4.19.2015

O que a minha filha dirá de mim.

Ela ainda não fala comigo. Já diz algumas coisas, claro. Já mostra que gosta de nós, mas ainda não fala.

Amo-a todos os dias e de graça. Sem pedir nada em troca. Porém, quando crescer, isto é o que eu quero que ela diga de mim.

A ela própria.

Não precisa de ser a alguém.





1) a minha mãe faz-me rir.

2) a minha mãe explica-me por que é que não devo fazer as coisas.

3) a minha mãe não grita comigo ou, pelo menos, não me lembro.

4) a minha mãe tem um rabo fenomenal.

5) a minha mãe gosta muito de mim.

6) a minha mãe estuda comigo.

7) a minha mãe anda nos baloiços comigo.

8) a minha mãe dança comigo.

9) a minha mãe ensinou-me as minhas primeiras palavras em inglês.

10) a minha mãe gosta muito do meu pai.

11) a minha mãe nunca esteve doente. Pelo menos, que eu notasse.

12) a minha mãe ficou em casa comigo até eu ter 18 meses.

13) a minha mãe tirou-me milhares de fotografias.

14) a minha mãe nunca me fez sentir mal comigo mesma.

15) a minha mãe não me julga, orienta-me.

16) não tenho vergonha da minha mãe.

17) conheço a minha mãe, como mulher também.

18) gostava de ser tão feliz quanto a minha mãe

19) a minha mãe nunca me deu uma palmada, que me lembre.

20) a minha mãe chora quando está muito contente.

21) a minha mãe diz que eu sou mais esperta que bonita, mas que sou muito bonita, sou é ainda mais esperta.

22) adoro os abraços da minha mãe.

23) adoro as festinhas da minha mãe.

24) a minha mãe ri-se das minhas piadas.

25) a minha mãe quer conhecer os meus namorados.

26) a minha mãe é a mais porreira dos pais da turma.

27) a minha mãe fazia palhaçadas enquanto me lia as histórias para dormir.

28) a minha mãe nunca tinha pressa.

29) a minha mãe gostava de me ver a nadar, não ficava no carro à espera.

30) a minha mãe deixava-me escolher a roupa que eu queria usar.

31) a minha mãe sempre notou que eu estava triste e tentou ajudar.

...


Não necessariamente por esta ordem, claro.

 O que é que vocês querem que os vossos filhos digam de vocês?

Prometi que nunca seria esta mãe.

Mas não consigo. É demasiado fofo para resistir. Quando estava a escolher as nossas roupas, lembrei-me que podíamos ir de igual ao jardim de Évora. E fomos.











Erro de principiante.

Cometi um erro de participante. A Irene só teve febre uma vez e eu nem reparei. Por acaso fui com ela à farmácia e a senhora disse-me "a sua filha está a arder em febre". Eu pensava que ela tinha sono, mas não. Tinha quase 40 graus. Escusado será dizer que, desde aí, estou sempre atenta aos olhos congestionados, prostração, etc. 

Hoje a Irene acordou e estava super quente. Pensei: "claro que está, Joana, estão 20 graus no quarto, ela está com body, pijama e saco de dormir, querias o quê? Não vai ela ter eczema de estar sempre numa sauna".  Despi-a, deixei-a de body enquanto fui buscar um vestidinho para ela estar mais à vontade. Continuava rabuja e sempre a pedir "mami(nha)", mas isso tem sido o habitual nos últimos dias. 

Isto eram 6h30. Íamos a sair do quarto e ela chamou pelo Pai que ainda estava na cama, ele respondeu e não ficou a brincar como costume. Fomos tomar o pequeno almoço porque ela dizia "puca" (que é comida, porque arranjei uma brincadeira para ela comer que é dizer-lhe "ela podia ser pequenina, mas não é. Ela é muito muito grande!). 

Estavamos nós a cantar e dançar Tina Turner What's Love Got to Do With It, ela dançava connosco mas, nas partes mais calmas, parecia que estava podre de sono. O meu marido está sempre a gozar comigo por eu estar sempre a averiguar se ela está bem, mas não quis saber. Fui medir-lhe a febre. O termómetro do ouvido (finalmente alguma utilidade para ele) deu 38,5, o do rabo deu 38.1. Bem sei que praticamente nem é febre (no rabo só é considerado a partir dos 38 graus) mas o que é que a mamã Joana fez? Espetou-lhe logo com Ben-u-Ron xarope em "pânico". 



Arrependi-me, claro. Primeiro porque a febre é o corpo a combater o vírus que lhe foi dado nas vacinas há 10 dias (lembram-se?). Ao baixar a febre, estou a baixar a hipótese do corpo responder por si. Depois porque a febre era super baixa e acho que convinha ver que tipo de febre é que ela estava a ter. Não estou habituada a que ela esteja assim, agi sem pensar. Acho que também tenho algum medo por eu ter tido convulsões febris e não querer ver a minha filha a ter um ataque esquisito. 

Erro de principiante.


Já agora, recomendações?