1.26.2015

Quando ela for grande...

Rir. 

Queremos (sim, porque não me fecundei sozinha) que a nossa filha, além de se rir e muito, saiba fazer rir. 

Tanto o pai como eu achamos que ter sentido de humor é uma das características mais importantes também por aglomerar tantas outras que são imprescindíveis. 

Queremos que ela seja a maior. 

Não a maior no sentido do porte do pai, claro. 

Quer dizer, se quiser ser balofa e andar a mamar comprimidos para o colestrol todas as segundas, quartas e sextas, também pode, mas vou avisá-la de que o Visacor está caro. 

O pai acha que é muito importante que ela aprenda a partilhar, que é um dos valores mais importantes. 

A mãe (eu) não se pronuncia em relação a isso porque é bastante fuça em tudo o que faz, fez a faculdade sem emprestar apontamentos a ninguém. 

Eu quero que ela seja capaz de sonhar (tal como o pai é), que tenha vontade de tentar concretizar coisas que pareçam difíceis e que seja uma mulher segura de si (porque tudo o resto que vem com isso é só bom, não tem é muitas amigas mulheres se assim for, mas não faz mal). 

Quero que ela não use decotes e que, mais importante que tudo o resto, não fume Águia, que esse tabaco fica mal a qualquer um, não dá estilo como os outros. 

Espero que nunca chegue atrasada a lado algum, porque não há traseiro para esses manfias. Ah! E que nunca diga que escreve "voçes" assim por "estar na net".

O resto eu depois falo com ela que já me estou a enervar. 

Aposto que a outra Joana quer que a Isabel vista fofos até aos 18 anos...

Afinal havia outra (#03) - Para as Marias, com humor

Quando, às 14 semanas de gravidez, o médico anunciou que vinha aí uma menina, o pai ficou desapontado. Para ele, só podia ser menino – o menino que ia levar todos os domingos desta vida ao estádio da Luz. Mas não, era menina. E então substituiu o trauma por uma teoria interessantíssima acerca de um ser com apenas 14 semanas de gestação: “E se ela fizesse stand-up? E se ela fosse mesmo boa a fazer stand-up? Era do caraças!” – sendo que o pai delas nunca diz caraças, diz a outra palavra…
Nessa altura, eu estava preocupada com outras coisas. Era a primeira filha e o meu espírito estava constantemente a ser assaltado por dúvidas avulso: Será que estou a comer o que é suposto para ela crescer bem? Será que vai ser saudável? Vai nascer de parto natural ou cesariana? Pensava também, e desculpem-me a futilidade, se iria ser bonita. Não sei porquê, mas tinha medo que a miúda viesse feia. E se calhar veio, mas para mim - que sou mãe dela - é gira que se farta!
Mas para o pai o importante era ter sentido de humor. E - vá-se lá saber se ele fez alguma promessa à Nossa Senhora das Piadas ou o raio – a miúda tem mesmo sentido de humor. É uma característica dela, muito vincada e que ela vai aperfeiçoando da mesma forma que aperfeiçoa a forma de desenhar ou de falar – agora anda feliz porque já diz “prato” em vez de “pato”. Na verdade diz “perato”, mas ninguém tem coragem de corrigir.
E a mais nova não é diferente. É muito trapalhona a falar mas é muito expressiva, muito física e gozona – portanto, esta coisa do humor só pode estar em grande no código genético delas.
A relação do pai com elas também inclui as rotinas dos banhos, das refeições, do deitar e do “ralhar”, quando é preciso – não há cá polícia bom e polícia mau! Mas é, sobretudo, uma relação de brincadeira e de conversas parvas. Tenho não um, mas três palhacinhos em casa – e não duas, mas três crianças. Às vezes isto é uma canseira desgraçada, mas a maior parte do tempo é muito fixe e divertido.
Um dia ele lembrou-se de gravar uma dessas brincadeiras e assim nasceu o primeiro vídeo das Marias, este:

Seguiram-se outros e em todos vemos o pai a provocá-las, a Maria Rita a reagir e a Maria Inês a borrifar-se para tudo – tal como na “vida real”.
 



O pai diz na brincadeira que os vídeos vão servir para as envergonhar perante os namorados. E diz a sério que os faz para que elas possam lembrar-se dele, da infância e das brincadeiras deles. E isto derrete-me o coração.
São criticados por uns e elogiados com carinho por outros. Aliás, foi assim que percebemos que têm mais de bom do que de mau. Há pais que repetem estas brincadeiras com os filhos em casa e depois contam-nos como correu. Outros dizem que elas mais tarde vão vingar-se – como a médica que, na sexta-feira, viu a Maria Inês na urgência e esperou pelo fim da consulta para dizer “Então, Maria, as tuas melhoras e vê lá se começas a engendrar um plano com a mana para tramar o papá!”
Para mim, são pequenos quadradinhos de BD que ilustram a vida cá por casa – lugar onde tentamos, todos os dias, não levar a vida demasiado a sério.
 Catarina Raminhos, mãe da Maria Rita e da Maria Inês


Olhá magra!

Quando vejo uma recém-mamã magra com um bebé de meses ao colo, começo logo a perguntar-me se não será a irmã mais velha ou uma babysitter. Como é possível tanta força de vontade?
Sim, sim, esta sou eu, nem percebo a dúvida...
Aquela história de perder peso estando a amamentar comigo não colou. Primeiro, porque no primeiro mês só sentia fome e fazia lanchinhos a tudo o que era hora. E bolachinhas durante a noite. E torradinhas. E tostas. No terceiro mês, já estava a recuperar o peso quase todo que tinha perdido na maternidade.
A sério que vocês, magras, não tinham vontade de devorar tudo o que apanhassem pela frente? Mas quê, estavam tão exaustas que adormeciam a comer, era isso?

Começar a trabalhar afastou-me da minha filhota, mas, graças a Deus, também me afastou da despensa (não tenho despensa, mas tenho comida). Afastou-me também da comidinha que a minha avó fazia, do arroz doce e dos chocolates. Sim, eu comia chocolate a amamentar porque fiz o teste e a filha não tinha mais cólicas à conta disso (dei-me ao trabalho de testar isto, já estão a ver o quão gulosa sou). Deu-me horários (que para perder peso é fundamental) e voltei a ter regras. A levar lanchinhos saudáveis (como cenouras, queijo Vaca que Ri light, nozes, goji e alpista, como lhe chamava) para ir picando entre refeições e nunca me dar fome ao ponto de querer devorar um hambúrguer com batatas fritas. E cogumelos. E molho para o pão. E... tenho de parar com isto!!!

Inscrevi-me na ginástica pós-parto e lá me disseram que era normal ganhar peso nestes meses em casa. Ufa, não estava sozinha. O facto de me agarrar aos pacotes de bolacha confortou-me mas não me ajudou nadinha no que à perda do peso diz respeito.
Só lá para o sexto mês é comecei a levar isto a sério. Queria perder os quilos que faltavam e, já agora, mais uns quantos e perder alguma massa gorda e a gordura visceral (que é perigosa!). E, mais importante de tudo, tentar ter uma boa alimentação porque quero conseguir dar o exemplo à minha filha. Como lhe incuto um estilo de vida saudável se lhe peço para fazer o que eu digo e não para fazer o que eu faço?

Nutricionista comigo, plano feito e, claro, nada de loucuras de fechar a boca porque queria continuar a amamentar. E porque não acredito em dietas parvas. Ganha-se o peso que se perdeu todo num instantinho e ainda mais algum. Falo com conhecimento de causa e até tenho vergonha de explicar por que é que até hoje não consigo comer maçãs... Vá, eu conto: já fiz - o mais grave é que foi já na idade adulta - a dieta das maçãs em que só podia comer, isso... maçãs. Vá, já tenho as orelhas quentes, parem lá de me chamar parva.

O meu plano desta vez era perder dois kgs por mês, nos dois primeiros meses, e depois um por mês, até chegar ao peso pretendido. Assim foi. Juro: não custou nada. Desde que comam (o truque é não passar fome), é possível! Têm é de comer coisas saudáveis e tentar ir cortando nalgumas coisas. Por exemplo, no meu plano, ao jantar, começava por um grande prato de sopa. Peixe ou carne grelhada com salada. Nada de hidratos de carbono à noite. Não é difícil, garanto! É tudo uma questão de hábito.

Agora, há nutricionistas que se opõem ao "estrago da semana". A minha não e fiz os tais estragos porque para mim era importante comer um docinho uma vez por semana e nada disso afectou a perda de peso. 

Claro que ainda há muito a fazer: desporto. Fundamental. Mas calma, magras, não me peçam tudo, isto tem de ir devagarinho. Pus-me a fazer o Treino Focus T25 em frente à Tv, adorei e aconselho, mas não tenho a força e a determinação para o exercício físico como tenho para fechar a boca.
Mas vou ter. Ai vou, vou. Que este corpo feito de gelatina vai ficar uma rocha. Ou não me chamo Joana Paixão Brás.

Ajuda, ajuda, ajuda. Digam-me que me vou viciar, que vou adorar, porque quando estou a mexer este corpinho só me apetece chorar.
(E o mais triste é que fiz desporto a vidinha toda até ter começado a faculdade. Como se uma coisa impedisse a outra... Burra!)

*Imagens do We Heart It