4.22.2015

Como ficar boazona?

Não sei. Mas hoje estive com quem sabe.

Cheguei ao ginásio (que nem por acaso é o Infante de Sagres, no Restelo) e dei de caras com a Carolina Patrocínio. Mentira, combinámos tudo. Eu não teria cara de pau de lhe pedir instruções assim do nada.
A Carolina teve uma paciência infindável de me explicar tudinho e de desacelerar o ritmo por causa de mim.

Mesmo assim, estive quase a falecer. Não porque o treino fosse muito exigente para o comum mortal, mas porque eu tenho a preparação física de uma velhinha de 80 anos. Acho que até a minha avó faria isto melhor do que eu.

O treino que a Carolina sugeriu para mim é aquele que ela considera fazer os corpos mais bonitos e definidos, não sendo preciso recorrer a pesos que não sejam o nosso corpo, e ainda, um treino passível de ser feito em casa, quando os babies já estão a dormir (tirando a parte da passadeira). Podem substituir, digo eu, essa parte do cardio por alguns exercícios que ponham esse coraçãozinho a bater forte (há dezenas de sugestões de treino aeróbico no Youtube).
O treino de hoje consistiu em: 
- 1 minuto na passadeira a uma velocidade considerável (fiz a 12,5) 
- 15 abdominais
- 15 agachamentos
- 15 abdominais laterais (15+15)
- prancha a contar até 15

 Nada melhor do que verem o vídeo e aprenderem com quem sabe.


 
Repetir esta série até perfazer uns 40 minutos. A Carol considera que este é o treino de eleição para "secar".

Ah! Sugeriu também um treino chamado Insanity, com o Shaun T. Conhecem? Já fiz em casa com o meu marido e ficámos completamente a destilar. Conheço quem tenha feito aquilo à séria e os resultados foram espantosos!

Bons treinos! Agora vou só ali dormir como uma pedra (hahaha, como se isso fosse possível desde que fui mãe!). Amanhã lá estarei a dar no duro às 8h00. Não há desculpas.

Vocês estão redondamente enganadas.

A verdade é que não somos tão lindas e espantosas como parecemos. Sei que vocês devem pensar que somos uns autênticos borrachos e "como é que ainda não foram a capa de uma revista qualquer?". Que somos mesmo muita lindas. Que, quando saímos à rua, temos tantos cães a quererem abraçar a nossa perna como jovens atraentes. 

O quê? Não parecemos lindas normalmente? Não?

Então por que é que estão tão chocadas que eu pareça um tornedó e a outra Joana, um biltre?

Bem haja.

Depois venham dizer que é só a Dove que mostra as mulheres reais. Estas são as mães reais (a Joana está só a fazer caretas numa cave, que acho que é onde ela trabalha). Eu tenho mesmo esta cara. Rosácea, para mim, não é o nome de uma auxiliar de educação da escola, é mesmo uma doença de pele.   




Não quero ter a barriga da Carolina Patrocínio

Não quero ter a barriga da Carolina Patrocínio, porque isso implicaria um esforço hercúleo e uma determinação que eu não tenho. E sinceramente, não preciso de tanto para me sentir bem e bonita. Mas se ficar com 1/8 do gosto dela por ter uma vida saudável, fico contente.

Escrevi há três meses este post (olhá magra!) a dizer que este corpo feito de gelatina ia ficar uma rocha. O que é que eu fiz entretanto para que isso acontecesse? Nada. 

Hoje tudo vai mudar. Mais não seja porque fui comprar uns ténis à séria. 



São de homem? São. Acontece que, pelos vistos, as lojas da especialidade não fazem (ou não encomendam) 42 para mulher. Temos pena. São confortáveis, super maleáveis e espero que se tornem os meus melhores amigos. 

Acabaram-se as desculpas. A sério.

Admiro o à-vontade da Joana Gama em dizer que a barriga dela parece as velas das igrejas a derreter (neste post maravilhoso) e admiro essa capacidade de aceitação. Acho que revela até alguma maturidade. Acho que "eu não sou a minha barriga" dava um slogan fantástico daquelas campanhas da Dove em que incluem "mulheres reais", expressão cada vez mais em voga. Mas eu não consigo ter esse poder de encaixe. Tenho 28 anos e não me contento com uma barriga a desfalecer nem com um rabo que já vai nos joelhos. Já basta as mamas terem ficado uns saquinhos de chá tamanho XXS, mas quanto a isso nada posso fazer. Poder até posso, mas é caro (hehe).

Não vou ser hipócrita e dizer que o que mais me impele a fazer exercício é a vida saudável, porque essa não é para já a motivação número um. É estúpido, mas é verdade. É a motivação número dois e um dia ainda há-de ser a um. Já notei que, depois de ter sido mãe, tenho tido mais dores de costas. Convém fortalecer os músculos e sobretudo a zona lombar. Além disso, quero voltar a sentir-me feliz a fazer exercício e deixar de praguejar e dizer que quero morrer. Quando era miúda, praticava basquetebol, natação, ginástica, danças de salão e era uma alegria enorme mexer-me. Porque é que me tornei tão sedentária e acomodada, quando fazer exercício nos traz felicidade, alivia a tensão e faz tanto por nós?

Acabaram-se as desculpas. Os meus horários às vezes são malucos, não sou muito organizada, mas se me consegui organizar para as refeições, também vou conseguir encaixar 40 minutos diários de exercício. Não sempre, mas sempre que possa. Acho que perco muito tempo da minha vida no Facebook, por exemplo. E no Instagram. E no Whatsapp. Vai-se a ver e passo lá 40 minutos diários, por isso basta redefinir prioridades.

Acabaram-se as desculpas. Se tive força de vontade para fazer uma dieta, com nutricionista, quando comer é das coisas que mais gosto de fazer, também vou ter força de vontade para fazer do exercício uma prática diária. Ou pelo menos semanal. Sempre é melhor do que agora, que é zero.

Mais não seja porque gastei dinheiro nuns ténis (estou a ser irónica, ok?). Mais não seja porque vos vim contar tudo isto, de forma a não fugir depois com o rabo à seringa. Mas faço-o principalmente por mim. 

Fica a fotografia do Antes. Daqui a três meses venho pôr a do Depois.




Agora não me venham com aquela história das obsessões e de não ter mais nada que fazer na vida, que essa não cola. Acho que, algumas vezes, a falta de tempo são desculpas esfarrapadas que arranjamos para a nossa falta de vontade. 

Bem sei que ser mãe, trabalhar, ter horários loucos, enfrentar o trânsito, apanhar transportes, ir buscar os filhos, ter de fazer jantar e almoço, arrumar tudo, tratar da roupa, tudo isso nos ocupa 90% do tempo. E dormir (o pouco que as crianças nos deixam), parecendo que não, também faz falta. Mas há casos - e acho que é o meu - em que basta ser mais organizada e perder menos tempo com futilidades. E não, fazer desporto não é uma futilidade. É, a par de uma alimentação equilibrada, a coisa mais importante que damos ao nosso corpo. E eu quero viver muitos anos. É que quero mesmo!


Começa agora esta aventura. Se sobreviver ao treino de hoje com a Carolina, venho cá logo à noite contar como foi.