pai é esquitor. 

- Pois é.

- O que faz na rádio?

- A mãe faz os anúncios (como no ipad) e também fala a dizer o que o disseste no outro dia ao microfone. A mãe escreve os anúncios e diz o nome das músicas "agora Richie Campbell na Mega Hits". 

- Richie Campbell.

*começa a dar Virgul na rádio.

- Virgul, mãe! 

- Pois é, Necas. 

- O pai é esquitor, a mãe faz rádio.

- Isso. 

- Olha, uma ponte, mãe!

- É um túnel, filha.

- Não, é uma ponte grande.

- Pode ser.
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Isto é um privilégio.

Num mundo em que cada vez temos menos tempo para estar com quem verdadeiramente nos faz feliz, tudo aquilo que nos poupe minutos é mágico. É o caso das compras online. Ninguém me tira o prazer de, pontualmente, "ir às compras". Até com a Irene nos divertimos imenso. Porém, desde que ela nasceu que cada vez mais optamos pelas compras online. É  um privilégio poder em 10 minutos resolver o que seriam 2 ou 3 horas mais acartar sacos. As compras vem ter  não à porta de casa, mas à cozinha. 

Existe uma taxa de entrega, mas contas feitas, compensa. Até porque temos de pensar na  gasolina que gastamos (e o tempo, caramba!). 

Quero convidar-vos a conhecerem a minha casa (ainda não conheciam), a ver-me a mim e à Irene a convivermos uma com a outra (só têm acompanhado fotografias e mais da miúda que eu cá gosto de aparecer mas é mais na tv) e a "ouvirem" a história das bananas que a Irene ainda não parou de falar desde que fizemos o vídeo. 


               


Já repararam que podem aproveitar aqueles 5 minutos no trabalho que, em vez de estarem a ver vídeos de gatinhos ou de malas que temos de poupar 10 anos para comprar, podem estar a despachar as compras e tê-las em casa sem esforço nenhum?

Isto é um privilégio e mágico. 

Gostaram da história das bananas?


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