4.16.2015

a Mãe desbronca-se (#02) - Mudar os filhos para o seu quarto.

Olá, amiguinhas! 

Isto faz-me lembrar uma revista de cariz católico que recebia por correio na casa da minha avó. Acho que se chamava "Olá, amiguinho" ou, então, só amiguinho.


Bom, pelos vistos é "nosso amiguinho". Pelo menos tem "amiguinho" no título, já não é mau.

Desculpa, Ana Sousa, pela desconversa. Vamos a isso, a Mãe desbronca-se!


Não acho que devas sentir qualquer tipo de pressão em por o miúdo a dormir no quarto dele. Nós estamos equipadas com uma espécie de intuição (que não é intuição, mas que se nos apresenta como tal) que  nos orienta a tomar algumas decisões. Parece que isto não faz sentido nenhum e, provavelmente, não faz. Não me estou a conseguir explicar. Basicamente, se te sentes nervosa e ansiosa é porque, quase de certeza, não estás preparada para o fazer e poderá mudar muito a vossa dinâmica relacional. Por outro lado, se decidiste porque sim, sem pressões, mesmo que custe um bocadinho, quer dizer que está na altura. 

Segundo o que a Joana Paixão Brás me contou, vão passar todos a dormir melhor. É mais chato para quem amamenta fazer mais uns metros até ao quarto do lado mas, passado uns tempos, o teu cérebro ajuda-te a apagar esses momentos e já nem te lembras bem de quantas vezes te levantaste.



Algo que me ajuda muito é materializar esse tipo de sentimentos. Tens medo que ele cresça e deixe de precisar tanto de ti? Tens medo de não o ouvir? Ou é só uma ansiedade sem grande fundamento mas que te faz ficar com o coração acelerado? É receio da mudança, só porque sim?

Pensa que, lá por dormir lá uma noite, não quer dizer que durma todas (embora, o melhor para ele seja não andar a saltitar). Acho que podes experimentar e ver como te sentes. É como se fosse uma sesta durante o dia. Ele está a dormir noutro sítio e tu estás a fazer "a tua cena" no teu quarto. Não vejas como uma separação. Vê só como mais um momento de independência de ambos. 

Eu não lidei muito com essas emoções porque passei a Irene para o quarto dela logo no 2º dia de vida. Confesso que talvez tenha sido por babyblues e talvez agora tivesse ficado com ela no quarto e até dormisse comigo, mas não me "arrependo" da decisão. Não senti que lhe tivesse feito confusão, a mim também não fez. 

É mais um daqueles casos em que "a mãe é que sabe". Pergunta por que é que estás a tentar dialogar contigo própria no sentido de o pores no quarto dele. Tenta perceber se a razão é importante. Depois experimenta, mas não sem antes te esclareceres que não estás a abandonar o teu filho, que não ficam menos amigos, etc. 

É só dormir noutro sítio. Vais lá na mesma quando ele te chamar :)

Sabes como a Irene e eu somos chegadas e ela nunca dormiu no nosso quarto. 

Olha, até podes ler um post que escrevi há muito tempo aqui

Depois conta-nos como correu, sim? ;)

Beijinhos e boa sorte! ;)


Nota: Atenção que não sou especialista no assunto, sou só uma mãe, mas vou convidar a Verina Fernandes da "Sono de Sonho" a comentar isto, talvez dê uma boca dica. Fiquem atentas aos comentários.

A Ana Sousa fez uma pergunta ali no sítio da nossa rubrica. Querem fazer o mesmo? 

1 ano separa estas imagens


É de comprar este sofá ao senhorio, não acham?


4.15.2015

Comunico muito pouco com o meu cérebro.

Comunico muito pouco com o meu cérebro no dia-a-dia. Não gosto de entrar em diálogo. Gosto de sentir, fazer e pronto. Isto leva a que cometa erros muito simples constantemente. Os mais comuns são errar profundamente na escolha do tamanho do tupperware para guardar comida, mas mesmo de forma preocupante. 

Não sei se já disse aqui, mas é um exemplo que dou frequentemente: com aquelas caixinhas de enfiar as peças de formas diferentes (a estrela, o cubo, o cilindro, etc), em vez de olhar onde é que a estrela deve caber, prefiro fazer à bebé e tentar em todas primeiro. Não me importo por perder mais tempo se falhar, porque se acertar sinto-me a maior do mundo por ter sido muito rápido. É, no entanto, uma experiência dolorosa para quem goste de mim e esteja a olhar. Tenho a certeza que muitas das vezes o meu marido trauteia uma música triste para dentro enquanto me vê a fazer estas coisas, tentando imitar um anúncio de pedido de contribuição monetária para uma coisa de solidariedade. 

Imagino o copy (com uma voz muito bem colocada e séria): 

"Tem quase 30 anos. Já é mãe. É incapaz de pensar por um segundo que seja. [isto enquanto estou feita parva, de língua de fora, a tentar acertar com a estrela no cubo]. Isto já é a seguir de pena. Isto é triste."

Aqui ela tinha 1 dia de vida. <3


Eu gosto de fazer coisas parvas. Gosto de me rir comigo própria. Raramente falho em coisas importantes (aí estou mais atenta), por isso não tenho vergonha.

Ficar meia hora a descobrir como se abre um copinho da Avent pode ser um embaraço para a maior parte, mas eu rio-me sempre que penso nisso. Ter demorado mais de meia hora aos 15 anos a descobrir como se montava uma tábua de engomar, também. Tentar enfiar 5 litros de sopa num tupperware para guardar molhos... Ligar a água para tomar banho, estar no modo de chuveiro e ficar toda encharcada.  A última gira é terem começado a aparecer fraldas sujas no cesto de roupa suja e não sei se sou eu ou o Frederico, sequer. 

Isto claro que piorou desde que a Irene nasceu e estou sempre cansada por não dormir bem. Os acidentes durante a noite são os mais parvos. Também vos acontece? 

Eu não ligo nenhuma luz à noite. Gosto de me armar em super-mulher, com super-poderes e vou (sem usar as mãos para ir apalpando) percorrendo o caminho para o quarto da miúda. Já bati com o focinho em portas, já dei uma biqueirada na mesinha de cabeceira, ja ia tropeçando numa pantufa e nem uso pantufas, já dei umas patadas nos gatos que adormecem em sítios perfeitamente imbecis de vez em quando. 

A que aconteceu (se não foi ontem, foi há muito pouco tempo) foi ter posto a Irene ao colo para mamar e nada acontecer. Ela estar a chorar e não pegar na mama que tinha posto de fora. Esquisito. Depois lá percebi que tinha pegado na miúda ao contrário. Ela tinha ficado ao contrário na cama, dentro do saco de dormir. Peguei nela com a cabeça virada para o chão (imaginem acordar assim e a mãe pegar assim em vocês) e depois fiquei à espera que os pés dela mamassem. Pensei: "a miúda está estragada!", mas não. Tem uma mãe parva e cansada. 

Sei que não sou a única, mas fica a dica: os pés não mamam.