domingo, 30 de novembro de 2014

Dois pais ou duas mães

Sou a favor da família. Da família tradicional, da família monoparental, da família homossexual, da família às bolinhas amarelas. Desde que trate bem as crianças, lhes dê amor, carinho e educação, a mim não me interessa que tipo de família é.

É por isso que não posso deixar de defender a co-adopção por casais do mesmo sexo. Defendê-la-ei com unhas e dentes se for preciso! E tenho argumentos, também:

1. Para crescer feliz e equilibrada uma criança tem de ser amada, acarinhada, mas também educada. Deve ser livre mas também deve ter regras e limites (aliás para as crianças a ordem deveria ser mesmo ao contrário). Isto tudo independentemente de quem habita com ela. Seja um pai e uma mãe, só uma mãe ou um pai, um avô, uma tia, dois pais ou duas mães.

2. É 569735 vezes preferível que uma criança seja desejada e tudo o que referi no ponto anterior e ter uma família menos normal a ter uma família normal que a maltrata ou negligencia, física ou psicologicamente. Que a rebaixe e que não lhe dê valor. Que abuse dela fisicamente. Que abuse dela psicologicamente. "Ah mas a criança tem um pai e uma mãe, isso é que é importante." Isso é BS (Bull Shit).

3. Os miúdos gozam com tudo. Se tem óculos, se é gordo, se os pais são separados, se chora, se não consegue fazer o triplo mortal encarpado de costas, etc. O facto de ter pais homossexuais é apenas mais um tema de gozo. Todas as crianças que são gozadas sofrem de uma maneira ou de outra. Cabe à família relativizar o gozo e ajudar a sua criança a ultrapassar esse problema (se o for) e cabe aos pais das outras crianças não passarem para elas o preconceito que possam ter ou sentir.

4. O Dr. Mário Cordeiro concorda comigo. Pumba!


Por isso, haja respeito, amor, carinho, educação e disciplina, e as crianças podem crescer com quem lhes calhou na rifa! E a lei deve protegê-las, permitindo que ambos os pais ou ambas as mães sejam seus progenitores.

Qual é a idade certa para engravidar?

É quando se quer. :)


Comigo foi depois de reunir estes requisitos:


Ter a certeza de que o pai é o amor da minha vida

Ter a certeza de que o pai tem o que eu não tenho e que faz falta para educar e criar uma criança com amor

Saber que, juntos, temos possibilidades financeiras para a criar de acordo com os nossos padrões

Existirem "os nossos" padrões e não "os meus e os teus"

Ter um momento menos aliciante na carreira, para ganhar coragem

Não precisar de ter um bebé para a vida ter emoção, mas querer

Estar a ver um programa qualquer manhoso na televisão e pensar "do que estou à espera?" e decidir tirar o anel. Aquele, não esse. Exacto.

Assim foi planeada e desejada a Irene. E os vossos? 

sábado, 29 de novembro de 2014

Deus no céu e Aero-om na Terra

Aposto que com este tema as opiniões se dividem, mas também tenho a certeza que há muitas mães que estão comigo. Eu sou fã do Aero-om!

Felizmente agora já não preciso, pois o Lucas não só já não sofre de cólicas, como já se consegue acalmar com outras coisas.
No entanto, quando ele era recém-nascido, até cerca dos seus 4/5 meses, eu usei e abusei deste medicamento maravilha. Era a maneira que eu tinha, esgotadas as outras hipóteses, de conseguir que o Lucas se acalmasse e fechasse a boca à chucha. Ele sempre gostou de chucha, mas às vezes estava de tal maneira irritado que precisava de um empurrãozinho para fechar a boca e começar a chuchar. As duas gotas que eu deitava na boca dele serviam quase como um abanão ou uma palmada na cara, ao estilo snap out of it. Eram o click que ele precisava para ficar mais calmo.

Compreendo que quem não concorde diga que aquilo tem montes de açúcar, que tem álcool, etc... (só para informar, já não tem álcool há mais de 10 anos) Eu própria tinha muitas dúvidas. Cheguei a pensar se ele às vezes não ficaria mais agitado, já que o açúcar costuma acelerar-nos, mas o facto é que aquilo funcionava e ajudava a acalmá-lo. Isso mais as manobras de embrulhar ao estilo do Dr. Harvey Karp. O facto é que ele quando se irritava era a sério (na verdade ainda é assim...), contorcia-se todo e a casa quase ia abaixo. Quem não o conhecesse, e a nós, vá, era capaz de pensar que estávamos a espancar a criança. Tinha medo de o aleijar tal era a força que ele fazia. Por isso vou montar um altarzinho em honra do Aero-om no aparador, junto à televisão.

Se voltava a usar? Sem dúvida!


A minha mãe é melhor que a tua!

As mães são seres únicos e especiais. Também os linces da Malcata.
As mães conseguem parecer bichos de dentes afiados prontos a morder o lombo gorducho de outra mãe que as contrariem. As mães são defensoras exageradas das suas crenças.
As mães babam-se com as novas gracinhas dos filhos e não conseguem parar de as partilhar com os outros. As mães perdem o filtro.
As mães conseguem ter dúvidas e certezas absolutas ao mesmo tempo. As mães são bipolares.
As mães gostam de comentar, nem que seja baixinho, as escolhas das outras mães. As mães julgam.

As mães gostam de ajudar outras mães, dão-lhes conselhos e emprestam-lhes coisas. As mães são generosas.
As mães conseguem identificar o cansaço nos olhos das outras mães e estão prontas para uma palavra de conforto. As mães são boas.
As mães sabem, já estiveram ali, já passaram por aquilo. As mães conseguem ser, muitas vezes, mães das mães.
As mães conseguem ser as melhores amigas.

Às vezes as mães gostam de competir, mas no fundo sabem que o que realmente interessa é serem as melhores mães que os seus filhos podem ter. Esse é o único campeonato que importa.
E eu dou por mim a querer entrar neste concurso, em que só eu compito.

Quero fazer o melhor bolo de chocolate.
Mas mais do que isso quero ter a companhia da minha filha a bater os ovos ou a rapar o tacho até ficar com bigode de chocolate.

Quero fazer o melhor dos trabalhos de casa.
Mas mais do que isso quero que nos divertamos a fazê-lo juntas e que ela ganhe prazer em descobrir e em aprender.

Quero ser a mais bonita aos olhos dela.
Mas mais do que isso quero ensiná-la a ter confiança e auto-estima, independentemente dos bonitos olhos.

No fundo, não preciso que a minha filha diga: "a minha mãe é melhor que a tua!".
Quero que diga: "a minha mãe é a melhor mãe do mundo".


Restaurantes onde ir com os filhos #1 - Commenda (CCB)

(sim, isto é para ver se os restaurantes começam a enviar vales de desconto ou bifes cá para casa para serem publicitados no blog, a ver se pinga, a ver...)

Commenda

Dois dos meus restaurantes preferidos para ir com bebés são no Centro Cultural de Belém. Depois digo o outro (não que seja muito difícil porque acho que só há esses dois) para ocupar todo um novo post com isso. 

Como o meu marido e eu somos muito caseiros, para sairmos em família temos de ser motivados ou pela comida ou pela comida. A Irene já sabe que, se o pai está a empurrar o carrinho quer dizer que, daqui a 50 metros, vai cheirar a fritos.

Nunca gostámos de restaurantes com barulho, agora talvez tenhamos que frequentar mais desse género para os "ataques de fúria" ou de "cantoria desalmada" da Irene não enfurecerem ninguém sem um coração.

A Commenda é um bom equilíbrio: além de estar num sítio bastante agradável e com uma vista muito simpática (não esquecer que dizer que se foi almoçar ao CCB fica sempre bem, porque parecemos minimamente culturais ou assim), a comida e o serviço são impecáveis.

São kids friendly (têm uma quantidade infindável de cadeiras altas do Ikea e uma até para bebés mais pequenos) e, por isso, imensas famílias vão lá ao domingo (que eu tenha reparado) para os pais comerem o semanal buffet de Cozido à Portuguesa. Não sei se o meu marido vai gostar que divulgue o cozido que, assim, talvez os melhores enchidos já estejam ratados quando chegarmos. Não ratem os melhores enchidos, sff, senão sou capaz de apanhar na farinheira focinheira.


 Vista: muito agradável.

 Estacionamento: parque coberto (e o restaurante valida o ticket) com elevador directo.

 Comida: carta muito agradável e um buffet de cozido à portuguesa divinal, ao domingo.

 Preço: de graça, se for outra pessoa a pagar.

 Crianças: bem recebidas com cadeiras e espaço para correrem.

✔ ✔ Serviço: óptimo, somos recebidos como habitués e servem-me "o costume".


Fotografias Zoomato e TripAdvisor


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Mamãs de Março (mais ou menos)

Ainda não contámos bem a nossa história, pois não? Aqui vai. De fininho porque sei que têm mais que fazer. Eu também (não tenho nada, a miúda está a dormir). 

Todas com a data prevista de parto para Março. As três (e mais a Cristina da foto) super ansiosas ao ponto de irmos visitar um site temático chamado "De Mãe para Mãe". Alguém abriu uma thread para as mães de Março, fomos lá todas parar que nem moscas (salvo seja ;)). Mais tarde passámos todas para um grupo no Facebook e não nos largámos. 

As mães de Março de 2014 não são mais que as mães, mas são só mães. Foi muita boa esta, não foi? Somos para aí umas 56. 

Não sei como é que chegámos a este mini-grupo. A Cristina também era para fazer parte do blog mas safou-se de boa que esta porr* ainda dá trabalho. 

Passámos a nossa licença de maternidade juntas. A falar no Facebook, no WhatsApp e a tomarmos cafés e a lancharmos por jardins, na casa uma das outras e a apanhar banhos de sol na piscina. 

Tem sido tudo muito melhor e mais bonito assim, com outras mães ao barulho. Esse é também o propósito deste blog. Para todas as mães "filhodependentes" (como a Joana Paixão Brás escreveu neste post) por aí sentirem que não são malucas. Assim, passam a ter a certeza. 

Parecemos muito divertidas na foto, mas fomos só almoçar a um centro comercial e comprar maquilhagem à Sephora. ;)



Um beijo enorme à Cristina que, apesar de nos ter abandonado neste projecto ainda antes do parto, continuará sempre a ser uma de nós. <3


Bebé: Livro de instruções

Literalmente!

Este livro é extremamente leve (na escrita e no peso), apesar de se focar nas fases mais importantes dos bebés dos 0 aos 12 meses.
A sua escrita é muito engraçada, sendo por isso ideal para ler naquelas alturas em que não estamos com paciência para nada, mas temos de nos informar de alguma forma. Além disso é muito sucinto. Não estou a dizer para não lerem as bíblias do Mário Cordeiro, até porque eu sou fã. Mas este é compacto e divertido.

Para o caso de ainda não ter dado para perceber comigo a ser extremamente chata, eu adoro esta colecção! Tive o primeiro contacto com ela quando adquiri o modelo gato. Deu-me imenso jeito para não danificar o equipamento adquirido. Só precisei de o levar à manutenção algumas vezes e foram de rotina.

Sim, é assim que este livro está escrito.

Acho que é uma excelente prenda já que, na hora de escolher um livro de puericultura, a escolha pessoal recai geralmente sobre os mais completos. Assim, a probabilidade de já terem ou de terem de ir trocar é mais baixa. Mas este fui eu que comprei, assim que soube que estava grávida. Comprei este e os outros todos que estavam na prateleira da Fnac.


Jingle Bells, o caraças!

Jingle Bells, Jingle Bells... Ai o Natal... as luzinhas, os efeites, o azevinho, o cheiro a bolos no ar, os embrulhos, o espírito de união... O caraças!

E o stress de ter de ir a todas as capelinhas e fazer centenas de quilómetros para agradar a todos? 
As mães e as sogras a fazerem o jogo da corda para ver quem passa a noite da consoada com os netos? 
As crianças aos berros num excitex desesperado, a perguntar duzentas vezes se já é meia noite e a abrirem os presentes uns a seguir aos outros sem olhar bem para o conteúdo (e, no final, ainda perguntam: "já acabaram?"). 
Os pais a oferecerem às mães um lenço pela enésima vez porque não tiveram pachorra para pensar em algo diferente (ou porque andaram a pinar a reunir com as secretárias). 
As bisavós, surdas, a gritar "crianças adoráveis" com os netinhos a destruirem a casa toda e a mandarem coisas para a lareira.
A fofinha da tia Clotilde a aproveitar para cascar no irmão, que sempre foi um mal-agradecido e que só quer saber das partilhas.
Os tios a encher o copo de whisky vezes sem conta e a dizerem que estão muito melhores do colesterol.
As mães enfiadas na cozinha a lavar pratos e a afiambrarem-se aos restos da mousse e das azevias, como se não houvesse amanhã. 
O tio depravado a pedir silêncio para ver bem as mamas da Flávia na Casa dos Segredos.
A tia chata a cravar beijinhos repenicados, a oferecer meias brancas de "raquetas" e a dizer "eras assim deste tamanhinho e agora já tens um filho, quem diria?".

Ai o Natal, o Natal. Let it snow, let it snow, let it snow...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Roupas cocós vs. fato de treino

Quem é que não adora ver o seu mini mais que tudo todo embonecado? Acho que toda a mãe babada gosta. Então se for mãe de menina... Ui! A coisa pode descambar a ponto de ter de hipotecar a casa para comprar as roupinhas da princesa. Eu, por outro lado, por ser mãe de um rapaz quase consegui juntar para uns Louboutin.

Ele é fofos, ele é cueiros, ele é golinhas e fitas e vestidos e toucas. E carneiras e laços e cenas. Mas a Joana Paixão Brás depois faz-vos uma descrição desta parafernália de roupas que eu não percebo nada disto...

Eu cá perco-me é com jardineiras. Então se forem OshKosh. A-D-O-R-O! Tive a sorte de herdar algumas dos meus irmãos mais novos e ainda me perdi no eBay com outras tantas em segunda mão. Malditos dois dias em que tive de ficar em casa de repouso por causa da BVC. Ainda por cima já tinha a confirmação de que era um menino... Ainda foram umas quantas... Isso e uma camisa Ralph Lauren por 5 éros, qual feira, mas original!

Mas entretanto o menino não só nasceu como foi para a creche. E o facto é que eles estão muito melhor de fato de treino (ou roupas confortáveis e equivalentes). Passei à ir à Primark e à Zippy comprar calças de fato de treino, bodys, t-shirts e casacos com capuz. Assim ele pode gatinhar, rebolar e andar na brincadeira à vontade. E se se sujar não fico com pena de a roupa ficar com nódoas.

E vocês? Empinocam os vossos bebés quando vão para a creche? Ou fazem como eu e só os empinocam ao fim de semana?

Antes e Depois dos Miúdos (#02)

ANTES
Chegamos a casa depois de um dia extenuante de trabalho. 
Pousamos a mala, as chaves e o guarda-chuva e descalçamo-nos para não sujar a casa.
Deitamo-nos um bocado no sofá.

Meio sonolentas, fazemos um prato XPTO para impressionar a cara metade ou encomendamos sushi. Pomos a mesa, a média luz, com uma música clássica para criar ambiente e manter a ilusão de que somos pessoas interessantes, e decoramos a mesa com umas flores frescas.

Tomamos um banho relaxante e perfumamo-nos. Ele chega, jantamos, vemos um filme ou uma série, temos uma sessão de sexo escaldante (ou 5 minutos, mas na loucura!) e ainda temos tempo para continuar o livro que está na cabeceira.
São 01h da manhã e vamos dormir.

DEPOIS
Chegamos a casa depois de um dia extenuante de trabalho, de sair a correr para ir buscar o bebé e de apanhar trânsito (mais meia hora na creche, coitadinho), e fazemos um plano mental da próxima hora. 
Pousamos cuidadosamente a mala, as chaves, o guarda-chuva, o ovo (com ele a dormir), a mochila dele, e descalçamo-nos para não fazer barulho. 
Sonhamos em deitarmo-no no sofá, mas enquanto ele dorme mais uns minutos, vamos pondo a sopa a descongelar, estendemos a roupa que ficou na máquina e vamos pensando no jantar.

Completamente derreadas, pomos a mesa, o bebé acorda, damos-lhe a sopa e a fruta com ele a chorar ou a esfregar os olhos e pomos o Big Bugs Band ou a Galinha Pintadinha no tablet para o distrair. Depois, damos-lhe banhinho, ele chora a vestir o pijama, contamos-lhe uma história, damos-lhe mama, mimo e cama. Pensamos "ele vai dormir já" de tão cansado que está. Pois, mas ele põe-se de gatas agarrado à cama, ele fala, ele grita e ele chora. Ele quer tudo menos dormir.

Comemos só lá para as 23horas os restos do jantar do bebé ou uma coisa qualquer feita à pressão, lavamos os dentes porque tem de ser, mas já nem temos coragem de tirar a maquilhagem de palhaça que fizemos a correr de manhã (mas isso ninguém precisa de saber). Começamos a ver um episódio de uma série qualquer e, nem 10 minutos depois, adormecemos. Tentamos dar um beijo de boa noite à cara metade mas já nem a encontramos bem no escuro. Quando já estamos a entrar naquele sono bom e profundo, o bebé chora. Isto repete-se duas ou três vezes, nas noites boas. E é Natal quando o bebé não se mija todo.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Filhodependentes

Vamos começar por confessar: pertencemos todas ao grupo de pessoas que consegue estar a falar ininterruptamente durante 30 minutos sobre os nossos filhos, não é?

Mas se bem se lembram, há uns aninhos, revirávamos os olhos quando na mesa ao lado, no restaurante ou na cantina do trabalho, ouvíamos uma grupeta de mães a falar de cocós, do infantário, das roupas que se esfolam nos joelhos, das viroses que por aí andam. 

Dizíamos ao nosso grupo de amigos “Ai! Eu quando for mãe não vou ser assim. Quero ter vida própria. Quero ser interessante”. Pois, minhas queridas, a verdade é que nos tornamos no grupo de filhodependentes que não sabem quando parar. Cinema? “O último filme que vi foi o Avatar…” Música nova? “A Galinha Pintadinha conta?” O Sócrates foi preso em Évora? “São todos iguais”. Por muito que queiramos não conseguimos ter grandes temas de conversa nem sair das frases feitas.
Mas vamos tentar?

Eis o que vos proponho, qual guru: fazer um exercício simples para tentarmos curar esta filhodependência.

Inspira. Expira.
Primeiro passo: assumir que somos chatas.
Todas juntas, dizer esta mantra: “Eu, mãe da Isabel (nome do vosso filho, ou seria só parvo), sou chata. Ninguém quer saber da cor do ranho da minha filha. Ninguém ganha nada com a informação de que ela já come sopa com carne. Todos os bebés fazem isso.”
Inspira. Expira.

Segundo passo: ler nas entrelinhas. No início vai ser difícil controlarmo-nos, mas o mais importante é perceber que já estamos a ser chatas. Quando?

  1. Quando percebemos que ninguém nos está a fazer perguntas há, pelo menos, 5 minutos.
  2. Quando o interlocutor ficou com os olhos molhados. Não, ele não está comovido, apenas acabou de bocejar discretamente.
  3. Quando o interlocutor faz comentários como “ah, que giro”, “hã hã”, “tão bom”, a olhar para o telemóvel. Não é tão giro, nem tão bom. Ele está só a ser simpático.
  4. Quando o interlocutor tenta mudar o assunto nem que seja para falar da meteorologia e nós aproveitamos para dizer que temos o miúdo constipado ou que lhe comprámos um gorro novo. Ninguém quer saber!
  5. Quando o interlocutor revira os olhos. Não, ele não está a ver a mosca a passar, nem lhe entrou nada para o olho. Ele só não quer ouvir-nos mais!

Terceiro passo: fazer uma lista de coisas interessantes para dizer. Enquanto estamos na sanita, pegar no telemóvel e ler as gordas das notícias. Mesmo que não consigamos aprofundar muito os assuntos, podemos lançar temas novos! E não, notícias que envolvam criancinhas não contam!

Quarto passo: para que esta mudança nas vossas vidas não seja muito repentina, ponham um penso no braço. O penso é o "A Mãe é que sabe". Venham cá pôr a conversa em dia, contar-nos como é o ranho dos vossos filhos e ser chatas. Nós não nos importamos.

Estou à espera da cabeça partida

Oh. Meu. Deus.
Já sofro por antecipação, para depois o golpe não ser tão forte... Não sei como vai ser daqui para a frente.
Mães que têm filhos terroristas, como aguentam? Como aguentam estar constantemente com o coração nas mãos? Saber que o "não" não chega. Ou o castigo ou a palmada no rabo...
O Lucas ainda só tem 9 meses e eu já consigo antecipar o futuro dele... Cabeça, braço ou queixo partido, em algum ponto da sua infância. Ou as três hipóteses e mais algumas. Quando digo que ele é terrorista se calhar estou a exagerar um bocadinho. Ele é aventureiro, curioso, destemido e todo despachado. E eu tenho imenso orgulho nisso! E é assim que ele é feliz: a explorar, a testar o limite, a observar com as mãos tudo muito detalhadamente. Quer ir, vai. Quer mexer, mexe. Quer meter na boca, mete.
Mas isso vem com um preço. Eu sei. O pai dele era assim... Metia-se em cada alhada. Chegava a casa todo esfolado, ou com sangue em alguma parte do corpo. Chegou a ser atropelado! Compreendem o meu pânico, não compreendem? Eu não era assim. Eu era sossegada. Tinha medo. Gostava de ficar a brincar no mesmo sítio, horas e horas à volta de um brinquedo. Eu era feliz assim. Mas fora a parte da segurança, não quero que o meu filho cresça à minha imagem. Quero que seja ele próprio, igual a si, com a sua identidade e personalidade.

Só queria saber como fazem, mães de miúdos terroristas. Porque isto me assusta.

Quando ligar ao pediatra?

É dos maiores dilemas de uma mãe de um bebé a seguir a quando é que se deve "fazer um bebegel".

Não queremos incomodar os pediatras porque temos medo do rótulo que passamos a ter junto deles.

Não queremos ser as mães com falta de confiança, as mães dependentes dos médicos, as mães chatas. Não queremos parecer freaks, enviando um sms ao pediatra por dia ou por mês.

Então, como fazemos?

O que é que é digno de fazer com que enviemos um sms ao pediatra ou não?

Acho que uma das frases da minha pediatra pode ajudar-nos nisso: "enquanto os bebés são pequeninos, não se preocupem que terão toda a minha atenção".

Quanto mais pequeninos forem, maior o nosso nervosismo e também mais graves as repercussões dos problemas que possam ter. Está a chorar muito? É enviar uma mensagem ao pediatra. Antes isso do que pormos Camilo Alves na chucha a conselho de alguém ou que o abanemos "de fininho" com algum desespero.

Acho que, acima de tudo, temos que nos lembrar de duas coisas:

- Receber um sms não é incómodo nenhum. Ler quatro linhas de texto ou ignorá-las não é muito complicado. Responder é que pode ser e isso fica do outro lado.

- Às vezes não custa nada abrir um livrinho credível para as dúvidas mais normais e menos preocupantes. "Quando é que é febre?" Podemos ler aqui ou acolá e a informação não varia muito.

- Averiguar a disponibilidade do médico fora das consultas deve ser discutida logo no início e deve ser um dos critérios na escolha do médico: está disponível para lhe fazer perguntas por sms?

Afinal passaram a ser três coisas que temos que nos lembrar.

Eu perguntei: "Se for muito chata, diz-me?". E assim ficámos. Até hoje.



terça-feira, 25 de novembro de 2014

Bebé doente é para estar em casa.

Escrevo no dia em que a Irene ficou doente pela primeira vez. Algum dia teria que acontecer e foi hoje. Passadas algumas horas de negação, lá me apercebi que aconteceu. Olhos congestionados, a senhora da farmácia a dizer que a "miúda está a arder em febre", dois dias em que esteve esquisita, foi o que foi preciso para entender que, passados sete meses e meio, a minha filha ficou doente.

Sempre tentei protegê-la ao máximo. Evitei sair com ela quando estava frio, nunca estive com ninguém doente ou com crianças doentes, nada. Afinal, fui eu a ficar e a passar para ela e para o pai. Quem me mandou tirar a camisola para lhe dar de mamar todas as noites só por gostar de sentir as mãos dela no meu peito?

Escrevo para dizer que é impossível protegermos os nossos filhos de tudo tal como idealizámos, porém creio que o nosso papel é tentar e a sério. Tenho a consciência tranquila e sei que fiz tudo o que podia. Mesmo. A Irene nem está na creche muito também por causa disso.  Claro que não devemos enfiá-los num tupperware, nem devemos privá-los de lamber o chão, mas ter o máximo de cuidado com mudanças de temperaturas e afins é o papel dos pais. Protegê-los. Tapá-los à noite. Vestir casacos. Não sair com eles à rua quando estão engripados ou constipados. Arranjar maneira de estarem no seu máximo conforto e não "no nosso".

Não desejo isto a ninguém. A nenhuns pais, nem a nenhum bebé. No que depender de mim, a Irene não terá contacto com outros bebés até estar completamente curada. É verdade que tenho a vida facilitada por estarmos ambos em casa (marido freelancer e eu com licença sem vencimento), mas todos os trabalhadores a contrato têm direito a um mês de assistência à doença do filho e os outros, espero que consigam ter compreensão dos patrões. Infelizmente sei que o mundo não é justo. Refiro-me aos que podem.

Confesso que não consigo estar de acordo com os pais que, por opção, com os miúdos doentes, vão para sítios (para mim, entupidos e ranhosos, já é estarem doentes e não um "estado normal", senão iríamos com eles ao médico quando estivessem a respirar bem e não quando têm dificuldade em respirar e tosse, aí estávamos felizes da vida). Não só acho que o bebé deveria ficar no sítio mais confortável possível e resguardado (principalmente no caso de constipações e afins) como também nunca me sentiria bem ao pensar que poderia pegar algo a alguém. Esse alguém pode ser um bebé ou a um pai que pega a um bebé...

Se toda a gente fosse assim, não haveria menos doenças para todos os bebés? Doentes vão sempre estar, mas não deveríamos tratar da saúde dos filhos dos outros como se fossem os nossos? Qualquer doença é de evitar. É sempre triste um bebé não estar no seu melhor. É sempre lamentável ter que fazer aerossóis, vapores, supositórios...

Não há pressa de sair. A Irene só sairá quando estiver bem. Pelo bem dela e pelo dos vossos filhotes.

PS - A Irene já está bem, obrigada. 


Mães que tudo sabem (#01) - Carolina Patrocínio


Carolina Patrocínio foi mãe há oito meses, ou há sete meses e 30 dias, para sermos mais precisas.
A Diana nasceu no dia 26 de março de 2014 e nós temos acompanhado todos os passos da bebé mais fofa do mundo (logo a seguir aos nossos, claro!).
Será que a vida da Carolina deu uma volta de 180 graus? O que mudou na vida da apresentadora? Imaginam-na uma control freak ou uma mãe super descontraída?

De uma coisa não tenham dúvidas: a Carolina é que sabe.




Como soubeste que estavas preparada para ser mãe?
Tenho a sensação de que sempre soube. A maternidade nunca me assustou talvez por sempre ter tido vivido com a minha mãe que esteve grávida grande parte da minha adolescência. O facto de ter um sobrinho também acelerou o apelo da maternidade. Não estive propriamente à espera de um sinal que me dissesse que já estava preparada. Estava só mesmo à espera de me casar e dar andamento à coisa! (risos)

Quem foi a primeira pessoa a quem contaste que estavas grávida?
À minha irmã mais velha, Mariana.

Qual foi a primeira coisa que compraste para o bebé?
A primeira coisa que comprei foi passado bastante tempo.. já estava grávida de quase seis meses. Comprei um tapa fraldas num mercado qualquer de Natal só pela pressão de ainda não ter comprado nada. Mas a verdade é que nunca o usei porque não sei onde o guardei! (risos) Como na altura ainda não tinha nada pronto, nem o quarto, nem as gavetas de roupa, devo-o ter deixado em algum saco provisório que nunca mais apareceu. No meu caso ficou provado que comprar cedo demais e comprar só por comprar não dá bom resultado.

Tinhas preferência por menino ou menina?
Para ser sincera não me lembro bem. Mas talvez sim… apesar de não ter sido nada muito assumido nem denunciado. Acho que na altura tinha preferência por um rapaz devido à vontade do Gonçalo.

A tua gravidez foi muito comentada porque nunca deixaste de fazer desporto e porque fizeste barriga mais tarde do que o habitual. Como geriste isso?

Com a maior naturalidade possível e confesso que com algum gozo à mistura devido à ignorância de algumas pessoas que faziam os comentários mais descabidos. Comentava-se na altura que eu teria um bebé prematuro, raquítico e descolamentos de placenta devido ao exercício que fazia… enfim, só cenários macabros. A preocupação do meu médico era precisamente a oposta, pois sabia que a bebé tinha um percentil grande num corpo pequeno como o meu. Nunca tive contrações prematuras, dores ou desconforto provocados pelo desporto. A verdade é que, apesar de ter treinado literalmente até ao dia antes do parto, a bebé estava de tal modo confortável dentro da barriga que nasceu no final do tempo, grande e gorda. 


Quantos kgs ganhaste?
8kg.

Ias com medo para o parto ou calma?
No dia anterior estava aterrorizada de medo, não preguei olho. Acho que fui para o hospital com uma directa em cima! Tudo o que o médico me tinha dito para não fazer… supostamente devia ter tido uma boa noite de descanso, tomado um bom pequeno almoço e ido para o hospital cheia de energia para um dia que se avizinhava longo por ser um parto induzido. Mas quando saí de casa, com a mala pronta, fiquei estranhamente calma e segura… senti-me preparada e tudo correu bem.

Cesariana ou parto normal?
Parto normal, sem sombra de dúvida.




Amamentaste a Diana. Foi fácil? Algum conselho para as futuras mamãs?
Sim, amamentei. Confesso que nos primeiros dias não foi nada fácil. A subida do leite foi sem dúvida das experiências mais difíceis com que tive de lidar no pós parto. Mas a verdade é que não ia de todo preparada nem informada sobre o assunto, daí hoje em dia aconselhar sempre as futuras mães a lerem sobre o assunto. Tive uma subida drástica e repentina e não soube agir da melhor forma. Da próxima vez já não me apanham na curva. Vou fazer tudo direitinho.

Como recuperaste o teu peso?
A treinar muito e a ter algum cuidado com a alimentação… mas o segredo reside nos meses da gravidez e não no pós parto. Não há milagres em 15 dias com um bebé recém-nascido nos braços se não se tiver tido cuidado ao longo dos 9 meses.

Agora que foste mãe, sentes que te dão mais credibilidade?
Nem por isso. Não acho que isso afecte a nossa credibilidade perante os outros.






Custou-te muito regressar ao trabalho e deixares a tua filha com outras pessoas? Como geriste isso?
O facto de não ter um trabalho das 9h às 19h faz com que não tenha que estar fora de casa o dia inteiro. No entanto, também não pude usufruir da tradicional licença de maternidade, por isso tive que ir gerindo as minhas ausências, deixando a bebé entregue às avós. Aos 8 dias de vida da Diana tive uma sessão fotográfica para a SWATCH em que a tive que levar comigo. Aos 15 dias levei-a para França de avião. Tudo se consegue com vontade e algum sentido prático. A primeira grande ausência foi só aos 5 meses quando fui viajar com o meu marido para a Tailândia durante 8 dias.



És uma mãe control freak ou mais descontraída?
Descontraída… bastante mesmo. Segundo a minha família, muitas vezes 'peco' por demasiada despreocupação. Deixo a bebé andar pelo chão em todo o lado (gatinha na rua, no chão dos restaurantes, nos parques) mexe em tudo, suja-se com tudo, vai à praia e à piscina... não tenho nada a obsessão pelas bactérias ou pelas doenças. Desde que nasceu que leva lambidelas do nosso cão Kruger, apanho-lhe a chucha do chão e não esterilizo biberões nem nada que se pareça. Ela está óptima, desenvolvida e recomenda-se. Anda no berçário e felizmente ainda nunca ficou doente!   


És das mães que aproveitam todos os silêncios para falar da Diana? É difícil controlar, não é?
Entre mães é muito difícil controlar-me! Mas fora do contexto tento não ser chata.

O que é que mais gostas na tua filha?
De ser super despachada, simpática e ter uma enorme destreza física. Mas confesso que adoro o facto de, hoje em dia, eu ser o auge da vida dela. Mal me vê entrar em casa começa a dar guinchos de histerismo como se eu fosse a maior alegria de sempre. Acha-me a pessoa mais engraçada do Mundo, ri-se às gargalhadas com tudo o que digo ou que faço e está constantemente a mostrar-me as novas gracinhas.



Aprendeste algo novo sobre ti, agora que foste mãe?
Percebi que consigo sobreviver com menos horas de sono e que tenho uma paciência infinita.

Pergunta da praxe: para quando o próximo?
Para o ano. Mas não digam ao meu chefe (risos) Estou a brincar... Quando queremos planear demasiado as coisas podemos cair facilmente na desilusão. Por isso não gosto de agendar tudo ao milímetro. Gostava de ter filhos que fizessem a diferença de dois/três anos para serem próximos uns dos outros. Mas quando chegar a altura logo se vê se tenho as condições reunidas.

Da próxima vez o que é que vais fazer diferente?
Em primeiro lugar o contexto familiar será diferente. Vou ter o meu marido a viver em Portugal comigo, coisa que não aconteceu quando estive grávida da Diana e até ela ter dois meses de idade. E vou ter decididamente acompanhamento profissional no dia da subida do leite.


A mãe é que sabe?
O instinto de uma mãe não se compra, não se transmite, não se ensina. Uma mãe vê, ouve e sente melhor. Sabe sempre antes dos outros e raramente se engana.