12.14.2014

Nails 4 Moms

Há por aí muitas mães que gostam de andar com as mãos como se fossem para a ManiCam do canal E!, e eu sou uma delas. Nem sou de me maquilhar muito, só às vezes, quando se juntam 3 factores: apetece-me + tenho paciência + tenho tempo. Se algum deles falhar, é bye bye Marta sem olheiras e com pestanas maravilha. Anyway... Onde é que eu ia? Tenho a mania de divagar um bocado, por isso depois avisem nos comentários se for demais, ok? As unhas!!! Pois! Isso. Apesar de não ser de andar sempre pintada, se há coisa que não dispenso é de ter as unhas arranjadas. Gosto, acho que dá bom ar. Não sou fã de unhas cheias de rococós, mas uma cor, ou até mesmo aquele brilho transparente, tenho de ter.

Como sou muito multifacetada (modéstia à parte, cof cof), arranjava e pintava as minhas próprias unhas. Tinha muita paciência (e tempo) e era capaz de passar uma boa tarde de fim de semana de volta das mãos para as deixar bonitas. Claro que demorava imenso tempo (já disse que naquela altura tinha tempo?) e é por isso que até agora tem estado tudo escrito no Pretérito Imperfeito (Joana Gama, corrige-me se estiver errada, tu é que tens olho para estas tecnicalidades). Como hoje isto já não é nada assim (lá está, nasceu o bebé, o tempo foi-se), dou por mim a pensar se era ou não era "bué da fixe" se houvesse uma maneira de demorar aí uns 10 minutos, 15 no máximo, a fazer as unhas. Mas com verniz de gel, ainda por cima! Sim, porque, sendo eu o cúmulo da desastrice, o dia em que eu descobri o verniz de gel foi como se se tivesse aberto uma caixa de pandora e nunca mais quis outra coisa. Para isso já não era assim tão multifacetada (querias!!!), e ia, às vezes de propósito, ao Continente do Colombo fazer o tal do verniz de gel (sim, lá fazem disso). Mesmo sem tempo, lá o conseguia arranjar se coordenasse com o pai da criança e ele conseguisse ficar com ela uma hora que fosse, para eu ir fazer as minhas "néles".

Mas pronto, o que interessa, basicamente, é que recentemente tive de voltar a arranjar as minhas unhas, porque as "minhas duas moças" das nails não podiam, e as minha unhas já estavam tão más que eu estava quase a ter um ataque cardíaco. Mal sabia eu que ia ficar na mesma quase a ter o ataque cardíaco, já que tive de fazer cada etapa em vários períodos diferentes no tempo. Estou, por isso, há 4 dias para ter as mãos decentes, e isto está a dar cabo de mim.

Por isso apelo: Mães de todo o Portugal Continental e Ilhas e emigrantes que arranjam as unhas, como é que vocês fazem isso???

12.13.2014

Por que é que eles não falam, pá? Ca nerves.

Vou arrepender-me de dizer isto, não vou? Vou.

Por que é que eles não falam, pá? Estou cansada de tentar ir por tentativa e erro. Ou será melhor dizer: erro, erro, erro e erro?

Já consigo entender quando é que ela quer mamar porque pergunto "maminhas?" e ela começa a soluçar e a abrir a boca (é querido, não é?). Se calhar nem tem fome, mas vê "a comida" à frente e, como não tem nada que fazer, aceita. 

Já consegui entender quando é que ela está irritada por lhe estar a custar fazer cocó porque, enfim, já faz barulhos como se fosse um adulto sozinho em casa e sem noção do ridículo (invejo-vos!). Sou daquelas que faz tudo muito em silêncio. 

Sinto que estou certa quando acho que lhe doem os futuros dentes, quando ela está a fazer sons de falta de paciência e mexe muito a boca ou cerra com muita força com os lábios para dentro. Vai logo uma cenoura fria para a boca e, por acaso, costuma ficar distraída. É uma espécie de "snap out of it" a par de anestésico natural por estar fria.

Sei que acorda por causa do calor quando vou à cama dela e está a suar em bica (nem sei o que é que esta expressão quer mesmo dizer, mas acho que está bem aplicada - suar em bica, que parvoíce, suar em bica...curta? Eu sei, tinha de ser, desculpem). 

... mas e como sabemos que eles têm frio?


A Irene tem acordado praticamente de duas em duas horas ou de meia em meia. Já nem sei. Sei que ando a acordar tantas vezes durante a noite que já nem as conto para me fazer de vítima ao pai no dia seguinte (por isso imaginem). Já nem vejo as horas a que ela está a acordar. O que é que isso interessa? Enquanto não houver luz lá fora, é cedo ou, melhor, é tarde. 

Já não sei se é um pico de crescimento, um salto de desenvolvimento, se a miúda passou a ter este horário biológico naturalmente, não sei. 

Claro que já pensei em mil e uma coisas, entre elas: será frio?

Como é que sabemos se eles têm frio ou não? Ela agora tem dormido com um babygrow daqueles finos da Primark, um saco daqueles tipo urso que cobre o corpo todo cheio de pêlo e ainda leva com o edredão em cima. Se não suar é porque está bem? Como é que isto funciona?

Quando é que ela me poderá dizer: "mãe, tenho frio, trazes um cobertor?". 

Estou louca para lhe responder: "Mas pensas que eu sou o quê? A tua empregada? Está no armário do corredor, vá." 

Claro que não. A não ser que ela tenha 40 anos e continue a morar cá em casa!

O dia em que desovei a Isabel


O parto é o talvez o momento mais temido pelas mulheres. Nunca tinha pensado muito nisso, mas quando estava grávida adorava ouvir histórias de partos, desde que não me contassem que a criança teve de ser novamente empurrada para dentro e que tinham levado pontos até ao pescoço e coisas levezinhas do género. Adorava ver vídeos no Youtube de gente a desovar. Não sei bem o que desceu em mim, mas eu achava aquilo lindo, emocionava-me e não sentia medo nenhum. Queria estar ali, no lugar daquelas mulheres.

E no dia 15 de março, esse dia chegou. Lá fora estava um lindo dia de sol. Estava grávida de 39 semanas e três dias. Acordei cedo, fui lavar roupas da Isabel, estava a passar a ferro e senti algo diferente. Seria ruptura da bolsa? 

- “David, acho que me rebentaram as águas!”
- “E posso dormir só mais um bocadinho?”, ouvi da boca do pai da criança.
- “Podes, então não podes… seu preguiçoso insensível!” 

Incrível como eles absorvem só o que lhes interessa das aulas de preparação para o parto… Pelo sim pelo não, obriguei-o a levantar-se e fomos ao hospital. Parecia falso alarme. Mandaram-me caminhar e voltar lá uma hora depois. E lá fui eu, toda descontraída dar uma voltinha ao Colombo, com a pulseirinha do Hospital. 

Afinal estava mesmo a perder líquido, ia ficar internada. A Isabel vinha a caminho. Eram 13h30. Até às 02h48 do dia seguinte ficámos à espera da Isabel. Não posso dizer que tenham sido horas de sofrimento, porque adorei aquele dia. Para mim, foi um parto humanizado, mesmo sendo num hospital privado. O David estava ao meu lado, as enfermeiras eram óptimas conversadoras e muito gentis, e acho, pelo menos à distância, que o tempo passou bem rápido. Quer dizer, até ao momento daquelas contrações. Aquelas… Ai! Mas eu queria continuar na bola de pilates a acelerar a dilatação, por isso adiei a epidural ao máximo. 

Chegou a um momento em que não dava mais. Pensei “isto não é suportável!”. O David massajava-me as costas para que eu me distraísse da dor. “Chega, não consigo mais!” Pensei nas heroínas que aguentam tudo, até ao fim. Eu quis a epidural. Na televisão estava a dar o estoril-marítimo e demos algumas gargalhadas à conta disso. Epidural e todo o conforto do mundo, até passei pelas brasas. A espera, mas nunca o medo. Inspira, expira, inspira, expira. As dores a tornarem-se insuportáveis outra vez. Hora do reforço da epidural. Sede, tanta sede e tanta vontade de conhecer a Isabel. Nunca mais vinha. Aí sim, lembro-me do tempo ter abrandado. 

A nossa médica chegou, acabada de chegar da Alemanha. Por SMS disse-me “vou fazer o seu parto”. Quase chorei de emoção. Ela era obstetra com que sempre tinha sonhado para aquele momento. Calma, doce, de sorriso fácil. A deixar-me tranquila, sempre. Nunca duvidei dela, nunca. Eu dizia piadas e estava bem disposta. O ambiente era calmo, repleto de risos. As enfermeiras eram de uma alegria, entrega e dedicação que nunca esquecerei. 

Eu estava pronta. No caminho para a sala de partos, respirei fundo e pensei na sorte que tinha. Pedi para que tudo corresse bem. Foram 10 minutos, não mais. Tivemos a ajuda da ventosa, mas nada disso me assustou. Entreguei-me nas mãos da médica que 8 meses antes me tinha anunciado, numa consulta de rotina, "está grávida!". A primeira pessoa que soube que eu ia ser mãe e me viu chorar de alegria, no dia 29 de julho. Tinha a Isabel apenas 7 semanas e tanto podia ser Isabel, como Sofia, como Pedro. 

Vinha aí, agora é que era. O pai da Isabel ao meu lado e o milagre a acontecer. Eram 02h48. Senti um corpo quente e irrequieto em cima do meu corpo. Era a minha filha. Massajaram-na, chorou. Nunca esquecerei o primeiro choro. Ri-me, ri-me muito, descontroladamente. Eu que sempre fui chorona, naquele momento tive um ataque de riso. Uma adrenalina como nunca tinha sentido. Puseram-na junto a mim, no peito, estava a chorar e acalmou com o som da minha voz. Arrepiante. Emocionante. Inesquecível. Fiquei com o rosto com marcas de sangue de tanto a beijar. 

3,680kg, tudo perfeito. Prontas para ir para o quarto, fizemos o trajecto juntas, foi a mamar e ficámos a olhar uma para a outra, a conhecermo-nos. Já no quarto, o pai pegou-a ao colo. Ali sim, chorei, chorei muito. Que momento lindo! O pai, o meu amor, com a Isabel nos braços. Os meus grandes amores.




E o vosso parto, como foi? Contem-nos tudo!