Olá, sua coisa.
Nunca te prestei muita atenção. Aliás, passei a minha vida toda a tentar não te prestar atenção, mas prestando. Sempre estiveste aí, sempre estiveste demasiado para fora. Nunca foste lisinha como as das outras. Quando era pequenina achava que era porque tinha tentado arrotar de propósito muitas vezes e, por isso, tinha muito ar preso... Com o tempo fui-me apercebendo que afinal era só muito parva e que não seria disso de certeza.
Mesmo em pequena, quando comprei o meu primeiro biquini (que me lembre) na Naf-Naf da Figueira da Foz, tinha imensos complexos e estava sempre a tentar encolher-te
Depois passei por uma fase que achava que se andasse sempre contigo enconhida que passava a ter abdominais, mas não.
Cheguei a dormir com um cinto a apertar-te para me obrigar de te encolher.
Desisti. Mesmo com natação, mesmo com ginásio, às vezes com dietas, nunca consegui ter-te como queria ter (deve ser impossível para o meu corpo).
Comecei a comprar só roupa larga para não mostrar que o meu corpo se assemelha a uma vela a derreter.
Engravidei. Com muitos menos problemas que algumas mulheres quando se preocupam que vão perder a forma. Não, eu não perderia a forma, a forma de pomar.
Agora estou igual a antes. Disforme com forma. Uso t-shirts largas.
Tu foste uma casa. A casa de um bebé. "Tu moraste cá dentro, Irene".
E, pela primeira vez, barriga... estás a ouvir? Pela primeira vez... não te odeio. A minha filhota até teve mais espaço para dar a volta.
Agora que sou mãe, tu (barriga) és só isso. "Isso" e a ex casa da melhor coisa do mundo.
Gosto de ti, barriga.