terça-feira, 25 de novembro de 2014

Photomaton

Pois é, o Tiago tem destas coisas (talento e isso). Pedi-lhe para me tirar algumas fotografias com o Lucas, ao seu estilo Photomaton (que eram aquelas máquinas de tirar fotografias automáticas e que disparavam numa determinada cadência) e, apesar de nunca ter fotografado bebés, ele aceitou!

E eu estou extremamente contente com o resultado! Tipo, bué!







Obrigada Tiago!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

3 verdades que não são assim tão verdadeiras

Muito antes de sermos mães já temos uma ideia preconcebida da maternidade, dos laços que se criam e do desafio que nos espera. Já admiramos mulheres que se desdobram em mil para conseguirem ter tudo pronto a tempo e horas. A verdade é que tudo isto pode não ser nada fácil. Por isso, cá estão 3 verdades que não são assim tão verdadeiras:

3) Assim que o bebé nasce, cria-se logo um laço instintivo com ele

Nem tudo na vida é hiper-romântico como a maioria gosta de apregoar que aconteceu - pensem connosco: se tivessem passado pela experiência de não sentir apego imediato iriam falar disso aos quatro ventos? Não é assim tão atípico, acreditem. Há mulheres a quem dói demasiado o pipi para conseguirem sentir o que quer que seja de positivo. Há mulheres que se sentem tão engolidas e anestesiadas pela experiência da maternidade que simplesmente não sentem. Mesmo com tanta droga em cima, ver que se trouxe ao mundo alguém que depende de nós pode ser muito assustador.

Se esse laço acontecer no minuto em que o veem pela primeira vez, perfeito. Se não acontecer, há toda uma vida pela frente em que não só se vão apaixonar pelo vosso filhote como também por vocês por serem as melhores mães do mundo.

2) Amamentar é a experiência mais fácil e natural do mundo

Por alguma coisa há mães que pedem ajuda: há mulheres cujos filhos não sabem mamar, há mulheres que têm mastites e febre e ficam com dores durante dias, há filhos que rejeitam a mama e as mães têm de, estoicamente, insistir. Nem sempre é fácil, nem sempre é instintivo, nem sempre é bom.

De uma coisa, tenha a certeza: para quem gosta, amamentar é capaz de ser das experiências mais gratificantes que terá com o seu bebé. Olhar para ele e saber que vive graças a si e, ainda para mais, sabendo que é o alimento que lhe faz melhor... é impagável. 
Por isso, se estão a passar um momento menos bom, acreditem: vai passar.

1) Uma boa Mãe tem de ser uma Mulher perfeita

Todas sabemos que é super fácil amamentar enquanto se passa uma roupita a ferro, pintar as unhas e fazer uma mise ao mesmo tempo que se beija o marido ou ver o Downton Abbey enquanto se faz um risotto de funghi e ainda se responde à sms da melhor amiga. Isto tudo sempre de boa cara, não fosse a experiência da maternidade sempre fantástica.

E mais, o corpo nem sempre vai ao sítio, às vezes as mães ficam a parecer bidés e, mesmo assim, têm de agir como se estivessem à la Vergara. Isto, para além de que os pais parece que ficam surdos durante a noite (sabem tanto) e nós é que ficamos privadinhas de sono. E irritantes e ouvimos coisas como "nunca mais foste a mesma" e "andas mais irritante". É o chamado B*tch, please (ou talk to the hand).

Confessem lá: qual destas inverdades acontece(u) convosco?




Banco de leite

Recentemente conheci uma mãe que é dadora de leite materno. Foi, assim, uma surpresa, saber que existe em Portugal um Banco de Leite Materno, criado pela Maternidade Alfredo da Costa para dar resposta à necessidade de leite na Unidade de Neonatologia.

Estas dádivas são altruístas, não recebendo as mães dadoras valores monetários em troca. Recebem sim o maravilhoso sentimento de saberem que estão a ajudar um bebé, prematuro ou doente, a crescer mais saudável. Está cientificamente provado que o leite materno é o melhor alimento para um bebé recém nascido. Havendo possibilidade, porque não aproveitar o que de melhor a natureza tem para dar?

As recém mamãs que já tenham a amamentação estabelecida com o seu bebé podem ser dadoras, retirando o leite excedente após as mamadas dos seus filhos. O leite é posteriormente recolhido, analisado e tratado para poder ser administrado àqueles que mais precisam. São necessários alguns cuidados, e há algumas restrições em quem pode ser dadora, como o facto de fumar ou tomar algum tipo de medicação, por exemplo, mas o leite é aceite na maioria dos casos. Quem quiser ser dadora deverá contactar o Banco de Leite através do e-mail bancodeleite@mac.min-saude.pt ou através do número 961 333 730 (dias úteis das 9h às 16h).

Só posso dizer que esta foi uma excelente iniciativa da MAC, e só tenho pena de não a ter conhecido há mais tempo, para poder, eventualmente, contribuir, e para a divulgar junto de mães conhecidas.

Obrigada às mães dadoras. Aplaudo-vos. De pé.



Come a papa, raio do miúdo, come a papa.

Acho que é ancestral a nossa preocupação com o peso dos nossos filhos. Ainda vivemos com a ideia de que um bebé saudável é um bebé gordo (por que é que isso não se aplica às mulheres também?).

A pressão de algumas enfermeiras mais histéricas de alguns centros de saúde também não ajuda (epá, nem vou falar sobre a questão de algumas não se manterem minimamente actualizadas relativamente às recomendações da OMS e que isso custa uma amamentação em exclusivo a milhares de mães todos os dias, pois o que sinto é repulsa).  Ups. Acabei por "falar", mas não tudo o que queria, senão haveria já estrilho na street.

É normal que as mães vão em todas as conversas de quem pareça mais credível e experiente, estamos na altura de maior insegurança das nossas vidas face às responsabilidades. Os "profissionais" deveriam ter mais cuidado.

A curva de aumento de peso dos bebés alimentados exclusivamente a mama é diferente dos que estão a leite artificial. Já foram alterados os Boletins de Saúde este ano dada a recomendação do aleitamento em exclusivo. Se estiverem inseguras, perguntem se têm essa nova versão ou se ficaram com um dos antigos.

Acho que desaprendemos a confiar no nosso instinto e no do bebé. Não estou a falar de casos extremos, obviamente, mas deveria haver uma preocupação em não voltar a dar motivos à mãe para ficar internada.

Até eu, mãe de uma bebé que sempre foi comentada como "gordinha" ao dar as sopas nas primeiras vezes era extremamente insistente. Havia birra. Ela não queria comer mais mas eu achava que ela tinha de comer tudo. Porque é assim, porque o prato tem uma dose e, todos os dias, à hora que EU quero, tem que lhe apetecer comer a mesma quantidade. O meu marido teve que me chamar à atenção: "por que é que a obrigas a comer, Joana?".

Porquê?

Para as birras aumentarem todos os dias mais e mais? Para ela deixar de ter prazer no momento da refeição? Para eu já ir toda ansiosa aquecer a sopa por saber o que me espera?

Ela come o que lhe apetecer. Enganada umas dez vezes com fruta na ponta da colher, o que for preciso mas, até ver, não voltará a chorar por eu a obrigar a comer.

Odiaria que me fizessem isso. E devo ter odiado quando mo fizeram.

Por que é que não vemos os bebés como pessoas? 

domingo, 23 de novembro de 2014

8 coisas nojentas que as mães fazem

A maioria das mulheres é muito sensível às nojices do dia a dia. Mas parece que isso muda como que magicamente quando se tornam mães. Ainda que seja só com as nojices dos seus filhos. O resto fica tudo igual. Ai uma poça de lama, que nojo! Ai um peixe cru, que nojo! Ai um pudim de ovos, que nojo!

Fica aqui uma lista de algumas das coisas que o comum mortal acharia nojentésimo (não necessariamente por esta ordem, já que os graus de nojo variam muito de pessoa para pessoa - embora para as mães possam estar todos mais ou menos equiparados):

#8. Cheirar o rabo dos bebés: Não é porque tenhamos saudades do cheirinho a bebé, é só mesmo para confirmar se tem cocó, para podermos tomar as devidas diligências (igualmente nojentas) e limpar o dito cujo;

#7. Comer os restos da comida do bebé: Esta não só não é muito nojenta, como é extremamente prática, já que raramente nos lembramos de nos alimentar;

#6. Lavar as chuchas na boca: Caiu ao chão? O bebé está a berrar? Não há água potável nas proximidades? Então siga! Se for só porque sim também é válido;

#5. Andar cheia de nódoas: Sejam de bolsado, vomitado, ranho ou mesmo baba, quando não nos apercebemos a tempo de mudar de roupa, as nódoas são como cicatrizes de guerra que exibimos orgulhosamente! A não ser que sejam do molho do bife do almoço. Aí já é vergonhoso;

#4. Limpar macacos do nariz e remelas com a ponta dos dedos: Sim, macacos. Daqueles pegajosos e que parece que, por mais que os puxemos, não acabam nunca. E que vêm com ranho. O ranho é o fio condutor, claro, tal e qual um mágico a tirar lenços da cartola. Só que esta versão é mais monocromática, a roçar os tons de verde e amarelo;

#3. Ir à casa de banho com o bebé ao colo: Às vezes tem de ser. E o que tem de ser tem muita força, não é o que se costuma dizer? Antes isso que fazer pelas calças abaixo;

#2. Usar a unha do mindinho para tirar coisas dos orifícios: Seja para tirar cera das partes visíveis da orelha ou cotão do umbigo, a unha do mindinho é um instrumento extremamente versátil! Agora compreendo porque há homens que têm essa unha tão comprida! Blergh! Acabei de ter uma visão... Ok, vamos ficar-nos pelas nojices dos bebés, que são bem-vindas. Tudo o resto é nojento!;

#1. Apanhar vomitado e bolsado com as mãos: Esta nojice mostra também como os reflexos maternos são algo de sobrenatural. Não só não sabemos muito bem como é que conseguimos ser tão rápidas para apanhar vomitado, mas muitas vezes, depois, não compreendemos porque o fizémos. Afinal, ficou tudo sujo na mesma!;

Quem é que nunca usufruiu de um momento nojento destes com os seus filhos? Pois já usufruí de todos! Sem achar propriamente nojento. Pelo menos na altura. E com muito orgulho!

Se continuo a achar os caracóis nojentos? Pois...

sábado, 22 de novembro de 2014

11 horas na creche? Como?!

"Vou ter de deixar o meu filho 11 horas na creche. Não tenho outra alternativa." Esta frase deixou-me triste. E pergunto: como? Como é que uma criança aguenta 11 horas seguidas na creche? Como é que os pais sobrevivem sem ver o filho crescer?

"São os tempos de hoje", ouvimos repetidamente. Os avós trabalham, os pais não têm outra alternativa senão trabalhar e fazer horas extraordinárias e por vezes trabalham em dois sítios. Pergunto-me como é que esses pais não andam angustiados? A resposta é retórica: andam angustiados. Devem andar, só pode. Sabem que dão tudo mas que esse tudo é pouco. É o melhor que podem, mais não podem fazer. Não podem.

Fico triste quando vou buscar a minha filha à creche e ela está a chorar, com olheiras, e faz beicinho quando me vê, como que a queixar-se. Um dia, assim que olhou para mim, começou a chorar, em desabafo. Partiu-me o coração. E, no meio destas vidas caóticas, sou uma privilegiada. A Isabel fica lá 6, 7 horas, no máximo. Tenho a sorte de conseguir coordenar-me com o pai dela. 

Um dia ficou lá 9 horas e eu jurei para nunca mais. Em casa, estava triste. Não comeu a sopa, não quis brincar, chorou a tomar banho, odiou-me. Eu odiei-me, é mais isso. Lá veio aquele sentimento de culpa, tão comum nos pais. Uma bebé de 6 meses não está preparada para ser largada 9 horas. Precisa de atenção, precisa dos pais, precisa de descanso. Todas as crianças precisam.

Por isso, pergunto-me: como é que estamos a criar crianças que chegam a casa a dormir e só vêem os pais ao pequeno-almoço? Mas qual é a solução?

E para agravar ainda mais o sentimento de culpa, vêm os pedopsiquiatras e psicoterapeutas dizer que "passar demasiado tempo no jardim-de-infância pode deixar as crianças deprimidas, provocar sentimentos de abandono e baixa auto-estima", neste artigo do DN. Como se os pais não soubessem. Sabem, os pais sabem. Mas não têm alternativa.

Beijinhos

Ontem quando te ia buscar à escola vi uma mãe com um menino ao colo. Reparei que estava a dar-lhe beijinhos e não consegui não sorrir para dentro.
No entanto, quando viu que estava a ser observada, por mim, parou.

"Não era preciso!", pensei. Eu compreendo!

Quando finalmente te tive de novo nos braços, enchi-te de beijinhos.
Adoro dar-te beijinhos! Adoro adoro! E quando estás ao meu colo, mesmo que esteja a fazer outras coisas, levas com montes deles.
E só reparei que é algo que faço inconscientemente desde que saíste da incubadora quando testemunhei um momento desses entre outra mãe e o seu filho.

Um momento tão íntimo, tão carinhoso, tão cheio de amor...

Espero que me deixes encher-te de beijinhos até bem tarde. Mesmo quando fores adolescente e já nem olhares para mim quando saíres de casa de manhã para ires para a escola.

Beijinhos filho

Estive toda grávida.

Oh que engraçado e que criativo. E não é que um dos primeiros livros dos quais falo aqui no blog (haverá mais, prometo, tenho de arranjar maneira de justificar os mais de 200 euros que gastei na secção de puericultura da FNAC do Alegro) é o MEU? Que coincidência danada, esta.

Eu cá gosto do livro. Confesso que ainda não o reli depois das três vezes em que tive de o fazer antes da edição, mas lembro-me de ter gostado.

A ideia era contar a minha "viagem". Eu era uma miúda maria-rapaz (ainda sou um bocadinho, apesar das mamas cheias de leite e de andar ocasionalmente com saltos da Seaside) e não queria ser mãe. Sim. Não queria, até ter conhecido o amor da minha vida. O homem que me fez esquecer todas as minhas inseguranças que afinal eram as responsáveis pela minha negação da maternidade.

Todas as semanas até parir, pari uma crónica. Às vezes a encher chouriço porque a coisa não se deu lá muito rápido (o meu homem é já a atirar para o velhote), outras vezes porque tinha mesmo coisas para dizer.

Não tinha encontrado ainda (na tal secção de puericultura que devorei) um livro humorístico sobre a gravidez, escrito "ao vivo".  Aqui está ele e ele e eu pela Sara-a-Dias:











Estou toda grávida - Crónicas de uma vida anunciada" é a perspectiva de uma outsider sobre algo que está a acontecer inside her.
A maria-rapaz lá da escola que nunca quis ter filhos está agora ansiosa por ter um e está a ver a sua barriga a crescer.
É o crescendo de uma mentalização, o derreter de um cubo de gelo e um escorregar emocional no que é a maternidade. Isto, pela miúda que usava um boné da Nike quando queria estar bonita para ir para as aulas.
"Irrita-me a forma como falam com as grávidas no sites e nos livros. Tratam-nos como se fossemos uma espécie de Carris metal: somos úteis para transportarmos pessoas, mas suspeita-se sempre de um atraso."
"Na última consulta, a Dra. tinha dito que era uma menina, mas que só tinha 80% de certeza. Agora vimos o pipi! Não da Dra., claro."
"Estou a adorar estar grávida! A ver se não me afeiçoo muito a este estado de graça, senão depois passo os dias a ver se consigo voltar a pôr o miúdo ao pé das minhas trompas."


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Porquê, dentes?

Porque é que vocês insistem em infligir dor ao meu filho?
Parem lá com isso!
Não é que eu o queira desdentado para o resto da vida, mas havia necessidade de causar tanta dor?
Havia necessidade de ele acordar aos gritos durante a noite sem nada que o acalme?
De ficar com febre sem razão aparente?
De ter umas bolas inchadas nas gengivas?

Havia?

Mães de todo o Portugal e arredores, digam lá de vossa justiça o que é que ajuda a aliviar os dentes dos vossos filhotes?

Já ouvi dizer muito bem do Pansoral, é o que eu uso. Deduzo que resulte. Não só o Lucas deixou de gritar, como também já experimentei em mim e fiquei com a gengiva ligeiramente anestesiada...

E os colares de âmbar? Aquilo é caro... Mas também já estive tentada a comprar. Só não comprei porque levei nas orelhas do pai da criança a dizer que aquilo era treta e que se resultasse mais gente usava e blá blá blá. Já compraram? Os vossos bebés ficaram mais aliviados?

Uma amiga também já me trouxe de Inglaterra umas saquetas homeopáticas com umas bolinhas muito pequeninas. Já fui da opinião que os homeopáticos resultavam muito bem, em várias áreas, não só nos dentes. Agora estou um pouco mais céptica... Que me dizem?

Eu já estou por tudo. Todas as mães devem ser assim.

Ninguém gosta de ver os filhos com dores, não é?
Parem lá com isso, dentes!

Os primeiros dias longe de ti, filha

Três dias. Vou estar três dias sem te ver, sem te dar colo, sem te dar mama. E ninguém me obrigou, eu quis. Quis ir com o teu pai. Quis sair de Portugal, quis ir ver o Mundo. Pela primeira vez sem ti, meu Mundo. Tu pela primeira vez sem mim.

Não foi fácil decidir. Ir ou ficar? Estive umas semanas a pensar se seria capaz. Sou. Vou ser. Vou. Vou, com o pensamento em ti, tenho a certeza. Mas vou tentar aproveitar a viagem, já que não vou estar aqui. Vou estar lá e aqui.

Qual é o dia certo? Com quantos meses ou anos devemos afastarmo-nos um fim-de-semana dos filhos? Quando é que as mães se sentem preparadas?

Ainda não tenho a certeza se tomei a decisão certa. Só lá saberei. Ou no aeroporto, ao chegar às partidas. Ou quando fechar a porta de casa, contigo do lado de dentro. Ou quando te der o último beijinho antes de sair. Só de pensar nisso, choro. Eu sou eu e tu. Custa tanto. Se já custa agora, vai custar ainda mais.

Mas eu vou. Porque preciso e o teu pai também. São três dias a dois. Quando sairmos, já vamos estar a chegar. Vai passar rápido. E vai ser bom: vou dormir, vou passear, vou namorar. O teu pai é o meu amor. Os dois juntos fazemos sentido, a fazer uma das coisas de que mais gostamos, viajar. Para o ano vens connosco. Vamos ver o Mundo a três, prometo-te.

Vão ser os primeiros dias longe de ti, com 9 meses. Para a maioria das mães é cedo, eu sei. Para mim também era. Nunca pensei conseguir ir. Mas vou. Vou e volto. Ficas com a pessoa em quem mais confio, logo a seguir ao teu pai. A minha mãe.

Até já, filha



quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Milf

Milf é isto

Fomos promovidas. Entrámos para um novo campeonato. Um campeonato em que esperam menos de nós, mas em que brilhamos mais se formos bem sucedidas. 

Antes, para sermos atraentes, tínhamos de ser as mestres do "realce":

- calças que ficassem bem na peidola;

- soutien que resolvesse o estrabismo mamal;

- soutien (não acumula com o anterior, era só estúpido) que nos levantasse tanto as mamas até parecer que  tinhamos um queixo à Cláudia Vieira; 

- todos os pêlos do corpo estarem tão em ordem que deixamos de pertencer à classe dos mamíferos e que passaríamos despercebidas numa manada de anémonas;

(Se não é manada é o quê? Cardume? Cardume de anémonas? Não faz sentido nenhum, por favor).

- as unhas todas sempre arranjadas ao ponto de, se nos desse na cabeça sermos acompanhantes de luxo, poderíamos fazê-lo num segundo e às 10 da noite num domingo no intervalo da Casa dos Segredos. 

Agora, para sermos atraentes, temos de ser mestres do "disfarce":

- saco de batatas com aberturas em sítios estratégicos (decote, ombros e joelhos) para disfarçar tudo o que pareça já ter estado insuflado em tempos; 

- perfume indubitavelmente de jovem para marketing (se usarmos aqueles mais fortes ainda acertamos nos perfumes das mães de quem os cheira) e que  encontram-se nas caixas das lojas de roupa que também parecem boîtes; 

- maquilhagem exagerada, mas sem muito desespero. É uma dosagem difícil de atingir. Com esta nova condição tanto podemos parecer a mãe do Batatinha como um mimo com parkinson. É uma arte que se adquire. Talvez o melhor seja andar sempre de costas para nunca nos verem a focinheira. 

Atenção que deixamos de ser bonitas e boazonas para "estarmos óptimas para mães". Foi à conta desta nova etiqueta que não me esforcei tanto nas aulas de pós parto. Estou óptima para mãe. 

Respira fundo, Joana. Sorri.

Desde o momento em que anunciamos que estamos grávidas até aos miúdos terem uns 62 anos, há sempre opinanços sobre tudo e mais alguma coisa. Tudo o que fazemos está errado, mas, claro, "cada um sabe de si". Tudo o que fazemos vai torná-los umas bestas insensíveis e egoístas, mas "a mãe és tu".
Tudo tem um "mas". "Mas tu lá saberás...". "Mas o filho é teu..." Verdades de la Palice que não insinuam mais do que um "estás a fazer tudo errado, mas depois não digas que eu não te avisei":

Sou uma pessoa pacífica. Não sou boa a comprar guerras e quase sempre ignoro comentários menos felizes. Mas naquela fracção de segundo antes de respirar fundo e fazer um sorrisinho amarelo, o que me apetecia responder mesmo, mesmo era isto:

- Pegá-los ao colo torna-os dependentes
- Ai não me digas! O meu maior sonho era que a minha filha de dois meses já fosse independente e andasse por aí no Urban a comer gajos dançar sem me dizer a que horas chega a casa. Que chatice ter de lhe dar colo, conforto e amor enquanto ela me deixa e precisa.
Respira fundo, Joana. Sorri.

- O teu leite não presta
- Sabes o que não presta? O teu córtex pré-frontal e a tua boca mal cheirosa de onde só saem asneiras sem o menor cabimento. Informa-te e depois vem falar comigo.
Respira fundo, Joana. Sorri.

É preciso deixar os bebés chorarem
- Sabes quem é que eu deixava chorar, se pudesse? Essa tua cara que nem com três plásticas e dois peelings ia ao sítio, depois de te dar a lição que tu mereces. Está explicado porque é que ficaste tão mal acabadinha.
Respira fundo, Joana. Sorri.

Tens de a ensinar a dormir a noite toda
- Nem sabes a missa à metade. Comecei agora com o reflexo condicionado do Pavlov, a seguir vou dar no reforço positivo com ossinhos como presente para ela morder quando se portar bem e, se não resultar, já contratei o Encantador de Cães para vir cá domesticá-la.
Respira fundo, Joana. Sorri.

Ui! Não tens o parto planeado, estudado ou minimamente definido? Boa sorte...
- Minha grandessíssima amiga, não te preocupes que vou já fazer uma maquete e apontar todas as instruções para dar ao médico na hora do corta e cose. Vai dar imeeeeenso jeito, quando tudo correr exactamente ao contrário. E descansa que "exactamente ao contrário" não é empurrarem a bebé para dentro de mim novamente.

Haja paciência.
Respirem fundo e sorriam.

'Bora pijamar

Eu toda contente a pensar que era hoje que ia dormir a noite toda... Devia ser por isso que o meu filho foi hoje de pijama para a creche. Mas não. Vou levar com ele a acordar às 2h da manhã para comer e depois às 6h cheio de energia para um novo dia. Outra vez.

Devia ser essa a razão do Dia Nacional do Pijama, ajudar os pais a dormir, e não uma acçãozeca de solidariedade. Por que raio hei-de gastar um pijama dos poucos que ele tem da Primark? Vá, tem poucos não por eu ser porca, é porque cresce a correr e basicamente não vale a pena comprar mais.

Agora a sério.

O Dia Mundial do Pijama é uma iniciativa promovida pela associação Mundos de Vida e visa ensinar às crianças o que é ser solidário, bem como sensibilizar a população para o "direito de uma criança crescer numa família". E como bónus vão de pijama para a escola, porque é giro.

Já pensaram nisso? Não no bónus, mas na cena das crianças. Para a maioria de nós o facto de uma criança crescer numa família é um dado adquirido. Mas o facto é que para muitas isso não passa de uma utopia, apesar de esse ser um dos seus direitos fundamentais. Só por isso acho que devia ter ido para o trabalho de pijama. Se não fosse despedida talvez me perguntassem o que andava a fazer assim vestida, e eu teria a oportunidade de alertar mais alguém para esta causa. Mas era perigoso, ainda adormecia e depois era chato se alguém telefonasse.

Além de irem de pijama, as crianças são convidadas a montar um mealheiro de papel, previamente entregue com o convite, e a fazer um peditório aos seus familiares, amigos, vizinhos, padrinho e a quem mais se lembrarem. Desta forma, irão aprender a ser solidárias para outras crianças. Haverá também actividades relacionadas com o tema durante o dia de hoje, o que fará com que o dia seja ainda mais especial. Actividades especiais e ir de pijama. Maravilha de dia!

O Lucas foi hoje de pijama para a creche. E nem foi para me poupar trabalho, que o desgraçado, mesmo que não se borre todo (é mesmo assim, não há maneira de dizer isto com jeitinho), fica sempre a cheirar a cocó. Logo, tive de lhe vestir um pijama lavadinho e a cheirar a (não, não é a rosas) Skip Baby.
Levou também o mealheiro, que por pouco não chegava inteiro, já que esta chuva ensopa qualquer coisa. Ele ainda é muito novo para compreender a parte solidária do pijama, mas ao menos pode fazer a festa e ir confortável. Imaginem uma sala cheia de bebés de pijama. Coisa mai' fofa!

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A tua caixinha

Foi (quase) assim que te conheci. Conheci-te quando nasceste, e tive a oportunidade de te dar um beijo e um olá. Mas depois levaram-te. Levaram-te de mim. Da tua mãe.
Voltei a ver-te no dia seguinte. Não pude pegar-te ao colo. Só tocar-te. Senti o teu calor. Estavas quentinho, lá dentro, mesmo despido.

Estavas ligado aos monitores que apitavam quando deixavas de respirar ou quando o teu coração fazia coisas esquisitas. Tinhas o oxigénio a entrar pelo nariz. Eras pequenino. Não tão pequenino como outros meninos que te acompanhavam na neonatologia. Afinal, não te tinhas adiantado muito. Só 5 semanas. Os tubinhos que te ajudavam com o oxigénio pareciam enormes para as tuas pequenas narinas.

Tinhas também uma sonda na boca. Não sabias comer. Não sozinho. O leitinho tinha de chegar ao teu estômago com ajuda. Um leitinho. Não era o meu. Depois passou a ser o meu, também. Com algum esforço consegui ajudar-te a crescer, embora não chegasse. Bebeste sempre mais algum leitinho.
Tinhas uma mão negra. Tiveram de te picar. Num dia numa mão. Noutro na outra. Noutro talvez no pé. Foste muito corajoso.

Estavas muito sereno, quando te conheci, quando pude finalmente sentir-te como meu. Mesmo assim ao longe, na tua caixinha. Que te protegia de mim, deste mundo para o qual não estavas preparado. Eu queria tanto abraçar-te! Sentir o teu cheiro, encostar os meus lábios na tua pele. Fazer-te sentir que eu estava lá, que não estavas sozinho.


Tive medo. Muito medo, de te perder. Embora me dissessem que a probabilidade de te ires ser ínfima, eu não conseguia deixar de olhar para ti, tão frágil, e pensar que da próxima vez que as máquinas apitassem seria a última que te veria com vida. Felizmente, não passou disso. De um medo.

O tempo passou. Primeiro tiraram-te o oxigénio. Já sabias respirar sozinho! Que grande vitória! Nessa altura ainda estava internada. Ia ver-te sempre que podia, que sabia que poderias estar mais tempo acordado para nos conhecermos melhor. Enquanto dormias tentava descansar, para recuperar da cesariana e para que, quando regressasses a casa, pudesses contar comigo a 100%.

Tive alta. Mas tu ainda não sabias comer. Não pudeste vir comigo para casa. Para a nossa casa. Doeu-me muito. Sabia que estavas em boas mãos, que era o melhor para ti, mas não conseguia deixar de pensar que te tinha falhado. Ainda agora tinhas chegado e eu já estava em falta para contigo. Doeu-me tanto.


Quando regressei ao pé da tua caixinha pude, finalmente, pegar em ti. Foi um momento mágico! Eu não estava nada à espera. A senhora enfermeira virou-se para mim e perguntou-me, com a maior das naturalidades, se queria pegar-te. Se queria? Claro que queria!

Passei a visitar-te duas vezes por dia, embora pudesse ficar mais tempo. Não o fiz pois apenas poderia ficar a olhar para ti, enquanto dormias. Aproveitei esse tempo para descansar e recuperar. Queria ser só tua quando fosses para casa. E queria poder receber-te. Como vieste mais cedo, ainda faltavam coisas importantes para ti. Às vezes penso se terei sido má mãe por fazer isso. Por não ter estado sempre contigo. Mas a minha consciência diz-me que não. Fiz o que devia ter feito. Não ganhaste nada se eu tivesse lá estado o tempo todo. E ganhaste uma mãe mais presente sempre que estive contigo. Ia ver-te e ia tirar leite, para que pudesses continuar a tê-lo quando fosses para casa.


À medida que o tempo ia passando ias evoluindo cada vez mais. Passámos a poder dar-te banho. Era o ponto alto do nosso dia. Meu e do pai. O pai também ia sempre visitar-te. Eras todo dele enquanto eu tirava leite. Depois eu reclamava-te para mim. Já só faltava teres alta e vires para casa. Mas não conseguias aprender a comer. Fizeste fisioterapia. Aprendeste a mamar. Agradece à terapeuta Paula, ela foi muito importante para que o conseguisses fazer. Passámos a dar-te biberão. Muito devagarinho. Não tinhas força para mais. Apertávamos-te as bochechas para perceberes como se fazia.

E, um dia, quando menos esperávamos, bebeste um biberão inteirinho! Por precaução ficaste mais uma noite na tua caixinha, e no dia seguinte passaste a ser só nosso. Foram só 12 dias. Mas foram 12 dias que pareceram uma eternidade. Hoje contas já com 9 meses. Ou 7 meses e meio, como algumas pessoas gostam de dizer. Obrigada por teres lutado e por estares hoje connosco, Lucas.



Obrigada a toda a equipa de neonatologia do Hospital da Luz. Aos enfermeiros Hugo, Patrícia, Andreia e aos outros cujo nome não me lembro, um especial obrigada por nos terem feito sentir em casa, por terem ajudado o Lucas a recuperar tão bem, e por nos terem ensinado a cuidar melhor dele.

O pai também sabe, demora é mais tempo.


Por David Silva, pai da Isabel

O pai, quando não é pai mas sabe que quer ser pai (confuso, eu sei), tem a perfeita noção de que a vida vai mudar a partir do momento que os filhos nascem. Agora, será que sabe o quanto vai mudar? A resposta é claramente: "NÃO!".

Começando por onde se deve começar, pelo início: a vida de casal é boa, jantares a dois em ambientes românticos, idas ao cinema, sexo com fartura (q.b., vá!), sair à noite... Esta é a vida de que o pai-que-ainda-não-é-pai gosta.

Numa noite de jantar romântico que acaba com 3 horas de sexo (ou 10 minutos, mas à Benfica) acontece que o nosso espermatozóide mais rápido se lembra de chegar com tudo para nos alegrar a vida (para aqueles que querem ser pais, claro).

Depois chega a notícia e o pai-que-ainda-não-é-pai vai ficar a saber que vai ser pai. Esta é a parte em que ficamos radiantes mas, no meu caso, aquilo que me saiu foi: “estás a gozar?!?!?”. Pode não parecer, mas fiquei contente e com a lágrima ao canto do olho. Só que, nos segundos que se seguem, acontece o mesmo que dizem que acontece às pessoas que estão prestes a morrer. Fazemos um “flashback” à nossa vida e começamos a pensar nas coisas que gostaríamos de fazer e já não vamos fazer, as que fazíamos e que também já não vamos fazer, mas nada disso abala a nossa felicidade porque, no fundo, sabemos que o que está para vir é muito melhor (não para as pessoas que estão a morrer, claro).

Os 9 meses de gravidez, para o homem, nem são assim tão maus (tirando os humores bipolares e os desejos - do que elas se lembram!), mas temos de ser sinceros: a mãe sofre muito mais!

Vamos a umas aulas de preparação pós-parto e nem caderno levamos para tirar apontamentos porque achamos que vamos decorar tudo. A verdade é que as aulas vão passando e achamos sempre que são coisas a mais para aprender, mas, mesmo assim, pensamos: “isto de ser pai afinal não é assim tão difícil!”.

Chega o momento: vai nascer. A Joana grita “acho que me rebentaram as águas!”, ao que eu respondo “posso dormir só mais um bocadinho?” Eu sei, pareço uma besta insensível, mas o facto é que uma das coisas que nos ensinam é que quando rebentam as águas não vale a pena ir a correr para a maternidade porque ainda vai demorar e, no final de contas, podia ter dormido mais umas 6 horas (sendo que, provavelmente, ela me teria acordado aos gritos com as dores das contrações).

Vai parecer cliché, mas é verdade: o nascimento de um filho é mesmo um momento inesquecível, mas não vou entrar por aqui porque começo a ficar lamechas.

Dia 1, agora é que vão ser elas. Aquilo que me veio à cabeça foi: “afinal devia ter tirado uns apontamentos!”. Temos de ser realistas. As mães, durante 9 meses, fazem um download automático do manual de instruções do bebé (sendo que algumas parece que fazem download em Russo) e nós temos de aprender na hora. Trocar fraldas parece fácil, mas afinal não é. “Para que lado é isto?”, “é melhor limpar o cocó de cima para baixo ou de baixo para cima?”. E os banhos? Parece que a qualquer momento vamos afogar a pobre da criatura. E pior: combinar roupas? Eu bem tento não juntar flores e riscas, mas se tiverem a mesma cor, estão mesmo a pedi-las!

E agora aquilo que os pais mais gostam: acordar a meio da noite com cotoveladas nos rins e com as nossas mais que tudo a pedir gentilmente "vai lá tu!". Primeiro protestamos, depois vamos a cambalear e a embater contra as paredes e tudo o que nos aparecer à frente. Chegamos ao quarto com vontade de esganar o pequeno satanás que se encontra de joelhos e agarrado às grades a chamar por nós. Mas depois, depois parece que despertamos quando o pequeno anjinho se começa a rir para nós. Por muito que custe, a criatura vai ter de voltar a dormir...

Uma hora depois, estamos com as pernas dormentes de tanto caminhar pelo quarto, os braços já nem os sentimos, a música do youtube para bebés entra-nos pelos ouvidos em loop, já levámos 20 pontapés no peito e 38 beliscadelas na cara e o bicho não há meio de fechar os olhos.

Oi, oi, oi, está a adormecer, é agora! Fechou os olhos, está com aquela respiração calma, cama com ela, debruçamo-nos sobre a cama e ela aí vai. Viramos costas e, em pézinhos de lã, saímos para que ela durma um sono tranquilo. Pensavam que era assim tão fácil? Pois é, meus queridos, ela acordou de novo.

"Mãe, agora vais lá tu!"

Depois ainda há as papas, as sopas, as brincadeiras, os aerossóis e aquele objecto de tortura mais conhecido por aspirador nasal.

Hoje em dia o pai tem de saber. E não é muito melhor assim? Para mim é.

Quero que a minha filha sinta que o pai esteve sempre lá e que um dia diga “o meu pai também sabe!” 

E sei, só demorei mais um bocadinho! 



Cusquem-me a bebé à vontade.

Adoramos ver os bebés dos outros quando passamos por eles nos centros comerciais, não adoramos? Adoramos, pois. 


Eu nunca tinha olhado antes de ser mãe, talvez por, lá está, nunca ter considerado fazer parte deste clube. Agora olho mas, essencialmente, para ver se são mais bonitos que a minha. Somos todas assim, não me lixem. Somos, não somos? 


Comecei a reparar nisso nos primeiros passeios que demos no Alegro de Alfragide. Sempre que passavam velhinhas por nós, comentavam, em voz perfeitamente audível para o piso inteiro, o que tinham achado da criança. Outras, mais atiradiças, até metem conversa a perguntar que idade tem para terem uma desculpa para falarem dos netos. As únicas que não gosto são as que se põem a mexer na miúda. Só não lhes bato porque a idade já está a encarregar-se de lhes proporcionar desconfortos, nomeadamente a nível do tracto urinário.

Reparo que os pais também gostam de olhar para nós quando temos um bebé, mas desconfio que, no meu caso, seja por ter um carrinho super masculino e fora do comum e, então, põem-se a comparar "pilinhas", numa espécie de competição de xunning aplicado à puericultura.

As mães de crianças mais velhas olham porque estão loucas para voltarem a ter um bebé e snifarem-no todo e apalparem-no todo, qual drogadinhas. Ter um bebé é como fumar durante alguns anos. Depois até se pode deixar de fumar, mas o vício está lá sempre. E quando se vê alguém a fumar, aumenta-nos o desejo. 

Tirando a questão da medição peniana masculina, apetece-me sempre meter conversa com todas as mães, mães ao quadrado (avós) e com todas as grávidas. Apetece-me falar de tudo, perguntar tudo e ir tomar um café com todas. Parece que somos todas amigas, mas que não nos falamos. Enerva-me. Tudo o que posso dar é um sorriso.

E é o que me dão também. No outro dia, a passear no Colombo, uma dezena de mães e crianças sorriram para mim e para a Irene, desejaram-nos felicidades, disseram que ela era muito bonita e muito simpática e, graças a Deus, ninguém disse: "Olhe que isso passa muito rápido". Só um pai de uma pré-adolescente num elevador disse algo semelhante: "Depois ficam assim, aproveite". Espero que a compressão da miúda fosse equivalente à de um berbequim. 

Cusquem-me a bebé à vontade, fazemos parte do maior clube do mundo. 







terça-feira, 18 de novembro de 2014

Mãe Mãos de Tesoura

Quem frequentou um curso de preparação para o parto deve ter sido confrontado com o dilema das unhas. Como cortar as unhas ao recém nascido? Com uma lima? Normal ou "para bebés"? E a tesoura? Tantas dúvidas... Mas afinal qual a melhor opção?

Cheguei à conclusão que:

#1: Se optarmos por usar limas, podem ser aquelas mais roscoves de papel que se vendem no supermercado;

#2: Mesmo com as limas mais xpto, as unhas dos recém nascidos são tão molinhas que é, na mesma, muito difícil pô-las mais curtas;

#3: A tesoura é uma boa opção, as unhas parecem papel, mas há que ter cuidado com bebés mais irrequietos;

#4: Mesmo com os bebés ditos irrequietos (eu comprei um desses modelos), com algum cuidado é quase impossível cortar-lhes os dedos.

Conclusão: a experiência dir-vos-á o que melhor resulta para cada um dos vossos bebés e seus respectivos pais, dependendo do nível de perícia manual dos mesmos. Ou seja, eram bons a EVT no 5º ano? Então estão safos com a tesoura. Se o cubo que montavam se parecia com um octo-nãoseiquê-edro, então se calhar é melhor optar pela lima.

Mas uma coisa é certa, não deixem de lhes cortar as unhas, se não querem ver a pele deles (e a vossa, já agora) que nem carpaccio de vitela.

Os 7 Mitos (mais estúpidos) da Maternidade

"Se beberes água fria enquanto amamentas, o bebé constipa-se". Pois, está claro.
"O bebé está com cólicas? O teu leite deve ser muito gordo". É, se agitar faço chantilly.
"A bebé tem de sair da maternidade com uma peça de roupa vermelha, para dar sorte". Hã, hã.

Qual o mito mais estúpido? Venha o diabo e escolha. A partir do momento em que se engravida, várias são as crendices que as tias-avós, vizinhas no elevador ou colegas do escritório nos fazem chegar. Muitas vezes temos mesmo de fazer um esforço sobrenatural para não chorar a rir. 

Compilamos aqui os 7 Mitos (mais estúpidos) da Maternidade
(podiam ser 10, mas dentro de 15 minutos a Isabel deve estar a acordar esfomeada)


1. Sexo durante a gravidez faz mal

Ui, como isso vai... a desculpa da dor de cabeça já não chega? Salvo os casos em que a gravidez é de risco e o obstetra desaconselha, sexo faz bem e recomenda-se, de preferência com o pai da criança.

2. As meninas roubam a beleza às mães

Olha que coisa tão bonita de se dizer a uma grávida e, ainda para mais, já com as hormonas todas descontroladas. É mesmo o incentivo que uma mulher com pata de elefante e com mais 15 quilos no bucho precisa. Adoro este espírito solidário. Temos de ser "umas p'as'outras".

3. Estou grávida, nada de exercício

Pois, pois, é a desculpa perfeita para não mexer uma palha, comprar um balde de nuggets e ficar na engorda a comer por dois e a fazer zapping. Se forem acompanhadas por profissionais especializados e se os vossos médicos não se opuserem, é pôr esse tutu a mexer!

4. Barriga empinada é menino, achatada é menina

Leram isso onde? Na Reader's Digest de 1922? Pois que essa relação não tem ponta por onde se lhe pegue (e aqui está pelo menos uma mãe para o comprovar. Mais alguém desse lado?)

5. Tens azia, então o bebé vai nascer cabeludo

Isso explica muita coisa... o David Luiz já revelou, inclusivé, que a mãe teve azia mesmo antes de estar grávida. Já a mãe do Nicholas Cage teve tanta azia como o filho tem bom gosto para aceitar papéis.
(Não tive azia e a Isabel nasceu mais peluda que o Tony Ramos e com um cabelo de fazer inveja ao Nuno Graciano).

6. Nunca estender a roupa do bebé à luz da Lua porque o bebé fica doente.

Lá por influenciar as marés, quer dizer que a Lua tem superpoderes para afectar os têxteis da Zara? Que mais faz a Lua? Atira búzios? Dá worshops de kizomba na Rinchoa? 

7. Se os desejos da grávida não forem correspondidos, a criança pode nascer com a "marca do desejo"

Isto significa exactamente o quê? Que o bebé nasce com um sinal em forma de brownie na bochecha? Com uma meia-laranja desenhada na nádega? Óbvio que isto foi inventado por uma mãe para chantagear o pai.

Que outros mitos vos fazem ficar de pêlos eriçados ou agarradas à barriga de tanto rir?

Fui má mãe?

Ninguém deveria ser obrigado a ir tirar sangue a um bebé. Sinto que me retiraram todo o sangue que tinha no MEU corpo.

A minha filha é, alegadamente, alérgica à proteína do leite de vaca e, por isso, "tivemos" de ir fazer análises. 

Usaram garrote para fazer sobressair a veia. Picaram. Picaram. Picaram. Picaram. Picaram. Picaram. 

"As veias são muito fininhas, por isso sai pouco e coagula logo.".

Picaram. Picaram.

Escusado será dizer que a Irene chorou como se estivesse a ser atacada e despedaçada por um leão. Não sei se terá sido confuso durante todo o processo estar a fitar a mãe e ela nada fazer, se seria preferível achar que estava sozinha.

Chorou. Chorou durante as duas dezenas de picadelas. 


Quando parou de chorar e continuou a ser picada, intervim. Encarei a paragem do choro como um acto de desistência de pedir ajuda e não aguentei mais. No meio do meu próprio choro convulso, gritei que bastava, que não tocavam mais na minha filha, que não queria saber se tinham sangue suficiente para ver seja o que for, não lhe faziam mais mal e pu-la, ambas a soluçar, quase sem conseguirmos respirar, na minha mama. Queriam retomar, mas não deixei. 


Ainda hoje não entendi por que é que fui fazer análises. Se se desconfia que é alérgica à proteína do leite de vaca, não se dá mais papas lácteas, pronto. É só leite da mãe, mesmo na papa. Adio os iogurtes e os queijinhos e afins. Quando for mais velha, será melhor para tirar sangue e, por isso, menos penoso fisicamente. 

O que é que lá fui fazer?

Ainda para mais existem leites adaptados sem a tal proteína, caso um dia não consiga manter a amamentação.

Não valeu a pena. 

Nenhum bebé deveria ser submetido a nada contra a sua vontade se não for por motivos de força muito muito maior.

Ninguém deveria ver o filho naquele estado e, pior, achando que lhe está a fazer bem. 



Nota: Quem tiver de fazer análises aos filhos, pergunte sempre se existem profissionais especializados para o efeito. Deve ser menos mau com as pessoas que tiveram formação específica para lidar com bebés e crianças. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Conversa de mães (#01)

- Então como está a tua piquena?

- Está b...

- Olha, a minha Susana está demais! Já faz o pino seguido de um mortal encarpado há um mês e agora dou com ela a misturar o português com o coreano, uma espertalhona. 

- Que engraçada! Mas a minha Márcia começou a fazer isso já há dois meses. Agora já salta do armário em duplo mortal e acaba em espargata no chão enquanto diz a tabuada.

- Que máximo a tua filha! A tua Márcia sempre foi muito despachada. Mas a Susana agora já faz cocó no bacio e saem com a forma de cupcakes. Aquela miúda... é uma peça! Já não suportava andar no carrinho, inscrevi-a nas aulas de condução.

- Opa, que fofura a tua filha! A minha Márcia é mais virada para os números. Foi tão rápida a fazer as contas aos 50% nos brinquedos do Continente, que a matriculei em contabilidade no ISEG.

- Quantos mesinhos?

- 6 meses.

- Que esperta, a tua filha! A minha só tem 5.


Regra nº.1 - elogiar sempre os filhos dos outros, mas depois espetar-lhe sempre um ovo a cavalo: o ovo é o nosso filho