Caiu da cama. Não demorei sequer vinte segundos e ela caiu da cama.

Tinha cinco ou seis meses. Deixei-a lá, no meio da cama, de barriga para cima, porque "ela ainda não rebola" e, afinal, rebolou. Alguma vez é a primeira. Foi dessa vez. Fui à casa de banho a correr (literalmente) buscar a escova porque "é aqui mesmo ao lado" e ouvi um estrondo abafado. Senti. Percebi nesse momento que a Isabel tinha acabado de cair da minha cama. Silêncio. Pareceram-me horas. Chora, chora, pedi, enquanto corria para lá. Chorou. Chorou muito. Eu chorei mais ainda. Agarrei nela, beijei-a, pedi-lhe desculpa e fui à procura de sangue na cabeça. Ou de um inchaço. Nada. Passei-lhe a mão uma e mais uma vez. Chorei. Ela parou de chorar. Beijei-a na cara e ela sorriu. A culpa. "Tens uma mãe tão estúpida e ainda me sorris, filha? Não mereço. Zanga-te! Não mereço."
Liguei ao David. "O que faço? Vou ao Hospital?" "Se ela te parece bem, não vale a pena. Vigia."
Quis
vigiá-la. Quis tudo menos levá-la à creche. Pedi que me avisassem caso
ela vomitasse ou ficasse sonolenta. Passei o dia todo mal-disposta. Como podia ter cometido um erro tão grande? Se sabia que podia acontecer, por que é que não preveni?
Quando a fui buscar e ela me sorriu, prometi a mim mesma que nunca mais ia ser uma mãe desnaturada.
Nem
um mês depois, sentei-a no sofá para conseguir estender o tapete no
chão. Fiquei à altura dela para ter um reflexo rápido caso ela se
armasse em Kamikaze. Foram dois segundos, não fui a tempo. Caiu. Em cima
do tapete, mas caiu. Chorei. Fiquei doente. Duas vezes? A primeira
ainda foi um erro de principiante, completamente escusado mas quem nunca
errou que atire a primeira pedra. Agora uma segunda vez?... Onde é que
eu estava com a cabeça?
Entretanto,
ela já caiu mais vezes. Mas por ela. Distâncias mais curtas ou porque
se queria meter em pé ou porque estava em pé e se queria sentar. Sem que
eu a pudesse ajudar. Mas aí caiu sozinha, sem que eu sentisse o peso da
responsabilidade. Porque faz parte e nem sempre estamos lá para a aparar todas as quedas.
Agora quedas da cama e do sofá? Escusadas, completamente escusadas.
Que
este texto, recém-mamãs, vos seja útil. Não vacilar. Não dar hipótese.
Neste caso acabou por correu bem, mas podia ter corrido muito pior.



