4.30.2016

Agora sou mãe?

Não sei porque é que às vezes me sinto mal por sentir isto se, ao mesmo tempo, sinto que deve ser normal. 

Às vezes, quando a contemplo (especialmente quando está a mamar e está tudo mais calmo), a minha cabeça parece que apaga os dois últimos anos e deixa de fazer ponte entre a Joana antes de ser mãe e a que está ali, acabada de chegar do trabalho e a amamentar a filha. 

"Como é que isto me foi acontecer? Onde estou eu? Agora sou mãe? Está a correr bem?"

É como se fosse aquele choque de temperatura quando entramos de cabeça numa piscina, do nada. 

Todo o corpo congela, dizemos três asneiras para dentro (se abrirmos a boca, somos capazes de nos engasgar), mas depois sabe-nos muito bem e pensamos "estava com merdas para quê?". 

Dei um grande mergulho de cabeça nos últimos 3 anos. Casei-me quando nunca tinha pensado nisso, engravidei quando tinha passado os últimos anos a dizer que nunca na vida seria mãe e cá estamos a escrever um post num blogue de maternidade (não é "num" que este é do caraças). 

A Joana "antiga" está cá, sou a mesma. Acho que finalmente o pós parto está a acabar. Deixei de estar em modo de sobrevivência e de estar constantemente a pensar no que falta, no que posso melhorar, no "será que ela tem fome" e estou a voltar a mim aos poucos. Que "mim" é este, pergunto? Sou mãe da Irene e mais? A Joana antiga seria mãe de alguém? Ou é esta a Joana nova? 

Claro que não estou louca (acho que já não) e eu sou uma continuidade do que sempre fui, mas sinto mesmo que, aqui pelo meio, há um buraco, houve um vórtex. 

Lembro-me perfeitamente, porém, dos sonhos esquisitos que tive nos primeiros meses. O meu corpo e a minha cabeça a dizerem-me que agora tenho um bebé e que tenho de cuidar dele. Aceitei e desfruto, mas entrei agora numa nova fase. 

Quem é esta mulher que está adorar sentir-se outra mas, ao mesmo tempo, a mesma só que melhor? 

A Irene sujou-se toda a beber sumo. Achei melhor explicar que vocês reparam em tudo! 

Vocês também têm estes "choques de temperatura" ou no nosso próximo livro vamos ter que fazer um novo capítulo sobre o meu "fritanço"? 

Manual de boas maneiras para HOJE.

Quase que tremo de suores frios ao imaginar a FNAC do Alegro de Alfragide hoje totalmente vazia. Vazia ao ponto de conseguirmos ouvir os livros a respirar. Todos. 


Com sorte tal não vai acontecer. E, por isso, é que convidámos também o Raminhos, que sempre leva algumas pessoas, mais que não seja porque sabe dançar muito bem. 

Hoje é o dia do lançamento do nosso livro e, por isso, achamos bem (achei eu que nem falei com a outra Joana) em esclarecer aqui umas coisinhas:

- A Joana Paixão Brás é a grávida. 

- A Joana Gama é a não grávida.

- A filha da Joana Paixão Brás é a Isabel e a que está "no forno" é a Luísa.

- A minha filha chama-se Irene. 

- Têm todas de nos vir falar, sim. Nós queremos conhecer-vos. Andamos a escrever para vocês há mais de um ano e queremos conhecer quem sabe (quase) tudo da nossa vida. 

- Têm de dizer qual das duas é a vossa preferida porque estamos a fazer uma sondagem para ver qual das duas é expulsa da casa na Gala de Domingo.

- Têm de ficar mais histéricas connosco do que com o Raminhos - não queríamos mesmo que ele nos ofuscasse num dia tão importante para nós. Já lhe pedimos para ir vestido. 

- Há de lá estar uma coisa que é um livro para vocês agarrarem e para levarem convosco para casa. Têm de dar algum dinheiro aos senhores da loja, mas isso é lá entre vocês e eles. 

- Tirem fotografias connosco, queremos muito um dia olhar para trás e lembrarmo-nos que havia pessoas que gostavam de ler o que nós escrevíamos... ;)

Só me vem isto à cabeça. 


Alguma pergunta? 

Até já!


4.29.2016

Declaração de amor (com vídeo)

Há coisas que são íntimas, só nossas. Sussurros secretos que nos alimentam. 
Há outras que faço questão de gritar ao mundo. O mundo precisa de histórias de amor. Da nossa. 
Às vezes esquecemo-nos do ano em que nascemos juntos. Ainda há dias nos questionávamos se seriam seis ou sete anos. Somos péssimos com contas. Já o dia é impossível esquecer. Os dias que se seguiram. Os primeiros concertos juntos, no Porto. As viagens para a Costa naquela tua carripana bordeaux a lascar, de janela aberta. As primeiras férias, em Tarifa. O T1 tão pequeno, mas tão grande para dois apaixonados. Passar uma tarde inteira no cinema a ver filmes: uma comédia romântica manhosa para mim, outro mais para a cabecinha para ti. Os hambúrgueres que levávamos, de forma ilegal, para as salas. A tua primeira viagem de avião, em que me ias arrancando a mão. As gargalhadas. Muitas, muitas. Os projectos, os trabalhos, o orgulho um no outro. As dezenas de coisas que perdemos ou nos esquecemos em algum lado. Nunca nos esquecemos do que verdadeiramente importa. O respeito, o diálogo, o carinho. Fomos crescendo juntos. Acho que, apesar de aos 20 e picos já termos idade para ter juízo, passámos de adolescentes a adultos lado a lado. Adultos q.b. Somos parecidos - para o bem e para o mal - em muita coisa. Imaturos e desleixados nas burocracias da vida. Crescidos na alma, nos sentimentos, no amor. E foi desse amor que nasceu uma família, que continua a crescer. Renascemos juntos num dia 16. E renasceremos de novo, em breve. 




O meu maior sonho cumpre-se todos os dias. Ter-te ao meu lado. Ter-te como namorado. Ter-te como pai das minhas filhas. Tudo com que sonhei. 

Parabéns, meu amor!


E agora, porque o dia é de festa, vou substituir a pianada e a lagriminha que já caiu por aqui por isto:
Um vídeo publicado por Joana Paixão Brás (@joanapaixaobras) a