5.22.2015

Atenção à pasta de dentes da Chicco!

Atenção que estes foram os conselhos que ME deram, perguntem aos vossos especialistas de referência, ok?

Sempre li que temos de lhes começar a lavar os dentes assim que lhe aparecer o primeiro dente. Mesmo me sentindo um pouco "ridícula" lá comecei a fazê-lo com uma dedeira (uma coisa de silicone que se põe no dedo e que tem uma espécie de escova) e com a pasta de dentes da Chicco, uma que há praticamente em todas as farmácias. 

A minha pediatra tinha-me dito para lhe lavar os dentes com uma pasta de dentes com flúor mas, quando procurei, não havia nada com flúor para a idade dela. Confesso que pensei: "olhem, a pediatra estava enganada". Às vezes enganam-se, não é? 

Continuei a lavar-lhe os dentes com a da Chicco. Até que, no Facebook, num grupo de mães, uma dentista bastante informada e solícita (e simpática), respondeu a uma mãe em relação a este assunto: que pasta de dentes utilizar. E coincidiu com o conselho que me deram hoje e com a dica da pediatra.



Ora, o que ouvi hoje da minha higienista foi o seguinte: 

Dantes, achava-se que se deveria dar flúor em comprimidos às crianças (lembram-se?), mas veio a ser provado que raramente esse flúor chegava aos dentes e que até, nalguns casos, poderia causar sobredosagem, tendo em conta a composição de algumas águas no nosso país (acho que é mais provável de acontecer nos Açores). Agora acredita-se que a utilização tópica (mesmo no dentes) é a melhor. E, portanto, tem de se usar pasta de dentes com flúor logo que nascem os primeiros dentes. A recomendação da minha higienista, para a Irene, são pastas com flúor, com um sabor agradável para crianças que tenham mais de 1000 ppms (vejam na embalagem, mesmo não sabendo o que isso quer dizer mas acho que quer dizer qualquer coisa como "partes por milhão"). Só vamos encontrar isso nas pastas de dentes para crianças com mais de 7 anos. 

Atenção que a ideia é apenas sujar os pêlos da escova com a pasta de dentes. Nem é por pasta, nem chegamos a apertar o tubo. Põe-se muito pouco porque eles depois não vão lavar a boca com água, pelo que aquilo fica ali a marinar. 

Só mais tarde, quando são mais velhos - do que percebi, por volta dos 5 anos, quando já aprendem a cuspir e isso - é que se deve por uma ervilha de pasta. 

Claro que, para terem mesmo muito menos problemas de dentes, o melhor é evitar hidratos de carbono e açúcares e tal ao máximo, principalmente daqueles que ficam colados aos dentes. 

Ah! E ao contrário do que se diz por aí, dar mama à noite não provoca cáries. ;) Obrigada também a essa Dra. Rita muito simpática e solícita que apanhei num ou dois grupos de mães. 

5.21.2015

Um tapinha não dói?

A propósito do post de ontem As palavras que nunca te direi, que está a ser bastante partilhado (fico mesmo contente por terem gostado e se terem identificado), venho deitar mais achas na fogueira para reflectirmos juntos.


Um tapinha dói ou não dói? 
Eu acho que dói, principalmente na alma. De quem dá e de quem leva.

Deixo-vos uma história, com a ressalva de que o meu pai é mesmo o melhor pai do mundo. Errou, apercebeu-se do erro, pediu desculpas.

Não me lembro de apanhar. Duas vezes talvez. Não era hábito. O meu irmão talvez tivesse levado mais vezes, não sei, apaguei da memória. Mas lembro-me do meu irmão, muito pequenino, fazer asneiras e ir ter com a minha mãe, com as mãos esticadas, e dizer "bate, bate, bate" e da minha mãe se desmanchar a rir e não bater.

Os meus pais eram pacientes (tinham de ser mesmo muito, com dois irmãos que não se davam lá grande coisa, andavam sempre a brigar, mas que se adoravam, não é Frederico?) e resolviam a coisa quase sempre na base do diálogo. De vez em quando uns berros, que ninguém é de ferro.

Mas houve um episódio que me marcou. Digo que me marcou porque até hoje está bem presente na minha memória. Não que tenha ficado uma mágoa ou algum ressentimento, mas se me lembro de tudo de forma muito clara é porque foi impactante na altura.
Eu estava na sanita. O meu irmão conseguiu, não sei como, enfiar a carteira do meu pai na sanita. Deve ter ido dizer ao meu pai que tinha sido eu, porque só me lembro do meu pai vir ter comigo e me dar uma valente palmada no rabo. Chorei, chorei muito. Ele chorou mais ainda, quando se apercebeu que me causara dor. E, ainda por cima, por se ter apercebido que não tinha sido eu. Errou duplamente. Tenho essa imagem guardada. O meu pai ajoelhado à minha frente, na casa de banho, a chorar e a pedir-me desculpa. Só de me lembrar disto, fico com os olhos cheios de lágrimas, a pensar na culpa do meu pai.

Um tapinha dói. Dói a todos. E deixa memórias que não se apagam. 

Eu amo o meu pai, desculpo-o, desculpei-o logo na altura. Errou, como todos erramos. Mas não acho que as palmadas que levei tenham feito de mim a mulher que sou hoje. O que fez de mim quem sou hoje foram os ataques de cócegas, as festinhas a ver filmes deitada com a cabeça no colo dele, a paciência a explicar-me as equações, as boleias que apanhávamos nas ondas, as conversas à mesa da cozinha, a presença dele nos campeonatos de ginástica, a segurança que me passava, a motivação que ele me dava, o exemplo de esforço, de trabalho, a abnegação pelos filhos, as piadas secas, o humor (e o mau humor às vezes), a forma de dançar que me envergonhava, os conselhos, os abraços, os passeios, as manhãs de sábado passadas na cama, os quatro, a rir.

Bater não resolve nada. Nem sequer gosto de limpar o pó, por isso não deverá ser na minha filha que o farei. Para mim, um tapinha dói.

Como consegui armazenar 7 litros de leite materno.

Se alguma vez pensei armazenar leite e muito mais do meu e quanto mais 7 litros. O que a minha vida mudou nos últimos anos. Dantes, as mamas serviam apenas para desviar a atenção da barriga em coisas menos justas, agora foram o que fez com que a minha filha crescesse. 

Um dia conto a minha experiência até a amamentação ser só uma coisa boa. Ainda não me apetece. Muitos pormenores e tenho de fazer um esforço grande para me lembrar. Pensei, porém, em tentar ajudar as mães que têm de ir trabalhar e deixar os filhotes com outras pessoas. 

Atenção que não se deve começar a tirar leite enquanto a amamentação não estiver estabilizada para não correr o risco de problemas por excesso de leite.




- Não é necessário comprar uma bomba de leite. Se já tiverem amigas mães, basta pedir-lhes. Se tiverem sido mães há relativamente pouco tempo, o modelo ainda será dos melhores e poupam um bom dinheiro. Também há empresas que alugam bombas de leite, como a GEOFAR. Também há vídeos que ensinam a tirar leite manualmente no youtube, mas não é muito a minha onda. 

- Tirar leite é uma experiência por si, muito semelhante à da amamentação em muitos casos: é preciso querer muito, estando consciente dos benefícios. 

Ok, sou "só" mãe. Não sou especialista no assunto, mas eis o que funcionou comigo: 

- Comecei a tirar leite 3 meses antes de voltar ao trabalho  (DICA MAIS IMPORTANTE DE TODAS)- a pressa é inimiga do armazenamento de leite. Assim, tive tempo para todos os dias em que não saía nem uma gota, para os dias em que só saiam 10 ml, os que saiam 30ml e os que saiam 90ml e isto das duas mamas.  Sem stress.  Tirar leite com a bomba é um processo que demora muito tempo até começar a resultar. Se, durante várias tentativas não conseguirem, não stressem. Vai acontecer e é menos tempo que falta para conseguirem. Eu demorei imenso, imenso tempo. Acho que foram precisas umas 20 tentativas para começar a sair alguma coisa. 

- Comprei sacos da Babies 'r' Us no Toysrus - são muitos e muito baratos, torna-se mais fácil arrumar o leite no congelador, sem roupar espaço a tudo o resto. São os mais baratos que já vi à venda e sem artimanhas de mandar vir da internet.  Atenção que há bombas que já vêm com o seu próprio sistema de armazenamento integrado e que, portanto, pode ser mais fácil ainda do que transferir o leite do recipiente da bomba para o saco. 

- Tirei leite imediatamente após as mamadas - como nunca sabia quando ia oferecer mama à Irene e não queria sentir que poderia ter mais leite se não tivesse estado a tirar leite uns minutos antes (apesar da mama nunca ficar sem leite - é uma torneira e não "um cantil", mas são coisas que nos passam pela cabeça à mesma). Achei que, ao tirar leite assim que lhe acabava de dar mama, estava a dar indicações ao corpo de que o bebé tinha continuado a mamar e num breve espaço de tempo, o meu corpo começaria a produzir mais por mamada. Assim foi. Tirei leite após praticamente todas as mamadas do dia. 

- Guardei pequenas quantidades por saco - já que são baratos, borrifei-me para isso. E como, na altura, ela beberia por volta dos 150 ml, guardava 50/60/75 mil por saco. Até porque raramente conseguia tirar mais das duas maminhas. Desta forma raramente desperdiçávamos leite ao preparar biberões. 

- Tinha a bomba sempre ao lado do sofá já preparada para a próxima colheita - às vezes dá-nos a preguiça e o melhor é já ter tudo preparado para não haver desculpas. 

- Distraía-me a ver televisão ou a ver fotografias e vídeos dela - convém estarmos distraídas porque quanto mais nos focarmos na quantidade que está a sair, menos sai. Inibimos a hormona de ejecção do leite (oxitocina). Essa hormona, também chamada hormona do amor, pode ser activada por estarmos a ver vídeos e fotografias deles. 

- Via programas com legendas - a bomba costuma fazer algum barulho, por isso, não havia Casa dos Segredos para ninguém quando tirava leite depois da mamada de a por a dormir.

- Especificidades da máquina - convém irmo-nos entendendo com a máquina. A minha, às vezes, deixava de fazer vácuo correctamente porque eu não estava a segurar bem nela ou porque, depois de a lavar, não a limpei com paciência e a água não ajuda ao processo. Há bombas que temos de estar imóveis, outras que não, como aquela a que já fizemos publicidade aqui no blogue e que é, de facto, muito mais confortável (vejam aqui)

- Vi isto como um desafio - é como correr aqueles minutos a mais na passadeira. No final, por termos conseguido aqueles kms extra, sentimo-nos as maiores. Neste caso, com mais o motivo de estarmos a prolongar o melhor tipo de alimentação para o nosso bebé. Senti-me a maior por me ter organizado tão bem, por ter sido tão insistente. Fui trabalhar sabendo que a Irene ia continuar a ter "as maminhas da mãe" por perto. Não é a mesma coisa, mas melhor que nada. :)

- Não adiei - não pensem que depois tiram todos os dias no trabalho. Eu sou super fundamentalista da amamentação e, se tivesse continuado a trabalhar, provavelmente não teria continuado a tirar leite (arranjaria maneira de trocar refeições dela para só continuar a beber leite materno, claro). Não tinha paciência. Levar a bomba, lavar a bomba... era uma chatice. Dêem o melhor avanço possível em casa. 


Não se esqueçam que existem grupos de apoio à amamentação no Facebook e existe a linha SOS Amamentação, ambos repletos ou de mães com experiência ou de conselheiras de aleitamento materno (CAMS).

Mais sobre amamentação no blogue? Carregar aqui.