8.19.2018

É proibido dizer isto a uma grávida.


Vá, se temos acesso a vocês todas que nos lêem todos os dias, toca lá a tentar mudar o mundo post a post para ver se todas nós vamos tendo uma oportunidade mais sincera de sanidade mental pré parto, durante parto e pós parto. 

Amanhã já me passa e falo-vos de uma série que ando a papar há uns meses e que me estou a passar com o fim. Alison, como assim? Não, não!

Bom, sigamos. Tenho de fazer uma viagem no tempo para há 4 anos para me lembrar de coisinhas que me tenham dito com aquela simpatia "tuga" ou "familiar" do costume e que me tenham enervado. Não será muito difícil, vamos a isto? Podem completar!

Pronto, dizem que o interior é que conta,
conheçam-me também por dentro com a primeira eco oficial da Irene. 
Entretanto já não vou a esta clínica ;)


- "Já estás com o pano... deve ser rapariga." 

Há muitas alterações nos nossos corpos quando estamos a alojar uma pessoa dentro de nós. Uma delas - que também me aconteceu - é ficar com a cara toda escarafunchada como se tivesse posto em prática aquele meu sonho recorrente de me chafurdar num fondue de chocolate. Além de estarmos em 2018 e de já termos tido tempo para verificar as excepções aos mitos e, por isso, deixarmos de acreditar neles... nunca será simpático apontar transformações desagradáveis que a pessoa esteja a "sofrer" (viram aqui a palavra? é SOFRER!). Se há quem saiba que está com a cara toca carcomida é ... a pessoa! E não ajuda pensar que é por ser rapariga. Ou, aliás, não ajuda saber que a pessoa que nos disse isso acha, em 2000 e tal que as raparigas "roubam a beleza às mães". A sério? Vá, venham lá daí estudos sobre hormonas que diz que o estrogénio não sei quê e eu calo-me (um bocadinho). 

- "Dorme agora porque depois..."

Esta é a parte em que não é mito, mas prática comum. Ter bebés que durmam a noite toda desde sempre é algo que - segundo ouvi dizer - só acontece a quem, numa vida passada, tenha engravidado de um carapau. Nem todos tivemos essa sorte, vamos ter de lidar com a nossa (há a Constança do Centro do Bebé que poderá ajudar, cuidado a quem pedem ajuda, malta) e desejar que façamos amor suculento com um carapau nesta vida para que, na próxima, não tenhamos que optar entre amor próprio e a sobrevivência dos nossos filhos. Seja como for, a não ser que seja, então, para nos apresentarem a um peixinho com um bom traseiro, as referências ao sono - que só dão mais medo e pressão - podem passar a ser feitas para dentro de um tupperware (pode ser dos de marca branca que vai dar ao mesmo, vá). 

Realmente já fui mesmo muito magra, olhem aqui!
Acho que tenho vindo a ganhar peso desde que nasci... que esquisito! 


- "Quantos kgs já ganhaste?"

Ah, 'tá. A sério que nem enquanto estamos a desempenhar o trabalho mais importante da humanidade - assegurar a sua continuidade (já vi a Handmaids' Tale, já) - não há quem nos deixe em paz e queira falar-nos do facto de estarmos menos agradáveis visualmente para as referências exigentes e dificilmente atingíveis na sociedade actual, mesmo quando não estamos numa contagem decrescente para o parimento. 

- "Já tens tudo pronto? "

Porquê? Estás preocupada? Ah, eu vou ter um filho, mas ainda bem que me lembraste porque às vezes esqueço-me disto que se está a passar na minha vida. Se não fosses tu, o miúdo ia nascer e nem daria por ela. Deixo só aqui à vossa consideração se precisamos mesmo de tudo aquilo que compramos (também podemos pedir emprestado) e se não poderemos simplificar. Simplificar desde o início deve ajudar-nos depois em tudo (não foi o que fiz, enchi-me de tretas, claro - quanto maior a insegurança...). 


É a Isabel e a Irene, ambas com um mês de vida :) 

- "Tens medo do parto?"

Claro que não! Qualquer mulher que passe por isso uma primeira vez (ou até segunda, imagino), o que mais quer é que lhe tirem uma melão de Guadalupe ali por baixo. Ainda para mais depois de descrições como esta... não estou a ajudar! Se contribuir positivamente, a Joana Paixão Brás, no primeiro parto, acho que se pariu toda a rir (drogas naturais dela). E eu não estava lá, como assim? 

- "Vai nascer em Março? Ui!"

Há gente estúpida nascida em todos os meses do ano. Gente estúpida, teimosa, zangada triste, mal encarada, que cospe no chão, que estaciona em segunda fila (lálálá), que cola pastilhas por baixo das secretárias, que grita com pessoas do telemarketing... Isso, apareçam do nada e digam-nos que vamos criar Satanás. Além de ser bastante útil é também bastante preciso. Obrigada. 

Foi um post muito parecido com este com o qual inauguramos este blog, vejam aqui: "Como ser violentado por uma grávida."



8.17.2018

Queremos sempre o que não temos...

Todas nós temos sorte à sua maneira. No meu caso, tenho imensa. Posso estar a dar-me ao luxo de escrever este post com o traseiro alampado ao colchão da palhota alugada na praia de Manta Rota. Isto enquanto o meu irmão Pedro vai dizendo que é o Flecha dos Incríveis à medida que vai espalhando protector. A minha mae e o meu padrasto brincam muito com a Irene na praia, mas a paixão que a miúda e o Pedro têm um pelo outro, enche-me o coração. O Pedro tem 10 anos de de diferença de mim, é como se tivesse sido o meu primeiro filho, só que sem as chatices. Amanhã faz uma semana que cá estamos e apesar de ter coisas muito boas, tenho saudades de muitas outras. Gosto muito da rotina, da minha cozinha, de poder escolher a minha roupa da minha roupa toda. Das minhas plantas... E de menos pessoas. Estamos habituadas a sermos duas. Apesar de as vezes me dar descanso, não estou habituada a tanto movimento. Só queremos o que não temos. Ontem até me pus a desenhar. Apercebi-me que preciso de ter mais sonhos. E vocês?

8.16.2018

Chegou ao fim.. com a maior das ternuras!

Tenho sempre um bocado de medo de falar de desmame e de vos condicionar ou precipitar a fazê-lo também. De se regerem por mim em vez de escutarem o vosso coração, os vossos timings e os timings dos vossos filhos.
Esta foi a nossa história. Uma história que chegou ao fim da forma mais tranquila e delicada que só me deixa saudades e nada de amargo.
Amamentar a Luísa foi mágico. Foi um processo muito especial, um triunfo quando a minha primeira experiência tinha tido muitos altos e baixos, muitas lágrimas e muitas dificuldades. Não que agora não as tenha tido, mas foi tudo muito mais calmo, muito mais namorado, muito menos stressante.


A Luísa mamou em livre demanda e em exclusivo até aos 6 meses e 4 dias; continuou a mamar sempre que pedia até ao ano e meio; quando entrou na creche, passou a mamar só quando estava comigo; com quase dois anos, fiz o desmame noturno; com dois anos e dois meses
mamou pela última vez, de manhã (já só mamava de manhã). Vou lembrar-me bem desse momento, gravei-o na memória. Conversei com ela depois. Acabou por ser a nossa despedida, antes de ir 4 dias de férias com o pai. Quando eu cheguei, não pediu na manhã seguinte, nem na outra, nem na outra. Num dia, viu-me nua e lembrou-se: "maminhas!" gritou, rindo-se de seguida. Eu disse-lhe a rir-me e bem disposta "já não tem leitinho!" e ela deu-me um beijinho. Comecei a fazer-lhe cócegas e a desviar a atenção. Passou. Ontem viu-me outra vez, lembrou-se e disse "não tem!" e seguiu a vida dela. Resolvida, alegre, tranquila. E eu fiquei muito agradecida por este processo ter sido tão pacífico. Comovida. A minha bebé cresceu. E esta nossa história acabou. Vieram e virão muitas outras.