11.03.2015

Para ti, barriga.

Olá, sua coisa.

Nunca te prestei muita atenção. Aliás, passei a minha vida toda a tentar não te prestar atenção, mas prestando. Sempre estiveste aí, sempre estiveste demasiado para fora. Nunca foste lisinha como as das outras. Quando era pequenina achava que era porque tinha tentado arrotar de propósito muitas vezes e, por isso, tinha muito ar preso... Com o tempo fui-me apercebendo que afinal era só muito parva e que não seria disso de certeza. 

Mesmo em pequena, quando comprei o meu primeiro biquini (que me lembre) na Naf-Naf da Figueira da Foz, tinha imensos complexos e estava sempre a tentar encolher-te 

Depois passei por uma fase que achava que se andasse sempre contigo enconhida que passava a ter abdominais, mas não. 

Cheguei a dormir com um cinto a apertar-te para me obrigar de te encolher. 

Desisti. Mesmo com natação, mesmo com ginásio, às vezes com dietas, nunca consegui ter-te como queria ter (deve ser impossível para o meu corpo). 

Comecei a comprar só roupa larga para não mostrar que o meu corpo se assemelha a uma vela a derreter. 

Engravidei. Com muitos menos problemas que algumas mulheres quando se preocupam que vão perder a forma. Não, eu não perderia a forma, a forma de pomar. 

Agora estou igual a antes. Disforme com forma. Uso t-shirts largas. 

Tu foste uma casa. A casa de um bebé. "Tu moraste cá dentro, Irene". 

E, pela primeira vez, barriga... estás a ouvir? Pela primeira vez... não te odeio. A minha filhota até teve mais espaço para dar a volta. 

Agora que sou mãe, tu (barriga) és só isso. "Isso" e a ex casa da melhor coisa do mundo.

Gosto de ti, barriga. 

Há um teste horrível que as grávidas têm de fazer!

Quer dizer, até há dois. Lembrei-me agora daquele teste da glicose que em que é mais difícil aguentar o vómito do que depois de um casamento bem regado. Tem de se engolir a pior mistela de sempre. Laranja ou limão? Limão, pensei eu, para não ser tão enjoativo. Hã hã. A sério que não encontraram ainda outra alternativa àquele teste? Acho que as grávidas só aguentam aquela nojeira cá dentro com medo de terem de repetir o teste.

Vamos a outro teste que me deixa lindas recordações (not).
No final da gravidez, temos de enfiar - enfiam-nos - um cotonete no pipi. E no rabiosque. 

"Uauuuu, grande coisa se depois vai passar o equivalente a um camião TIR de cotonetes pelo mesmo sítio no parto."

Não, mas a sério. Raios para o Estreptococus B. Aquela porcaria do teste é supostamente indolor, mas magoaram-me para caraças. Só para terem uma ideia, custou-me mais o teste do cotonete do que todos os toques na altura do parto. Não sei se apanhei uma enfermeira a dar para o brutamontes se o que foi, mas até chorei. Fiquei com aquela zona dorida durante não sei quantas horas.

Mais alguém com esta experiência? Ou foi tudo pacífico e eu tive azar (espero bem que sim)?

Para saberem mais sobre a necessidade deste teste: aqui.

Sou uma sexy mom (será?...)


Epa! É que sou mesmo, mesmo boua (ler assim mesmo). Mesmo, mesmo...




No fundo, no fundo, todas temos uma potencial sexy mom dentro de nós (basta uma - já ultrapassada - duck face) mas o que nos torna únicas é sermos palhaças.