2.14.2015

Mousse de oreo no bucho!

Muito eu protestei, gritei e desabafei há bocado, neste post. Mas quando chego a casa deparo-me com este cenário: Isabel no chão da cozinha a brincar com as compras e o meu namorado a fazer o jantar.

Ela deu-nos uma folga e até adormeceu sem grandes protestos, ele fez um peito de pato com molho de frutos vermelhos daqui (dedo indicador e polegar a puxar o lóbulo da orelha). Claro que para a Joana Gama isto não seria grande novidade (o marido dela é um cozinheiro de primeira, pelo menos é o que ela diz e a avaliar pela fofice dela, acredito), mas cá em casa, o namorado anda a surpreender-me muito e ultimamente até tem sido ele a fazer o jantar, caso contrário parece-me que morreríamos à fome.

Não quero ser daqueles casalinhos mete-nojo, mas tenho mesmo, mesmo o melhor namorado do mundo!

Menu, como se vos interessasse: folhado de queijo cabra com mel e nozes; patê de pato e cebola roxa caramelizada (isso até fui eu que fiz num instante); o tal do pato com couscous de passas e, para terminar, mousse de oreo com morangos e kiwis.





Tudo maravilhoso. As flores não eram comestíveis, mas achei por bem tirar foto para isto ficar a parecer um daqueles blogues fofinhos.

Agora vamos ao que interessa: alguém para vir cá a casa, LIMPAR A COZINHA?! (sobrou mousse...)

Vou só ali morrer um bocadinho e torcer para que a minha mai nova durma bem esta noite, por favorrrrrrr! Eu prometo que o mau feitio me passa, não se preocupem.

Só me apetece gritar!!!

"Então e como está a correr esse dia dos namorados, Joana?", perguntam vocês imaginariamente, só para eu ter o que escrever. Para já, neste blogue têm de ser mais específicas: Joana só não chega, pela razão óbvia de sermos duas. Esta que vos fala é Paixão Brás, não porque é "bem" assinar com três nomes, mas porque não se consegue livrar do Paixão, a alcunha do ciclo. Entranhou-se.
Onde é que eu ia mesmo? Ah!, na vossa pergunta. Não perguntaram nada? Pelo menos finjam-se interessadas, por favor.

Está a ser espetacular! Não, não está.
Primeiro, tive uma noite daquelas... a desejar cama. E não, não estou a falar de sexo. Dormir, dormir, dormir. Se pudesse dormia agora mas estou armada em finória no cabeleireiro a ler revistas do mês passado e a fazer madeixas. "E ainda te queixas?", indignar-se-ão algumas. Toda a razão, sair porta fora foi um alívio daqueles e o som dos secadores está a ser terapêutico. Já adormeci, de boca aberta. Palavra.
A Isabel anda a dormir pessimamente, devem ser dentes ou o raio. Quando acordou às 07h20, (para mim foi como se nunca me tivesse deitado) levantei-me, dei 4 passos e acordei já no chão. Não sei o que me aconteceu. Felizmente, fui de rabo. A sensação que tive foi a de ter adormecido, mas não sei se isso é possível. Quebra de tensão não me parece porque sempre que tenho, tenho consciência disso e agarro-me à parede ou a algum armário. Desta vez, nada. Só senti quando o meu cóccix me doeu (e não foi pouco).
Estou cansada, muito cansada. A maternidade não são só vestidos cor-de-rosa, quartos com cavalinhos brancos e bonecas de pano, mães e filhos sorridentes. A maternidade também nos lixa muito a cabecinha. A tortura do sono pode transformar-nos na pessoa mais irritante e desequilibrada à face da terra. Tenho pena de mim, até. 
Calma, pessoas que ainda não são mães que seguem o blogue (gabo-vos a paciência de aqui estarem), nem sempre temos vontade de os mandar janela fora. A maior parte do tempo é bom. E compensa. E aqueles clichês todos, que são mesmo verdade. Mas... AAAAAHHHHH! Há dias em que só me apetece gritar! 

Fica o desabafo. Já me sinto melhor. Pelo menos até ver o que me fizeram ao cabelo. Está quase.

Afinal havia outra (#07) - A descoberta

Descobri recentemente que a minha pancinha, proprietária de um carismático pneuzinho desde tenra idade, é lar de um bebé. Estou grávida de 9 semanas! Descobrir foi um episódio engraçado. Eu e o meu marido tínhamos estado 2 semanas em Portugal para o Natal. Ah. Moro em Zurique, esqueci-me de dizer. Um mês antes, pensámos: olha, a partir de agora, quando calhar, calhou? Certo. Teca teca porque assim não nos pressionamos, teca teca porque o destino tem as suas manhas, teca teca porque podemos esquecer-nos de ver se o momento é mais, menos, extremamente, super fértil ou não. E não é que calhou logo? Não tive aquele tempo de espera e de preparação, de pensar ai será que é agora? Será que ainda não é? Quando dei por mim, estava a ver a minha app para o ciclo menstrual e a pensar "um dia de atraso não é nada, toda a gente sabe que o Natal dá nervos nas pessoas e uma pessoa come sempre bastante". Dois dias, três... "oh, isto quanto mais o tempo passa, mais me enervo à espera, por isso é que nada acontece". Comprei um teste. A senhora da caixa olhou para a minha mão à procura da aliança e como a encontrou, sorriu. O que foi estúpido, mas o alemão também soa a estúpido e tenho que viver com isso. Fiz o teste. Apareceu um tracinho. Eu fiquei sem reacção, a pensar como é que o tracinho tinha lá ido parar, para além do facto de o ter afogado num copinho de xixi (sou fina e sem pontaria, ok?). Sorri muito a senti-me idiota. Sorria porque se deve sorrir, e eu sorria, à espera de sentir assim algo mais avassalador. Resolvi que não ia só dizer ao meu marido. Fiz um cartãozinho, aliás dois. Um a dizer "mamã" e outro a dizer "papá". Ele chegou com o carrinho das compras (nesta terra é fashion e prático usar carrinho, não é preciso ter-se mais do que 65 anos) e eu estava sentada na cama. Ele vem ter comigo e entrego-lhe o cartão. Ele abre-o, lê, e diz Ahhhhhh até perder ligeiramente o fôlego. Eu mostro-lhe o meu. E ele riu-se, mas ele ri-se sempre que fica nervoso. E eu desato a chorar e a primeira coisa que lhe digo é "eu estraguei-te a vida, perdoa-me!!!!". Não sei o que me deu, pronto, mas era só nisso em que pensava. Era a minha forma de lhe dizer o quão gosto dele e da ideia de irmos ter um filho. Felizmente ele fala o meu hormonal-language bastante fluente e entendeu. Ficámos imensamente parvinhos. E eu no dia seguinte fui 10 dias para fora em trabalho. 10 dias de reuniões. 10 dias em que estava sem ele, apenas eu e os meus pensamentos, e muito trabalho. Não sabia como digerir isto tudo. Não ia acrescentar um slide extra nas minhas apresentações a dizer "ahh já agora podemos debater isto?...". Passei o tempo todo a tentar descobrir como me sentia. Fisicamente sentia-me igual. Ou seja, não sentia nada. E isso perturbava-me e sentia-me anormal. Sempre achei que se sentia uma epifania cá dentro. Mas não só não sentia nada, como havia bastantes momentos em que me esquecia. Esquecia-me! Quando me voltava a lembrar sentia-me muito culpada. "Se não sou capaz de me lembrar que estou grávida, como é que um dia vou ser mãe de alguém? Se calhar não tenho instinto, o meu avariou-se. Se calhar o meu bebé não vai gostar de mim nunca porque já sabe que eu me esqueci que existia". Fui, voltei. O corpo foi compreensivo e resolveu enviar-me sinais. Pega lá umas mamocas doridas. Pega lá enjoos. Afinal parece que já sinto qualquer coisinha.

Joana Mesquita