4.21.2015

a Mãe dá (#18) - O livro que vai mudar o mundo.

Juro que até muda, se todas o lermos. Há muitas mães (principalmente as que já o são há muito tempo) que não são a favor dos livros. Há quem diga que muita informação confunde. Sempre será melhor alguma confusão do que uma certeza ignorante, digo eu. Mas sim, há demasiados livros a dizer coisas que não ajudam, escritos por pessoas que falam de coisas que não sabem. Pediatras que dão dicas educacionais que nada têm que ver com a sua formação. E não sei até que ponto é que o problema é de quem as dá [as dicas]. Nós é que queremos acreditar muito nalguma coisa, em algo que nos faça sentir seguras, principalmente nesta fase tão importante. Iria eu alguma vez perguntar ao meu cabeleireiro que comprimidos devo tomar para as minhas enxaquecas, só porque também está na área da "cabeça"? Temos de saber quem ouvir e, sim, neste caso, este livro vem mudar o mundo.



É o primeiro livro (de todos os que já li e, atenção, que comecei, obviamente, por ir aos mais comprados) que faz um trabalho de raiz. Que  diz que (é mais ou menos isto que a autora do livro que vamos dar diz - não me apetece ir à procura da citação :)) os bebés não são todos iguais, claro que ela venderia muitos mais livros se tivesse um título que prometesse mudanças rápidas ou que aparentasse ser um livro de instruções, mas é esse o problema. Andamos à procura de algo que não existe. Os nossos filhos não são robots. E, acima de tudo, sabem que mais? Somos mamíferas. Não, não vou abordar a questão da amamentação de maneira pouco elegante, até porque a própria autora, apesar de ser Conselheira de Aleitamento Materno pela OMS/UNICEF, não o fez. 

A Constança (depois de ler o livro, sinto que a posso tratar assim), para mim, veio reunir as principais evidências cientificas sobre os primeiros meses de vida dos bebés e fez uma óptima papa com a sua experiência de terapeuta de bebés. A Constança ajuda-nos a ser as mães que deveríamos ser antes de estarmos cheias de "tretas". Por "tretas" refiro-me a opções artificiais, teorias de quem não deveria falar do que não sabe, opiniões de outras mães bem intencionadas mas que, ao aconselharem também procuram validação... 

Se tivesse começado por ler este livro da Constança não precisaria de ler uns 5 outros (não estou a exagerar) e com um afinado sentido crítico para retirar só o que "interessa". 

A Constança fala sobre o facto dos recém nascidos chorarem tanto. Explica-nos por que é que nem sempre a dinâmica entre mãe e filho corre bem nos primeiros dias (e até nos seguintes). É um cupido da maternidade. Não que não amemos os nossos filhos, mas seria sempre melhor não haver tantos momentos de frustração (expectativas surreais e soluções contraproducentes) e de tristeza. 

Ler este livro da Constança é o sonho de qualquer mulher que esteja grávida ou que tenha sido mãe há pouco tempo (não que aí vá ter muita paciência para ler). É como se a nossa melhor amiga se tivesse tornado uma especialista em bebés, fosse filha de um pediatra e de uma doula, tivesse filhos, percebesse de amamentação e soubesse transmitir tudo isto de maneira a não julgar ninguém e a ajudar toda a gente. 

Aconselho vivamente a leitura deste livro a TODAS as mães. Mesmo aquelas que,  como eu,  já tenham passado os "primeiros meses". Este livro ajuda a enquadrar não só um segundo filho, mas também a repensar ou "resentir"  algumas das nossas atitudes enquanto mães. Ao pensarmos desde o início de forma útil e pessoal (sem automatismos apreendidos e não inatos) conseguiremos mais facilmente crescer com eles e não apenas vê-los a crescer. 

Creio que é um óptimo início a quem queira optar por um estilo educacional do género da Disciplina Positiva ou Parentalidade Positiva que agora tanto se fala e AINDA BEM.



Só para que tenham uma noção: não conheço a Constança, a editora enviou um press com livro, enviei e-mail a perguntar se me podiam dar um livro (à la Marcelo Rebelo de Sousa), enviaram e ainda hoje liguei para lá a perguntar se não podia sortear uns exemplares. Apesar do livro não ser minimamente meu, também quero ajudar a mudar o mundo.

Acima de tudo. Obrigada, Constança. Lamento não ter pago pelo livro, mas agora já está. ;) :)

Temos dois livros para oferecer! ;)

Para concorrerem, só têm de:

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Condições:
Os vencedores será anunciado quinta-feira (23 de Abril de 2015), sendo aceites inscrições até às 23h59 do dia anterior.
Os vencedores serão escolhido aleatoriamente através de random.org.
Só é válida uma participação por endereço de e-mail.



A Mãe Desbronca-se (#04) - Como lidei com início da gravidez



"Oh Madalena, o meu peito percebeu que o mar é uma gota comparado ao pranto meu eu eu eu eu eu"(imaginem uma pessoa a cantar isto muito afinadinha e com alma. Já estão a imaginar? Maria Rita? E eu? Humpf.)

A Madalena sente-se rídicula por se sentir triste. Eu sinto-me triste por ela se sentir ridícula por se sentir triste. E a Joana Gama sente-se ridícula, só. Madalena, eu só descobri que estava grávida com 6 semanas e 5 dias ou o que foi, por isso não me lembro bem dessa sensação de vazio, antes dessa data. A não ser quando tinha fome, que era quase sempre. 

Com 8 semanas comecei a cair para o lado de sono (cheguei a dar cabeçadas em frente ao pc) e a ter enjoos de ter de correr à Speedy Gonzalez um corredor infindável, que separava a minha sala de trabalho da casa de banho, para ir vomitar. Nem sempre correu bem. Por sorte, as minhas férias grandes coincidiram com duas dessas semanas e deu para dormir e dormir e dormir. E vomitar e vomitar. Foram 4 meses nisto, nem o Nausefe me safava. Acordava com um pacote de bolachas de água e sal ao lado e lá me ajudava qualquer coisinha, mas não solucionava.

Por isso, Madalena, dá graças ao senhor por não teres enjoos e aproveita a ausência de sintomas. Não tarda muito, vem o verão e, pelo que dizem (eu tive gravidez de inverno), vais sentir muito calor, pés e pernas a inchar, mais uns kilos em cima, e vais sentir-te muito grávida. Demasiado grávida. Depois vêm as idas de hora em hora à casa de banho, a flatulência, as dores nas costas, a azia e as insónias. 
Por acaso só me lembro de ter tido muito xixi e alguma falta de posição na cama, no último trimestre. E insónias, quando a miúda fazia uma festa cá dentro. 

O que te digo é: aproveita esse feijãozinho que ainda não se nota mas que tu sabes que aí está. E aproveita principalmente a luz e o brilho que só uma grávida tem. Prepara-te para os desconfortos, mas também para seres acarinhada por todos. É uma fase única das nossas vidas. Vais ver que daqui a uns tempos te vai dar o clique e vais passar a pôr a mão nessa barriguinha todos os dias e a falar com essa pessoa que aí vem. Para já ainda deves estar na fase do "e agora?", "é isto?", "oh meu deus, onde me meti?", "o que é suposto sentir?", mas não tarda muito vêm os melhores sentimentos do mundo. Os mais altruístas e abnegados e aquela coisa do amor incondicional, que começa na barriguinha. Os medos e os sustos a conviverem com uma sensação de omnipotência e amor que ultrapassa tudo.

Ai que saudades de estar grávida, Madalena! Queres ser responsável pelo aumento da natalidade, é isso?

Eu a achar que já tinha imensa barriga e não queria que se descobrisse ainda...

As tais férias em que só me lembro de dormir. Atirar um chapéu ao ar deve ter sido o único esforço físico que fiz.

13 semanas e lá estava a minha miúda

18 semanas e a achar que estava com um barrigão a rebentar pelas costuras... Hahaha



Afinal Havia Outra (#21) - Primeiro mês: manual de instruções.

Apesar de nos sentirmos mães durante a gravidez, a verdade só chega com o nascimento. Comigo foi a 11 de fevereiro. Já lá vão 2 meses e sobrevivi sem manual de instruções, como todos os pais. Ajudam as conversas com outras mães e é nessas conversas que percebo que, afinal, eles são iguais. Os nossos filhos são iguais! Afinal quase todos passam pelo mesmo. Afinal podia haver um livro de instruções para o primeiro mês. Ou estarão as mães com quem troco impressões a mentir? Não me parece e por isso decido avançar com uma espécie de "manual de instruções para o primeiro mês". O que acham? É que para quem passa por isto pela primeira vez é bom saber que é mesmo assim. Que podes fazer isto ou aquilo e até saber que pode ou não resultar mas, caramba, se são todos iguais, se passam todos pelo mesmo, então porque não alertar para este mês inaugural em que somos lançados às feras? Vou fazer a minha tentativa e digam-me se não são todos iguais. E acrescentem se me esquecer de alguma coisa.

Capítulo 1: Ai que trocaram o bebé
A felicidade de sair da maternidade esgota-se logo na primeira noite em casa. Chegamos felizes, mostramos a casa ao bebé (pelo menos eu fiz uma espécie de visita guiada) até que à noite tudo se transforma e parece que nos trocaram o bebé. "Mas lá não chorava". "Dormia tão bem". "O que se passa?" "Deve ser do berço". "Ou terá frio? Ou calor?". Etc. Não sei se é a nossa insegurança de já não ter a campainha para pedir ajuda, mas a verdade é que é uma choradeira pegada, da bebé e da mãe. Se vos acontecer… é normal.

Capítulo 2: Afinal são cólicas
O choro é estridente. Tentamos acalmar. No colo. No berço. De lado. De barriga para baixo. Assemelhamos o ambiente ao útero com muito aconchego e o famoso “shhhh”. Até pode acalmar, mas por pouco tempo. As pernas esticam até não poder mais e o choro parece gritado. Por vezes a barriga está rija. Outras vezes se batermos com a mão sentimos que está oca.  Lá percebemos que são cólicas. Há massagens diárias para fazer. Há o saquinho de água quente na barriga para aliviar a dor. Há a alimentação da mãe que tem de ir fazendo experiências. Há chá de funcho e camomila. Há leites para ir variando para quem não amamenta. Há probióticos e medicamentos. Há quem use o tubinho do bebe gel vazio para sair ar. Pois nós temos tentado de tudo. É preciso fazer experiências (falando com o pediatra, claro). Mas é preciso é paciência porque é normal e se as experiências não resultarem, o tempo curará. Nada de grave para o bebé mas muito sofrimento para todos. Mesmo.

Capítulo 3: Os picos

- os picos de crescimento
O bebé chora sem parar. Mamou há 1h30. Vamos ver todos os outros sintomas do choro. Nenhum corresponde. Só se cala na mama. "Bolas está a ficar mal habituado" ou "terei leite suficiente?" Tudo normal. É um pico de crescimento. No meu caso aconteceu na primeira e na sétima/oitava semanas. É de loucos. Questionamos tudo. Temos medo que a partir de agora seja sempre assim. Queremos dormir. Mas não! Acaba por passar. Por isso é dar mama ou biberão quando pede, porque é normal. Ah! Normalmente o sono fica mais perturbado. (Pelo menos foi assim com a Alice).

- os picos no berço
Pois que chega a dada altura que o berço ganha picos. É verdade! O bebé está ferradinho no nosso colo e assim que toca no berço desperta. Preparem-se para imagináveis malabarismos. Preparem-se para entrarem no berço. Preparem-se para passar o testemunho ao pai em estado de desespero, porque a meio da noite e à terceira tentativa ninguém aguenta. Mas dizem as mães com quem falei que também passaram por isso. Não é do berço. Não são vocês que o habituaram mal. Tem dias e é normal! Há-de passar!

- os picos de choro 
Nas mil pesquisas pela internet li que lhe chamam “a hora da bruxa”. Pois eu não acredito nelas, mas a verdade é que houve ali uns tempos em que a Alice começava a chorar por volta das 23h até às 2h. Mudámos a hora do banho e tudo, mas nada a fazer. Ferradíssima. Quarto calmo. Os pais a aproveitar para descansar. E há um despertador diário. Nessas horas há muito instabilidade. Ora chora, ora parece que adormece, ora volta a chorar… e passam-se as horas nisto. Já sabem, é normal e passa. A Alice já passou essa fase.

Capítulo 4: O peso
Ui o peso! Semana a semana há uma balança e há uma tabela a cumprir. E há uma série de pessoas a perguntar “mama bem?”; “tens leite?” (principalmente com mamas pequeninas como eu); “se calhar precisa de suplemento”; etc. Há uns que ganham peso e há outros que perdem.  (Atenção que na primeira semana todos perdem). Mas tudo tem solução e todos crescem. É só ver matulões e matulonas que não ganhavam peso. O meu conselho é descomplicar. O chichi é um sinal que está bem de saúde. E se a experiência de pesar não for das melhores, (pela espera; pelos comentários que ouvimos; porque o bebé chora, etc.) arranjem uma solução que vos tranquilize. Há balanças self service nalguns centros. Ou podem sempre alugar ou comprar que também não é muito caro. Ou ir à farmácia e pesar com roupa e dar o desconto. É mesmo bom não complicar. Apesar de ser algo bastante importante para o bebé, acho que colocam demasiada pressão nos pais. Portanto, é normal se se sentirem muito preocupados em saber se estará a aumentar. Todos passamos por isso. Ah! E confiem na vossa intuição nos comentários menos positivos. 

Capítulo 5: O cocó  (sejamos diretos)
Neste primeiro mês vale tudo! No início, altura do colostro, é uma pasta meio verde. Dura que se cola ao rabinho. A partir da subida do leite é amarelo ou verde e muito pouco consistente. Aviso já que passei a trocar a fralda de lado depois de ter sido atingida por dois repuxos. E a fraldinha sempre em posição de escudo para travar qualquer acidente. Mas voltando ao que interessa, não se preocupem com a quantidade. O bebé pode fazer 8 vezes por dia, 3, ou mesmo nenhuma. É tudo normal neste primeiro mês.

Capítulo 6: O animal
Minhas queridas não vão levar apenas um bebé para casa. Não. Levam também um animal. Mas muito querido. Vão estranhar os rugidos que saem da boca do vosso bebé na hora do sono, mas também é normal. Aqui a Alice às vezes parece um cão a rosnar (mas em modo querido, claro), outras vezes assusto-me e penso que é um gato (é que tenho medo). Às vezes parece que ressona. Ou ressona mesmo? Coitadinha! Esta é também a fase dos espasmos e dos tremelicos. Tudo normal. Animem-se.

Capítulo 7: A mãe.

- As maminhas
Dediquem-se às maminhas por favor (quem amamentar, é claro). Mesmo com boa pega é normal que no início sofram um bocadinho. É até calejar, como diz aqui a JPB. Atenção à subida do leite por volta dos 5 dias. Pode ser muito chato, podem não dar por nada, pode ser apenas ligeiro com febres e as aminhas doridas. No meu caso ajudou o Purelan no início (comecei ainda na gravidez). Independente do creme o importante é hidratar e ter um creme para as fissuras caso aconteça. Depois, ajudaram as massagens no banho e uns saquinhos com gel que comprei que tanto dão para o frio (depois da mamada) como para o calor (antes da mamada). Ah! E andar com as maminhas ao léu também alivia no início!

- As lágrimas
Não são as lágrimas do bebé, não! São as nossas! Ui como correm! As minhas correram durante um mês. É normal. Mas nós por mais que tenhamos ouvido falar do babyblues não achávamos que seria assim. São as hormonas aos saltos. Pensem que é normal. Não compliquem. Abracem o pai ou a mãe ou a irmã. Quem estiver convosco. Digam como se sentem. Sem problemas. Vão ouvir que é normal. E vão acalmar. Vai voltar. Várias vezes. Vão achar ridículo. Vão questionar coisas. Vão pensar que vai ser sempre assim. Vão sentir que não se reconhecem. Vão ter medo que seja depressão pós-parto. Mas depois passa. Passa mesmo. É normal!

- O saco de boxe
Preparem-se para descarregar no pai. Vão andar às turras. Vão embirrar com ele. Acho que coincide mais ou menos com a fase em que o babyblues vai desaparecendo e o pai vai trabalhar. Deve ser inveja! Também é consequência da falta de sono. Mais uma vez, é normal e por isso refilem e reclamem e depois abracem-se e descompliquem, porque é uma fase e passará. Não vale a pena alimentar as turras do sono. Não sei se já vos disse mas… É normal!

Usem e abusem da palavra “normal” porque é mesmo assim! No pior drama, porque temos momentos destes, é pensar que faz parte. Lembrem-se que há uma espécie de manual e que o primeiro mês (mais coisa menos coisa) passa.

Célia Alves