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4.26.2019

Estas são três das minhas memórias mais queridas.

Não estive a pensar durante meia hora, convesso. 

Simplesmente foram as primeiras que me vieram à cabeça. O que se chama "top of mind", vá. 

Lembro-me de estar por baixo de umas escadas numa das casas onde a minha mãe e eu moramos (eram casas onde morávamos temporariamente enquanto ela tinha de estagiar em vários tribunais pelo país fora) a pintar-me toda com maquilhagem daquela super rasca e cheia de glitter. Não sei quantos anos tinha, mas ainda nem na primária andava. Sei que vivi aquilo muito à séria e que foi dos melhores momentos. 



Ainda na mesma casa, acho que foi Santiago do Cacém, lembro-me do orgulho gigante que tive em conseguir calçar-me sozinha. Eram ténis e eram de velcro, mas fiquei tão mas tão vaidosa. Nem imaginam. 

Lembro-me também de, numa das vezes em que o meu pai me foi levar à casa da minha mãe, me ter dado uma caixa de mini-pastilhas e ter escondido no meu blusão. Ter dito: agora têm um valor mas, quando te esqueceres delas e voltares a encontrar, vão ter um valor ainda maior. E tinha razão. 

Sei que é sexta-feira, que poucas serão as pessoas que abrirão este post, mas quis deixar-vos com um pouco de nostalgia e com um sorriso nas vossas caras quando pensarem nas vossas memórias mais queridas ou, pelo menos, as que primeiro vos vierem à cabeça. 




10.03.2018

Qual é a vossa memória mais antiga? Estas são as minhas.

Não vos acontece, de vez em quando,  olharem para os vossos miúdos e lembrarem-se de vocês mesmas? Esqueci-me de imensas coisas até agora. Coisas da minha infância, mas que estou a recuperar não só por causa dela, mas também porque tenho vindo a falar mais com os meus pais sobre o passado (o nosso/meu) e isso tem-me ajudado muito. 

Como são divorciados desde os meus seis anos e são muito diferentes um do outro, as histórias são completamente diferentes, mas já consigo ter mais disponibilidade para retirar algo que seja comum às duas ou três ou quatro versões que me vão dando. 

Lembro-me de ainda estar no berço e de adorar trincar a madeira porque, como tinha verniz, sentia  um estalinho giro na boca. Lembro-me de sair do berço sozinha e de não cair (mas de ter caído uma vez). Lembro-me de ficar a chorar até me esquecer porque estava a chorar e de pensar "vou dormir, já não me lembro sequer". Também associo ao berço, mas já não posso pôr as mãos no fogo (que expressão mais estúpida). 

Lembro-me de aprender a desenhar tulipas e de ser o que mais gostava de desenhar. Lembro-me da minha mãe me desenhar sempre uma casa com peixes num lago e dizer que não tinha jeito. Lembro-me do meu pai me fazer bonecos com a comida, eram tão giros que me custava comê-los (mais ou menos como a Irene não consegue comer bolachas com desenhos de animais à vontade, tão querida a minha mini-vegan... ). Também me lembro de ter caído um termómetro de vidro no chão. 

Lembro-me de ver o ET vezes sem conta e a pequena sereia. Lembro-me de ouvir o Sail Away da Enya na sala e de dançar muito. Lembro-me do ano em que entrei para a primeira e que recebi um coelho enorme que andava no chão e que podia segurar com uma trela e também o meu skiper (aquelas coisas cor de rosa que púnhamos nos pés para saltar e que contavam quantas voltas, lembram-se?). 

Lembro-me que me doia muito quando me penteavam o cabelo porque tinha "muitos ninhos de ratos". Lembro-me de brincar muito com Tangrams e com umas esferas do meu pai, presas com um fio de nylon. 

Lembro-me da árvore de Natal logo à entrada na casa da Damaia, do lado esquerdo. Quando a casa ainda não tinha as luzes acesas e só se viam as da árvore era a minha parte preferida. Lembro-me de brincar com as barriguitas (e de agora me ter tornado uma). Lembro-me de estar fascinada com o abre latas da Moulinex que tínhamos na parede. E lembro-me dos leites Milo (?). 

Morei em muitas casas quando era pequena por motivos profissionais da minha mãe, pelo que tenho a sorte de ter as memórias associadas a casas e saber mais ou menos quando aconteceram. Esta foi a minha primeira casa onde fui estando intermitentemente até aos meus 6 anos quando vínhamos visitar o meu pai. 

Depois houve outras pelo meio. Lembro-me das tuatuagens das tartarugas ninja na pele. Lembro-me dos códigos que havia dentro das garrafas de refrigerantes, dentro das tampas e que se podia tirar o plástico. Lembro-me de ir ao cabeleireiro com a minha mãe e de achar que tinha sido a meu pedido que lhe tinham mudado o cabelo de moreno para loiro. Lembro-me que o café da Vila de Santo André se chamava Vitaminas. Lembro-me de brincar imenso na casa da Lurdes e de fervermos biberões e chuchas por lá. 

Lembro-me de termos tomates no jardim lá de fora e eu não gostar de tomates, mas de serem para a minha prima (sei lá se isto é assim). Lembro-me de termos recebido um gato vadio. Do meu vizinho adorar batidos e da minha mãe ter feito uns para ele. Lembro-me de esconder os maços de tabaco da minha mãe, não queria que ela fumasse. Lembro-me de ver o Herman José na televisão e de ver os Simpsons e achar que tanto o Herman como o Homer eram o meu pai (já estou a trabalhar nisto, haha, apesar de ainda me ter acontecido na adolescência com o Conan O'Brien). Lembro-me de ter ténis de velcro e de ficar tão feliz por me conseguir calçar sozinha. Lembro-me da caixa de maquilhagem que usava por baixo das escadas para o andar de cima. Lembro-me de querer usar os pensos da minha mãe para ser crescida. Lembro-me quando fui furar as orelhas. Lembro-me de brincar aos legos e aos pega monstros numa sala de brinquedos com as filhas da empregada da altura. 

Lembro-me de haver pinhões no chão da escola dessa terra. Muitas pinhas e muitos pinhões que era eu quem descascava e comia. Lembro-me de haver televisão na escola. Lembro-me de haver muitos livros e de me dizerem que - eu sangrava muito do nariz - o ideal era estar deitada com o braço levantado no ar. 

Lembro-me de conduzir ao colo do meu pai numa estrada ao longo de um monte ou uma montanha e de ter muito medo de cair. Lembro-me de adorar groselha e que havia sempre uma garrafa de groselha no frigorífico. Lembro-me de não gostar de Golden Grahams e de não ter gostado que a mãe tivesse comprado. Lembro-me de dormir com a minha mãe. Lembro-me do João Pestana e dela me fazer festinhas no nariz "porta, janelinha e campaínha". Lembro-me de ver o Clube Disney e de ouvir Beach Boys no rádio e o Oceano Pacífico. Não me lembro das manhãs. 

Terá sido isto em S. Tiago do Cacém? 

Lembro-me de uma casa com um corredor enorme e uma janela. O meu pai cantava-me músicas enquanto me levava nua para a casa de banho para me dar banho. Era sempre a mesma, afinal. Ainda a sei de cor e é uma letra inventada. Lembro-me de tocar muito no meu piano. Não o largar e de saber tocar de ouvido o hino da alegria e de toda a gente me elogiar por me dizerem que tinha um talento nato. Lembro-me de ter que "tomar" muitos supositórios por causa da febre. Lembro-me do xarope verde que era horrível, que eram vitaminas. Lembro-me da minha mãe brincar comigo a pedir que conseguisse dizer Táxi muitas vezes, mas só conseguir dizer Tá-sequi. Lembro-me da minha camisa de dormir feita pela minha avó Isabel. Lembro-me da minha avó Irene me ter lá ido visitar e de me ter ensinado a pintar com canetas de feltro. Lembro-me de ter uma janela muito grande no meu quarto e de, num dia, ter aberto a mesma e ter visto a lua a sorrir para mim e me ter sentido menos sozinha. 

Lembro-me de ver os PowerRangers e um programa de desenhos animados que incluia uma menina a por cassetes VHS num robot gigante. Lembro-me do meu pai me dizer que tinha de comer banana madura porque a parte castanha das bananas era "mel". Ainda hoje como sem problema. 

Lembro-me de haver divisões da casa onde não entrava. Afinal, a casa não era nossa, estavamos lá só de passagem. 

Terá sido isto no Cartaxo? 

Lembro-me de, em Grândola, estar no jardim de infância e de me terem ensinado a fazer esmada e de ter adorado. Lembro-me de dormirmos todos juntos numa sala e de haver demasiada luz para mim. De fazer brincadeiras com os olhos para conseguir ver as pestanhas e de às vezes, por estar deitada,, me "sairem os puns pelo pipi" e de me rir sozinha. 

Lembro-me todos brincarem "à Linda Falua" e de eu ser a única que não sabia a letra. Parti qualquer coisa neste jardim de infância e não se chatearam comigo. Havia muitos ninhos de andorinhas no tribunal. Tinha uma bola muito gira que a avó Irene me tinha dado. 

Lembro-me de ter sido aqui que reparei que me punham azeite cru por cima da sopa (como faço à Irene) e da minha mãe me dizer que era como se a sopa tivesse um "olho". Lembro-me da minha mãe fazer os hamburgueres com carne picada com umas formas brancas. A minha mãe é sempre muito bonita em todas as minhas memórias.

Lembrar-me de tanto é parte da motivação para querer construir tantas memórias na Irene. 



Lembro-me da minha avó ter um pão cheio de buracos para a torrada e de por muita manteiga. Lembro-me de haver Tulicreme. Lembro-me dela me deixar comer a sopa pela concha e eu ficava muito feliz por ser muito rápido. Lembro-me de conseguir impingir ervilhas a uma vizinha de cima mais nova do que eu por lhe dizer que sabiam a chocolate. Lembro-me de ficar muito escuro e de estar a ver televisão, os Moscãoteiros. Lembro-me de haver um rapaz chamado Nelson ou Nilson ou Ednilson que me queria beijar e mandava cartas. Lembro-me de gostar do Cláudio Cebola e dele ter sido o meu primeiro namorado e de morar no prédio em frente. Lembro-me de brincar horas e horas na rua com os meus vizinhos. Luís Espada? 

Isto já não são as primeiras memórias, mas estava-me a dar gozo. 

E as vossas? Quais são as memórias mais antigas? 






6.01.2016

Quem não?

É um dos cheiros da minha infância. Aquele que mais me remete para o carinho da minha mãe, na hora de adormecer. Vinha aconchegar-me na cama, dobrava o lençol de cima no edredon, beijava-me a cara ou fazia nariz de esquimó, dizia-me que tinha as melhores bochechas para se dar beijos, desejava-me boa noite, apagava a luz e saía, deixando a porta entreaberta. No ar, ficava aquele cheiro. Até hoje, se fechar os olhos, consigo senti-lo. Consigo imaginar a pele dela, macia, a beijar-me as bochechas vezes sem conta. Desafiarem-me a escrever sobre o creme NIVEA é darem-me o meu álbum de infância para as mãos, mas com aroma, textura e muitas saudades. Já me conhecem, escusado será dizer que já estou para aqui a chorar.





Lembro-me daquele boião azul, que pareciam dois, em reflexo no espelho, na prateleira da casa de banho de azulejos cor-de-rosa. Era um dos truques de beleza da minha mãe. Sempre a achei muito bonita, de trança loura, comprida, com um ar de menina - que ainda mantem - e sonhava ser como ela. Todos os dias, de manhã, depois do banho, espalhava o creme pelo corpo. "Nunca te esqueças de meter creme nos cotovelos", dizia-me. Rituais que não se esquecem, assim como não se apaga a memória da chegada à praia, com os baldes e as raquetes e toda a tralha que coubesse nos sacos, e avistar, ao longe, aquela bola gigante azul a dizer "NIVEA". Antes de sairmos debaixo do chapéu, já sabíamos: vinha a sessão dos cremes, que teríamos de repetir várias vezes, ao longo do dia. Ainda hoje sinto o cheiro do protector misturado com o cabelo salgado (que eu fazia questão de sugar, acabada de sair do mar) e ainda hoje tenho o mesmo prazer ao espalhar o creme depois do banho, na pele ainda morna do sol.


E não é por acaso que continua a ser o creme mais famoso em todo o mundo. Dá para toda a família, hidrata muito bem todas as partes do corpo (hidrata casacos e botas de couro, sabiam desta?) e até serve de desmaquilhante, quando este acaba (se quiserem, explico-vos o truque hehe).

E como se o valor emocional, as mil e uma utilidades e o mais que comprovado sucesso não bastassem, a marca não pára de inovar. Já se cruzaram com as NIVEA Tales?


Quatro latas ilustradas, com uma história cada e que, tenho a certeza, a Isabel vai adorar (se já adora o ritual de espalhar o creme, nela e na "mana", na minha barriga), vai gostar ainda mais quando vir que a lata tem "munecos". E, quem sabe, vai também ficar com memórias inesquecíveis destes momentos com a mãe, como eu tenho com a minha.



8.13.2015

Opa... que saudades!

Foi no primeiro dia de 2015 que a Isabel começou a dar uns passinhos agarrada. Tinha 9 meses e meio. Ali, com a ajuda do carrinho dos brinquedos. Encontrei estas fotos e achei um piadão. A tudo: do style da miúda, supé fashion, à expressão de felicidade. 




Depois vi a fotografia em que finalmente ela mostrou o primeiro dentinho (sim, o primeiro foi 9 meses). Uma delícia. Ela estava a sorrir depois de tantos dias internada no hospital. Dias terríveis. Para quem chegou há pouco tempo ao blogue, a Isabel teve uma pneunonia e passámos a semana do Natal no hospital. Depois disso, todos os sorrisos dela nos aqueciam o coração, que passou a viver mais apertado. Com medo. Medo de que se repetisse. Medo de a ver sofrer mais uma vez, medo de a voltar a ouvir respirar mal, a ser picada uma e mais uma vez. Passei a descobrir aquela sensação de impotência, de que não controlamos tudo.


É este o sorriso que me faz viver. É para que ele se mantenha que eu vivo.

E bolas! Um texto que tinha tudo para ser light, já me pôs aqui em lágrimas.

7.15.2015

Tinha um mês aqui!

"A Isabel está a ficar crescida. Esta noite deixou-me dormir sete horas. Sete horas! Depois mamou e voltou a dormir mais duas. Pronto, já dormi para o próximo mês. Rejuvenesci. Estou pronta para tudo: cólicas, choro e noites mal dormidas. Ela agora está calminha deitada - coisa rara - a olhar para mim atenta. Acabou de espirrar.

Com 1 mês e 10 dias

A Isabelinha já sorri muito. Franze o sobrolho. Já nos segue com o olhar. Já passa mais tempo acordada. Tossiu ontem pela primeira vez. Gosta de estar nua e de esticar as pernas. Está compridona. Adora mudar a fralda. Tomar banho então, nem se fala. Se a tirar do banho com a toalha aquecida não reclama muito. Gosta mais de se virar para o lado esquerdo. Adora colo. Da mãe, do pai, dos avós, dos tios, de quem for. Se for embalada, melhor. Gosto de tê-la na vertical, colada a mim, com a cabeça pousada no meu ombro, pronta a receber beijinhos. Aqueles sons de satisfação perto do meu ouvido.

No colo da bisavó

Cada vez a conheço melhor. Cada vez gosto mais dela e não percebo como isso é possível.
O coração é elástico."
Texto escrito no dia 26 de abril de 2014


Gosto de revisitar os meus textos antigos, o meu diário, as fotografias dividas por pastas e datas. Rever e reviver momentos. Sou muito apegada às memórias, uma saudosista por natureza.

Também espreitam fotografias antigas e acham incrível como é que eles já cresceram tanto, em tão pouco tempo?

7.05.2015

Não tenham medo de ir.

Ouço e leio algumas mães a queixarem-se dos receios que as assombram na hora de ir passear com os filhos. 
As primeiras vezes que saímos à rua com eles não são nada fáceis, é verdade. Tirando a primeira de todas, que foi, com três semanas, ao jardim que fica a 100 metros de casa, nas seguintes voltava umas 3 vezes atrás, para ir buscar coisas. "Mais uma muda de roupa, que o cocó é muito mole e pode haver estragos, mais uma mantinha, o chapéu também é melhor levar. Ou uma touca. Se calhar a touca é mais bem pensado." Mas depois, acreditem, tornam-se mais ágeis a preparar as malas e os lanches que a Telma Monteiro a dar cabo da húngara na semana passada. 

Com 28 dias, fomos até ao Príncipe Real

Quando já dominarem a arte do passeio de uma hora ou duas, podem arriscar um fim-de-semana em família. Palavra. Uma noite fora, para irem devagarinho.

A nossa primeira escapadela foi a Óbidos. Já tínhamos estado em Évora e em Santarém na casa dos avós. Escolhemos um destino próximo (1 hora de Lisboa), para não a maçarmos muito com a viagem, e posso dizer-vos que correu mesmo muito bem. Medo com birras? Fazem-nas em qualquer lugar e não têm de se sentir envergonhadas com isso. São bebés. Se vão para um hotel, pedem cama para eles, se forem para uma casa alugada, levam uma cama de viagem. Pronto, eles têm onde dormir as sestas. Tudo controlado. Se forem comichosas com a comida para os babies, como eu era, levam sopas e comidas simples numa mala geleira. Nesta altura levei também as mamas atrás, que resolvem muita coisa.

De resto, é ir. 







7.03.2015

Nunca tinham visto esta fotografia, pois não?


Irene e Isabel, com dois meses. Reparem no pormenor do dedinho da Irene, como que a confortar a Isabel.

Não está um amor?