3.03.2015

Agrupem-se, prenhas!

Imaginava lá eu que ia ser daquelas pessoas que tinha um grupo de amigas da internet, que nunca antes tinha visto na vida. Sim, mesmo agora que o mIRC já acabou e em que eu não podia passar a minha vida no #lindas a ser humilde. 

Por obra e graça do Novo Banco lá fui parar ao fórum De Mãe para Mãe. Alguém teve a brilhante e amorosa ideia de abrir um thread com o título "mães de Março de 2014" à qual eu me juntei, em pânico para poder falar com outras mães sobre o que eu sentia e se a quantidade de puns que eu dava era igual à delas ou se estava alguma coisa errada com a bebé. 

Houve outro alguém (desculpem, moças, mas como só lá fui parar depois de vocês, não sei quem fez o quê) que teve uma ideia ainda mais brilhante (parecia um aileron de um Seat Ibiza na Vasco da Gama) e criou um grupo fechado no Facebook. 

O que partilhávamos aqui? Tudo. As nossas roupas, as nossas barrigas, as nossas lineas negras (não é uma referência ao single de Juanes, não), a cor dos nossos cocós quando começamos a tomar ferro, as ecografias, coisas nojentas dos nossos pipis, choradeiras sem motivo, os preparativos para o parto, etc. 

Como engravidei "cedo" (na minha cabeça, para o que eu tinha planeado antes de conhecer o meu marido - que era não engravidar), não conhecia ninguém que tivesse estado grávida neste novo milénio. Esta foi a minha família, as minhas melhores amigas, as minhas irmãs e, confesso, a salvação do meu casamento por passar tudo para elas e menos para o Frederico (tem nome de beto, não tem, o meu maridinho?). 

Desde que a Irene nasceu que ando mais ocupada e acabei por partihar aqui no blog o que dantes partilhava lá no grupo. Acho que também não devem sentir muito a minha falta porque nos primeiros meses de vida da Irene, como ela demorava 20h a mamar, eu lia imensos artigos científicos e era o que eu publicava por lá. Chata, eu sei. 

Agora estamos na fase de comemorar os aniversários dos bebés todos - houve alguns traidores que nasceram antes de Março, mas reunimo-nos todas e deixamos ficar essas mães no grupo na mesma! ;)

Grávidas, agrupem-se. Façam o que nós fizemos. Acho que a gravidez se torna algo ainda melhor, os partos também e ganham uma nova família.

Estou toda sentimental porque andamos todas a ver o histórico do que escrevemos há quase um ano quando fomos parir e isso. Eis alguns dos meus posts! 


Vejam as datas e as horas, acho que vale a pena (para quem não tiver um rabo para fazer e for muito cusco ;))



















Não lhe quero cortar o cabelo e ponto final!

A Isabel nasceu e parecia um macaquinho, acho que já contei essa história. Pelaria por tudo o que é canto e toda a gente a fazer questão de compará-la com um primata. Nada contra, adoro macacos (menos os que vejo os condutores tirarem nos carros - será que acham que os vidros são fumados?), mas também tinha olhos na cara, apesar de quase me terem saído das órbitas durante o parto.

Bem, a minha macaquinha transformou-se numa Cinderela e a pelaria foi à vida. Restaram os cabelos da cabeça, fininhos, fininhos, e uma quase monocelha (quando as sobrancelhas se unem). Já tirei com cera e com gilette, mas voltam sempre a nascer. Tive de recorrer à pinça e ela até nem chora muito. Estou obviamente a gozar, não fiz nada disso. Nem tenciono fazer.

Quanto ao cabelo, toda a gente me diz "tens de lhe cortar a franja, coitadinha". Ok, já lhe chega à ponta do nariz e vai-se a ver e é por isso que ela tropeça e cai tanto, mas eu tenho medo. Eu consigo saber a 300 metros que bebés foram submetidos ao Eduardo Mãos de Tesoura. Ora ficam a parecer uns abades, ora uns hippies. Franjinhas rentes ao cocuruto da cabeça não me agradam nada. Notei logo quando a Joana cortou o cabelo à Irene e aquilo ficou mesmo muito, muito estranho. Por isso, não quero, para já.

Agora, soluções: a que gosto mais são os laços. Só aguentam 10 minutos de cada vez naquela cabecinha porque ela adora arrancá-los. Fitas não ficam naquela cabeça nem 1 minuto. O que ainda aguenta lá mais tempo ainda são as palmeirinhas, que ela não consegue arrancar com facilidade, mas acho que não lhe ficam nada bem.

Há mais soluções? Não, pois não? Pronto, ficamos assim. Laços, enquanto ela não se lembra deles. Grandes, coloridos e a fazer pendant com as roupas, mesmo à betinha.




3.02.2015

E se ouvíssemos os nossos filhos?

Leiam até ao fim, sff. Só assim fará sentido. 




Não gosto que me gritem. 
Fico a sentir-me assustada. Triste. Que não valho grande coisa. E acho que essa pessoa não gosta de mim. 

Não gosto que me afaguem depois de dizer que não quero. 
Se só tem piada para um, qual é a graça de continuar? 

Não gosto de dormir sozinha.
Não gosto. Só me sinto segura quando tenho quem me protege a meu lado. Mesmo que não haja nada do qual eu tenha de ser protegida.

Não gosto que me digam que não sem me explicarem porquê.
É uma falta de respeito. Só faz com que eu pergunte mais vezes até me darem alguma coisa que faça sentido. Dizerem-me que não é pedirem-me que não seja simpática a seguir. Só porque sim.

Não gosto de ir para a cama quando não tenho sono.
Às vezes não tenho sono à hora do costume e, se for para a cama, morro de seca. Estou cheia de energia e não tenho nada para fazer. Além de não ter ninguém que me faça sentir mais segura.

Odeio comer sem ter fome.
Nunca o faço. Para quê? Como depois. Não tenho fome porque, provavelmente comi bem antes, o que for. Se tivesse de comer sem ter fome, passaria a odiar a comida e quem me obrigasse a comer. 

Odiei as vezes em que adormeci depois de ter passado toda a noite a chorar.
Quando sofremos desgostos é o que fazemos. Acabamos por chorar até adormecer. Piores noites de sempre. Odiaria que todas as noites fossem assim.

Não admito que me acordem sem motivo.
Acordo com super mau feitio e mesmo muito muito virada do avesso se me acordarem sem motivo. Ou por mero capricho.

Às vezes preciso de chorar e de espernear.
É normal sentirmos coisas. Termos emoções. É bom exprimi-las. Com a idade aprendemos a controlar-nos melhor, às vezes até "bem demais". 

Odeio que não me dêem o meu espaço.
Às vezes quero estar na minha vidinha a ler as minhas coisas, a mexer no computador, a ver as minhas séries. Não quero companhia. Quero sentir-me independente e descansar.

Odeio que não me liguem nenhuma.
Toda a gente gosta de miminhos e eu não sou excepção. Adoro que me dêem sem que eu tenha de pedir. Ou de inventar uma discussão para chamar a atenção.

Não gosto de fazer todos os dias as mesmas coisas.
Fico deprimida e aborrecida se não sair de casa com alguma frequência, se não fizer coisas diferentes.

Fico muito muito cansada se andar todos os dias a passear.
Gosto de ficar em casa, de me sentir confortável, de estar calminha e de poder descansar. 

Não gosto que me substimem.
Gosto que puxem por mim, gosto que me tratem de acordo com o meu potencial.

Não gosto que me vejam a chorar e que não se preocupem comigo.
Mesmo que não pareça nada de importante. É-o para mim. Não se preocuparem comigo é mostrarem que não gostam de mim. 

Não gosto de chamar por alguém e que não me respondam. 
Além de falta de educação, parece que a outra pessoa não quer saber de mim.

Não gosto que agora me digam uma coisa e depois outra.
Deixo de confiar nessa pessoa e fico confusa.

adoro que me oiçam. adoro que me dêem atenção. adoro que me deixem estar. adoro que me dêem de comer com vontade. gosto que venham logo assim que eu chamo. gosto que sorriam de volta quando eu sorrio. gosto que se riam das minhas piadas. gosto de não levar por tabela. gosto de adormecer no quentinho. não gosto que me deixem sozinha. gosto de miminhos. gosto de sentir que gostam de mim. gosto de adormecer contente com o dia que passou. gosto de acordar e de me sentir feliz, bem recebida. gosto de beijinhos. gosto de abraços. gosto de fazer as coisas com calma. gosto que falem comigo educadamente, com carinho. gosto que me façam festinhas até adormecer. gosto muito de comer as minhas comidas preferidas. gosto de tomar banho e de desfrutar do banho. gosto. gosto. gosto.


Isto sou eu que tenho quase 30 anos e que já consigo dizer claramente o que gosto e não gosto. 

Por que é que não tratamos os nossos filhos como pessoas, só por não saberem "chegar até nós"?