3.18.2015

Partilhar é tão bonito (mas custa).

Ontem foi a primeira vez que a Irene esteve sem nenhum de nós os dois. Quando fui trabalhar, ela ficou com o Frederico que tratou dela tão bem quanto eu ou, se calhar, até melhor visto que não é tão ansioso.

Ontem foi a primeira vez. O Frederico tem uma peça no Trindade e eu tive mesmo que ir espreitar o ensaio para não perder mais uma coisa que ele fez. À noite não gosto mesmo de sair porque gosto que ela mantenha a rotina do sono dela e não quero que ela acorde e a mãe não esteja em casa. 

Sei que, para muita gente, deixar o filho com alguém só quando ele já tem um ano parece absurdo, mas foi quando me senti preparada. Além disso, acho que tenho muita sorte em não ter precisado antes.  O não estar a trabalhar e o Frederico ser freelancer, faz com que ambos tenhamos conseguido estar sempre com ela ou, em excepções, sempre um de nós. 

Fui eu quem sugeriu que ontem ela ficasse com a Avó Doce (como lhe chamamos porque é como ela trata a Irene) e o avô Virgílio (ainda não arranjámos alguma mas, se ele deixar, ficará vivi só por não ter nada que ver com ele - depois digo que foi a neta quem inventou e pronto).

Chegaram quando ela estava a dormir. Óptimo timing. Depois era só acordar, dar a papa, brincar e esperar por nós para o jantar. Claro que a minha sogra chegou com dois sacos da Zara cheios de roupa (voltei a dar-lhe luz verde para comprar, depois de me ter enchido os armários quando a Irene era recém-nascida) e roupa linda. Sempre que se compra na Zara é seguro. 

Saímos, fomos ao ensaio de imprensa da peça e acabei por ficar mais tempo do que era suposto para conseguir assistir ao ensaio geral e, assim, poder ver o trabalho do Frederico (e do César Mourão e do resto da equipa, claro), na íntegra. Não estava nervosa. Estrava mesmo tranquila. Senão teria vindo assim que acabaram as entrevistas. Decidi ficar mais tempo.

De notar que não nos sentimos diferentes. Não nos sentimos mais felizes ou menos felizes. Senti-me apenas com ainda mais saudades da Irene por nenhum de nós estar com ela.  Ela está todas as semanas com os avós, iria ficar em casa com eles, por isso era tudo mais do que familiar. 

A única diferença e que fez muita diferença foi termos andado de mãos dadas. Já não andávamos de mãos dadas desde que fui para o hospital com contracções. Em casa seria estúpido andarmos de mãos dadas e na rua, anda sempre um com a Irene e o outro "à vontade".  Gostei de lhe dar as mãos. Senti borboletas (sinto todos os dias mas, desta vez, foi por lhe ter dado as mãos).  Tinha saudades de vê-lo um bocadinho mais como Frederico.  :)



Pelo que os avós me foram dizendo pelo WhatsApp (simmmmmmmm!!! Não andamos aqui a brincar!!! Avós super postos a par do que se passa!!! Só não descarregam o Tinder porque estão bem casados um com o outro) estava tudo a correr mais do que bem. Irene super bem disposta, a dançar, cantar, a fazer como faz o urso. A ser palhacinha como os genes da mãe lhe dizem para ser, no fundo. 

Eu estava muito feliz e relaxada. Nunca pensei. Realmente fazer as coisas só quando já estamos preparadas tem outro impacto. Oiço e leio relatos de mães que tentam afastar-se antes dos filhos, antes de terem a certeza e é sempre muito penoso para elas. Divertem-se mas tão menos do que se adiassem esse momento para mais tarde. Se me tivesse afastado da Irene antes (que me afastei, estou a dizer... partilhá-la com os avós, sem nem eu nem o Frederico estarmos presentes, deixá-la "sozinha"), acho que não iria ser saudável para ninguém. Eu iria estar ansiosa (senti-a muito muito dependente de mim - acho que é normal um bebé precisar da mãe, independências só quando forem maiorzinhos, no caso da Irene quando tiver 55) e, por estar ansiosa, o Frederico não iria gostar tanto da minha companhia, chatearia muito os avós a todos os segundos, etc. 

Foi perfeito.

Tirando o facto de termos apanhado imenso trânsito e não termos chegado a tempo de fazer o jantar da Irene. Enfardou meio litro de sopa que era o que havia (e já comeu muito mais do que era costume). 



Cheguei e claro que chorei. Chorei porque senti a minha filha muito mais longe de mim por nenhum de nós ter estado com ela. Roubei-a logo a toda a gente e fui dar-lhe banho para me por a par das novidades. Segundo o que a Irene disse: "bfdjksfs,dbfhskldjrnfljksbldf". Inacreditável. Depois voltei e estava toda orgulhosa de mais este marco na vida de todos. A Irene tomou conta dos avós, os avós dela, os pais foram namorar e estiveram bem e, acima de tudo, fomos todos muito felizes ontem à tarde, apesar de não termos estado todos juntos. 

Tenho muita sorte com esta minha nova família. Tanta sorte que até escolhi o apelido para meu.

Tanta sorte que até os deixei tomar conta da minha filha, ficando eu descansada.

No final, estava tão contente pela minha sogra, por ter podido ser avó sem me ter sempre a olhar-lhe por cima do ombro. Ela é um anjo. Mesmo. 

A Irene é de todos. Devagarinho para a mãe não ter um AVC, mas é.

Obrigada avó Doce e Vivi.

Casting para Pediatra

Está aberto o casting. Durante este mês não vou a um, mas a três pediatras diferentes com a Isabel.

1. Vou dar uma nova oportunidade à pediatra da Isabel. É como um coming back, para ter uma última oportunidade de mostrar aquilo que vale (isto depois de, com a bebé internada com pneumonia, em dezembro, ter enviado uma SMS a desejar APENAS as melhoras).

2. Vamos a uma consulta no público, com a pediatra que a acompanhou durante e após a pneumonia.

3. Vamos a uma consulta numa nova pediatra que me aconselharam, que está no privado e no público.


Claro que se a minha filha tivesse médico de família, ficava mais descansadinha e não andava nestas andanças, mas como não lhe atribuem médico no centro de saúde, sinto-me mais aliviada assim, tendo um acompanhamento próximo.

Gosto da pediatra da minha filha, palavra que gosto, mas naquela hora de maior aperto, em que estava a ver a Isabel sem conseguir mamar, a respirar mal, com tubos nas mãos e naquele quarto de hospital, precisei de mais do que um "as melhoras". Precisei de mais qualquer coisa, de uma mensagem no dia seguinte ou na semana seguinte ou no mês seguinte a perguntar se estava tudo bem, se precisávamos de alguma coisa, a perguntar como tinha corrido, a interessar-se verdadeiramente. Não queria que nos tivesse ido visitar ao hospital com um bolo rei no dia de Natal, mas gostava de me ter sentido mais apoiada.


De resto, sempre me respondeu às SMS e sempre me senti segura nas consultas com ela. É pró-amamentação, nunca se preocupou com a descida suave dos percentis e não me mandou dar leite de fórmula quando ela não engordou "o esperado". Sempre a achei atenta, a vigiar tudo, com tempo para nós e para as minhas dúvidas e até me chegou a receber para acompanhar o peso da bebé, sem cobrar consulta. Concordo com ela em quase tudo e parece-me gostar daquilo que faz e ser uma pessoa bastante informada.


Agora, será que esperamos dos pediatras o mesmo que esperamos de um namorado? Que seja o primeiro a ligar? Que não demore muito a responder? Que nos ame tanto como nós o amamamos a ele?

Será que a pediatra da minha filha teria mesmo de ter dito mais alguma coisa? Teria de ter enviado mensagens ou ligado? Ou esperou que eu a procurasse, caso fosse preciso, como faço sempre? Será que sou demasiado exigente?

Até podia dar-se o caso de já não me poder ver à frente, mas acho que só recorro a ela quando acho realmente importante. Fui contar, 14 SMS em 12 meses. Nunca lhe liguei.

Serei assim tão chata? Será que ela estava só a dar um tempo? A verdade é que para mim aquilo foi como se o meu namorado se tivesse desinteressado de mim, logo na altura em que mais precisava dele. Abalou ali qualquer coisa na nossa relação de confiança, talvez por me sentir tão fragilizada naquela altura.

Agora, há distância de 3 meses e com a Isabel super saudável, esta sensação de abandono já amenizou um pouco e estou disposta a dar-lhe uma nova oportunidade. Mas, primeiro, vou fazer um casting para perceber se não posso ter um novo amor à primeira vista.

3.17.2015

As nossas melhores amigas.


O coração só funciona se estiver cheio. 





Ter uma melhor amiga é como ter mais um coração. 

Um coração que ajuda a que o nosso funcione melhor e mais um coração para nos bombearmos mais sangue, mais amor. 

Da mesma maneira que fantasiamos com um amor para toda a vida, um apenas, desde sempre e para sempre...

... acredito que nós, mulheres, também fantasiemos com uma melhor amiga para sempre. 

  • Uma que saiba tudo de nós. 

  • Que se vá servir da nossa roupa sem nos perguntar. 

  • Que saiba o código do nosso telemóvel e do nosso cartão.

  • Que saiba aquilo que queremos pedir no McDonalds e, portanto, não tenha que nos perguntar. 

  • Que tome conta dos nossos gatos quando vamos de férias. 

  • Que responda à nossa mensagem primeiro que a das outras pessoas.

  • Que saiba qual é o nosso gelado preferido.

  • Que saiba por-nos bem em 30 segundos quando estamos tristes. Nem que seja por fazer um barulho esquisito com o corpo.

  • Que saiba como dizer-nos que aquelas calças nos fazem parecer uma vaca gorda.

  • Que goste de fazer as mesmas coisas que nós e, mesmo que não goste, vá. Afinal, depois não quer ir sozinha ao concerto dos Backstreet Boys e quem mais para ir com ela? 

  • Que nos diga quando temos bigode.

  • A única pessoa com quem conseguimos ter coragem ir à praia ou à piscina com virilhas por fazer. 

  • Que saiba ajudar-nos sem sabermos, falando de nós e sobre nós a quem pergunte como lidar connosco.


Sonho que a Irene e a Isabel sejam assim um dia.

Mas, se possível, sempre com as virilhas em bom.