12.23.2014

A arte de mudar fraldas a dormir.

Claro que o título se refere a quando os bebés estão a dormir e não nós. Nós sabemos perfeitamente como mudar fraldas a dormir, basta que lhes tentemos mudar uma fralda às 2h da manhã ou às 5h ou... 

Aqui entre nós, só vou à parte "deixa ver se é a fralda", depois de já ter experimentando tudo o resto. É muito arriscado, durante a noite, estar a mexer-lhes muito, estar a por-lhes a fralda e eles com as pernas ao léu. É um pânico terrível.

Senão vejamos aqui os nossos principais inimigos

  • Luz. Parece que não há uma luz indicada para que consigamos ver bem o que estamos a ver e que não os desperte. Vou pegar na venda que temos ali no quarto e pô-la na Irene. O quê? Eu disse que temos uma venda no quarto? Ah. É porque o estore está estragado e eu não consigo dormir com luz (serviu?). 
  • Frio. Quanto mais frio, mais enchouriçado está o bebé, mais roupa temos que despir e mais briol apanha quando tem as pernas cá fora. Se, ao menos, houvesse uma maneira de por uma espécie de tubo na fralda, aspirar e não ter que os despir... Hã? Óptimas ideias aqui para vocês. Se me aparecem no Shark Tank com isto, dou-vos uma murraça.



Ora aqui vão (e de graça) algumas dicas que eu cá aprendi por sentir que estou sempre num campo minado, quando lhe mudo a fralda à noite (evitei ao máximo mudar-lhe fraldas durante a noite, sob aquela máxima do "mas na caixa diz que aguenta até 12 horas", a questão é que há mesmo uma altura em que se torna inevitável, por muito que tentemos negar e, acreditem, tentei): 

  • Mudar a fralda na cama. Ter tudo à mão, claro. Não nos podemos dar ao luxo de, ainda por cima, termos que mudar os lençóis por ficarem sujos. Temos de ser rápidas como os chefs quando cortam vegetais daquela maneira sexy. Os especialistas dizem que o caldo está entornado (para voltarem a adormecer) se os pegarmos ao colo, por isso, visto que dá para mudar a fralda na cama...
  • Não usar babygrows armados em finos. Quanto mais práticos forem os babygrows, melhor. Se forem daqueles com molinhas no rabo, é complicado porque temos de os virar do avesso para por as pernas de fora.  Pijamas. Os pijamas são nossos amigos. É só baixar as calças e já está. Estou há meia hora para pegar na última frase ("É só baixar as calças e já está) e acrescentar-lhe a seguir: "mais ou menos como comer a - inserir nome de porca famosa aqui -", mas não tenho coragem. Até tenho, mas um dia, sei lá, posso vir a trabalhar com elas, sei lá. Pronto. Fica Elsa Raposo.
  • Tirar o bolo e pronto.  Temos de pensar que eles já têm muita sorte em que estejamos a arriscar a nossa vida (noite) em lhes estarmos a mudar a fralda. Por isso, não hão de falecer se retirarmos só o "bolo" e trocarmos a fralda (por "bolo", entendam "cocó", acho que mais vale explicar do que acharem que guardo um mil folhas nas fraldas da Irene). Sinto sempre que ela desperta com o facto das toalhitas estarem frias. Eu sei que existem aquecedores de toalhitas, mas por favor, já comprei um aquecedor de biberões à parva, já chega. 
  • Guardar a fralda suja no dia seguinte. Se tiverem um cesto do lixo com tampa no quarto, não arrisquem. Enrolem a fralda e arrumem-na de manhã. Ninguém falece por ficar ali encostada a um canto (desde que fechada). Quanto menos barulho, melhor.
  • Tentar não ter as mãos muito frias. Eu berraria se, a meio da noite, me passassem uma posta de pescada congelada nas pernas. Deve ser isso que eles sentem.
  • Fazer tudo com o mínimo de luz possível, se chegar a luz do despertador do quarto do bebé ou da luz de presença, melhor.  Eu sigo-me pela luz do intercomunicador (que só usamos durante o dia), nem preciso de mais nenhuma. 
  • Por-lhes o dou-dou (aqueles bonecos para dormir, tipo umas fraldas com cabeças de bonecos) nos olhos. Se não conseguirem fazer tudo quase às escuras, experimentem por-lhes o coelhinho ou o boneco com o qual eles dormem, em cima dos olhos. Pode ser que adormeçam outra vez ou, pelo menos, ganham tempo em que eles não estão a levar com a luz nas trombas e tentam ser supersónicas a mudar-lhes a fralda. 
Fica aqui tudo o que aprendi na arte de mudar fraldas à noite nos últimos nove meses. Temos de ser umas para as outras! Depois digam que se funcionou ou se "rebentou a bolha"

Querem que a primeira palavra seja mamã?

Adoramos que os pais se dediquem aos bebés, adoramos que se adorem mas, por dentro, ai dos nossos filhos que não digam primeiro "mamã". 

Estou convosco, mães cujos filhos, depois de tanto mês a depender só e somente da mamã, são ingratos ao ponto de começarem a balbuciar primeiro um "papá" ou, pior, "papapapapapapapapa". Que dor. É aqui que, mais uma vez, a nossa capacidade de representação é posta à prova: 

"Oh meu amor, que querido! Fico tão contente que a primeira palavra dela seja papá. É mesmo comovente, olha para mim a chorar e tudo, amo-vos tanto." - lágrimas caem, mas de nervos e por estar a fazer um esforço enorme para não enfiar os dedos com uma camada de gelinho antiga nas pálpebras do pai





Truques para que o bebé aprenda primeiro a dizer o que interessa (mamã, portanto): 

  • Assim que consigamos perceber que gostam de nos ouvir cantar (ou a tentar cantar), cantarmos todos os dias durante meia hora a música "Mamã, eu quero" sempre no máximo da nossa expressividade e, se possível, com coreografia a acompanhar. É cansativo? É. Ouvir "papá" primeiro, depois de termos feito com que aquele perímetro cefálico saísse do nosso perímetro vaginal também. 
  • Sempre que o pai apareça ou fale com o bebé, referirmo-nos a ele como o "eutdgihfkjn". "Olha, quem é ele, é o uridfjksx, gostas do gruekjdf"? Sim, é intencional ir variando. Se a miúda nunca ouvir a palavra papá e, se o nome do pai for super complexo e for mudando, estamos a ganhar território à grande. Vale tudo, meninas. Vale tudo. 
  • Quando desconfiarem que o bebé tem fome, provoquem-no dizendo (no tom mais agudo possível, vocês sabem como é) "quer maminhas? quer maminhas?" e depois dêem-lhe de mamar. Se possível, acompanhem esta provocação sonora com o por mesmo os seios de fora. Assim, o bebé começa a associar o som "mam...mam..." a coisas que ele gosta e/ou precisa e/ou o consolam. O pai agradece mais uma oportunidade para nos ver as nossas chuchinhas (ou então, como o meu, diz que, para ele, já nem são mamas porque está farto de as ver).


Nota: Não garanto resultados, mas garanto que tentar obtê-los assim é divertido. Nem que seja para mim, deste lado, a imaginar-vos a fazer isto tudo ao mesmo tempo e com as mamas de fora. ;)

12.22.2014

Vai para o quarto dela.

Quando é que se põe os bebés a dormir no quarto deles?

Alguma literatura diz que deve ser por volta dos 9 meses por já não haver tanto risco de morte súbita (li aqui e noutros sítios, mas que agora não me vou por a procurar, apesar de gostar muito de vocês).

Li também que não convém ser perto dos 9 meses, o melhor é ser muito antes ou muito depois por causa da ansiedade de separação que ocorre por volta desta altura e, portanto, para não se sentirem abandonados por serem colocados noutra divisão. 

Não preciso de ler qual será a opinião do muito amado pediatra Carlos González sobre isso porque é sempre "como a mãe achar melhor". E, neste caso, concordo: a mãe é que sabe. 

Nunca percebi qual pode ser o nosso contributo para não ocorrer a morte súbita. Se é súbita, se não se sabe por que é que acontece, como é que os pais poderão evitar isso, estando perto dos bebés? Não percebo. Devo estar mal informada (algo que, de vez em quando, é possível).  

Se fosse morte por engasgamento súbito, percebo porque ouviríamos e fazíamos aquelas manobras de emergência (também se ouve se eles dormirem no quarto ao lado). Sendo que é súbita, se ninguém sabe por que é que acontece, até porque se soubéssemos, deixaria de existir tão "subitamente", será por uma falsa sensação de segurança que, por isso, também os queremos no quarto connosco?

Seja como for, a Irene foi para o quarto dela no 2º dia cá em casa. A respiração dos recém nascidos é tão irregular que, sempre que não a ouvia respirar, achava que ela tinha morrido. Estava a dar em doida (ainda mais), para além de ainda ter o pipi todo cosido, ter os pés todos inchados, estar ainda toda "mamadinha" do parto, tudo. E queria descansar. Além disso, sempre que tinha de lhe dar de mamar, de três em três horas, tinha de acordar o pai para fazer tudo isso (no início, com pouca prática, é tudo muito complicado) e assim era mais justo. Se era eu quem tinha de acordar para dar de mamar, era só eu quem acordava. Poltrona no quarto dela e dava-lhe de mamar de olhos fechados. 



Habituamo-nos, desde sempre, a ter a Irene no quarto dela e acho que ela também. Aos 3 meses fazia noites seguidas de 12 horas (até tivemos de falar com a pediatra, para saber se estaria tudo bem). A verdade é que, desde aí, nunca mais dormiu tão bem, mas atribuo isso ao facto do cérebro dela estar a fritar de tanta coisa que anda a aprender. 

Sei que é chocante ter posto a minha filha a dormir no quarto dela tão cedo até porque, na altura, andava num centro de recuperação pós parto para mamãs (durei umas 7 aulas hehe), falou-se sobre isso e tanto a PT como as outras mães ficaram em puro choque (o que me magoou um pouco, dada a falta de sensibilidade da PT, mas deve ter sido por causa das minhas hormonas ou assim, porque não costumo ser muito sensível no que toca a julgamentos públicos). 

Se eu não tivesse passado por isto, provavelmente julgaria que seria sintoma de depressão pós parto e falta de apego à bebé (que me aconteceu, é verdade, na maternidade, mas não acho que tenha sido falta de apego, atribuo a parto traumático, mas também falarei disso noutro post). 

Não vejo necessidade nenhuma de ter a bebé no meu quarto. Ela está tão perto de mim no quarto ao lado que nem preciso de intercomunicador. Acordo ao mínimo barulho dela. Como não dormimos na mesma cama, não vejo necessidade (apenas vontade, claro). Ando doida para, um dia, conseguir dormir com a Irene, na mesma cama, mas a pirralha ainda não se acalma a esse ponto. Fica para quando ela tiver 40 anos e estiver a mudar-me as fraldas. 

Infelizmente sei de muitas mães que reagem a por os filhos nos quartos deles como se fosse uma expulsão da casa dos segredos: eles não vão morrer, não vão desaparecer, vão só para outro sítio e, mesmo assim é o pânico total. Deve ser uma hormona maternal qualquer que me falta, mas acho muito bonito, claro. 

Para mim, o lugar das mães é sempre ao pé dos seus bebés, mas eu sinto-me ao pé da Irene na mesma. 

Quanto a ter falta de apego à Irene... nem me vou pronunciar. :)

Quando planeiam por os vossos bebés no quarto deles? Ou, para as mães mais experientes, quando os puseram?

De ressalvar que há imensas vantagens em os bebés dormirem sozinhos (quando a mãe sentir que é oportuno), não estamos a falar de um mal desnecessário, ok?

Faço sempre a ressalva de que "a mãe é que sabe" porque tudo o que ela sinta que é contra-natura, além de matar todas as vantagens, até poderá fazer mal e a todos lá em casa.


*imagem do site We Heart It.